Fábio Seixas

Automobilismo e pitacos sobre tudo o mais

 

Um belo grid

Na MotoGP, treino de tirar o fôlego nesta madrugada. As surpreendentes Kawasaki dominaram a sessão, com Nakano e De Puniet, mas no finalzinho Hayden cravou a pole. Prêmio de consolação, o japonês ainda segurou o segundo lugar. Rossi, bem a seu estilo, ficou ali entre os oito primeiros até que, no último instante, encaixou uma bela volta: larga em terceiro.
 
Hayden ainda lidera o campeonato, mas está preocupado com Rossi, que voltou a ser Rossi. Hoje, a diferença entre os dois é de 26 pontos. Pedrosa, quatro pontos à frente do italiano, será almoçado com farinha na Austrália: larga em décimo. Contando a corrida da próxima madrugada, faltam quatro etapas para o fim da temporada.
 
Comecei a acompanhar esse negócio de moto há pouco tempo, admito. E curti. É um campeonato fascinante.
 
Aliás, para os registros: se Rossi ganhar, Philip Island será o único circuito em que triunfou nas sete vezes em que correu por lá na categoria principal, seja 500 cc, seja MotoGP.

A corrida começa às 2h e o Sportv transmite.

Escrito por Fábio Seixas às 01h09

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Curiosidade

Um site alemão fez uma pesquisa com internautas perguntando se a punição a Alonso, no sábado, foi injusta. Dos 5.500 que participaram, 50,35% clicaram no "sim".
 
Um site inglês fez a mesma pergunta. O resultado foi parecido, dentro da margem de erro desse tipo de pesquisa sem nenhum valor científico: para 45,5% dos 23.710 internautas, a FIA pisou na bola com o espanhol.
 
Façamos uma pesquisa rápida e informal por aqui: o que você achou?

Escrito por Fábio Seixas às 17h06

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O pior dos mundos

Imaginava que os engates fossem a maior idiotice do trânsito de São Paulo. Refiro-me aos malandrões que vão a uma oficina com o carrinho zero e instalam um engate apenas para proteger o pára-choques traseiro não se importando se, para isso, vão arregaçar o pára-choques dianteiro de outrem.
 
Aliás, o objetivo é extamente esse: acabar com o pára-choques do outro. Além de idiota, é uma atitude egoísta.
 
Mas hoje descobri algo pior. Na Barão de Campinas, aqui atrás da Folha, vi um Gol bolinha todo adesivado com a campanha de um candidato a deputado federal. O carro estava equipado com um brake-light no alto do vidro traseiro. Agora, o inacreditável: o brake-light tinha o formato de uma mão, com o dedo do meio em riste.
 
Ou seja: toda vez que o motorista breca, quem está atrás é ofendido, é xingado, tem que ficar encarando aquele dedo vermelho iluminado.
 
Não sei se o carro estava sendo dirigido pelo tal candidato, mas a imagem parecia bem apropriada: a cada freada, eu via, à minha frente, um postulante a deputado me mostrando o dedo.
 
Brincadeiras à parte, espero fervorosamente que não vire moda, como os engates.

Escrito por Fábio Seixas às 15h10

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Primeiras imagens

Para recortar e guardar, caso Nelsinho se torne alguma coisa na F-1: o primeiro dia de trabalho na Renault.
 
Como anunciado, ele tirou o molde do banco e começou a conhecer sua nova "tchurma".
 
                                                                                                      Renault/Divulgação

Escrito por Fábio Seixas às 14h41

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Going back to Miami

Cristiano pode volta a Miami nos próximos dias. Ele continua na unidade de reabilitação do Theda Clark Medical Center, em Neenah, no Wisconsin, mas segundo o já famoso doutor Pinderski deve continuar esse estágio da recuperação na Flórida, onde vive e onde vivem seus amigos.
 
Hoje, ele sofreria uma cirurgia para recolocação de uma parte do osso do crânio, retirado para aliviar a pressão do cérebro após o acidente. O tipo de coisa incompreensível, inconcebível para nós, seres humanos comuns, leigos em medicina.
 
Não sei exatamente como será a vida de Cristiano nos próximos anos. Se ele voltará a correr ou não é um detalhe bobo, insignificante. Diante do absurdo de seu acidente, só a possibilidade de retornar para casa nas próximas semanas tem contornos de milagre.
 
Depois de Senna, por quem torci muito quando era moleque, nunca mais torci por piloto algum. Agora voltei a torcer.
 
PS: Fã de rock que é, Cristiano poderia ouvir "Going Back to Miami" no caminho para casa. Certamente melhoraria ainda mais seu humor. Ignorante cibernético que sou, o máximo que consegui encontrar da música para compartilhar aqui são os 30 segundos desse link.

Escrito por Fábio Seixas às 10h36

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Nelsinho e a F-1

A Renault acaba de anunciar que "Nelson Piquet Jr." estreará como piloto de testes na próxima semana, trabalhando por três dias em Silverstone. Hoje o brasileiro visita a fábrica de Enstone pela primeira vez e "fará o molde do banco, aprenderá sobre o carro e conhecerá a equipe".
 
"Gosto muito de Silverstone e já pilotei muito lá, então não vou ter que me preocupar em aprender a pista e poderei me concentrar apenas no carro", diz Nelsinho, na nota.
 
O time avisa, porém, que o clima pode atrapalhar, já que as previsões para a próxima semana não são lá muito otimistas.
 
Sobre as novas trazidas pelo comunicado, três comentários breves:
 
1. Continuo achando engraçada essa história com o nome do moleque. Ele chama Nelson Ângelo Piquet. No Brasil, mais do que previsível, virou Nelsinho. Na Europa, no ano passado, passou a assinar Nelson Piquet Jr. A própria nota da Renault gasta algumas linhas com o tema. No original, em inglês: "Nelsinho Piquet (as he is known in Brazil to distinguish him from his three-time world champion father) will get his first taste..."
 
2. Ou esse teste não vale nada ou a Renault enlouqueceu. Sim, Kovalainen também vai andar em Silverstone e no seu carro devem ser experimentados os componentes para China, Japão e Brasil. Mas gastar outro carro por três dias com um piloto que basicamente estará aprendendo a andar de F-1 e em plena decisão de título parece-me uma atitude temerária. O que não falta é piloto experiente desempregado topando qualquer free-lancer.
 
3. Que Nelsinho mude sua atitude já se quiser sobreviver na F-1. Nos poucos testes que fez por BAR e Williams, ele conseguiu disseminar uma imagem de arrogante e prepotente que se alastrou por toda a categoria. Em Monza, um mecânico da Renault veio se queixar com um amigo meu: "Mas logo esse tal de Nelsinho?" E não tem jeito: quer se dar bem no automobilismo, entenda-se com seus mecânicos. Nelson Piquet (ou Nelson Sr. ou Nelsão) que o diga.

Escrito por Fábio Seixas às 09h31

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Carreira mega-super-ultrameteórica

Masami Kuwashima completa 56 anos hoje. Ou completou ontem, porque, afinal, está no Japão e lá já é amanhã.
 
"Quem?", alguns hão de perguntar. "O piloto com a carreira mais curta em toda a história da F-1", responderei.
 
Sua história é curiosa.
 
Em meados dos 70, Kuwashima era um piloto de meio de pelotão na empolgante F2000 japonesa. Na mesma época, a Williams vivia uma draga talvez só pior que a atual: mesmo com apoio do magnata canadense Walter Wolf, Frank teve que colocar o segundo cockpit à venda na segunda metade de 76.
 
A penúria provocou algumas aberrações. Em alguns GPs, a Williams não encontrou quem colocasse dinheiro e correu com apenas um piloto, Arturo Merzario. Em outros, se virava com quem aparecesse. Nos EUA, um certo Warwick Brown, australiano. No Canadá, deu a última chance a Chris Amon, que nem conseguiu se classificar.
 
Eis que a F-1 chega ao Japão para seu primeiro GP, Monte Fuji. E eis que nosso herói, Kuwashima, acena com uma graninha para Frank.
 
Trato feito, o japonês foi para a pista na sexta-feira e ficou em último, com 1min17s90, 5 segundos mais lento que Mario Andretti, o mais veloz.
 
Os patrocinadores pessoais do japonês não gostaram e decidiram tirar o dinheiro da empreitada. Resultado: no sábado de manhã, Kuwashima foi chutado por Frank e substituído por outro locador de plantão, o austríaco Hans Binder.
 
Estava encerrada a carreira do japonês na F-1. Em tempo, Binder foi apenas 5 décimos mais rápido e só correu porque Frank foi de equipe em equipe colher assinaturas autorizando-o a largar. 
 
Parabéns, Kuwashima. Fica triste, não. Para este blog, você é tão importante quanto Schumacher.

Escrito por Fábio Seixas às 18h33

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E a McLaren?

A Ferrari vai de Massa e Kimi. A Renault, de Fisichella e Kovalainen. E a McLaren? Ninguém sabe ainda, e estranhamente fala-se muito pouco sobre o assunto.
 
Uma vaga na McLaren é uma vaga importante. É uma vaga capaz de elevar um piloto ao panteão dos jovens talentos ou de destruir uma carreira.
 
Talvez por isso Ron Dennis esteja tomando tanta cautela com a escolha. Hamilton seria o candidato natural. Mas tio Ron está com receio de queimá-lo após tanto investimento. Prova disso, vem levando o moleque em banho-maria. Até agora, o inglês andou apenas uma vez de F-1, em Silverstone, e no ano passado. Detalhe: foram só 21 voltinhas. Sim, ainda há a pré-temporada, mas ele ainda parece muito cru para estrear em 2007.
 
Numa dessa, não duvido que sobre para Paffet. Esse, sim, já acumulou rodagem: 43 testes, mais de 14.000 km. Ron colocaria o campeão da DTM para se virar com Alonso no ano que vem e enquanto isso daria os últimos toques e retoques em Hamilton. 
 
São suposições, como quase tudo envolvendo o futuro da McLaren: o time pode até mudar de mãos.
 
Para 2007, para os lados de Woking, só há uma certeza por enquanto: seja lá quem for o eleito, será a quinta prioridade do time. Em primeiro, segundo, terceiro e quarto lugares, Alonso.

Escrito por Fábio Seixas às 17h54

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Explicando melhor...

Ufa, as coisas acalmaram um pouco por aqui. Às explicações, pois: a Michelin está ouriçada desde que a "Autosport" publicou a foto de um funcionário da Bridgestone usando um macacão e com uma espécie de máscara antigás pendurada no pescoço.
 
Os franceses suspeitam que os seus pares japoneses estejam usando algum produto químico nos pneus para aumentar a aderência. E que esse produto não esteja na composição da borracha permitida pela FIA.
 
Já no domingo, em Monza, um colega espanhol veio me dizer que a Renault entraria com protesto. Logo depois, Symonds negou. O fato é que o caso cresceu ao longo da semana.
 
A Michelin e a Renault só não se deram ao trabalho de analisar melhor a foto: o tal funcionário está segurando um pote de... iogurte! Sensacional!
 
Segundo a Bridgestone, a vestimenta tem por objetivo proteger o técnico de pedaços de borracha que saem voando pra todo lado quando os pneus são dissecados para análises.

Frase de uma fonte da "Autosport" que encerra a reportagem do site da revista sobre o imbróglio: "A FIA não se convenceu de que a aplicação de iogurte nos pneus resulte em alguma vantagem".

Escrito por Fábio Seixas às 15h08

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Iogurte mágico

Hoje é dia de escrever coluna, correria danada por aqui.
 
Enquanto isso, vou tentando encontrar adjetivos que definam a acusação da Michelin contra um iogurte. "Patético" parece muito fraco...
 
Volto no fim da tarde.

Escrito por Fábio Seixas às 12h22

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Garoto propaganda

Não sei o que Schumacher vai fazer no ano que vem. Só espero que não seja nada parecido com o que o Piquet fez quando parou.
 
Veja você mesmo. Ê, coisinha mais cafona...

Escrito por Fábio Seixas às 19h23

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Maratona

Schumacher completou hoje 215 voltas em Paul Ricard _um circuito, aliás, que poderia voltar ao calendário da F-1 logo, logo.
 
O teste aconteceu na configuração 2A-SC da pista, que tem 3,5 km. Ou seja, o sujeito, só hoje, percorreu 752,5 km com um carro de F-1.
 
Se alguém ainda não entende os porquês de ele estar parando, está aí uma bela resposta.

Escrito por Fábio Seixas às 15h58

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Façam suas apostas

Com as vitórias no fim de semana, Schumacher e Rossi tornaram-se os favoritíssimos aos títulos da F-1 e da MotoGP, segundo as cotações das casas de apostas londrinas.
 
Cada £ 10 apostadas no alemão pagam apenas £ 5 caso ele vença o título. A aposta em Alonso paga £ 14.
 
Com Rossi acontece coisa parecida. Se você apostar £ 10 no italiano e ele levar o título, você embolsa apenas £ 9. Hayden, ainda líder da moto, paga £ 19.
 
Você apostaria em quem?

Escrito por Fábio Seixas às 12h41

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Menino energético

Vettel, o queridinho da últimas sextas-feiras, deve correr de GP2 em 2007. Ele conversa com a iSport e a idéia é conciliar os testes na BMW com uma temporada na categoria-escola. Numa das decisões mais estapafúrdias dos últimos tempos, a FIA decidiu vetar os pilotos de testes nas sextas de GPs a partir do ano que vem. Ou seja, em vez de aumentarem o movimento nos circuitos, os cartolas decidiram deixar tudo ainda mais monótono _em tempo, eu era fã daquela proposta de reduzir os testes privados e fazer da sexta um dia de "liberou geral", com todo mundo na pista, das 9h às 17h, testando o que desse na telha.
 
Mas voltando a Vettel... Vai correr na iSport, o que à primeira vista não parece a melhor escolha. A ART, do Nicolas Todt, é de longe a equipe mais bem estruturada do campeonato. Depois, vem a Piquet Sports, mas essa é uma incógnita para o futuro, sem Nelsinho por perto.
 
Agora, o que eu não sabia: Vettel vai correr pela iSport porque a equipe tem acordo com a Red Bull. Foi por ela, por exemplo, que Speed correu no ano passado. E o mais importante nessa história toda, e que eu também descobri agora: Vettel, 19, que muita gente apressada já considera um potencial gênio, tem contrato de longa duração com a Red Bull. Está apenas emprestado à BMW, mas já foi fisgado por Helmut Marko, o eterno olheiro de pilotos de Dieter Mateschitz. Resumo da ópera: em 2008 tem tudo para correr na Red Bull ou na Toro Rosso.
 
Mas a BMW não precisa chorar. Já tem o Kubica, afinal.

Escrito por Fábio Seixas às 08h20

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À flor da pele

Para quem (como eu) passou os últimos anos reclamando dos discursos insossos na F-1, este final de temporada está de esfregar as mãos.
 
Primeiro, foi Alonso dizendo que "a F-1 não é mais um esporte". Depois, veio o comunicado enviado aos jornalistas pela GPDA metendo a boca na segurança de Monza e dizendo que o representante do circuito convidado pela associação dos pilotos para dar explicações simplesmente desistiu em cima da hora da reunião, no sábado à tarde. Aí, Alonso chama Schumacher de "o piloto mais antidesportivo da história".
 
Pois hoje chegou um press-release da FIA defendendo Monza. O texto começa elogiando a segurança do circuito que, segundo a entidade, estreou neste fim de semana um novo sistema de barreiras para suavizar os impactos. Tudo muito didático: as tais "barreiras de alta velocidade" foram criadas pelo Instituto FIA, após seis anos de estudos, e são capazes de absorver a energia de impactos a 200 km/h e de manter a força G em patamares aceitáveis. São compostas de uma primeira camada de plástico e por espuma de polietileno.
 
Mas o melhor vem no final do comunicado. "Os proprietários de circuitos são orientados pela FIA a não discutir questões de segurança com terceiros, incluindo pilotos. O objetivo é evitar que auto-intitulados experts, com pouco ou nenhum entendimento dos desenvolvimentos na área de segurança, causem confusão e perturbem os significativos benefícios que vêm sendo obtidos". Ê, beleza... 

Escrito por Fábio Seixas às 08h03

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A volta de quem ainda não foi

A F-1, em alguns momentos, é irritantemente previsível. Como agora: já começou a boataria em torno de uma possível volta do alemão em 2008. Ele tiraria um ano sabático e então voltaria, de pilhas carregadas, para alguma equipe. De preferência McLaren (reencontrando-se com a Mercedes) ou BMW (tirando o doce da boca da arqui-rival).
 
Prost saiu, voltou e se deu bem. Mansell saiu, voltou e foi patético.
 
Quanto a Schumacher, não acredito num retorno. Acredito, sim, na sua justificativa para parar, a de que não poderia sustentar, pelos próximos anos, “todo o esforço, toda a energia e toda a motivação necessários para ser competitivo”.
 
Embora não pareça, ele está sentindo neste campeonato ultracompetitivo o peso dos 37 anos _tenho a impressão de que cinco anos atrás ele já teria colocado Alonso no bolso. Em 2008, teria 39. Mais: a Ferrari deixou bem claro que o alemão faz parte dos planos da escuderia para o futuro. Não dá para imaginar Schumacher atuando como dirigente ferrarista em 2007 e correndo por um time adversário em 2008. 
 
Posso até queimar os dedos (mais uma vez), claro. Mas essa história toda cheira a cascata das pesadas.

Escrito por Fábio Seixas às 15h28

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Bate-e-assopra

Em entrevista ao "Marca", Alonso classificou Schumacher de o "piloto mais antidesportivo da história da F-1". Ainda está engasgado com a punição injusta que lhe foi imposta pela FIA no sábado de Monza.
 
Talvez Alonso esteja certo. Até pelo tempo em que correu na categoria _15 temporadas, mais o finalzinho de 1991_ Schumacher é o piloto que mais acumulou polêmicas. Os anti-Schumacher e os chamados "viúvas do Senna" sabem todas as suas atitudes antidesportivas de cor: Adelaide-94, Jerez-97, Áustria-02, Mônaco-06 e por aí vai.
 
Mas, engraçado, nada disso me faz deixar de admirá-lo. Ao contrário, essas pisadas na bola apenas revelavam outra faceta do alemão: desmistificavam aquela imagem de "máquina", de "robô", de "computador", de "piloto frio e calculista". Essas besteiras que ele fez serviam para lembrar a todos, de tempos em tempos, que ele é humano e que cometia seus erros.
 
Tanto é que o próprio Alonso concluiu seu raciocínio da seguinte forma: "Isso não diminui o fato de que ele foi o maior piloto da história". Boa, garoto.

Escrito por Fábio Seixas às 14h53

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Está explicado...

De Montoya, em reportagem publicada pela edição de outubro da americana "Racer":
 
"Todos os pilotos que encontrei até agora foram superlegais comigo. Nunca vi nada assim antes. Estou chocado. Em seis temporadas [de F-1], só estive nos motorhomes da Williams e da McLaren. Em dez minutos [durante uma visita à etapa de Chicago da Nascar], estive no motorhome do Jimmie Johnson, do Roger Penske... Visitei cada ônibus e cada motorhome."
 
Acho que essa declaração explica muito do porquê do fracasso do colombiano na F-1. Ele queria amiguinhos... Bom, na Nascar vai se divertir. Isso sem falar nos hambúrgueres.

Escrito por Fábio Seixas às 14h36

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"This is the right moment"

Da série "maravilhas que a tecnologia nos oferece": guarde no seu computador, para sempre, o link da entrevista em que Schumacher anuncia a aposentadoria.
 
Seria ótimo ter vídeos parecidos de sujeitos como Stewart, Fangio, Lauda, Prost, Mansell, Piquet, Surtees, Emerson, Brabham... Pensando bem, antigamente era mais divertido. O cara parava de correr, dizia uma ou duas barbaridades, xingava um ou outro e ia pra casa. Ou pro bar.
 

Escrito por Fábio Seixas às 14h23

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Rapidinhas

Briatore veio a público pedir desculpas, dizer que tudo foi uma piada, um enorme "mal-entendido"... Fico só imaginando o tom da conversinha do Bernie com ele depois da corrida.
 
Uma notícia que passou quase despercebida em meio ao furacão do anúncio ferrarista: Klien não corre mais pela Red Bull, será substituído por Doornbos nas últimas três etapas do campeonato. E assim começa o fim de carreira um "futuro fenômeno". Na Áustria, antes de estrear na F-1, Klien era comparado a Senna. Mais um.
 
Alonso não testará nesta semana em Jerez. Vai descansar o joelho, inflamado durante os testes em Monza na semana retrasada. Pode até ser que isso não mude nada, mas neste fim de ano tudo está dando certo para a Ferrari, nos bastidores e nas pistas.
 

Escrito por Fábio Seixas às 08h56

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Maranello pós-Schumacher

Massa e Raikkonen, uma bela dupla. Dois pilotos jovens, rápidos, agressivos e às vezes um pouco desmiolados. Enfim, dois pilotos com a cara da Ferrari _mais até do que Schumacher.
 
Quero ver é como vão dividir a equipe. Porque são também dois sujeitos de personalidade forte e com pressa: sabem que 2007 será a melhor chance de dar o grande salto.
 
A pressa é justificável. A tendência é que, pouco a pouco, a estrutura montada por Schumacher, vencedora de seis Mundias de Construtores e cinco de Pilotos, comece a desmanchar. Depois de Byrne, que já toca sua escola de mergulho na Tailândia, Brawn deve ser o próximo a pegar o boné.
 
A Ferrari vai voltar a ser aquela draga pré-Schumacher, aquela piada dos tempos de Alesi e Berger? Não sei, mas acho que há um grande risco. Todt, sozinho entre 93 e 95, não conseguiu melhorar muito as coisas. Schumacher e sua tropa foram fundamentais, decisivos.
 
Schumacher sai, enfim já sabemos. E sua tropa? O anúncio de dezembro, com a nova estrutura da escuderia, será vital para que a gente comece a imaginar o futuro da Ferrari e de Massa. Começa uma nova espera.

Escrito por Fábio Seixas às 18h04

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História para os netos

Se um dia meus netos me perguntarem como foi  o dia em que o Schumacher anunciou a aposentadoria, vou lembrar da seguinte história:
 
Monza, 10 de setembro de 2006, última volta da corrida. Como sempre, quando não há brasileiros no pódio, saio da sala de imprensa e desço para o paddock. A idéia é ficar na saída dos boxes da FIA. Todos os pilotos, ao pararem seus carros, são obrigados a passar por lá para a pesagem. Ou seja, é a melhor ocasião para colher as primeiras impressões após a corrida, com o clima ainda bem quente.
 
Como tudo é rápido, normalmente consigo colocar os brasileiros no ar, na transmissão da BandNews FM e da Bandeirantes, antes da cerimônia de premiação.
 
Pois bem, foi o que aconteceu neste domingo. Finda a corrida, antes do pódio, fiz pequenas entrevistas com Massa e Barrichello. Tudo correu bem: assim que falei com o segundo, começou a execução dos hinos.
 
Então eu estava ali, pelo paddock, ouvindo o hino italiano, quando vi um assessor da Ferrari. Ele estava na porta do caminhão, com uma pilha de folhas de papel no braço esquerdo, assistindo ao pódio pela TV. Aproximei-me e vi que era um comunicado do time. "O" comunicado.
 
O tal assessor, cujo nome não sei, estava apenas esperando o fim dos hinos para caminhar para a sala de imprensa e revelar ao mundo o que o mundo esperava desde o início do ano: o futuro de Schumacher. Até então, ninguém sabia de nada. 
 
Pedi uma folha. E ele, sem tirar os olhos da TV, me entregou. A primeira linha já entregava, o alemão pára ao fim do ano.
 
Normalmente, nas transmissões da rádio, não falamos durante os hinos. Sinal de respeito, é um momento solene, enfim. Mas a ocasião era especial. Não lembro direito o que disse, mas acho que foi algo na linha: "O homem que está aí no alto do pódio, o maior piloto da história da F-1, heptacampeão mundial e detentor de todos os recordes da categoria, vai parar ao fim do ano. Michael Schumacher vai se aposentar. Disputará em Interlagos seu último GP. É esse o comunicado da Ferrari."
 
Só quando eu estava acabando de falar é que o assessor decidiu levar à sala de imprensa as novas.
 
E assim, os ouvintes das rádios foram os primeiros a saber, em todo o planeta, do teor do comunicado da escuderia.
 
Sim, eu estava no lugar certo, na hora certa e contei também com um belíssimo sopro da sorte. Enfim, às vezes tudo dá certo. Acho que meus netos vão gostar.

Escrito por Fábio Seixas às 17h54

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Vôo KL 797

Escrevo do avião, que acaba de passar por cima de Ouro Preto, informa o mapinha na tela. E se você está lendo essas linhas é porque cheguei em casa e conectei o laptop.
 
Uma contingência que logo irá para o beleléu, ficará com jeitão de pré-história. Há companhia aéreas que já disponibilizam wifi nos vôos. Peguei um desses outro dia, da Lufthansa, e até tive curiosidade de buscar informações sobre como conectar. O preço ainda está muito alto, como acontece com qualquer novidade. Mas logo baixa. O que não sei se será bom. Aviões são os últimos oásis de isolamento do homem século 21: sem celular, sem conexão com o mundo exterior. Vida unpluged, enfim, o que deveria acontecer com mais freqüência.
 
Aliás, vôo diurno é algo parecido com celular e wifi. É bom mas é ruim. É bom porque já na segunda você dorme em casa. Mas é ruim porque chega mais quebrado do que o normal, afinal precisou madrugar onde quer que você estivesse para chegar bem cedo ao aeroporto. Ah, sim, e tem aquele lance das criancinhas correndo pelos corredores do avião, acordadíssimas. E os pais com aquela cara de paisagem...
 
Um amigo de F-1 certa vez, não aguentou um moleque que corria pelo avião o tempo todo e deixou a ponta do pé no corredor... O resto da história, você pode imaginar.

Escrito por Fábio Seixas às 17h17

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Schiphol airport, gate B07

São 9h33 na Europa, 4h33 em Brasília, escrevo de Amsterdã. A noite foi curta. Sala de imprensa até 1h, aeroporto de Linate, em Milão, às 5h. Em 27 minutos, decola meu avião para São Paulo.
 
Há cinco anos, 11 de setembro de 2001, aquele 11 de setembro, eu estava num avião, viajando para a Itália. Era uma terça, normalmente viajo às quartas para os GPs, mas tive que antecipar a viagem para uma entrevista exclusiva com o Montezemolo em Maranello.
 
Sim, foi tenso. E quando, enfim, cheguei à sede da Ferrari, no dia 12, recebi uma bela notícia. "Ele não vai falar porque está muito abalado com o que aconteceu", me disse o assessor da Ferrari.
 
Cinco anos depois, o mundo está mais chato. Viajar está no limite do insuportável. Vou ter que desligar porque um aparelho de raio-x me espera. Se der, blogo ainda hoje, quando chegar em São Paulo. Ciao.

Escrito por Fábio Seixas às 03h33

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Day after

O dia hoje vai ser dos mais corridos. Da ressaca do anúncio do adeus, para mim, ficou a imagem de Montezemolo, Corinna e Todt, de olhos vermelhos, acompanhando o pódio.
 
Ficou também a alegria do Massa no paddock, depois da corrida, falando com todos, sorriso de orelha a orelha. "O Massinha se deu bem", resumiu Barrichello.
 
E só estou esperando para ver o que vai ser Interlagos. Decisão de título, despedida do alemão... Será o GP Brasil mais importante da história, disparado.

Escrito por Fábio Seixas às 03h31

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Monza, pós-GP

O paddock ferve, como era de se esperar. O público em Monza acaba de ser anunciado, 80 mil pessoas. Foram 80 mil tifosi que se emocionaram vendo Schumacher de olhos marejados, em transmissão exibida nos 26 telões, anunciando a aposentadoria.

Em 2008, deve assumir algum cargo na Ferrari. E já começou o trabalho de Relações Públicas: pela primeira vez em mais de 120 GPs acompanhando o alemão, o vi concedendo entrevista em italiano.

Havia um zunzunzum sobre um protesto da Renault contra os pneus da Ferrari, mas Symonds acaba de negar. O resultado oficial deve ser o da pista, vitória do alemão, apenas dois pontos de desvantagem para Alonso faltando três etapas. O fim de temporada será o melhor dos últimos anos, o mais empolgante desde 2000.

Ainda estamos no chamado "calor dos acontecimentos". Mas muita coisa no ar me diz que estamos vivendo um dia histórico. E isso é bacana.

Escrito por Fábio Seixas às 11h07

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Schumacher pára

Tocava o hino italiano no pódio e a Ferrari anunciava a aposentadoria do alemão.

Massa e Raikkonen formarão a dupla a partir do ano que vem. O brasileiro, com contrato até 2008. O finlandês, até 2009.

Por enquanto é isso.

Escrito por Fábio Seixas às 09h32

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Schumacômetro

Faltam 52 minutos para a largada e a partir de agora ficarei longe do computador.

Quando voltar, provavelmente será para falar da corrida, claro, e do anúncio da Ferrari. Já mudei 40 vezes de opinião sobre o futuro do Schumacher. Meu último palpite? Ele continua. Ah, e vence o GP fácil.

Até mais.

Escrito por Fábio Seixas às 07h07

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A arte de tergiversar

Foi a vez de Mosley falar no paddock. Apertado até mesmo pelos repórteres italianos, defendeu a punição a Alonso com unhas e dentes.
 
Desviando do centro da questão, o comportamento do espanhol, bateu o tempo todo na tecla de que Massa perdeu a pole position. "Temos dados que mostram que ele seria o pole", disse o inglês.
 
Ok, poderia até ser pole. Mas se não o foi, o motivo foi por perda de pressão aerodinâmica da Ferrari causada pelo carro de Alonso. Isso é muito diferente de dizer que a culpa foi de Alonso. Tráfego acontece o tempo todo, azar de quem está atrás. Agora, não se pode culpar o outro por estar na frente. No máximo, a culpa é do regulamento criado pelo próprio Mosley.
 
"Não se pode colocar a honestidade dos comissários em dúvida", concluiu o inglês.
 
Dado o absurdo da punição, muita gente aqui em Monza já colocou.

Escrito por Fábio Seixas às 05h52

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Nelsinho vice

Para não dizer que não falei da GP2: ontem à noite, saindo do autódromo, recebi a notícia do título do Hamilton, que herdou o ponto pela volta mais rápida da primeira corrida em Monza, antes creditado ao Pantano.

Agora há pouco, na última corrida do ano, deu Pantano novamente, seguido pelo inglês. Nelsinho ficou em sexto.

Julgamentos de personalidades à parte, o melhor piloto venceu o campeonato.

 

Escrito por Fábio Seixas às 05h29

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Batata assando

Chegar ao paddock de Monza é uma aventura automobilística. Algo que só encontra paralelo em Spa. O circuito aqui, afinal, é no meio de um parque (a pista belga passa no meio de vilarejos). Ou seja, para atingir os estacionamentos os carros precisam passar no meio do povão. A solução é levantar o pé, ir devagar e manter o bom humor.
 
Bom humor, aliás, parece raridade neste domingo. O dia começou quente por aqui, em todos os sentidos. No paddock, 25 graus, indicam os termômetros da sala de imprensa. Mas diante dos motorhomes da Ferrari e da Renault, a temperatura é muito, muito mais alta.
 
Alonso, Briatore e Symonds acabam de falar sobre a punição de ontem. A cereja do bolo veio do espanhol: "Eu não bloqueei ninguém porque não faço isso. Amo esse esporte. Mas não considero mais a F-1 um esporte."
 
No motorhome da Ferrari, um multidão de fotógrafos dispara cliques cada vez que alguém surge à porta.
 
Hoje a batata vai assar.

Escrito por Fábio Seixas às 05h24

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PERFIL

Nina Horta Fábio Seixas, 37, é jornalista com mestrado em Administração Esportiva pela London Metropolitan University, da Inglaterra, e Coordenador de Produção da Sucursal da Folha no Rio. É colunista de automobilismo da Folha e do UOL.


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