Fábio Seixas

Automobilismo e pitacos sobre tudo o mais

 

24 Horas

A primeira grande corrida de 2007 começa daqui a pouco, às 16h30 (de Brasília).

 

E com um toque de classe e tradição. A pole position nas 24 Horas de Daytona ficou com o Pontiac do americano Alex Gurney, filho de Dan Gurney, ex-piloto e construtor na F-1 e na Indy e fantástico contador de histórias. Seus parceiros são Jimmy Vasser, Jon Fogarty e o dono da equipe, Bob Stallings.

 

Em segundo lugar, larga outro Pontiac, da equipe de Jan Magnussen. Aliás, o terceiro posto no grid também ficou com a marca, do time de Jimmie Johnson.

 

O Porsche da equipe de Roberto Moreno sai em 16º. O trio Hélio Castro Neves-Osvaldo Negri- Thomas Erdos deve largar dos boxes _Negri bateu na classificação, nada sofreu, mas o carro ficou bastante danificado.

 

Procurei a posição da equipe do Christian Fittipaldi, mas não encontrei. O site da corrida é um lixo. E a maneira como os americanos organizam informações sobre as corridas, com centenas de “track facts”, “records and facts”, “tracksides” e coisas do gênero é de irritar...

Escrito por Fábio Seixas às 12h24

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O futuro do bicampeão

Depois de tanto oba-oba no fim do ano passado, passou quase despercebida a notícia de que Hakkinen renovou com a Mercedes-Benz para mais um campeonato na DTM. Será sua terceira temporada por lá.

 

Teria sido legal ver Hakkinen de volta à F-1? Sim, teria. Ele tomou a atitude certa ficando na DTM? Sim, tomou.

Escrito por Fábio Seixas às 11h53

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Minhas férias (8)

Após o episódio já famoso internacionalmente como “A Fuga do Expresso Hotel”, a próxima parada era a Serra Gaúcha. Gramado, Canela, sabe? Porque um pouco de sossego também é bom.

 

Na estrada, um pit stop em São Gabriel, para o conserto dos óculos escuros, e um sonho acalentado há semanas: uma parada em Santa Cruz do Sul para comer “queijo lanche” no espeto.

 

Explico: amigos que foram pra lá em setembro, para a Stock, contavam entusiasmados sobre uma certa churrascaria rodízio em que eles iam. De tempos em tempos, o garçom passava e, com todo o sotaque gaúcho do mundo, oferecia: “Queijo lanche?”. Nada mais é do que um queijo prato no espeto. Mas, sei lá porquê, isso ficou na nossa cabeça e se tornou uma obsessão.

 

Bom, tínhamos que parar por lá. E escolhemos a churrascaria Centenário para nossa pesquisa. Deu certo! Após momentos de expectativa, eis que o garçom se aproxima e anuncia, garboso, a chegada do “queijo lanche”! Fantástico. As churrascarias de São Paulo precisam urgentemente introduzir essa tecnologia.

 

O autódromo também mereceu uma visita. Não que eu seja um obcecado por visitar pistas de corrida nas férias. Passei batido por Pinhais, Tarumã e Piriápolis. Mas até por ser um circuito novo, eu tinha curiosidade de dar uma olhada no que fizeram lá em Santa Cruz do Sul.

 

A entrada do autódromo de Santa Cruz do Sul

 

Gostei do pouco que consegui ver. Pareceu-me uma pista honesta: sem extravagâncias, na medida para o seu nível de utilização. Só não curti o acesso principal, uma estradinha de terra. Soube depois que há uma outra estrada, asfaltada, mas que na Stock, por exemplo, ela é cativa dos carros credenciados. O grosso do público precisa encarar a estreita estradinha de terra.

 

Isso precisa ser arrumado logo. Não dá pra continuar.

 

Estômagos forrados, seguimos até Gramado. Depois da experiência da noite anterior, foi um alívio encontrar uma vaga na Pousada da Vovó Carolina. Atendimento simpático, quartos cheirando a novo (porque são novos mesmo) e um café-da-manhã daqueles...

 

No dia seguinte seguiríamos para um programa um pouco mais aventureiro, os cânions na divisa RS-SC.

 

O melhor nessa perna da viagem? O “queijo lanche”, claro, a beleza das serras e os fondues do Belle du Valais, em Gramado. Sim, é verão, mas fazia um friozinho bacana por lá... Valeu muito a pena.

Escrito por Fábio Seixas às 11h45

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Direto ao ponto

Chefe da Toro Rosso, Berger disse hoje que espera que a equipe dispute posições nesta temporada com Super Aguri e Williams.
 
Frank poderia ter ficado sem essa. O pior é que o austríaco está certo.

Escrito por Fábio Seixas às 17h56

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O fim de uma praga

Entra em vigor amanhã a resolução do Contran que regulariza o uso de engates em carros pelo Brasil.
 
Do texto publicado nesta semana na Folha Online:
 
"Os equipamentos, agora, deverão ter esfera maciça apropriada para o tracionamento de reboque, tomada e instalação elétrica para a conexão do veículo rebocado, dispositivo para fixação da corrente de segurança do reboque, ausência de superfícies cortantes e dispositivos de iluminação devidamente regulamentados.

Quem insistir em circular com engate irregular pode ser multado em R$ 127,69, receber cinco pontos na CNH (Carteira Nacional de Habilitação) e ter o carro apreendido."
 
Ou seja, se você colocou um engate fajuto para proteger seu pára-choques, sem pensar no prejuízo que o pseudo-equipamento pode causar a pedestres e/ou outros carros, é bom se enquadrar. A partir de amanhã, você será um fora da lei.

Escrito por Fábio Seixas às 17h38

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Parabéns, Moco

Há 32 anos, em 26 de janeiro de 1975, José Carlos Pace vencia o GP Brasil.
 
Foi a única vitória do Moco na F-1. Dois anos depois, ele morreria num acidente com um monomotor na Serra da Cantareira, na Grande São Paulo. Ao seu lado, estava o também piloto Marivaldo Fernandes.
 
Não vi o Moco correr. Mas já li muito e já ouvi trocentas histórias a seu respeito. É consenso entre a turma da época, entre gente que fazia rachas na rua Itápolis, que corria de moto em Interlagos e que começou a andar da kart em Cumbica, que Pace era um talento nato, um sujeito que nasceu para o automobilismo.
 
''O Moco se dava bem com todo mundo e tinha condições para ser campeão mundial na Brabham", disse-me uma vez Emerson, por ocasião de uma reportagem sobre Pace. Aliás, foi com equipamento emprestado pelo amigo que Emerson venceu pela primeira vez uma corrida de kart, em Ribeirão Preto.
 
Frank Williams, seu chefe desde a F-2, fala coisa parecida.
 
Não lembro quem me disse isso, mas foi uma imagem que ficou na minha cabeça: de que ele pilotava como se estivesse no trânsito, em baixa velocidade: olhar distraído, aparentando pouco esforço.
 
Todo mundo sempre deseja ser um pouco mais jovem. Moco é um dos motivos pelos quais eu gostaria de ser um pouco mais velho.

Escrito por Fábio Seixas às 15h59

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Youtube (retificador) do dia

Rápido no mouse, o Fábio Tano, de Piraquara, corrige a informação do Youtube anterior. Em 1971, lá mesmo em Monza, a margem entre o primeiro, Gethin, e o quarto, Hailwood, foi ainda mais apertada: 0s180.
 
 
Dois breves comentários... Primeiro, o som da narração ao vivo do primeiro vídeo é mais empolgante. Segundo, o tiozinho da bandeira quadriculada foi muito macho de ter ficado ali, naquela posição.

Escrito por Fábio Seixas às 15h23

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Curto e grosso

O carro parece ser bom. Já os pilotos...
 

Escrito por Fábio Seixas às 13h47

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Youtube do dia

O Felipe Maciel, de Campos, descobriu um vídeo de arrepiar: a chegada do GP da Itália de 1969.
 
Entre Stewart, o vencedor, e McLaren uma folga de 0s190, Rindt e Beltoise.
  
 
É até hoje a menor margem entre primeiro e quarto colocados em um GP, como a gritaria do narrador inglês deixa bem claro.

Escrito por Fábio Seixas às 13h24

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Vai mal

Continua complicado o início de ano da Ferrari. Depois de enfrentar dias de chuva e neve em Vallelunga, hoje o time viu a parte dianteira da (por enquanto) única F2007 ir para o espaço.

 

Massa bateu forte na curva Roma, a última antes da reta. O brasileiro nada sofreu, mas o carro, segundo relatos, não teve a mesma sorte.

 

Ah, sim, com o clima miserável que faz por lá, Raikkonen quase não andou com a F248.

Escrito por Fábio Seixas às 09h32

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Minhas férias (7)

Alguém de Alegrete, no Rio Grande do Sul, lê este blog? Caso leia, por favor, imprima esse capítulo da viagem e mostre ao proprietário do Expresso Hotel, ali na General Neto, 99, no centro da cidade. Foi lá, naquele casarão de paredes amarelas, que passamos a noite mais tosca da viagem.

 

Mas antes, a estrada. Depois de três dias em Buenos Aires, era hora de colocar o carro pra rodar. Saímos da capital portenha por volta das 9h com o mapa da cidade todo riscado pelo manobrista do estacionamento, indicando o caminho para a rodovia.

 

Até então, já havíamos percorrido exatos 2.583 km. Mas em nenhum outro dia rodaríamos tanto como naquele: a idéia era sair de Buenos Aires, subir até Paso de los Libres, entrar no Brasil via Uruguaiana e avançar pelo RS o máximo que conseguíssemos.

 

Seguimos o plano à risca. Nos 595 km até a fronteira, estrada boa, a paisagem lindíssima dos pampas argentinos e em Paso de los Libres, claro, uma visita ao posto de combustível.

 

A gasolina na Argentina é baratíssima. Para encher o tanque, R$ 60, metade do que eu gasto no Brasil. O engraçado é que há um posto pertinho da fronteira e o pessoal de Uruguaiana atravessa a ponte sempre que precisa abastecer.

 

Na Ponte Internacional, chegando a Uruguaiana

 

Já era fim de tarde, estávamos cansados, mas decidimos continuar na estrada. E percorremos mais 138 km até parar em Alegrete.

 

Cidade bonita, gente simpática... Mas com o Expresso Hotel. Sim, há outros hotéis por lá e faço aqui o mea-culpa: o cansaço era tanto que decidimos seguir a velha fórmula do “hotel-na-praça-do-centro-da-cidade” em vez de explorar os arredores atrás de algo melhor.

 

O preço da diária, R$ 50 pagos adiantados. Ali eu já deveria ter desconfiado de que algo estava errado. Mas o cansaço... Bem, pagamos e fomos forrar o estômago numa lanchonete pra lá de bacana na praça. Mais uma vez, um sanduichão daqueles a que já me referi: presunto, queijo, hambúrguer, alface, tomate, ervilha, milho, etc, etc...

 

Refeição feita, uma voltinha pelo calçadão e uma caminhada até o hotel. Hora de tomar banho para se livrar do pó da estrada. Foi quando vi a primeira. Uma barata enorme. “Conto ou não conto para ela?”, foi o que pensei. Decidi contar, mas só depois de matar o bicho, claro. Ah, como são letais as Havaianas.

 

Ainda estava no chuveiro quando ouvi um grito. No quarto, ela viu a segunda. Que além de enorme era uma Ferrari de tão rápida. Após alguns dribles, chinelo nela. Menos de cinco minutos depois, mais um grito. A terceira. Dá-lhe chinelo.

 

Não fosse o cansaço de mais de 730 km de estrada, teríamos ido embora. Decidimos ficar. Mas não por muito tempo. Às 6h, já estávamos dentro do carro, prontos para seguir viagem.

 

Ah, sim... Não sem antes matar uma quarta barata. E de dar risada, é claro. Porque férias são férias.

Escrito por Fábio Seixas às 09h20

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Brinquedos

Aqui, uma dica para alguém que um dia queira me presentear por um motivo qualquer. Ah, pode ser isto também. Ou isto.
 
Deixo a decisão com vocês.

Escrito por Fábio Seixas às 18h09

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Agora vai?

De Barrichello, hoje, no lançamento do carro da Honda:
 
"Apesar de toda a minha experiência na F-1, o ano passado foi de aprendizado. Tive que pilotar um carro que eu não gostava e me adaptar ao seu estilo. Desta vez vai ser diferente."

Escrito por Fábio Seixas às 15h39

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Minhas férias (6)

O Ibis de Buenos Aires é uma espécie de consulado informal do Brasil. Após três dias por lá, fiquei com a impressão de que todo brasileiro que vai à capital fica hospedado no hotel, no finzinho da avenida de Mayo.

 

Não sei explicar o fenômeno, imagino que seja o preço, a facilidade para fazer reservas pela internet, a propagando boca-a-boca.... O fato é que só se fala português no tal Ibis. Vá ao café da manhã e tome suco ao lado de um sujeito com a camisa do Corinthians...

 

Aliás, preço baixo é um excelente atrativo de Buenos Aires. Inclusive para circular pela cidade. Deixamos o carro no estacionamento do hotel e quando precisávamos cruzar a cidade, pegávamos táxi. É muito barato e mais rápido. Porque, afinal, os taxistas são os motoboys da cidade: a maioria não respeita semáforos, anda em altíssima velocidade, não está nem aí para os pedestres. Ou seja, você pode até xingar, mas usa.

 

O primeiro dia por lá foi de reconhecimento. Eu já havia estado em Buenos Aires, mas sempre por pouco tempo, de passagem para seguir para a Austrália. Era hora de me vestir de visitante deslumbrado e me lançar num ônibus de turista.

 

Assim, visitamos Puerto Madero, Recoleta, Boca... Foi ótimo para dar uma sobrevoada em tudo e ter mais noção da cidade. A pé ou de táxi, no dia seguinte, fomos ao centro, voltamos a Puerto Madero, conhecemos Palermo.

 

Trio famoso na varanda de uma casa na Boca

 

Sim, claro, comemos alfajores. Os tradicionais Havanna são sensacionais. Assim como os Havannets, cones de chocolate recheados de doce de leite.

O melhor por lá, a beleza da cidade e o El Obrero (calle Agustín R. Caffarena, 64, na Boca), restaurante simplão mas que tem um atendimento simpático, bons vinhos e uma parrilla ótima.

Escrito por Fábio Seixas às 15h26

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Youtube do dia

Dica do misterioso internauta Marcos: as melhores ultrapassagens de todos os tempos, segundo um grupo de fãs.
  
 
É claro, ninguém sabe, ninguém viu se lá pelos idos dos 50 e 60 houve alguma manobra mais espetacular. Mas vale a discussão.
 
A melhor, na minha opinião? A do Hakkinen sobre o Schumacher em Spa, com Zonta no meio. Menções honrosas para Piquet no Senna em Budapeste e para Mansell no Berger na Cidade do México.

Escrito por Fábio Seixas às 14h08

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Ferro velho de luxo

Quer comprar uma Ferrari por um preço menor que o normal?
 
Fácil. Esse site aqui é especializado em leiloar Ferraris batidas, inundadas, amassadas, enfim, deixadas de lado pelos proprietários.
 
Entre os últimos negócios fechados, uma 328 GTS, que saiu por US$ 9.200, cerca de R$ 19.600. Ah, sim, tem um detalhe: os carros estão todos nos EUA.

Escrito por Fábio Seixas às 21h10

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Assim, sim

Visto de cima, não é tão horrendo...
 

Escrito por Fábio Seixas às 20h33

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Fora do eixo

Em meio ao turbilhão de informações técnicas, press releases e entrevistas que envolveu a apresentação do novo carro, a Renault revelou que planeja cinco exibições de rua com o R27 neste ano.
 
A montadora escolheu Varsóvia (Polônia), Bucareste (Romênia), Dubai (Emirados Árabes), Cidade do Cabo (África do Sul) e Cidade do México.
 
Não sei exatamente qual foi o critério para a escolha. Imagino que tenha sido o nível de interesse da montadora nesse ou naquele mercado. Se for isso, vamos mal.
 
Uma pena para quem gostaria de ver, pela primeira vez, um F-1 nas ruas de alguma cidade brasileira. Não, a demonstração secreta da Red Bull não conta. 

Escrito por Fábio Seixas às 15h04

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Pé frio?

A Ferrari trocou Mugello por Vallelunga nesta semana para escapar do mau tempo.
 
Não funcionou. Ontem, choveu. Hoje, choveu. E nevou.
 
Com isso, Massa completou apenas 31 voltas, 11 a mais que Raikkonen. Ambos com os mesmos carros de ontem, respectivamente a F2007 e a 248 F1. A vantagem do brasileiro, 3s532.
 
Não, ainda não dá para dizer que o finlandês estreou pela Ferrari.

Escrito por Fábio Seixas às 14h48

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Urgh

Sobre as linhas do R27, já comentei aqui.
 
Agora o que é aquela "combinação" de cores? Ok, eu entendo que às vezes não tem muito jeito, contratos assinados obrigam as equipes a entuchar várias marcas no limitado espaço de um F-1. Em termos financeiros, é ótimo. Esteticamente, o resultado de vez em quando fica medonho.
 
É o caso agora. Não acha? Experimente sair de casa vestindo azul, amarelo, branco, laranja, vermelho e preto...
 
 
Ficou feio...

Escrito por Fábio Seixas às 11h54

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Minhas férias (5)

De Montevidéu a Colonia del Sacramento foram duas horas de estrada. Uma viagem que vale a pena, mesmo para quem não vai cruzar o rio da Prata.

 

Colonia foi fundada por portugueses no século 17, tornou-se alvo de disputa com espanhóis por ser uma porta de entrada para o continente e trocou de mãos sei lá quantas vezes após seguidos quebras-paus. Isso foi tudo o que absorvi das plaquinhas espalhadas pelas ruínas da cidade.

 

Mas antes do turismo, a obrigação. Tínhamos que ir ao porto comprar a passagem para o Buquebus, a balsa que faz a travessia até Buenos Aires. Foi duro, foi difícil, foi complicado, foi um inferno.

 

Sabe Murphy, aquele da lei infalível? “Se alguma coisa pode dar errado, dará.” Pois é, ele resolveu pintar por lá.

 

Cheguei ao guichê, mais ou menos cheio e numa bagunça danada, e perguntei se era ali que eu deveria comprar passagem para embarcar o carro. O funcionário me disse que sim. Voltei ao dito cujo, no caso o veículo, para avisar que iria demorar. No instante em que me volto ao prédio do guichê, vejo um ônibus parando e um milhão de pessoas desembarcando para comprar passagem. Ah, o velho Murphy, sempre ele, sempre implacável.

 

Mas não foi só. Depois de 40 minutos, consegui chegar ao caixa. “Señor, yo queria viajar com mi coche”, lancei, no meu portunhol castiço. Ele respondeu apontado para uma outra fila, que nada tinha a ver com a primeira. Ou seja, 40 minutos jogados no lixo. Ah, o velho Murphy, que não tira férias.

 

Meia hora e alguma discussão depois, consegui ser atendido e comprar a passagem. Cara, diga-se, cerca de R$ 350 para uma travessia de uma hora.

 

Bom, deixei Murphy por lá e fomos passear. As muralhas ainda estão lá, cercadas por um gramado, ótimo lugar para uma siesta.

 

O almoço foi fantástico. Um peixe do rio, cujo nome não lembro, enorme e delicioso. Foi devorado, pobrecito. Antes da siesta, um passeio pelas ruas, pelas casas em estilo colonial, pelas lojinhas. Só compramos “dulce de leche”.

 

A muralha, as casas em estilo colonial e o rio

 

De lá, a siesta e a volta para o porto. O Buquebus sairia às 19h. Sairia. Porque, é claro, Murphy não havia arredado o pé de lá.  Por causa dos ventos no rio, a balsa estava atrasada duas horas. Enfim, não havia o que fazer. Só lá pelas 22h chegamos a Buenos Aires. Mas aí já é outro capítulo.

 

O melhor por lá? Passear pela cidade antiga. Lá, ao que parece, Murphy não vai. Mas não espalha.

Escrito por Fábio Seixas às 08h56

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Ainda não

Massa foi 0s7 mais rápido que Raikkonen. Massa deu 74 voltas, Raikkonen completou 39. Massa estava de carro novo; Raikkonen, de carro velho. Massa tem dois anos de convívio com a Ferrari; Raikkonen, alguns meses.

 

Sim, é um bom começo para o brasileiro, muita coisa ajuda. Mas por enquanto é só isso, um começo. Noves fora a questão da experiência em Maranello, todo o resto vai mudar em um momento ou outro da pré-temporada.

 

E só quando os dois testarem juntos, com a F2007, poderemos começar a tirar conclusões.

Escrito por Fábio Seixas às 08h26

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Primeiro round

Exatos 135 dias após ser anunciado pela escuderia, Raikkonen finalmente sentou hoje no cockpit de uma Ferrari. Sim, é o carro do ano passado, mas é uma Ferrari.
 
E assim começa a rivalidade interna que tomará conta do (nosso) noticiário nos próximos meses.

Escrito por Fábio Seixas às 13h33

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Minhas férias (4)

O quarto capítulo desse relato provavelmente será o mais chato. Porque, afinal, foi a perna mais chata da viagem. Ou a menos legal, vá lá, porque férias são férias.
 
Saímos de Punta Ballena em pleno 1º de janeiro, com destino a Montevidéu. O réveillon teria sido lá, não tivéssemos mudado de idéia e ficado em Punta.
 
Ótima decisão. Montevidéu não é, digamos, o lugar ideal para passar as férias. Ou pelo menos não é o lugar ideal para um paulistano passar as férias. É uma cidade grande, como tantas cidades grandes, com um atrativo ou outro, mas nada muito especial.
 
De Punta a Montevidéu foram umas duas horas de viagem. O cenário seria um deleite para alguns amigos antigomobilistas: por toda a margem da rodovia, um sucessão de ferros-velhos. Há muito carro antigo ainda circulando por lá _não, infelizmente não cruzei nenhum Gordini.
 
Talvez tenha colaborado para minha impressão da cidade o calor infernal que fazia por lá. Os termômetros superaram os 40º C, uma das maiores temperaturas desde 1900-e-guaraná-de-rolha, segundo informou uma TV local.
 
Bom, pelo menos visitei o Centenário e comi as melhores empanadas da minha vida no Las Palmas, no cruzamento da avenida 18 de Julio com a calle Gaboto... O dia seguinte seria de atravessar o rio da Prata.
 
O melhor por lá? As empanadas.
 
O cardápio do Las Palmas, para o dia em que eu resolver abrir meu próprio negócio: sardinha, ricota com passas, doce de leite, queijo com cebola,frango, palmitos com presunto... Ai, ai, ai...

Escrito por Fábio Seixas às 12h54

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Brasil-sil-sil

O site do "Corriere della Sera", principal jornal italiano, colocou no ar a enésima pesquisa sobre "o maior piloto de F-1 de todos os tempos".
 
Schumacher estava na frente, mas uma corrente de e-mails por aqui já salvou a pele dos Sennistas.
 
Aos curiosos e interessados, o "sondaggio" está aqui.

Escrito por Fábio Seixas às 19h05

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Que dureza...

A Super Aguri precisou adiar o lançamento do seu novo carro depois que o dito cujo não passou pelo crash test inicial.
 
O time japonês conseguiu bons resultados na pré-temporada usando o chassi Honda do ano passado. Prática possível em testes, mas que foi proibida pela FIA para o Mundial que começa no dia 18 de março.
 
Com os problemas no crash test, os japoneses têm duas opções. Reconstroem o carro e o colocam na pista, o que agora só deve acontecer em finais de fevereiro, ou tentam convencer todas as outras equipes que precisam usar o chassi Honda de 2006, algo pra lá de improvável.
 
Algo me diz que o simpático Aguri esperava mais apoio da montadora quando se lançou nessa aventura.

Escrito por Fábio Seixas às 17h18

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Tecla SAP

De Pat Symonds, no site da "Autosport": "Se você olhar para as equipes... Foram tantas as mudanças que não me recordo de uma temporada mais imprevisível".

 

O que ele quis dizer: "A Renault se deu mal no troca-troca de pilotos e está fora da briga neste ano".

Escrito por Fábio Seixas às 09h05

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Minhas férias (3)

O dia seguinte foi no melhor estilo “sem destino”. Entraríamos no Uruguai, passaríamos por Punta del Este, mas não sabíamos onde seria a noite.

 

Bom, em primeiro lugar, muita estrada. De São Lourenço do Sul ao Chuí foram cerca de quatro horas. Um visual diferente de tudo o que já tinha visto. Foram quilômetros e quilômetros sem cruzar ninguém na BR 471. Lagoas de um lado, terras encharcadas do outro, verde, verde, verde.

 

Já perto da fronteira, a 30 km do Chuí, parei num posto de gasolina. E lá ouvi a conversa que marcou este trecho viagem. Em pleno 30 de dezembro, o único funcionário do posto contava para o outro cliente seus planos para a passagem de ano. Era algo mais ou menos assim: “Vou embora para casa hoje, durmo lá, volto amanhã [dia 31] e fico aqui, sozinho, até o dia 2. Tem que haver alguém aqui se algum carro parar.” Só espero que o dono do posto tenha recompensado bem o esforço do frentista.

 

Na fronteira, menos emoções do que eu imaginava. Não abriram nem sequer o porta-malas, exigiram apenas a Carta Verde e mais nada. Cerca de 5 km depois, um policial me parou para perguntar meu destino. Engraçado. Nem eu sabia. “Montevidéu”, eu disse, afinal era lá que eu tinha um hotel reservado para o reveillon.

 

Uruguai é igual a churrasco que é igual a parrilla, e era isso que eu queria provar logo de cara. Paramos em Aguas Dulces, uma praia 80 km depois da fronteira, e elegemos o El Chivito Veloz para o primeiro almoço uruguaio. Uma tragédia. A churrasqueira estava apagada, e a carne na chapa estava muito, muito dura. Bom, foi uma tentativa.

 

Era fim de tarde quando chegamos a Punta del Este. E quando ficamos encantados com o lugar. Punta é um lugar lindo. Recanto de milionários, sim, mas também de muitos malucos como nós que se lançam numa road trip.

 

Achar hotel por lá foi mais fácil do que imaginávamos. Aliás, quase fiquei num certo Hotel Montoya, em Palmas de la Barra, ao lado de Punta. Acabamos nos hospedando em Punta Ballena, a 15 minutos de distância e um pouco mais tranqüila.

 

Seria por lá o Ano Novo, decidimos, e um telefonema para o hotel de Montevidéu resolveu tudo: transferimos em um dia nossa chegada lá, sem problemas.

 

Foram três dias de muito sol, calor, comida boa e alguma frescura, do tipo comprar garrafas de cerveja em litro para trazer ao Brasil. A noite do reveillon foi numa cantina em frente ao Conrad, cassino que, nos juravam, havia preparado uma imensa e fabulosa queima de fogos. O jantar foi ótimo, o atendimento foi marcantemente simpático, mas... o hotel não comprou uma biribinha, uma bombinha de dez, um mísero rojão, para celebrar. Menos mal que todos os outros prédios de Punta cumpriram esse papel.

 

A Casa Pueblo, entre Punta del Este e Punta Ballena

 

O melhor por lá? A tranqüilidade de Punta Ballena, o agito de Punta del Este, a beleza da Casa Pueblo cravada nas rochas, num cenário tipicamente mediterrâneo.

Escrito por Fábio Seixas às 08h57

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Nos olhos dos outros

A Ferrari mudou o endereço dos testes desta semana. Trocou Mugello, onde faz muito frio e há previsão de neve, por Vallelunga, onde o cenário deve ser menos inóspito.

 

Massa e Raikkonen trabalharão a partir de terça-feira. O brasileiro, com a F2007. O finlandês, com o carro do ano passado, a 248 F1.

 

Até agora, Massa não tem do que reclamar.

 

Sim, são situações bem diferentes, é só um início de trabalho, Raikkonen terá as suas chances. Mas é engraçado constatar, agora, o silêncio daqueles que se rebelavam contra os privilégios a Schumacher quando Barrichello estava por lá.

Escrito por Fábio Seixas às 09h51

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Minhas férias (2)

Dia 29 de dezembro. Uma sexta-feira de sol e o pior trecho de estrada pela frente. É impressionante e triste: foram exatos 5.536 km de viagem, três países, mas de longe o pedaço mais perigoso e irritante foram aqueles 324 km entre Guarda do Embaú e Osório, quando a BR 101 é uma horrenda pista simples.

 

Carros e caminhões se arriscam, crateras pipocam no asfalto aqui e ali, o acostamento simplesmente desaparece de vez em quando. Tudo isso em meio a obras de uma duplicação que mais parecem obras de ficção: houve momentos em que sobre uma ponte em construção havia apenas um operário. Nesse ritmo, vai demorar pra ficar pronto.

 

Parada rápida e estratégica na gaúcha Osório para encher o estômago e o tanque do carro. Eu havia esquecido como são bons os sanduíches no interior do Brasil. Seja São Paulo, Minas ou Rio Grande do Sul, peça um x-salada e receba além de pão, carne, queijo, alface e tomate muita ervilha, bacon, presunto, milho e quetais. Ah, sim, tudo prensado na chapa.

 

Logo depois de Osório, caímos na Freeway, a estrada que dá acesso a Porto Alegre. Acho que em nenhum trecho rodoviário do Brasil é tão flagrante a disparidade entre rodovias administradas pelo poder público e as privatizadas. É sair do inferno e cair no paraíso: de uma estrada precária, arriscada, para outra segura, bonita, repleta de serviços. Sou da opinião de que ainda há muito de errado no processo de privatização das rodovias por aqui _com raras exceções, as empresas recebem boas estradas de mão beijada e cobram taxas exorbitantes de pedágio, vide a nova Imigrantes.

 

Foi um dia só de estrada. A idéia era passar por Porto Alegre e dormir um pouco mais pra baixo. E a escolha recaiu sobre São Lourenço do Sul, a 200 km da capital. É uma cidade de 45 mil habitantes com o maravilhoso atrativo de ficar às margens da Lagoa dos Patos.

 

Sim, é lugar-comum, mas é o que vem à mente quando você se depara com a maior lagoa do Brasil: “É um mar”.

 

O visual da Lagoa dos Patos

 

O pouso foi por lá, num hotel de frente para a lagoa. Deu até para aproveitar a praia no fim da tarde. No jantar, peixe, muito peixe, não dava para ser diferente.

O melhor por lá? Caminhar à beira da lagoa curtindo o pôr do Sol.

Escrito por Fábio Seixas às 09h41

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PERFIL

Nina Horta Fábio Seixas, 37, é jornalista com mestrado em Administração Esportiva pela London Metropolitan University, da Inglaterra, e Coordenador de Produção da Sucursal da Folha no Rio. É colunista de automobilismo da Folha e do UOL.


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