O "edição extraordinária", no que deveria ter sido o último post do ano, era ficção. Estou de férias, e minha idéia era não postar nada até voltar a São Paulo ou à redação. Era.
Escrevo da Guarda do Embaú, Santa Catarina, 30 quilômetros ao Sul de Floripa, primeira parada rumo à Argentina. Lugar lindo.
Terça à noite, andando pelo centrinho, vejo aquela figura mirrada sentada numa mesa com um grupo de amigos. Não acreditei. Não poderia ser. Sabe quando você força os olhos para tentar enxergar direito? Pois é, foi o que fiz. E enxerguei, direito, Cristiano da Matta.
Pois é. Aqui, nessa praia paradisíaca, com sol de rachar, água doce e salgada, encontrei o herói destes primeiros quase seis meses de blog. Animado. Animadíssimo. Falante, como sempre.
Vai completar aqui, dia 1º, cinco meses do acidente que quase lhe tirou a vida. Acidente do qual fala com desenvoltura. Diz que aos poucos vai recuperando a memória e que já lembra do dia da batida. Lembra até da volta em que atropelou o veado. "A equipe tinha me chamado para os boxes, mas eu não estava desacelerando. Estava rápido, porque tinha umas coisas de freio pra testar. E vi aquele bichão na minha frente, andando todo posudo, mas não tive tempo de desviar. Não deu."
Cristiano faz piada o tempo todo. Diz que tirou o primeiro domingo em casa para assistir, pela TV, à etapa de Buenos Aires da Stock Car. Aquela, em que seu amigo Gualter também quase foi desta pra melhor. "Na hora pensei: 'esse troço de corrida parece que é perigoso'."
Não sabe quando poderá voltar a correr, mas está feliz porque o médico já o liberou para andar de bicicleta. "Dentro da minha ignorância médica, parece uma boa notícia. Porque tomar uma vaca de bike também pode ser complicado. Então acho que em uns dois meses vou estar liberado."
E se essa liberação nunca vier?, ele pergunta, para ele mesmo responder: "Tudo bem. Depois de tudo o que aconteceu, se eu não melhorar mais nada, está bom demais." Sotaque mineiro carregado.
Depois disso cruzei Cristiano na praia duas vezes. Hoje à tarde, uma soneca mais prolongada impediu-me de disputar com ele e seus amigos uma corrida de tampinhas. Quando voltar ao caos, eu explico aqui do que se trata.
Amanhã pego a estrada novamente, mais uma perna de 700 e poucos quilômetros. Feliz. Porque este blogueiro e este blog receberam inesperadamente nos últimos dias de 2006 um enorme presente de Natal e uma gigantesca lição de vida.
Volto em 2007. Ou a qualquer momento, em edição extraordinária.
Na segunda bateria em Floripa, deu Pizzonia, seguido por Nelsinho, Di Grassi e Massa, que levou a taça de campeão do fim de semana.
E assim o automobilismo entra em férias. Daqui até o início de janeiro não há testes, não há corridas, não há muito bafafá. E não há blog.
Sim, este blogueiro vai aproveitar a entressafra para também descansar um pouco. Natal em casa, uma road trip por países vizinhos... Enfim, é hora de recarregar as baterias.
A todos que vêm me aguentando aqui, um lindo Natal e um excepcional 2007.
Volto em janeiro. Ou a qualquer momento, em edição extraordinária.
A organização do Desafio das Estrelas atrasou a largada da primeira prova em nove minutos, aguardando o fim transmissão de Inter x Barça na Globo, mas não deu para esperar mais.
A corrida começou, aconteceu e acabou sem exibição pela TV aberta. O pódio, Massa, Nelsinho e Di Grassi.
Na Globo, neste momento, os fabulosos, empolgantes e cobiçados Jogos Mundiais de Verão.
Bom, o Sportv promete mostrar a segunda prova, às 15h. Esperemos.
Estou pegando no pé ou Ricardo Teixeira, no pódio, era mais simpático e mostrava-se mais à vontade com os astros do Barcelona do que com os quixotescos colorados?
Em Florianópolis, além de uma exibição com os karts na avenida Beira-Mar Norte, aconteceu hoje o sorteio dos chassis que os pilotos usarão a partir de amanhã, no Desafio das Estrelas.
Barrichello ficou com o número 24. Abaixo, a gargalhada da turma na hora do sorteio.
Miguel Costa Jr./MF2
A Globo vai mostrar a primeira corrida ao vivo, às 10h30 de domingo. A prova principal, às 15h, será mostrada só pelo Sportv _ na Globo, cinco minutos antes, começará o Temperatura Máxima com o imperdível "Tá Todo Mundo Louco".
Fechou a estréia com a McLaren com o terceiro tempo do dia, a 0s257 do neo-companheiro, Hamilton, o mais rápido. Entre os dois, Kovalainen.
O fundão do último teste de 2006 também rendeu notícias. Bourdais foi o 12º, 2s038 melhor que Speed, o 15º e último. Em três dias com a Toro Rosso em Jerez, o francês foi mais rápido que o titular da equipe em dois.
Anotem: o americano vai voltar pra casa em 2007, e a dupla da Toro Rosso será Liuzzi e Bourdais.
Speed, aliás, não foi nem sequer o melhor americano em Jerez. Marco Andretti, convidado pela Honda, foi o 14º.
Suíço, 67 anos, dirigia seu Chrysler Voyager por uma das principais autoestradas italianas, a A1, quando envolveu-se num acidente com um caminhão nos arredores de Parma.
Um dos ícones da F-1 que o Brasil aprendeu a ver, Regazzoni, cujo primeiro nome era Gianclaudio, disputou 132 GPs na categoria entre 1970 e 1980.
Nasceu e cresceu na região de Ticino, de forte influência italiana. Começou a correr na Itália, por marcas como De Tomaso e Tecno. E foi pela mais célebre marca italiana que chegou à F-1, após conquistar, em 1969, o título da F-2.
Foram três temporadas pela Ferrari, com uma vitória, até que ele se transferisse para a BRM, em 1973. No ano seguinte, porém, Regazzoni voltaria a Maranello, onde ficou até o fim de 1976, quando o comendador contratou Carlos Reutemann para seu lugar.
Em 1977, o suíço correu pela Ensign. No ano seguinte, pela Shadow.
Em 1979, um lance de sorte numa carreira que parecia decadente. Contratado pela Williams, viu o companheiro, Alan Jones, abandonar o GP da Inglaterra. Resultado: tornou-se o responsável pela primeira vitória de uma das maiores equipes da história da F-1.
Mas foi só. Em 1980, voltou à Ensign. No fim daquele ano, ou em pouco tempo, se aposentaria. Mas o muro de Long Beach decidiu antecipar as coisas. Com lesões na espinha dorsal, passou os últimos 26 anos numa cadeira da rodas.
Seus números finais na F-1: 132 GPs, 5 vitórias, 13 segundos lugares, 10 terceiros, 5 poles e 15 melhores voltas.
Regazzoni ensaiou ainda algumas aventuras. Disputou um Paris-Dacar com um carro com controles manuais, além de provas de rali com modelos históricos.
Grande biografia, a do Regazzoni.
Que, no meu inconsciente, será sempre "aquele bigodudo da F-1".
A "Autosport" revela que o martelo só foi batido ontem à noite. e que a McLaren montou um super-esquema de segurança, que beira a truculência.
Às 5h, os mecânicos foram mandados para o circuito para preparar o carro para o espanhol. As principais tarefas: colocar o banco já moldado pelo bicampeão em Woking e retirar todos os adesivos de patrocinadores do carro.
Alonso também não leva uma marca consigo. O capacete é branco e no cinto do macacão, também cândido, apenas a bandeirinha espanhola.
Ou seja, a McLaren já estava com tudo preparado. Só esperava o sinal verde da Renault. E se conheço a F-1, Todt já deve estar ligando para Dennis para tentar comovê-lo a praticar bondade parecida.
Ah, sim, a truculência... Foram montadas barreiras diante dos boxes e os fotógrafos que tentam se aproximar são intimidados por mecânicos.
Em termos técnicos, é simbólico: no último dia de testes do ano, a Renault liberou Alonso e o espanhol, de capacete todo branco, está testando com a McLaren lá em Jerez.
Em termos psicológicos, pode ser importante: Alonso virará o ano sem essa pulga atrás da orelha, sem o incômodo de não ter idéia do carro que guiará em 2007. Começará os testes de janeiro mais relaxado.
Esperemos o fim do dia para comentar o desempenho do bicampeão.
Acabo de receber um e-mail do Lukas Gorys, fotógrafo alemão amigo meu, um dos melhores da F-1.
Lukas está preocupado porque recebeu em sua casa, em Rheinstetten, uma carta da Localiza Rent a Car. Em 19 de outubro, por ocasião do GP Brasil, ele alugou um Palio 1.0 na loja da Localiza no Terminal 2 de Cumbica.
Pois bem... Lukas foi multado em São Paulo no dia seguinte à corrida, 23 de outubro. Estava a 72 km/h na avenida Washington Luís, num trecho em que a velocidade máxima permitida é 60 km/h. Até aí, tudo bem. A discussão sobre a infestação de radares pelas cidades brasileiras fica para outro dia.
O problema, o que aflige Lukas, é que a Localiza mandou uma carta para sua casa explicando que ele levou uma multa, dizendo que o pagamento pode ser feito no cartão ou por fatura, informando que "manifestamos nosso desejo de continuar lhe prestando o melhor serviço"... TUDO EM PORTUGUÊS. Tenho a carta aqui em mãos. Ele está tão agoniado que escaneou e me mandou em pdf.
Peloamordedeus! Será que uma empresa que aluga carros num aeroporto internacional não percebe que uma boa parcela de seus clientes é formada por estrangeiros? E que eles não falam português, esse idioma quase excêntrico?
O contrário já aconteceu. Já fui multado na Alemanha, duas ou três vezes. E sempre recebi cartas das locadoras em inglês. Tudo bem explicado, bem detalhado, sem sustos.
"Você pode esclarecer a situação pra mim? Terei problemas na chegada ao aeroporto quando eu for para o Brasil no ano que vem", pergunta Lukas.
Não, não terá. Talvez só problemas de comunicação. Sabe como é... Por que falar inglês num aeroporto internacional?
Mantendo o rodízio no topo da folha de tempos nesta pré-temporada, hoje foi o dia de De la Rosa em Jerez de la Frontera.
O espanhol da McLaren fechou o dia na frente, 1min19s109, três décimos melhor que Trulli, da Toyota, o segundo colocado.
James Rossiter e Christian Klien, treinando com Honda, foram terceiro e quinto. Entre eles, Hamilton, de McLaren.
Massa foi o sexto e já deve estar embarcando para Florianópolis, onde no fim de semana organiza e corre o Desafio das Estrelas. Badoer ficou em sétimo.
Ferrari preta? É o que perguntam alguns. Sim, Ferrari preta. Não é todo ano que acontece, mas de tempos em tempos a escuderia resolver exibir um modelo ainda incompleto nos testes. E, neste incompleto, está incluída a gloriosa pintura vermelha.
Outras equipes fazem o mesmo. E neste capítulo, minha favorita é a McLaren, que costuma deixar de lado a pintura de seu patrocinador e usar sua cor tradicional, o laranja.
A Ferrari ainda não anunciou a data do lançamento do novo carro, mas segundo o "Blick", jornal suíço sempre muito bem informado sobre F-1, o modelo irá à pista pela primeira vez em pouco mais de um mês, em 16 de janeiro, em Jerez.
Não se sabe, ainda, se já estará com a pintura vermelha ou se manterá o preto da fibra de carbono, aguardando uma cerimônia oficial em Maranello.
A dica foi do Marcos. E, na falta de mais informações, reproduzo aqui o texto que acompanha o vídeo.
"Era começo da bateria da última etapa do campeonato de endurance do Kartódromo Granja Viana, quando líderes batem numa pista oval muito veloz e partem para as vias de fato. É quando vem um piloto e atropela em cheio o valentão. A corrida é paralisada temporariamente. Até o momento não sabemos se foi de propósito ou não. Tire suas próprias conclusões."
O atropelamento acontece no instante em que o cronômetro marca 1min21s.
Kovalainen fechou o dia com o melhor tempo, 1min19s446. Foi o terceiro que mais andou, 114 voltas, atrás de Klien (terceiro tempo, 128 voltas) e Sato (décimo, 122).
Badoer foi o segundo, 1min19s898. Massa, único brasileiro na pista, ficou em sétimo.
Bourdais foi o último, 0678 atrás de Liuzzi, também de Toro Rosso, o penúltimo.
O amigo Bernardo Ramos, antigo colega de BandNews e hoje editor de Esportes da TV Terra informa que a reportagem com o Massa-moleque pilotando moto é do Marcelo Tárraga, e não do André Plihal, da ESPN Brasil, como eu suspeitava.
Crédito corrigido, Bernardo. E obrigado pelo toque.
As manhãs de terças-feiras no estúdio onde é gravado o "Linha de Chegada", do Reginaldo Leme, viraram sinônimo de confraternização.
Na espera pelo apresentador, um dos caras mais atrasados que conheço, pilotos de diversas categorias se juntam em animados bate-papos entre um cafezinho, um biscoitinho, um suquinho de laranja. E nós, jornalistas convidados de vez em quando, nos intrometemos, claro.
Era esse o cenário ontem. Cheguei às 11h30, como combinado. Já estava por lá o Antonio Jorge Neto. Pouco a pouco, chegaram Giuliano Losacco, Lucas di Grassi, Vitor Meira, Cacá Bueno e Alexandre Barros.
E papo vai, papo vem...
Di Grassi dá parabéns a Cacá pelo título, Losacco cumprimenta Di Grassi pela vaga na ART, Jorge Neto faz perguntas a Barros sobre os testes com a nova moto.
Em comum, trocas de idéias sobre a corrida de kart promovida por Massa em Floripa neste fim de semana. "Quando você chega lá?"; "Quando é o primeiro treino?" e por aí vai.
O que consegui tirar do improvisado convescote?
Que Di Grassi ainda não renovou com o programa de desenvolvimento da Renault, mas que tudo está bem encaminhado. Que Cacá quer que se fale o menos possível no acidente com Hoover Orsi. Que o mesmo acidente foi considerado normal por seus colegas. Que Barros terá outro ano mais ou menos na sua volta à MotoGP. Que Meira é caladão. Que Giuliano continua com sua simplicidade cativante. Que eles lêem muito do que sai na imprensa. Que todos agora querem curtir um pouco as férias.
Nicolas Todt foi invenção de seu pai, Jean. O rapaz zanzava entre negócios na área da internet, implementação de sites, coisas do gênero, até que recebeu um presentinho do pai: o contrato de Felipe Massa.
Uma belíssima ajuda, claro. E assim Nicolas colocou o pé pra valer na F-1, frequentando o paddock da Sauber a partir do finalzinho de 2003, no lugar de Ricardo Tedeschi.
Nicolas poderia ter ficado nisso. Afinal, com o pai no comando da Ferrari, a vida de seu piloto e a sua estavam feitas.
Mas não. O moleque resolveu sair por aí metendo o bedelho. Sim, o pai também deve mexer os seus pauzinhos, mas não fica só nisso. Nicolas deve ter algum talento.
Afinal, de quem é a ART, equipe que venceu os dois campeonatos da GP2, levando os dois campeões direto para a F-1? De Nicolas.
E uma que acabo de descobrir: quem está por trás do teste de Bourdais na Toro Rosso? Nicolas.
Confesso que quando o conheci não simpatizei logo de cara. Ele é o tipo de sujeito que não abre largos sorrisos, que está sempre com a mesma expressão. Se dá uma topada com o dedinho do pé no batente da porta ou se recebe uma bolada da loteria, a feição não se altera.
Pensando bem, talvez seja esse um dos segredos do negócio.
Enfim, cada vez mais Nicolas se descola de Jean. E cada vez mais parece-me raciocínio simplista atribuir seu sucesso apenas ao sobrenome.
Segue abaixo a foto do troféu oferecido pela entidade ao GP Brasil. A corrida de Interlagos foi considerada a mais bem organizada de toda a temporada da F-1.
É claro que foi uma premiação política, com tons de prêmio de incentivo. Fui a 15 dos 18 GPs neste ano _culpa da Copa da Alemanha, faltei a Silverstone, Indianápolis e Montréal_ e posso atestar: não, o GP Brasil não foi nem de perto o mais bem organizado.
Mas pelo menos neste ano não aconteceu nenhum grande vexame por aqui. Placas publicitárias não voaram, curvas não alagaram, cães não cruzaram a pista. E acho que foi por isso, pelo esforço em sanar os problemas, a corrida foi premiada. Não vejo outra explicação.
Em entrevista ao "Le Figaro", Todt falou sobre o que espera de Raikkonen _ou de seu comportamento_ agora que o finlandês é da Ferrari.
"Finlandeses gostam de beber de vez em quando. Raikkonen terá muita visibilidade por estar na Ferrari e certamente será muito assediado. Por isso, se ele quiser tomar umas com os amigos, que faça isso discretamente", disse o francês.
Que falou mais: "Mas nesse nível de competição, não há truques. Você precisa estar preparado. E, como piloto, ele é rápido e consistente."
Em outras palavras: "Ele toma suas biritas, mas e daí? Contanto que não crie escândalos..."
Outro dia escrevi aqui sobre os exageros da Honda em ações promocionais com seus pilotos.
Bom, se uma imagem vale por mil palavras, um videozinho como este explica tudo. A falta de jeito com a situação e o sorriso amarelo da dupla são de matar.
O empolgante evento, Button e Barrichello fazendo pizzas, aconteceu neste ano, na semana do GP Brasil.
Se bem me lembro, em apenas uma tarde eles estiveram em três restaurantes. O autor do achado, Germinal Vilchez.
Não falei que o campeonato da Stock iria parar nos tribunais?
Chefe da equipe de Hoover Orsi, Amir Nasr promete uma guerra sem tréguas no STJD, onde pedirá a exclusão de Cacá Bueno do resultado da corrida de ontem por conduta antidesportiva.
Diz que vai munido de gravações com as declarações do novo campeão depois da corrida e de dados da telemetria, que comprovariam a má-fé do rival no choque que culminou com o abandono do seu piloto.
Bourdais vai testar pela Toro Rosso em Jerez, a equipe acaba de informar.
Serão três dias de teste sério, pra valer, bem diferente do prêmio da Honda a Marco Andretti.
Bourdais é ótimo piloto, engoliu todo mundo no purgatório da ChampCar e estava ali, livre, leve e solto, esperando que alguém o chamasse. Berger o fez.
Se eu fosse Speed ou Liuzzi, começaria a ficar bem preocupado quanto a meu 2007.
Não fui a Interlagos. Acompanhei, pela TV, a vitória de Ingo e o merecido título de Cacá.
Merecido. Merecidísismo. Cacá é um baita piloto. E neste ano, em que ele fez parte da equipe da BandNews FM nas transmissões da F-1, pude conhecê-lo melhor, bater papos, dividir mesas e microfones em salas de imprensa por aí. É gente boa.
Mas Cacá é filho de Galvão, de longe o sujeito com maiores índices de rejeição no país _privilégio que deveria ser de algum político, mas peraí, estamos no Brasil, não é mesmo? E a associação automática transfere parte dessa antipatia para ele, em forma de vaias e comentários maldosos.
Ao contrário do que muita gente pensa, as coisas não são tão fáceis na vida de Cacá. A maior prova disso é pública: sua via-crúcis na Stock. Foi vice em 2003, 2004 e 2005. E dependendo do que acontecesse hoje, poderia terminar 2006 vice de novo, ou pior.
Mas, como em 2003, com Mufatto, 2004 e 2005, com Losacco, desta vez ganhou o melhor piloto do ano. E a cena que lembrarei desta prova será o cumprimento do antigo ao novo campeão, ainda preso ao cinto de segurança, mostrando que as desavenças das pistas precisam ficar nas pistas. Somos todos civilizados.
A reunião de ontem em Mônaco acabou da pior maneira possível para Toro Rosso e Super Aguri.
As duas equipes foram alertadas por outras sete _todas as outras, menos Honda e Red Bull, claro_ de que a batata vai assar se elas insistirem com a idéia de correr em 2007 usando os modelos 2006 de suas co-irmãs. Em outras palavras, o caso terminará na Justiça.
Na linha de frente contra os dois times está Colin Kolles, chefe da Spyker, concorrente direto por pontinhos minguados e que trabalha para colocar na pista, o quanto antes, um carro decente para a próxima temporada.
A Williams, que começa a perceber que 2007 será tão ou mais complicado que 2006, também é contra.
E assim a ordem está reestabelecida no fundão do grid.
A Stock mudou o anúncio nos jornais e incluiu Thiago Camilo.
Mas o texto continua, digamos...fraquinho. "6 pilotos podem ganhar a grande final da Stock Car. Só você não pode perder."
Reproduzo aqui o comentário do Sérgio, no post anterior sobre o assunto: "Eu li isso hoje de manhã e não acreditei. Só eu não posso perder, o resto pode?"
Acabou há instantes a festa de premiação da FIA em Mônaco.
Melo Júnior não foi o único brasileiro na festa. Massa foi homenageado pelo terceiro lugar na F-1. E, pasmem, o GP Brasil recebeu o prêmio de corrida mais bem promovida.
Ah, além da homenagem pelo vice-campeonato, Schumacher recebeu uma medalha de ouro da "Academia FIA".
Depois do genial Mario e do fiasco Michael, outro Andretti sentará o fiofó no cockpit de um F-1.
A Honda acaba de anunciar que oferecerá um teste a Marco, 19, neto do primeiro, filho do segundo, na próxima sexta, em Jerez.
Será um teste como o de Kanaan pela mesma equipe. Ou como o de Castro Neves pela Toyota. Mera promoção, nenhuma chance de uma avaliação séria. Mas que ganhará boas linhas em jornais dos EUA.
A F-1 é dos poucos esportes de ponta em que a entrega da taça de campeão da temporada é pouco anunciada, prestigiada, badalada, divulgada. Os sujeitos brigam o ano todo, trabalham feito loucos, viajam milhões de quilômetros, mas ninguém sabe, ninguém vê o campeão com a taça.
Sabe quando será a premiação a Alonso? Hoje. Acabei de descobrir.
E por obra de Clóvis Grelak, que avisa que Jaime Melo Júnior, campeão da classe GT2 no Campeonato Mundial FIA GT, será o único brasileiro agraciado no evento, em Mônaco.
Choveu pela manhã em Jerez de la Frontera, e os pilotos só começaram a trabalhar pra valer à tarde.
E aí quem levou a melhor foi a Honda. Barrichello foi o mais rápido do dia, 1min20s008, seguido por Rossiter, piloto de testes da equipe japonesa. Hamilton foi o terceiro.
A Ferrari continua a testar algo que não funciona de jeito nenhum. Massa ficou em 13º. Badoer, mais atrás, em 15º.
Não consegui descobrir se o Kimi continua por lá. Pelo jeito, sim.
Aliás, poderiam mudar o layout do anúncio que está sendo publicado em todos os jornais e incluir o Thiago Camilo. Não são mais cinco, mas seis, os pilotos lutando pelo título em Interlagos.
A justificativa do "fomos pegos de surpresa" não cola. Já deveria haver um anúncio plano b, em stand-by. Mudanças de cenário na Stock estão longe de ser novidade. A anistia a Camilo foi a terceira alteração no resultado da corrida do Rio, todas elas mexendo na matemática do título.
Carlos Col falou ao Grande Prêmio que os ingressos para a Stock só serão vendidos no domingo, em Interlagos, por determinação da Fasp, a Federação de Automobilismo de São Paulo.
É impressionante o jogo de empurra no automobilismo brasileiro.
Col é dono da Vicar Promoções Desportivas S/C Ltda. E a Vicar é a promotora da Stock.
Se a promotora da Stock Car não assume a responsabilidade pela venda de ingressos para a Stock Car, quem vai assumir? Minha avó?
Os chefes de equipes se reúnem hoje em Mônaco para analisar os pedidos de Toro Rosso e Super Aguri.
Os dois times querem usar em 2007 os chassis 2006 de suas irmãs mais velhas, respectivamente Red Bull e Honda.
A permissão está prevista no texto do regulamento de 2008. Mas ambas querem antecipar a aplicação da regra.
Em princípio, sou contra qualquer medida que empobreça tecnicamente a F-1. Acho que uma das graças da categoria é seu nariz empinado, sua certeza de que reúne o "crème de la crème" do esporte a motor, seja em pessoal, seja em equipamento, seja em local para as corridas.
A F-1 tem que andar pra frente. Tem que seguir sua missão original, de buscar a vanguarda da tecnologia automotiva, servindo de laboratório, de plataforma de lançamento, para novos componentes.
Mas neste caso específico, não vejo problema. Duas equipes pequenas correrem com chassis antigos não implicará retrocesso tecnológico.
Primeiro, porque elas não acrescentariam nada mesmo. Segundo, porque os times que importam, os lá da frente, continuarão puxando a tecnologia em busca de milésimos de segundo, independentemente da venda de chassis.
Além disso, a competição ficaria um pouco melhor _e o melhor exemplo disso foi o sexto tempo do Davidson quarta-feira em Jerez.
E continuam chegando cliques curiosos de Interlagos.
A foto abaixo é do Osvaldo Pigozzo, de Londrina, que arrastou o irmão e a esposa até São Paulo para assistir à corrida.
"Ficamos no setor A, bem de frente para a entrada dos boxes. Essa foto é do momento após a bandeirada, quando os carros completam a volta para se recolherem aos boxes. Após o espetáculo protagonizado pelo Schumacher na pista, tirei uma foto dele, no momento em que os pilotos se despedem da torcida. A foto não teria nada de especial, não fosse o fato de que significa o adeus para sempre do maior piloto da história do automobilismo. São seus últimos segundos dentro de um cockpit", explica o Osvaldo.
E eu completo: quase tão emocionante quanto os acenos do alemão é a retribuição das pessoas nas arquibancadas.
Por 3 votos a 2, o STJD da CBA manteve a punição a Cacá pelos toques com Losacco no finalzinho da prova do Rio.
O segundo revés no dia para os Bueno. Porque, com a anistia concedida a Thiago Camilo horas antes pelo mesmo STJD, Cacá já havia caído uma posição na classificação da corrida, perdendo mais um ponto _menos mal, para ele, que Losacco sofreu este mesmo prejuízo.
Assim, seis pilotos, e não mais cinco, lutarão pelo título em São Paulo no fim de semana. Cacá, Hoover, Losacco, Maluhy, Camilo e Jorge Neto. Os seis estão separados por 18 pontos, sendo que a vitória vale 25.
Saiu o resultado do julgamento de Thiago Camilo. Ele recuperou a quinta posição na etapa de Jacarepaguá, somou mais 12 pontos no campeonato e chegou a 237, entrando de vez na briga pelo título.
Daqui a pouco, novidades sobre Cacá x Losacco.
E um pouco mais adiante, o festival de recursos. Êêê, chatice...
São Paulo, 6h30, cinco quarteirões da avenida Indianópolis fechados. Foram estas as condições impostas pela CET para que carros da Stock fizessem uma demonstração pela cidade hoje.
Participaram Marcos Gomes _estreando com o macacão da Medley_, Popó Bueno e Fábio Carreira. Cacá, Losacco e Thiago Camilo, que até poderiam participar, tinham compromisso mais importante no Rio: a audiência do STJD da CBA. Não, ainda não sei no que deu.
Pelo visto, muita gente que estava indo pro trabalho parou para dar uma espiadinha nos carros...
Kimi baixou em Jerez hoje. De gorrinho verde, está acompanhando os testes da Ferrari nos boxes, fone de ouvido ligado, começando a aprender o modus operandi da equipe.
O finlandês não é bobo. E deve estar com uma vontade louca de sentar naquele cockpit.
Ferrari-Massa-Raikkonen. Nesse relacionamento, um manancial de histórias saborosas para o ano que vem.
Marcos Smirkoff é fã de F-1 e de "Grand Prix". E fez algo que sempre tive vontade de fazer, mas nunca coloquei em prática: identificou um a um os pilotos daquela cena histórica da reunião em Spa-Francorchamps.
"Durante anos eu estraguei minha cópia em VHS tentando identificar o pessoal naquela sala, mas agora, com o DVD e o computador, tudo ficou bem mais fácil. Eu esperava que isso viesse incluído nos extras do DVD, mas já que não veio, mouse à obra", conta o internauta-maníaco.
Smirkoff fez ainda um cálculo macabro. Dos 13 pilotos da cena, 6 morreram em acidentes anos depois: Spence (7/5/68, treinando com o Lotus 56 turbina para as 500 Milhas de Indianápolis), Scarfiotti (8/6/68, treinando para uma prova de subida de montanha, na Alemanha), Schlesser (7/7/68, correndo pela Honda no GP da França), McLaren (2/6/70, testando seu novo carro de CanAm em Goodwood), Rindt (5/9/70, treinando para o GP da Itália) e Siffert (24/10/71, em corrida extracampeonato em Brands Hatch).
Aumento essa lista... Há aqueles que escaparam das armadilhas das pistas, mas não dos cadafalços da vida. Graham Hill morreu em um acidente de avião na Inglaterra em 75. E Ginther sofreu um ataque cardíaco em 89, enquanto passeava com a família pela França. No mesmo país e do mesmo mal morreu, dois anos depois, o ator Yves Montand, que faz o papel de Jean-Pierre Sarti _de branco, na primeira foto.
O outro ator da cena, Antonio Sabato (de preto, na segunda imagem), continua firme e forte, aos 63. Assim como cinco dos pilotos, Bondurant, Ligier, Gurney, Phil Hill e Frère, o mais velho da turma, hoje com 89 anos.
Ah, o Bernard Cahier, na primeira foto, é um dos maiores jornalistas de automobilismo de todos os tempos. Também está vivo.
Terminou o dia em Jerez. Ao todo, 17 pilotos de 10 equipes (a Spyker faltou de novo) estiveram em ação.
Nas três primeiras posições, tudo normal. Massa, Badoer e Hamilton. Klien, de Honda, foi o quarto. Montagny, de Toyota, o sexto.
A surpresa poderia ser Davidson, de Super Aguri. Sexto colocado. Pois é, sexto.
Mas, calma: este carro nada tem a ver com aquele que Sato e seus compatriotas usaram em 2006. Nesta pré-temporada, a equipe está usando o carro da co-irmã Honda, apesar de jurar de pés juntos que terá um modelo próprio em 2007.
E depois de Di Grassi, foi a vez de Pizzonia acertar a vida.
O amazonense vai mesmo correr na GP2 em 2007. Acertou com a equipe do Fisichella e, assim, vai engrossar o grupo de pilotos que chegaram ao topo, mas tiveram de descer um degrau.
Em 2006, Pantano, Glock e Bruni formavam a tchurma. Destes, só o alemão pegou o caminho de volta à elite: em 2007, será piloto de testes da BMW.
Pizzonia tinha chances de correr na ChampCar, convite sério da StockCar, sondagens de outras categorias. Mas nada disso o comoveu. Seu sonho é mesmo a F-1. E ninguém pode ser criticado por perseguir seu sonho, certo?
A foto abaixo, feita no Setor G de Interlagos, foi enviada pelo Emerson Braz, de Boituva, ali na Grande Tietê.
Bom, cada um com seus problemas, como dizem por aí. E a foto é engraçada. Alguém conhece essa figura, aliás? Alguém poderia explicar o que leva alguém a ir assim a um autódromo? Existiria alguma relação semiótica, inalcançável para mim, entre Piu Piu e a F-1?
Estava de folga ontem, não fui ao jornal. Um dia sem puxar e-mails. Abro agora minha caixa postal. São 201 mensagens.
A imensa maioria, lixo. Minha idéia era fazer um levantamento completo dos assuntos dos spams, mas desisti. É muita porcaria. Dos 201, apaguei 176.
Mas fiz um pequeno inventário das 20 primeiras mensagens:
2, sinceramente, não entendi do que tratam;
1 informa que a Transportes Gabardo recebeu homologação da Volkswagen do Brasil (??); 1 pede informações sobre um número de chassi do Gordini (este eu vou responder); 2 prometem ipods em troca de um breve cadastro num site;
1 tenta me convencer a investir em ações na Bolsa de NY;
2 avisam sobre um maldito encontro sobre nota fiscal eletrônica (recebo dezenas por dia);
1 oferece financiamento para construir minha casa nos EUA (esperem sentados);
1 faz propaganda da Chácara Moda Jovem (???);
1 vende Viagra com 20% de desconto (ainda não, obrigado);
1 conta alguma coisa sobre a A1GP (e que serei obrigado a ler);
1 traz as últimas do Blue Bus, um dos meus sites preferidos (e que lerei, claro);
1 traz agradecimentos de alguém a uma lista de pessoas do Orkut (preciso sair daquele troço);
2 são Breaking News do Yahoo Alerts! (cada vez mais dispensável);
1 tenta vender um afiador elétrico de facas (não está entre as minhas prioridades);
1 oferece pacotes de fim de ano no Hotel Marina Clube de Pesca de Cananéia;
1 promete "ex-famosas fazendo tudo" (quem seria, por exemplo, uma "ex-famosa"?).
E-mail era para ser uma facilidade. Mas cada vez mais está se tornando uma dificuldade. Enquanto eu escrevia isso aqui, chegaram mais dois. Argh!
E eis que de repente, não mais que de repente, surge um novo candidato a candidato a ídolo no Brasil.
A ART acaba de anunciar Lucas di Grassi como um dos seus pilotos para a temporada 2007 da GP2.
Paulistano, 22 anos, integrante do programa de desenvolvimento da Renault, ele será companheiro do alemão Michael Ammermuller, outro postulante ao posto de estrela.
Uma vaga na ART é tão importante assim? É. E como.
Em dois anos de existência da GP2, os dois campeões saíram da ART. E de lá, para a F-1. Nico, para a Williams. Hamilton, para a McLaren.
A disputa interna será dura. Di Grassi é muito bom piloto e conta com apoio de Briatore, que, dizem, tornou-se mais atencioso com o garoto desde que outro brasileiro, Carlos Ghosn, assumiu a presidência da montadora.
Ah, não se esqueçam que a GP2 usa motores Renault.
Mas Ammermuller parece estar um passo mais próximo da F-1 _neste ano, participou de treinos de sexta pela Red Bull e já é mais conhecido no andar de cima.
A CET bateu o pé e o passeio de carros da Stock por São Paulo, planejado por algumas equipes há semanas, acabou esvaziado.
Será no atrativo horário das 6h30 de quinta-feira, pela avenida Indianópolis, ali na altura do Clube Sírio. E participarão apenas três carros, um de cada montadora envolvida na categoria.
Isso, claro, se a CET não mudar de idéia, como fez duas vezes no caso da Red Bull, aquela baboseira de marca-desmarca-faz de surpresa.
Não quero comparar as importâncias da última etapa da Stock com a do bicampeonato mundial do vôlei. Mas hoje eu estava na região da Paulista na hora do almoço. O corredor para sei-lá quantos hospitais e para trocentos mil escritórios e bancos estava parado para Giba e companhia desfilarem com seu troféu em caminhão do Corpo de Bombeiros.
Será que a CET tem uma tabela do tipo: "Campeonato Mundial pode parar a Paulista; Liga Mundial e Grand Prix, não; evento de automobilismo tem que ser de madrugada; passeata de estudantes só na Brigadeiro às terças à tarde..."?
Levantei a bola, alguns internautas cortaram, vou tentar devolver. O assunto é o exagero na ações de marketing de algumas equipes de F-1. Principalmente Honda, Ferrari e Red Bull.
O que já vi de ridículo?
Neste ano, vi Massa e Schumacher com chapéus de vaqueiro (vermelhos, claro) montando em touro mecânico em Barcelona.
Dois anos atrás, vi Button passar um dia todo no kartódromo de Aldeia da Serra dando aulinhas de pilotagem para jornalistas. Sim, eu era um deles. E enquanto ele desenhava numa lousa, explicando o significado das bandeiras, eu me perguntava: "Esse cara deve fazer isso em toda corrida. Será que não fica de saco cheio?"
Lembrei de outra: houve uma vez em que Button saiu da Inglaterra entre um GP e outro para fazer umas fotos de wakeboard no Rio e posar para um editorial de moda na Oca, no Ibirapuera.
A Red Bull vai pelo mesmo caminho. Vira-e-mexe cria eventos mirabolantes, como passeios em quadriciclos na garupa dos pilotos (a última coisa que quero nesta vida é ficar chacoalhando atrás do Coulthard) e concursos de culinária.
Mas o recorde mundial das ações de marketing furadas vai para Antonio Pizzonia e a Jaguar. Em 2003, pouco antes do início do campeonato, a equipe organizou um evento em Barcelona.
A idéia era que Pizzonia levasse jornalistas convidados para algumas voltinhas no circuito de F-1 a bordo de um luxuoso carro da marca. Veja você mesmo o que aconteceu...
Já ouvi de muita gente que o acidente foi decisivo para o tratamento dado a Pizzonia pela Jaguar. Onze GPs depois, ele estava demitido.
Nesta semana, a casa da F-1 é Jerez. Que, aparentemente, foi aprovada pelo médico.
Button não teve a mesma sorte. Não passou pelo crivo dos médicos que examinaram as fissuras na costela conquistadas numa corrida de kart e está fora desta segunda bateria de testes.
O acidente aconteceu num evento da Honda pela Ásia. Nisso, Barrichello tem razão: às vezes, a equipe exagera na dose de promoções mundo afora. Já vi os pilotos da Honda em cada situação...
A mensagem a seguir, pra lá de sincera, veio da Ana Flávia Gomes, de Fortaleza.
"Esta contribuição está meio atrasada, mas enfim... Não é propriamente uma imagem curiosa; na verdade, o registro do Felipe Massa voltando aos boxes após conquistar a pole foi um dos momentos mais emocionantes daquele final de semana. Confesso que esperava apenas uma atuação regular do Massa e que nem torço realmente por ele. Óbvio que aquele problema no carro do Schumacher ajudou e muito, mas foi fantástico ver, finalmente, um brasileiro correndo bem. Não é _e não há_ qualquer comparação com o Senna, como virou mania globífera. Massa mostrou talento, garra e segurança. E aposto que um monte de gente, assim como eu, sentiu um arrepio e abriu um sorriso ao vê-lo vibrar com aquela pole position."
É isso aí, Ana. E deixe a modéstia de lado: a foto é boa.
Só quem já ficou numa arquibancada com uma máquina fotográfica sabe o quanto é difícil pegar um carro na pista. Pelo menos agora existem as câmeras digitais. O que eu gastei com dinheiro em filmes lá por 90, 91, 92...
Classificando-me de "cabeçudo", um garganta profunda que vive o dia-a-dia da Stock (e de onde houver pneu e fumaça por aí) esclarece que a polêmica na pontuação está no critério de desempate, e não no uso dos pontos pré-playoff.
Ou seja, em caso de empate em pontos, seriam usados os resultados do campeonato todo ou só dos playoffs?
Bom, o regulamento é claro: "No término da oitava etapa, serão somados os pontos obtidos pelos pilotos, até então, e os dez primeiros colocados iniciarão o 'Play Off', composto das últimas quatro etapas, que constituirá uma disputa a (sic) partepara determinar o Campeão da Temporada".
Disputa à parte, pois. Vale só o playoff. Parece-me bem claro.
Em tempo: Cacá, com resultados ruins nos playoffs, seria o grande prejudicado em caso de empate.
Os recursos de Cacá Bueno e Thiago Camilo contra as punições na corrida de pseudo-Jacarepaguá serão julgados na quinta-feira pela Comissão Disciplinar do Superior Tribunal de Justiça Desportiva da CBA.
Se a punição a Camilo for anulada, ele entrará novamente na briga pelo título. Em caso de derrota no tribunal, ambos ainda podem recorrer. Isso sem contar os questionamentos que já pipocam aqui e ali sobre se a pontuação dos playoffs deve ser tratada de forma independente ou adicionada aos pontos das oito primeiras provas.
Não digam que não avisei: qualquer que seja o resultado no domingo, este campeonato não acabará na bandeirada de Interlagos.
E decisões de campeonatos esportivos em tribunais é algo chato, muito chato, vexatório.
É a semana da decisão do título da Stock. É a semana da corrida em São Paulo. Enfim, é a semana mais importante da categoria na temporada.
Se há uma semana em que os torcedores buscarão informações sobre o campeonato, é esta.
Ótima hora para a organização da categoria promover uma revolução no site oficial. Clique em itens como "equipes e pilotos", "ingressos" e "galeria" e receba em troca um animador "Aguarde. Em breve!"
Ah, mas você pode clicar também em www.stock.com.br e comprar uma emenda plástica jack rca simples.
Giuliano Losacco e Guto Negrão saem da Medley/A.Mattheis. Chegam Ricardo Maurício e Marcos Gomes.
O bicampeão será companheiro de Thiago Camilo na Texaco-Vogel. E Negrão vai liderar uma segunda equipe dirigida pelo Andreas Mattheis, a WA Racing.
Sim, é só o começo do troca-troca, mas esses primeiros movimentos indicam uma temporada mais acirrada em 2007.
Maurício é excelente piloto e vai dar trabalho numa equipe bem montadinha com a A.Mattheis. E Losacco vai levar à Vogel aquele algo a mais que ainda falta para a equipe chegar lá.
Em clima de Oscar, com todo mundo vestido de garçom, aconteceu ontem o Autosport Awards, no Grosvenor House Hotel, em Londres.
Alonso foi eleito o piloto internacional do ano e seu carro, o Renault R26, foi premiado como o melhor carro.
Já Button levou o título de melhor britânico (falta de concorrência dá nisso).
Hamilton também levou o seu, o de estreante do ano, pelo que fez na GP2.
Uma das grandes atrações da noite foi Marcus Gronholm, que chegou em seu Focus horas após vencer o Rali da Grã-Bretanha e dar à Ford o primeiro título de Construtores em 27 anos. Mas a premiação na sua categoria foi para o campeão da temporada, Sebastien Loeb.
E o prêmio mais aguardado da noite ficou nas mãos de Oliver Turvey, 19, vice-campeão da F-BMW inglesa. Ele ganhou o prêmio McLaren Autosport BRDC: um cheque £ 50 mil (cerca de de R$ 200 mil) e um teste com a McLaren.
Reparem no nome do prêmio. Uma equipe, uma revista séria e o grupo que controla parte dos autódromos por lá.
É assim que se faz lá. É claro que não dá para comparar F-1 com Stock Car. Mas aqui, premiação de fim de ano é sinônimo de troféu, coxinha, risole e meia de seda. Incentivo para evoluir, que é bom (da CBA ou de empresas que atuam no meio), nada.
Trabalho mais tranquilo agora, pude fazer uma busca nos e-mails.
Foram sete press releases hoje sobre as 500 Milhas, o que é um terço do volume diário de uma corrida da Stock, por exemplo, mas que já mostra como muita gente encara a disputa como coisa séria.
Além da organização do evento, mandaram comunicados as assessorias de Tarso Marques, Nelsinho Piquet, Daniel Landi e Danilo Dirani, Mario Haberfeld, Tony Kanaan e da Petrobras/Carcasci.
Não foi só por aqui que o dia no kart foi dos coadjuvantes.
Schumacher não passou do 12º lugar nas suas 24 Horas de Kerpen. Eram 18 as equipes inscritas.
"Não fomos os mais rápidos, mas acho que fomos os campeões da diversão", disse o alemão, sobre seu time, em um comunicado.
Por lá, aliás, tudo parece mais amador, mais na base da brincadeira mesmo.
Não estive na Granja Viana neste ano, mas acompanhei a largada pela TV e há semanas venho recebendo "press releases" de pilotos envolvidos. Enfim, para muita gente a corrida daqui vem deixando de ser um divertimento de fim de ano para se tornar algo bem mais sério.
Se der tempo, vou checar o número de releases que recebi hoje e conto aqui.
Nem Massa nem Barrichello nem Zonta nem Nelsinho nem Kanaan nem Wheldon nem Burti nem Cacá.
Quem levou as 500 Milhas foi um quinteto de "desconhecidos": Otavio Bonder, Antonio Francesco Ventre, José Eduardo Ventre, Bruno Pacetti e Lucas Rodrigues.
Pilotos de quem, sinceramente, nunca ouvi falar. Não sei nem sequer se são pilotos mesmo. Não devem ter assessoria de imprensa, motorhome com ar-condicionado nem patrocinadores fortes.
E esta, pra mim, é a maior graça desta corrida. Dar a chance para gente que passa o ano vendo seus ídolos pela TV possa com eles disputar freadas, aceleradas, posições. Possa vencê-los. Como hoje.
Para o resto da vida, os cinco vencedores poderão contar o que aconteceu nesta madrugada. Boa.
Domingão sem folga, trabalho pesado na redação com o bi mundial do vôlei.
Aliás, o que foi aquela mixagem do Tema da Vitória com o Hino Nacional no fim do jogo?
E o que eram aquelas cornetinhas e serpentinas virtuais sujando a imagem da comemoração do time?
E o Tande, entrando no meio da entrevista do Bernardinho pra explicar que a Fernanda a que o técnico se referia é a Venturini? Ah, tá, ninguém tinha percebido...
E a entrega de medalhas, que a Globo deixou de lado para mostrar a vitória de Frank Caldeira na Volta da Pampulha, abertura dos importantíssimos "Jogos Mundiais de Verão"?
Deixando tudo isso de lado, parabéns ao time, que a continuar assim fará história como um dos maiores esquadrões em esportes coletivos de todos os tempos.
A próxima bateria de testes da F-1 será em Jerez mas, antes, o circuito receberá uma visitinha.
A pedido da GPDA, a associação dos pilotos, o médico da Toyota, Riccardo Ceccarelli, vai inspecionar as instalações do autódromo. Dependendo do que encontrar, dizem, os treinos podem até ser cancelados.
Finalmente os pilotos decidiram se preocupar com esse assunto. É em circuitos como Jerez, Mugello e Valência que eles passam a maior parte do tempo. E, via de regra, a situação é de abandono.
"Não sei como não morreu alguém nos últimos anos. Só pode ser muita sorte", disse-me um piloto certa vez.
Há dias em que os testes acabam no fim da tarde e já não há um helicóptero ou ambulância de prontidão.
O "youtubeiro" errou o local. É Barcelona, não Jerez. Mas a data está certa: as imagens são de ontem. E o piloto de capacete azul e branco na McLaren é mesmo Hakkinen.
Vale pra matar a curiosidade de quem nunca viu um dia de teste na F-1.
Aliás, esse é um dos meus orgulhos: nunca cobri um teste. Testes, todos dizem, são a maior chatice da galáxia.
Antigamente, eram oportunidades para encontrar os pilotos um pouco mais relaxados e bater papo. Hoje, nem isso. As equipes entopem cada segundo livre dos sujeitos com atividades promocionais e entrevistas pré-agendadas.
Massa puxará o grid de 74 karts na largada das 500 Milhas, à 0h do domingo.
O brasileiro da Ferrari chegou ao Brasil depois dos testes em Barcelona, treinou na Granja Viana ontem e hoje cravou o melhor tempo no treino classificatório.
Será ele o responsável pelo primeiro turno de sua equipe. João Paulo Bertuccelli, Rafael Daniel e Ruben Carrapatoso completam o time.
Em segundo lugar sairá a equipe de Otavio Bonder, Antonio Francesco Ventre, José Eduardo Ventre, Bruno Pacetti e Lucas Rodrigues.
Barrichello vai correr com duas equipes. A primeira, com Kanaan, Wheldon e Giaffone, sai em 13º lugar.
A outra, com Kanaan, Wheldon, Farfus e Bianchini, foi punida por estar com o kart 200 gramas abaixo do peso e largará em 23º.
Fábio Seixas, 35, editor-adjunto de Esporte da Folha, é jornalista, com mestrado em Administração Esportiva pela London Metropolitan University, da Inglaterra.