E para encerrar (por ora) o assunto Hakkinen, a ultrapassagem sobre Schumacher na Bélgica, em 2000, filmada pela câmera do carro do finlandês.
Mais do que a manobra, porém, o vídeo vale pelo passeio completo por Spa. Se alguém ainda tem dúvidas de que este é o mais espetacular circuito do calendário, preste atenção nisto aqui...
Note que, uma volta antes, ele tenta superar Schumacher no mesmo ponto, por dentro, na Eau Rouge.
E o dia acabou com Badoer em primeiro, 1min16s317, o melhor tempo desta semana em Barcelona.
Kovalainen foi o segundo e, pela primeira vez nesses testes, ficou à frente de Nelsinho, oitavo.
Kubica foi o terceiro, seguido por Hamilton e Barrichello.
Hakkinen ficou em último, 1min19s340.
"Passei toda a manhã me aclimatizando ao ambiente de um cockpit e à aderência de um carro de F-1 atual. Não esperava mesmo ser rápido logo de cara. Barcelona é uma pista complicada para carro e piloto e levei várias voltas até atingir velocidade. Enfim, foi divertido", disse.
Usando macacão todo branco e capacete apenas com o azul da Finlândia, o bicampeão teve logo de cara uma experiência inédita: apertar-se num cockpit de F-1 usando o Hans, que não era obrigatório na sua época.
As primeiras voltas foram muito lentas, quase dez segundos em relação às melhores marcas. Mas um detalhe chama a atenção e mostra que o teste não é de brincadeira: Hakkinen leva no carro apêndices aerodinâmicos para avaliação da McLaren.
Massa foi de novo o mais rápido em Barcelona: 1min16s406, 0s754 melhor que o tempo de ontem e 0s753 melhor que Heidfeld, o segundo colocado. Badoer ficou em terceiro.
Nas disputas internas mais importantes, De la Rosa, Barrichello e Nelsinho foram melhores que Hamilton (duas posições), Klien (quatro) e Kovalainen (quatro).
O último colocado foi um certo Kamui Kobayashi, com a Toyota. Muito prazer. Te vejo na Williams.
Seis brasileiros participaram hoje dos testes coletivos da World Series em Valência: Luiz Razia, Felipe Lapenna, Alberto Valério, Diego Nunes, Sérgio Jimenez e Carlos Iaconelli.
Três deles _Razia, Valério e Jimenez_ treinaram de GP2 dias desses. Mas, na melhor das hipóteses, devem ficar pela GP2 mesmo. E o critério não é competência dos pilotos ou status da categoria. É preço.
Sem poder contar com Alonso, ainda de contrato com a Renault, a McLaren apelou a outro bicampeão para começar os testes da pré-temporada.
Sim, a torcida deu certo. A equipe colocou fim aos rumores e anunciou agora pela manhã que o finlandês vai testar o carro amanhã, em Barcelona, substituindo De la Rosa.
Segundo o comunicado, foi Hakkinen, 38, longe da F-1 desde 2001, que pediu uma oportunidade para se "re-familiarizar" com a categoria.
A McLaren deixa claro que seus titulares em 2007 serão Alonso e Hamilton.
Quer saber? Se eu fosse uma equipe querendo crescer, uma Red Bull, uma Toyota, uma Williams, uma Spyker ou uma Honda, eu iria correndo atrás do finlandês.
Ele não deve cobrar caro, está com tesão de pilotar. E é muitíssimo bom de braço.
Um programa legal para os próximos dias é acompanhar as 500 Milhas da Granja Viana. Entre os inscritos, os quatro brasileiros que estão em ação em Barcelona: Zonta, Barrichello, Massa e Nelsinho.
A programação é esta:
Amanhã e quinta-feira, 9h-17h – Treino Livre
Sexta-feira 10h00-10h50 – Treino Livre (Grupo 1) 11h00-11h50 – Treino Livre (Grupo 2) 12h45 – Classificação (Grupo 1) 13h10 – Classificação (Grupo 2) 13h45 – Classificação (Grupo 3) – 15 pilotos convidados (Massa, Barrichello, Giaffone, Kanaan, Castro Neves, Nelsinho, Zonta, Bernoldi, Christian, Burti, Cacá, Nonô, Tarso, Daré e Rodrigo Piquet) 15h – Top Qualifying (5 melhores do 1º e do 2º Grupos e todos os pilotos convidados)
Os ingressos começaram a ser vendidos hoje, lá no kartódromo (rua Tomás Sepe, 443, Cotia). A organização avisa ainda que quem for de carro (todo mundo, portanto) poderá estacionar na Faculdade Europan (rua Howard Archibald Acheson Júnior, 393) e seguir até a pista num microônibus.
Mas achei os preços bem salgados. Principalmente por se tratar de um evento que surgiu como confraternização de fim de ano e que hoje é uma "competição", sim, mas com direito a todas as aspas possíveis.
Aos valores: ingressos, R$ 30; estacionamento, R$ 25.
Dica do Jonathan Souza, de Natal: a Shell e a Ferrari estão distribuindo, gratuitamente, uma revista de 20 páginas, em inglês, explicando o funcionamento de um F-1.
Para receber a sua, é só se cadastrar aqui. São 9 mil exemplares para torcedores que vivem fora dos EUA, e a promoção acaba na quinta-feira.
Não conheço o material, não li a revista, mas... é de graça, pombas!
Fim do primeiro dia de testes em Barcelona. Massa na frente, 1min17s160, 0s295 mais veloz que De la Rosa. Para efeito de comparação, a pole do Alonso, em maio, foi em 1min14s648.
Badoer ficou em terceiro, seguido por Heidfeld e Barrichello.
Hamilton foi o sexto, quase oito décimos mais lento que o De la Rosa. Nelsinho foi o décimo, duas posições à frente do Kovalainen.
Está vendo só como não dá para levar este início de pré-temporada muito a sério?
Não sei se vai testar, acho que não, mas torço para que sim. Ele é um baita piloto, e seria bacana vê-lo de volta a um F-1, nem que seja por alguma voltinhas despretensiosas.
"Meu objetivo é correr na DTM em 2007, mas se a McLaren me chamar para ajudar, será um prazer", disse o finlandês ao "Marca".
Voltando ao início do post, ele estará em Barcelona nesta semana. Acho que o telefone dele tocou...
E antes do festival de comentários e prognósticos, cabe uma observação: pré-temporada é apenas pré, não é a temporada.
É hora de testar aquelas soluções bizarras que nunca serão adotadas, é o momento de usar pneus impossíveis de durarem uma corrida, é a oportunidade de tirar o carro do regulamento para fazer marketing.
Lembram dos resultados espetaculares da Honda antes do último campeonato? Pois é...
Mais: os engenheiros trabalham tanto, são tantas as mudanças, que os modelos de Melbourne só irão para a pista nos últimos dias de testes.
Portanto, não esperem deste blog nenhuma afirmação conclusiva com base nos resultados da pré-temporada. Pelo menos não até as últimas semanas de testes.
Isto posto, ao primeiro cenário. Pela manhã, 16 pilotos treinaram em Barcelona. Ferrari na frente, com Badoer e Massa, De la Rosa em terceiro, Barrichello em quarto, Nelsinho em sétimo.
Daqui a pouco sai o resultado final do dia. Afinal, o sol já começa a sumir na Catalunha e a maioria das equipes já recolheu seus carros, como dá para ver aqui e aqui.
O Saulo Bernardes de Souza, de Campinas, apareceu com uma foto e uma tese intrigantes.
"Estou mandando uma foto do GP Brasil. A batida do Rosberg foi na minha frente e os pedaços do carro espalharam por toda a pista. Porém os fiscais não limparam corretamente e algumas partes ficaram no asfalto. O curioso é que na hora em que o Schumacher foi ultrapassar o Fisichella, ele contornou o Café mais aberto, passando exatamente sobre os pedaços de carros, e ao final da reta o pneu dele perdeu pressão. Dizem que foi no toque no S do Senna, porém nem o Fisichella sentiu o toque... Talvez o pneu tenha furado naquele momento no Café e ele foi sentir o comportamento do carro na curva seguinte que já era o S do Senna... Tire as conclusões e se possível publique no blog para o pessoal também opinar."
Aqui, tudo é possível, Saulo.
A minha opinião? Acho difícil. A batida do Nico foi na largada e a ultrapassagem do Schumacher no Fisichella, na oitava volta. Nesse meio tempo, mesmo com uma limpeza meia-boca, sobrariam poucos (e apenas minúsculos) destroços no traçado normal. O alemão precisaria ter passado muito aberto para colher algum pedaço de carro.
Mas esta é só a minha opinião. A tese é boa. E vocês, o que acham?
A revista do "Süddeutsch Zeitung", jornal de Munique, publicou na semana passada uma entrevista exclusiva com o heptacampeão.
Entre outras coisas, disse que negociou com a McLaren em 1995, mas que as conversas não andaram por divergências de opiniões dele com Ron Dennis. "Nunca poderíamos trabalhar juntos."
Mas o bacana mesmo parecem ser as fotos. Abaixo, uma palhinha da capa e da contracapa _esta, épica.
Marlies Sieburg é o nome do prefeito de Kerpen. Em entrevista ao "Express", ele negou o pedido do fã clube do heptacampeão para premiá-lo com o título de cidadão honorário.
"Esta honraria só pode ser dada para alguém que tenha trabalhado anos, ou décadas, em benefício da cidade", justificou Herr Sieburg.
Ah, tá... Você já tinha ouvido falar de Kerpen antes do surgimento do alemão? Nem eu.
Luis García Abad, assessor de Alonso, desmentiu nesta segunda-feira que o piloto tenha casado em segredo, no fim de semana, com Raquel del Rosario.
"É triste que depois de um ano defendendo as cores da Espanha e levando com orgulho o nome do país pelos cinco continentes ele receba esse tipo de tratamento aqui", disse, em entrevista ao "Marca".
Como escrevi ontem, para mim tanto fez como tanto faz se Alonso casou ou não.
Fato é que o espanhol conduz muito mal sua relação com a imprensa, e este é só mais um exemplo.
Para ele, a fama só deveria ter bônus, não ônus. E enquanto ele achar que tem que ser assim, essa relação continuará indo de mal a pior.
Coulthard escreveu em sua coluna de hoje no "News of the World" que a McLaren coloca a carreira do Hamilton em risco ao promovê-lo a titular "tão cedo".
"Teria sido melhor para todos se ele passasse um ano como piloto de testes", proclamou o escocês.
Discordo. Pilotos especiais mostram serviço logo de cara. Se Hamilton precisa de um ano fazendo testes, é porque não é um piloto especial. E daí de nada adianta testar, testar e testar.
Para quem não sabe, o "News of the World" é um tablóide britânico dos mais sensacionalistas. Dos piores. Nada mais apropriado, portanto, que conte com uma coluna de Couthard, o fiasco eterno.
Dinheiro dos Diniz, apoio da Renault, organização de José Carlos Brunoro, a categoria começou com tudo. Tinha TV aberta com narração de Luciano do Valle e comentários do Flávio Gomes. Tinha jornalista convidado para toda corrida. Tinha piloto estrangeiro chamado para correr por aqui. Tinha promoção pesada nas cidades-sede das provas. Tinha preliminar da F-1... Tudo ao mesmo tempo naquele 2002.
Chegava a ser um exagero. Chegava a ser demais para uma categoria de base. Tanto que o esquema não se sustentou. Era impossível obter, com uma categoria de base, retorno para tanto investimento.
Hoje, Galid Osman Duda venceu a última etapa da F-Renault em 2006. Categoria que não existirá em 2007.
Já que não adianta ficar se lamentando, que os erros da F-Renault sirvam de lição. Isto é, se um dia alguma montadora ou algum grupo se animar a lançar uma categoria de monopostos por aqui.
Aconteceu há menos de uma hora, em Interlagos, avisa o colega Rodolpho Siqueira.
A Renault do Brasil anunciou às equipes da F-Renault que não participará da temporada 2007.
"A notícia coloca fim no evento, que foi iniciado em 2002 e terá sua última edição neste fim de semana em Interlagos. O Speed Show reúne as categorias Fórmula Renault, Copa Clio e Renault Super Clio, esta última criada ainda em 2006. Com a saída da fábrica, praticamente ninguém no evento acredita que as categorias poderão continuar a ser disputadas no formato atual – com provas em todo o Brasil e em eventos realizados em conjunto pelas três modalidades", explica Rodolpho.
Ou seja, a partir de agora, o Brasil, país de três campeões mundiais da F-1, de três vencedores das 500 Milhas de Indianápolis, de tantas vitórias mundo afora, terá apenas uma, UMA, categoria de monopostos, a moribunda F-3 sul-americana.
Já venho dizendo isso há tempos. Agora está virando realidade. Não sobrará um campeonato de fórmulas por aqui. E a fonte vai secar.
Mais uma contribuição para esta seção quase-fixa. Mais uma que fala sobre o atendimento ao público no GP Brasil.
O internauta da vez é o Clóvis Moraes, com quem cruzei uma vez em Cumbica.
Seguem um trecho do e-mail e a foto.
"A foto anexa é de um amigo que levou para o café da manhã de domingo um panetone de 1kg. Garanto para você que o panetone estava melhor do que qualquer lanche vendido no setor A do autódromo."
Minha dúvida é a seguinte: o cara achou panetone pra comprar em outubro ou era sobra do último Natal?
"Meu nome é José Roberto Pedreira, moro em Curitiba, apesar de nascido em São Paulo, e acompanho a F-1 desde 1972. Quero fazer uma sugestão: para evitar aquela velha e batida discrepância que existe nas pronúncias dos nomes dos pilotos de F-1, por que não sugerir à Globo que na pré-temporada ou no início dela peça aos pilotos que se apresentem?"
Olha, Zé Roberto, a Globo nem precisa se mexer. Alguém já fez o serviço. Clique aqui e confira.
Detalhe: os caras têm uma loja on-line com produtos que trazem as pronúncias corretas dos nomes.
Lá na pré-história, em 1999, publiquei uma matéria na Folha sobre negros no esporte a motor.
Começava assim: "Território frequentado por esportistas brancos há anos, as categorias de ponta do automobilismo, Indy e F-1, vêm preparando pilotos negros para disputarem seus próximos campeonatos."
Hamilton tinha então 14 anos e, claro, era um dos personagens da reportagem. Só ele vingou.
Os outros eram o americano David Francis Jr., selecionado no "politicamente correto" Programa de Desenvolvimento de Pilotos Afro-Americanos da Cart, e o norueguês Jason Watt, da F-3000.
De Francis Jr., confesso, nunca mais ouvi falar. Watt foi vítima de uma tragédia no fim daquele ano: sofreu um acidente de moto em Oslo e perdeu os movimentos das pernas. A boa notícia é que ele voltou ao automobilismo, pilotando carros adaptados, e em 2002 chegou a conquistar um título, o do Dinamarquês de Turismo.
Fiz também uma entrevistinha com Hamilton, em Silverstone, após algumas ligações para a McLaren. Sim, ele estava no kart mas já era protegido da Mercedes e de Ron Dennis. Até por isso, o moleque esbanjava confiança.
Fui buscar o texto lá no arquivo:
Folha de S.Paulo, edição de 18 de agosto de 1999, página 3-10
'Eu sempre fui bom', diz teen inglês Ao assinar contrato com a McLaren (na verdade, quem assinou foi seu pai), Lewis Hamilton se comprometeu a tirar boas notas na escola. Hoje, cursa o equivalente ao primeiro colegial. E precisa ter bom desempenho escolar para se manter no time. "Antes, era muito distraído nas aulas. Agora, tenho que ficar atento", diz. Para Hamilton, a "falta de interesse" explica a ausência de negros da F-1. (FSx) * Folha - Como funciona seu esquema na McLaren? Lewis Hamilton - Eles ajudam na minha educação e ainda me pagam um salário. Em troca, preciso ir bem na escola e conseguir bons resultados no kart. Folha - Como foi o sistema para seleção? Hamilton - Em 96, venci uma corrida de kart promovida pela McLaren e pela Mercedes. O Ron Dennis (chefe da McLaren) me entregou o troféu no pódio. No ano seguinte, venci a prova de novo. Quando ele me viu no pódio, falou: "Oh, não. Você aqui de novo!?". Aí, acabei sendo chamado para fazer parte a equipe. Folha - Você acha que o fato de ser negro influenciou na decisão da equipe? Hamilton - Não acho que tenha sido essa a razão. Eu sempre fui bom. Folha - Na sua opinião, por que é tão raro surgirem pilotos negros? Hamilton - Acho que é uma questão de tradição. Os negros se interessam pouco pelo automobilismo, preferem outros esportes. Folha - O que você planeja para depois do kart? Hamilton - Não sei ainda. Vou fazer mais uns três ou quatro anos de kart e aí acho que vou para a F-Ford.
Ron Dennis, enfim, resolveu ousar. Lewis Hamilton será o companheiro de Fernando Alonso na McLaren.
Campeão da GP2 neste ano, da F-3 européia em 2005 e da F-Renault inglesa em 2003, o inglês foi adotado pela McLaren ainda nos tempos do kart, mas sofreu para quebrar essa última desconfiança.
Ele segue, assim, os passos de Nico Rosberg. Em 2005, o alemão foi campeão pela ART e neste ano chegou à F-1, pela Williams. Hamilton também ganhou o título pela equipe de Nicolas Todt. É este o canal, parece, e por isso há uma fila de jovens pilotos tentando levantar dinheiro para correr lá.
Aos 21, torna-se o primeiro piloto negro dos 57 anos da F-1.
Mas nenhum comentário chega aos pés deste sorriso de Hamilton na foto abaixo, distribuída pela McLaren.
Divulgação
Hamilton e Dennis, na sede da McLaren em Woking, na Inglaterra
Atenção maníacos que não aguentam mais esperar para ver carro na pista: já está no site do autódromo de Barcelona a programação da retomada dos testes da F-1, na próxima semana.
Nove das 11 equipes abrem a pré-temporada no dia 28, terça-feira: Renault, McLaren, Ferrari, Williams, Honda, BMW, Red Bull, Super Aguri e Toro Rosso.
Nos dias 29 e 30, a Toyota une-se ao grupo. A Spyker será a única ausente.
Sai amanhã, na Alemanha, a autobiografia de Schumacher.
Foi "escrita" pelo alemão em parceria com Sabine Kehm, sua competente assessora de imprensa e, evidentemente, quem realmente colocou a mão na massa.
O título, simplesmente "Schumacher". São 133 páginas, por enquanto apenas em alemão, mas em breve em outros idiomas _até onde sei, não há previsão de uma edição em português, esta língua exótica.
Um trecho do prefácio: "Ainda não tenho idéia dos efeitos da aposentadoria sobre mim, mas não, não tenho medo".
Durante almoço com o mercado publicitário e que contou com a presença do diretor de esportes da Globo, Luís Fernando Lima, o promotor da Stock Car, Carlos Col, anunciou que 8 das 12 etapas de 2007 serão transmitidas ao vivo pela emissora.
Foram seis neste ano.
Col anunciou também que o campeonato passa a chamar Copa Nextel de Stock Car. A Nextel acertou contrato de três anos.
Não por coincidência, a principal divisão da Nascar é a Nextel Cup.
Mas tem o famoso "resta saber"...
Que no caso é o seguinte: a Globo vai adotar o nome oficial?
O post sobre automobilismo no cinema rendeu pano para algumas mangas.
Os internautas lembraram de mais alguns filmes. Citaram, por exemplo, "Dias de Trovão" (bobinho) e "24 Horas de Le Mans" (muito bom, mas cansativo em alguns momentos).
E falando em Steve McQueen, estrela do último, algo que muita gente não sabe: ele era um ardoroso fã de corridas.
Dividindo um Porsche com Peter Revson, embolsou uma das categorias das 12 Horas de Sebring de 1970 e por pouco não foi o vencedor geral _ficou a exatos 23 segundos da Ferrari comandada por Mario Andretti.
A curiosidade é que o mesmo Porsche foi usado como carro-câmera nas filmagens de "Le Mans". Ele ainda participou de várias e várias provas de moto off-road.
Lembrei ainda de outro recém-lançado e que não faz feio, a última versão do Fusca mais famoso do mundo, "Herbie: Fully Loaded".
Mas "Grand Prix" é mesmo imbatível. Se você não viu, faça-o já. Aqui abaixo, um trecho da corrida de Spa, para dar água na boca.
Li outro dia também que farão um filme baseado em Speed Racer. Que não pisem no tomate. Frustraria uma geração.
Bela combinação esta, cinema e automobilismo. Pena que seja tão difícil unir uma arte a outra.
O "Marca" noticia que Hakkinen passou por uma bateria de exames físicos e médicos na segunda-feira e relaciona a descoberta a um possível retorno do finlandês à McLaren.
Pronto, bastou para que a história tomasse conta novamente dos sites especializados.
Uma boa explicação parece vir do www.grandprix.com: depois que perdeu Wurz, um piloto de testes com excelente conhecimento de engenharia, Dennis procura desesperadamente um profissional classe A que posso ajudar a equipe a se reerguer.
A solução seria Hakkinen, que estaria disposto a, vez ou outra, dar umas voltinhas no carro. A conferir.
É engraçado prestar atenção nos comentários dos italianos que gravaram o vídeo. No finalzinho, ao ver o primeiro prédio ainda de pé, um deles lança, em tom de deboche: "Erraram na carga [de dinamite, imagino]!!"
Não estou conseguindo postar fotos hoje. Então, veja aqui as imagens das implosões em Imola, no domingo, que colocaram no chão o prédio dos boxes e da sala de imprensa.
Os italianos já admitem que 2007 está perdido. Mas querem, de qualquer jeito, a F-1 de volta em 2008.
Sai amanhã, em DVD, "Carros", o filme mais legal sobre automobilismo dos últimos anos.
E não falo só de animação. Falo de filme, mesmo. Até porque o que não faltam nas telas e locadoras são produções porcaria sobre o tema.
Tem um do Stallone correndo de Indy que pelo-amor-de-deus. Deveria ser proibido pela vigilância sanitária. "Velozes e Furiosos" também é um lixo e por aí vai...
Mas "Carros" não se dá bem apenas pela comparação com essas baboseiras. É bacana por si só. Há dois italianinhos, fãs da Ferrari, que são de morrer de rir.
E acho que já disse isso aqui e se disse, repito: a história do personagem principal é idêntica à de Alonso nesta temporada.
O sempre afável Coulthard soltou os cachorros sobre Barrichello e Nico.
Ele está engasgado com a falta de compromisso de ambos com a GPDA, a associação que reúne os pilotos da F-1.
Neste ano, acho que foi em Monza, o grupo elegeu Alonso, Ralf e Webber para os lugares antes ocupados por Schumacher, Trulli e pelo escocês.
"Michael tirou muito da F-1, mas também doou bastante. Eu tirei menos e também colaborei um pouco menos. Mas há alguns que só querem tirar. Como o Rubens, por exemplo. Corro contra ele há anos e anos, é um cara legal e talentoso, mas é do tipo que simplesmente aparece, corre e vai embora."
A bronca com Nico é pela resposta dada pelo alemão quando questionado sobre se topava assumir um cargo na entidade. "Sem chance", teria dito o filho de Keke, segundo Coulthard.
"Simplesmente não posso imaginar porque tem gente que se nega a participar do único fórum pelo qual podemos aumentar nossas chances de voltar para casa em segurança."
Sobre as posições do brasileiro e do alemão é complicado opinar porque eu não estava na reunião dos pilotos _em nenhuma delas, aliás. Mas que Coulthard tem razão em cobrar mais envolvimento dos colegas, isso tem.
Depois de destroçarem Hockenheim, desfigurarem Interlagos, espremerem Jacarepaguá, encolherem Nurburgring e arrasarem Imola, entre outras besteiras, agora vão mudar a traçado da curva de nome mais legal de toda a F-1, a Bus Stop.
Por que esses caras não ficam em casa, mudando os móveis da sala de lugar?
Imagens de uma Jacarepaguá que a estupidez enterrou...
Em meio ao matagal e fechada por uma barreira de concreto, a Reta da Junção
A antiga placa de boas vindas, ostentando traçados que já não existem
Na mesa da sala de imprensa, adesivo lembra que a pista já recebeu a MotoGP
E pra fechar... Seria engraçado se não fosse absurdo. Atrás do tapume de um restaurante japonês montado no paddock, uma placa da Prefeitura do Rio, datada de março de 1996, celebra a "reconstrução do Autódromo Internacional Nelson Piquet e a construção do Circuito Oval Emerson Fittipaldi".
Dá para ler também o nome do prefeito que gastou milhões nessas obras: Cesar Epitácio Maia.
O mesmo Cesar Epitácio Maia que agora está gastando outros milhões para colocar tudo no chão.
Três deles, Luciano Burti, Thiago Camilo e Chico Serra, foram excluídos do resultado da corrida por atitude antidesportiva.
Outros cinco, Christian Fittipaldi, Nonô Figueiredo, Átila Abreu, Juliano Moro e Hybernon Cisne, sofreram acréscimo de 20 segundos nos seus tempos de prova.
Com isso, Cacá subiu para sétimo e chegou a 256 pontos no campeonato. Hoover Orsi tem 248. Giuliano Losacco e Felipe Maluhy estão empatados em terceiro, com 245.
Mas, é claro, podem haver mais mudanças. Há outras equipes protestando.
Corrida acidentada, resultado direto do circuitinho tosco que improvisaram por aqui, mas boa. Foram incontáveis bandeiras amarelas, três intervenções do safety-car, lindas ultrapassagens e alguns "x" na primeira curva.
Vitória de Tarso Marques, um dos paranaenses bons de volante citados num post outro dia. Foi a primeira dele na Stock.
Antonio Jorge Neto ficou em segundo, seguido por Hoover Orsi. Ricardo Maurício, que largou na pole e liderou a maior parte da prova, teve problemas no final, começou a despencar e terminou só em 15º.
Cacá foi o 10º, Losacco, o 11º; Maluhy, o 12º. E, assim, o campeonato fará sua última etapa em Interlagos, no dia 10, com a disputa pelo título bem aberta.
O tempo continua seco por aqui, para felicidade geral da nação.
Sim, porque se chover a confusão será grande.
Em nome da segurança, a direção de prova vai querer mudar um ponto-chave do traçado: no lugar do curvão, os pilotos usarão a antiga curva Sul, que tem uma área de escape mais ampla.
Mas isso significaria deslocamento de câmeras, o que a Globo não quer fazer.
Uma hora para a largada aqui em Jacarepaguá. Calor abafado, céu nublado, trânsito no acesso ao autódromo, boxes lotados com a visitação dos torcedores.
A previsão era de chuva, mas por enquanto, nada.
Ontem, no fim da tarde, choveu. E no Rio, quando pinga na sua cabeça, é sempre bom dar uma checada. Pode ser chuva. Mas pode ser também algum ar-condicionado vazando. De preferência, ligado numa temperatura pólar.
Acaba de sair o grid da Stock. Pole para o Ricardo Maurício, garoto gente boa com quem vivíamos cruzando quando ele tentava ganhar a vida na Europa.
Lá não conseguiu abrir uma porta, mas aqui vem fazendo bonito. O tempo, 1min18s945.
Cacá ficou com o segundo tempo, a 0s273, seguido por Orsi e Burti. Para ele, teve sabor de pole: Maluhy, vice-líder da classificação, sai só em oitavo e Losacco, que habita seus pesadelos, ficou fora da superclassificação e larga lá atrás, em 18º.
Lembrança de infância é algo complicado. Às vezes sem saber o motivo a gente fica com uma imagem, uma música, uma recordação fragmentada impregnadas na cabeça pela vida toda.
Pois é, não sei porque, mas a primeira coisa em que penso quando ouço o nome Jacarepaguá é nos boxes. Sei lá, talvez seja uma coisa lúdica... Esses boxes, para mim, sempre pareceram iglus.
Pelo menos eles continuam por aqui. Sim, já viveram tempos mais gloriosos mas se mantêm em pé, resistindo à estupidez da destruição pan-americana.
E aqui estão eles. Com outro ícone, a torre de controle, ao fundo. Ainda bem que cheguei a tempo.
Pronto, Rio de Janeiro. O último termômetro que vi indicava 39 graus, só pra contrariar a citação óbvia no título ao hit de Fernanda Abreu. Céu claro, pouco vento, Linha Amarela congestionada, todo mundo indo pra praia.
No caminho passei pelo estádio João Havelange. Ou por aquilo que um dia será o principal estádio do Pan-Americano. De longe as obras parecem adiantadas, o que me surpreende. Mas o cenário ao redor não ajuda nada. O Rio é tão lindo e foram fazer um estádio no meio de um mega-aglomerado urbano?
Passei também pela Vila Pan-Americana. Predinhos honestos, me pareceram. E, claro, passei pelo Hotel Monza, que Deus o tenha.
Mas minhas previsões se confirmaram: fiquei triste ao entrar em Jacarepaguá. Isso aqui virou mesmo um canteiro de obras. O asfalto está imundo, betoneiras e caçambas se misturam aos caminhões da Stock.
A impressão que tive é que, revoltados com o automobilismo por alguma razão, as "ôtoridades" decidiram espremer tudo num canto distante, como quem está varrendo uma sala.
É isso, a imagem é essa. A Stock, a Stock Light, a Stock Júnior, o automobilismo fluminense estão espremidos num canto, enfim. Sufocados. E não sei o porquê.
Daqui a pouco vou dormir, logo depois pretendo acordar e ir para o Rio. Não sei ainda onde ficarei hospedado. Mas espero que não seja no Hotel Monza.
Típica hospedagem de beira de estrada, daquelas propícias para encontros furtivos e baratos no meio da tarde, o Monza conta com a melhor localização para quem vai a Jacarepaguá. Fica exatamente em frente ao autódromo. E foi lá que me colocaram em 1998, para a cobertura da etapa carioca da Indy.
A intenção era das melhores _no ano anterior, havíamos reclamado de ficar em Copacabana, do outro lado da cidade. Mas não deu muito certo. Noves fora a proximidade da pista, todo o resto era desastroso.
Não havia telefone no quarto, o que é algo próximo da morte para um repórter que precisa mandar e remandar suas matérias na calada da noite.
A parede, lembro, era forrada de espelhos que, nos primórdios, devem ter estampado figuras lânguidas de mulheres nuas _tudo o que se percebia, lembro, eram sombras da pintura e algumas marcas de mãos que certamente haviam usado os espelhos como apoio noites (ou manhãs ou tardes) antes.
Mas eu não estava sozinho. Havia uma boa tropa de repórteres e fotógrafos por lá e, claro, no fim da história tudo virou uma grande piada.
Mas como uma piada contada duas vezes não funciona, espero loucamente que o amigo Graminho não tenha reservado para mim uma suíte no Hotel Monza.
E não é que o Montoya conseguiu um lugar no grid em sua primeira tentativa de correr na primeira divisão da Nascar?
Com uma volta em 30s775, a 0s462 do pole position, Kasey Kahne, o colombiano ficou com o 29º tempo _43 pilotos largam no domingo pela Nextel Cup em Homestead.
E assim ele dá o primeiro passo para se tornar o primeiro ex-astro da F-1 a conseguir uma transição bem-sucedida para a principal categoria de stock car do mundo.
Enquanto Jacarepaguá agoniza, o Paraná ganhará mais um circuito neste fim de semana.
É uma pista de terra, é verdade, mas isso não interessa. Trata-se de uma área para o automobilismo, enfim. Luiz Aparecido da Silva, colega de Cascavel, informa que a pista do autódromo de Marechal Cândido Rondon, no Oeste do Estado, terá 1,5 km de extensão, com 14 metros de largura.
Será no sentido horário, com oito curvas. Na inauguração, serão disputadas provas das categorias Marcas, Tubular (gaiolas) e Kartcross.
O Paraná é apaixonado pelo esporte a motor. Não por acaso, 5 dos 27 pilotos brasileiros que já correram na F-1 vieram de lá. Não por acaso, as categorias de base vivem cheias de paranaenses.
Recebo um e-mail da British Airways. Explica que desde 6 de novembro estão em vigor novas regras da União Européia restringindo o porte de "líquidos, géis e substâncias pastosas" em bagagens de mão de passageiros viajando para e pela região. Também estão incluídos vôos com origem ou destino na Albânia, no Kosovo, na Islândia, na Noruega e na Suíça. Ah, bom...
"Líquidos devem ser acondicionados em receptáculos individuais não excedendo 100 ml", diz o didático texto.
Isso inclui, explica a companhia, "shampoo, creme, gel de cabelo, spray de cabelo, bronzeadores, pasta de dente, desodorantes, perfumes, cométicos como máscaras faciais e gloss, água e outras bebidas, sopas, melados e outros itens de consistência similar."
Ah, claro... "Os itens precisam ser colocados em saquinhos plásticos transparentes, zip-top, que não excedam 20 cm x 20 cm (ou 8 polegadas x 8 polegadas) ou o equivalente a 1 litro." E, obviamente, esses saquinhos "precisam estar dentro da bagagem de mão, devidamente trancada".
À parte as discussões sobre os culpados, conseguiram estragar uma das coisas mais legais da vida. Viajar.
Faz tempo que não coloco aqui uma foto do arquivo, então vamos nessa...
Para o "Red Bulletin", foi a jogada de marketing do ano. Na minha modesta opinião, expressa na coluna da Folha e numa lista pedida pela "Racing", foi um dos dez melhores momentos da temporada.
Falamos, o "Red Bulletin" e eu, do show de Roger Waters e Nick Mason na sexta-feira do GP da França.
Magny-Cours é uma chatice. Fica no meio do nada, e não há exagero nessa afirmação. Há um repórter suíço, o Roger Bernoit, que todo ano se nega a ir para lá. Já os ingleses, claro, cansam de caçoar dos franceses. "Não há nada para fazer", é o mantra repetido desde 1991.
Pois bem, neste ano os franceses responderam com classe. Bem ao lado da pista, montaram um enorme palco e promoveram um grandioso show com os maiores sucessos de uma das mais inglesas das bandas, o Pink Floyd. "The Dark Side of the Moon" de cabo a rabo. Touché.
Não poderia perder essa, é claro. E fui, acompanhado dos amigos roqueiros Reginaldo Leme e Guilherme Mynssen, o popular Dentinho. Waters e Mason estavam inspiradíssimos, foi de emocionar.
Entre os pilotos, apenas um apareceu. Talvez porque só um saiba quem foi, ou o que é, Pink Floyd. Veja aí abaixo.
Antes de ir, uma dica e uma dúvida.
A dica: Waters trará seu show ao Brasil no ano que vem. Tocará em 23 de março em São Paulo, e na noite seguinte, no Rio.
A dúvida: o que será que o Ross Brawn estava tirando do dente?
Para os mais novos entenderem um pouco o que era Jacarepaguá e para os coroas matarem a saudade... Trechos da vitória de Prost, o "rei do Rio", em 1984.
Deixe de lado a narração inglesa, sonolenta, e preste atenção no cenário, nas arquibancadas lotadas, na confusão dos boxes, no moderníssimo método de resfriamento dos freios do Alboreto e, principalmente, no microfone pirata entrevistando o francês no finalzinho do vídeo...
Vou para o Rio no fim de semana acompanhar a Stock. Ver corrida é sempre bom, estar in-loco é melhor ainda. Mas sei, de antemão, que esta viagem terá um tom melancólico.
Vai ser triste voltar a pisar em Jacarepaguá. Vai ser triste ver o antigo circuito transformado em canteiro de obras e o "novo" _um arremedo de 3,370 km_ cheio de mato, como relatam amigos que já estão por lá.
"No Rio é maisssss legal", brincávamos eu e o Zé Henrique Mariante, em 1997, imitando um carioca com quem conversamos por lá quando estávamos cobrindo a corrida da Indy. E é mais legal mesmo.
Sou paulista nascido em São Paulo na Maternidade São Paulo. Paulistaníssimo, enfim. Mas entendo perfeitamente a frustração da F-1 quando da mudança de Jacarepaguá para Interlagos.
O Rio é uma cidade linda. O Rio tem praia. O Rio tem alto astral. E o Rio tinha um circuito fantástico encravado num cenário exuberante.
Este último, culpa da estupidez da prefeitura e dos que organizam o Pan, não tem mais.
Já começa a haver um zunzunzum de que a Bridgestone terá problemas para fornecer pneus a todas as equipes que planejam testar no fim do mês, em Barcelona.
Envolvida até a tampa com a disputa do Mundial encerrado há menos de um mês, a fábrica japonesa não teria tido tempo para pensar/planejar/produzir a primeira fornada de compostos para 2007 _mais duros e, portanto, menos aderentes e velozes.
O mais provável, dizem, é que leve para a Espanha os pneus de 2006. Se isso acontecer, esses primeiros três dias de pré-temporada serviriam para quase nada.
Como os carros do ano que vem por enquanto não passam de modelos em túneis de vento, a hora é de experimentar pneus, principalmente para os seis times que até Interlagos usavam Michelin.
Oficialmente, a Bridgestone ainda nega. Mas se os problemas se confirmarem, os times não poderão fazer nada.
De qualquer forma, a preocupação em si já é uma mazela do monopólio. E é só a primeira, você vai ver.
Atendendo a pedidos, vamos à história do Albers...
Em 2001, o GP Brasil foi o terceiro da temporada. Duas semanas antes, a categoria correu na Malásia e foi lá que tive a trabalhosa idéia de fazer uma pesquisa com todos os pilotos da F-1. Todos os 22.
O objetivo era publicar a reportagem na Folha uma semana antes da corrida em Interlagos, dando o pontapé inicial na nossa cobertura da corrida.
Criei um mini-questionários de quatro perguntas (coisas do tipo "o que você acha de Interlagos?" e "qual é sua maior lembrança de um GP Brasil?") e fui à luta.
Um a um, fui conseguindo falar com os pilotos. Minha preocupação, claro, era Schumacher. "Pegue-o quando ele estiver caminhando pros boxes. Se for rápido, ele te responde sem problemas", disse a Sabine Kehm, assessora do alemão.
E assim foi. Peguei-o numa curva, ele parou e respondeu a todas as questões com a maior simpatia. A enorme maioria foi assim, aliás. E lembro especialmente do Alesi. Caminhando pelo paddock, ele deu uma resposta maravilhosa para a pergunta sobre o GP Brasil. Fui recuperá-la no arquivo:
"Você é brasileiro e vai entender... Tive a sorte de correr contra o Senna e, em 90, o Mundial começou em Phoenix. Naquela corrida, ultrapassei o Senna, e aquilo teve um baita destaque. Quando cheguei ao Brasil, para o segundo GP, esperava ser vaiado. Mas aconteceu o contrário. Parecia que eu estava em casa. No autódromo, todos aplaudiam e gritavam cada vez que eu passava."
Esse papo todo foi só para dar uma medida de que na F-1 mesmo pilotos experientes, veteranos, consagrados, atendem a imprensa com educação quando abordados, também, de maneira educada.
Bom, dei essa volta enorme para chegar ao holandês mascarado. No ano passado, na Austrália, inventei de fazer coisa parecida, mas só com os estreantes. Monteiro, Karthikeyan, Albers e Friesacher. Nada genial, admito, aquela coisa de expectativas, sonhos, etc, etc...
Decidi começar pelos boxes da Minardi. E lá estava Albers, recém-saído da DTM, terceiro colocado na temporada anterior, coisa e tal.
Negou-se a falar. Mais do que isso, mal olhou para o lado. Isso porque estava no fundão dos boxes que ocupavam o fundão do paddock de Melbourne. E porque passaria o ano todo largando no fundão do grid. Uma máscara absurda, enfim.
Não foi mera antipatia com minha abordagem, com o fato de eu ser brasileiro ou com o tamanho do meu nariz. Ele agiu da mesma forma com "n" colegas. E é assim até hoje.
Não, isso não explica tudo. Mas é por essas e outras que Schumacher é Schumacher (e Pelé também é assim, incrivelmente acessível diante da importância que tem pro mundo) e Albers é Albers.
Depois de "o retorno de Schumacher", o boato da vez é "Hakkinen na McLaren em 2007". Dia desses, o finlandês visitou Woking, experimentou um simulador, conversou com Ron Dennis e Martin Whitmarsh. Pronto, foi o bastante para que os rumores tomassem conta dos sites por aí.
O fato é que o bicampeão está sentindo uma coceira danada para voltar à F-1, mas nos bastidores. Quer ajudar a McLaren de alguma forma, mas não no cockpit. Talvez seja uma boa. Mas não passa disso.
E além do mais ficaria ridículo voltar agora. Pareceria que ele passou esses anos todos exilado, apenas evitando o alemão.
Na China, quando questionado sobre a permanência da dupla de pilotos da Spyker para 2007, Colin Kolles foi franco. "Gostaríamos que o Christijan ficasse. Seria uma pena ficarmos sem a namorada dele nos boxes."
Bom, hoje Christijan Albers e Liselore Kooijman casaram em Amsterdã. E além de uma mulher bonita, o piloto (que é dos mais mascarados, diga-se) deve ter arranjado um belo contrato.
Ela é filha do dono da Spyker. Além de bom de bico, o rapaz é esperto.
Lis, herdeira da Spyker e do posto de 'miss F-1' após a saída de Connie Montoya
Enfim uma ocasião apropriada para responder a uma pergunta feita quase que diariamente: não, Massa não vai adotar para sempre o macacão verde-e-amarelo.
E a prova está aí abaixo, no retorno do brasileiro ao volante. Hoje, ele iniciou na Granja Viana os treinos para as 500 Milhas.
O site do "Propaganda e Marketing" traz hoje uma nota sobre a venda de cotas das transmissões do futebol e da F-1 na Globo.
No mundo da bola, são cinco cotistas fechados para 2007: Ambev, Vivo, Volkswagen, Banco Itaú e Casas Bahia. Cada empresa desembolsou R$ 97,4 milhões. Além disso, a Coca-Cola pagou R$ 32 milhões pelo "top de cinco segundos". Ainda há cinco cotas de comerciais nacionais vinculados ao futebol, cada uma por R$ 15 milhões e todas ainda em aberto. O total embolsado, R$ 594 milhões.
Na F-1, são cinco cotas, sendo que quatro já foram vendidas para Tim, Petrobras, Banco Real e Schincariol. A GM, que era cotista neste ano, não vai renovar, abrindo espaço para uma montadora. Cada cota sai por R$ 43,9 milhões. O "top de cinco segundos", que custa R$ 17,9 milhões e neste ano era da Halls, também ainda está vago. O total, R$ 237,4 milhões.
Ou 40% do que é arrecadado com o futebol.
A disparidade não explica totalmente o mau uso que a Globo faz do material da F-1 _abolição de programetes como o "Sinal Verde", abertura das transmissão instantes antes da largada, espaço mínimo nos jornais. Mas ajuda a entendê-lo.
Mathias Lauda declarou à imprensa austríaca que F-1 nunca foi sua prioridade.
"Eu nunca disse que rejeitaria a F-1, mas também nunca disse que faria qualquer coisa para chegar lá", afirmou o filho do tricampeão, que após algumas temporadas nos monopostos correu neste ano na DTM.
Ufa! A F-1 escapou desta. Mathias foi dos moleques mais barbeiros que habitaram as categorias de base nos últimos anos.
A "Play", revista do "New York Times", dedicou reportagem extensa a Bia Figueiredo, "numa missão não apenas para se tornar a mulher mais bem-sucedida da F-1, mas também a primeira campeã".
A reportagem foi à casa de Bia ("nossa vida agora é o automobilismo", diz Márcia, a mãe), passeou com ela no seu Honda Fit por São Paulo ("está a duas multas de perder a carteira de motorista") e exagerou em alguns momentos (como em "ela está se tornando famosa o bastante para ser conhecida no Brasil apenas pelo apelido, a exemplo de Pelé e Ronaldinho").
Encontrei Bia três ou quatro vezes, a última delas na Granja Viana, três anos atrás. E, à distância, venho acompanhando sua carreira. É esperta, é rápida, tem qualidades para se dar bem na F-3 da Europa, seu próximo passo. Pena que tenha chegado à F-3 sul-americana neste momento de draga da categoria.
Vale a pena ler a íntegra. É de graça e o registro no site do NY Times é rapidinho. A reportagem está aqui.
Bourdais acaba de vencer na Cidade do México, fechando a temporada com brilho. Ultrapassou Wilson com uma manobra agressiva na última volta e assim coroou o ano do seu terceiro título na ChampCar.
O francês é muito, muito, muito bom piloto. Mas deu azar de chegar num momento de descrédito total da categoria. Entre os pilotos que hoje militam nos EUA, é dos três ou quatro que mereceriam uma vaga na F-1.
Vai acontecer? Ao que tudo indica, não. O bonde dele já passou. Uma pena. Mas é assim.
Não, não foi o fim dos problemas. Tampas de bueiro soltas impediram a continuação dos treinos nas ruas de Pequim, e o grid da A1 foi definido com base no pouco tempo de treino livre. Pole para a Holanda, com o Brasil em sexto. A corrida, dizem, vai acontecer normalmente. Duvido muito.
Tampas de bueiro? Sim. Demais, não? Que tipo de vistoria fizeram por lá? Bom, ainda bem que já desisti dessa A1...
Os organizadores da A1 GP informam que a programação será seguida normalmente neste sábado lá em Pequim.
O traçado, explicam, foi alterado. A reta foi encurtada para aumentar o raio do hairpin, "abrindo espaço para que os pilotos manobrem". Ainda bem, não é?
Será o fim dos problemas no fim de semana? É melhor esperar para ver...
Assim, cheio de exagero, o colega Raffaele dalla Vite começa seu texto na edição de hoje da "Gazzetta dello Sport".
Explica, logo depois, que as explosões no Enzo e Dino Ferrari começarão no dia 19. Na primeira fase, 1500 bananas de dinamite acabarão com o prédio dos boxes e da sala de imprensa.
Particularmente, não sentirei saudades. Os boxes lá são dos mais apertados. E a área dos jornalistas só não é pior que a do Canadá.
O custo da reforma, 10 milhões de euros. Se vai ficar bom, não sei. Mas acho que, mais por pressão da Ferrari do que pela obra em si, Imola vai acabar voltando ao calendário. Se não no ano que vem, em 2008.
Raffaele, aliás, merece um comentário à parte. É uma figuraça. Cabelos e bigodão brancos, adora fumar charutos e usar camisas floridas no melhor estilo "Ilha da Fantasia".
E um detalhe: não fala uma palavra de inglês. Isso mesmo. O sujeito cobre F-1 há trocentos anos e não arrisca um "good morning". Daí que todo mundo na sala de imprensa evita sentar perto dele. Do contrário, passará o fim de semana trabalhando como tradutor.
A turma do Desafio das Estrelas, a corrida de kart promovida por Massa, anunciou hoje que Zonta, Nelsinho e Kanaan também confirmaram presença nos dias 16 e 17 de dezembro, em Floripa.
A lista de inscritos, atualizada, é a seguinte: Felipe Massa, Rubens Barrichello, Vitantonio Liuzzi, Robert Doornbos, Jean Alesi, Tiago Monteiro, Ricardo Zonta, Nelsinho Piquet, Antonio Pizzonia, Enrique Bernoldi, Felipe Giaffone, Tony Kanaan, Xandinho Negrão, Lucas di Grassi, Alexandre Barros, João Paulo Oliveira, Giuliano Losacco, Luciano Burti, Cacá Bueno, Popó Bueno e Marcos Gomes.
Restam quatro vagas. Uma delas deve ficar com Lewis Hamilton.
Confesso que fui um dos que se deixaram entusiasmar, anos atrás, com a criação da A1 GP.
Primeiro, porque sou a favor de todo campeonato novo que surge_novos empregos, novas oportunidades, novos circuitos. Segundo, porque achei interessante a filosofia de uma disputa entre países. Terceiro, porque os carros, tecnicamente, são bons.
Decepcionei-me, mais uma vez. A cada corrida, a categoria mais e mais me parece um playground para o tal xeque Maktoum Al Maktoum e um caça-níqueis para boa parte das equipes, a brasileira incluída com louvor.
Neste fim de semana, por exemplo, acontece a terceira etapa do segundo campeonato da categoria. O palco, um circuito de rua montado em Pequim. Que foi interditado neta madrugada após os primeiros treinos. O motivo: fizeram um grampo impossível de ser contornado pelos carros. Só isso.
O piloto brasileiro lá na China? Rafa Matos. Muito prazer e boa sorte. O critério único para a escolha, o valor do cheque para o Emerson.