Acabo de falar com Sepang. Meu informante por lá acordou cedo, 6h30, ainda meio zonzo com o fuso para a Europa.
Do alto de seus conhecimentos meteorológicos, ele olhou pela janela do quarto e contou que acha que não vai chover. Disse que caiu água no autódromo até as 19h de ontem, mas que o céu limpou depois disso.
Contou ainda que Heidfeld fica na BMW em 2008 e que a história de Toyota não passou de um rumor plantado para aumentar o salário do alemão. Tem muito disso por lá, acredite.
"O autódromo ontem estava vazio. As arquibancadas, vazias. O paddock, vazio. Uma vergonha", me escreveu, no msn, o informante.
O informante ainda disse que o contrato com Cingapura deve ser assinado na semana que vem. E que a corrida de Abu Dhabi, em 2009, será no fim de janeiro. Pelamordedeus, e a férias?
Escrito por Fábio Seixas às 18h45
No treino oficial, quem acompanhou sabe, os pneus moles foram os campeões da popularidade. Dos 22 pilotos, 21 fizeram suas melhores voltas com esse composto, identificado como "softer medium", ou médio-mole, na paleta de borrachas da Bridgestone.
Na corrida, pode ser dramaticamente diferente. Kees van de Grint, da fábrica japonesa, já avisou as equipes que, se a temperatura for elevada, os pneus mais duros serão muito mais eficientes. Os moles, depois de algumas voltas, devem virar farelo.
Ou seja, os pilotos devem guardar os pneus moles para seus trechos mais breves da corrida, já que são obrigados a usar os dois tipos.
Isso, claro, se não chover.
Escrito por Fábio Seixas às 18h06
A meteorologia indica 50% de chances de chuva em Sepang a partir das 15h locais, quando começa a corrida. A partir das 16h, a probabilidade cai para 40%.
Pensando nisso, a turma do "Red Bulletin" trabalhou rápido e publicou na edição de hoje, sábado, uma lista de 6 das melhores corridas com chuva da história: Monte Fuji-76, Donington-93, Nurburgring-68, Mônaco-84, Spa-98 e Adelaide-91.
Donington, Mônaco e Adelaide estão intimamente ligadas a Senna.
A primeira foi uma das maiores corridas do brasileiro: passou Schumacher, Wendlinger, Hill e Prost na largada e venceu de forma absoluta.
Em Mônaco, Senna largou na 13ª posição, deu show, alcançou o segundo lugar na 19ª volta e a vitória só ficou com Prost porque Ickx, então diretor da prova, decidiu encerrar a disputa após 31 voltas, decisão das mais polêmicas. Em claro e bom português, fez uma lambança para a vitória ficar com o francês.
Adelaide viu o desfecho do campeonato do tri de Senna. Chovia tanto, tanto, que a largada foi adiada algumas vezes. Quando a prova começou, o que se viu foi um festival de acidentes: de Schumacher a Nakajima, muita gente começou a aquaplanar e bater. A prova foi interrompida com 14 voltas, após Gugelmin acertar dois comissários. Foi o GP mais curto da história.
Monte Fuji, aí na foto, é considerada até hoje a corrida mais molhada dos 57 anos de F-1. Retornando à categoria depois de quase ter morrido em Nurburgring, Lauda abandonou após duas voltas, abrindo as portas para que James Hunt fechasse o Mundial. Por aí dá para imaginar como estava a pista...
Nurburgring-68 assistiu a um show de Stewart. Apesar da chuva e da neblina intensa, o escocês venceu, ao volante de um Matra, com mais de quatro minutos de vantagem sobre Hill. O circuito tinha 22,8 km...
Por fim, Spa... Acho que todo mundo lembra. Está no "Marlboro Guide" como uma das "Grands Carambolages" da história. Não sabe o que significa a palavra francesa "carambolage"? Bom, dos 22 carros, 13 ficaram destruídos na largada. Isso, amiga e amigo, é uma senhora "carambolage".
Escrito por Fábio Seixas às 15h53
Há exatos 39 anos, em 1968, morreu Jim Clark.
Bicampeão da F-1, tido por muitos como o piloto mais rápido que já pintou nesse planeta, Clark quebrou o pescoço numa árvore em plena Floresta Negra, resultado de um pneu estourado que jogou sua Lotus para fora da pista.
O escocês estava disputando uma corrida de F-2, prática comum naquela época em que os salários dos pilotos não eram sombra do que são hoje.
O homem foi, o mito ficou. Clark, afinal, fez muito. Venceu 25 dos 72 GPs de F-1 que disputou, aproveitamento de 35% _Schumacher teve 36,5%. Seu recorde de poles durou 24 anos _só foi superado em Phoenix-89, por Senna. Sua vitória nas 500 Milhas de Indianápolis de 1965 chacoalhou as estruturas do automobilismo americano _como podia um escocês chegar lá e, de repente, ganhar a corrida?
Por muito tempo, Jim Clark também batizou um troféu disputado entre os jornalistas brasileiros que cobriam a F-1. Cláusulas contratuais e ameaças à integridade física me impedem de revelar o teor da disputa e seus maiores vencedores.
Escrito por Fábio Seixas às 15h10
Barrichello disputou o treino classificatório com o carro reserva e, por conseqüência, com um motor diferente do usado em Melbourne. Assim, punido com a perda de dez posições, vai largar em último. Sorte dele que são apenas 22 os carros no grid.
Fosse outro piloto, fosse outro carro, fosse outra equipe, fosse outro tempo, eu escreveria que em duas ou três voltas ele estaria no pelotão intermediário. Mas não. Com uma Honda que consegue andar atrás da co-irmã Super Aguri, Barrichello vai demorar para ganhar posições.
O clima por lá está pesado. Após o treino, o brasileiro falou em desorganização da equipe. “Todo mundo aqui precisa se acalmar. Temos que voltar para a Europa, sentar e tentar resolver essa situação. Já tentamos um monte de coisas, mas nada funcionou.”
Disse mais. “Temos que tentar usar nosso material humano para tentar solucionar os problemas. O carro é ruim, não há muito o que fazer. Em Melbourne, o carro batia no chão de uma maneira como nunca aconteceu e aqui o carro reserva não estava ajustado pra mim. O que eu posso fazer? Sou apenas um passageiro.”
O carro é ruim, tudo bem, isso é visível. É culpa dos engenheiros, é culpa da direção da equipe, é culpa de um monte de gente. Incluindo Barrichello e Button. Bons pilotos melhoram seus carros.
Escrito por Fábio Seixas às 10h07
Pole para Massa na Malásia. A quarta na carreira, a primeira desde o GP Brasil do ano passado.
E uma pole suada. Suadíssima. A briga Massa x Alonso x Raikkonen nos últimos instantes do treino em Sepang foi acirrada.
A diferença do brasileiro para o espanhol, segundo no grid, 0s267. Raikkonen teve de se contentar com a terceira posição. Com o atrevido Hamilton ao lado.
A chuva não apareceu, e o treino classificatório em Sepang começou com 34oC, 50oC no asfalto e 50% de umidade relativa do ar.
E o que era uma piada em Melbourne virou coisa séria. A Honda não dá. Não dá. Sem brincadeira, parece ser o caso de jogar o carro fora e fazer outro, do zero.
Senão, vejamos... Barrichello, pelo segundo GP seguido, não passou da primeira degola na sessão oficial. Ficou em 19o, só à frente de Wurz, Albers e Sutil. Os outros cortados logo de cara foram Davidson e Speed. Button dançou no segundo bloco: 15o colocado.
Além do inglês, ficaram alijados da disputa pela pole position Liuzzi, Sato, Coulthard, Fisichella e Kovalainen.
E foi aqui que apareceu a segunda decepção do treino, a Renault. É a historia do ovo e da galinha. O que veio primeiro? A Renault virou uma draga porque Alonso pulou fora ou Alonso pulou fora porque sentiu que a Renault se tornaria uma draga? Detalhe importante: Kovalainen foi um 0s1 mais rápido que Fisichella.
Foi no segundo bloco, registre-se, que surgiu o melhor tempo do fim de semana. Justamente de Alonso, 1min34s057.
Na hora do “vamos ver”, aquele início morno e um final eletrizante. Na penúltima tentativa, Massa errou. Colocou a roda na grama e perdeu a chance de encerrar ali a fatura. Na última chance, o brasileiro encaixou uma volta perfeita. Fez as melhores parciais nos três trechos. E deu um passo importante para a vitória.
O que será da corrida? Com os três favoritos ao título nas três primeiras posições, é complicado dizer. Vai depender muito da largada de Alonso _que largou mal em Melbourne.
Mas mantenho a aposta que fiz no bolão. Acho que dá Massa. E você?
Escrito por Fábio Seixas às 03h10
Nada muito emocionante na terceira sessão livre em Sepang.
Mas o treino pode ter dado algumas dicas do que vem por aí.
O melhor tempo ficou com Hamilton, que fez uma voltaça em 1min34s811, a melhor do fim de semana até agora. Ele estava calçado com pneus moles, é bom destacar.
Massa até que tentou, foi melhorando suas voltas, mas ficou mesmo em segundo, a 0s142. Alonso foi o terceiro, seguido por Kubica e Raikkonen.
O que já dá pra começar a desenhar?
Um dos piores fins de semana da história da Honda. Button foi o 17o. Barrichello, o 19o.
Mais uma corrida complicada para Kovalainen. Ele voltou a sofrer com um problema na bomba de combustível e, para não prejudicar o novato com a troca de motor, a Renault decidiu trocar de carro. O motor foi para o carro reserva. Como a operação é demorada, o finlandês só conseguiu completar seis voltas. Mas deve estar muito, muito preocupado com a chance de um cartão vermelho após a prova _julgamento de mérito ou culpa à parte.
Raikkonen, já equipado com o motor de Melbourne, andou pouco: sete voltas. Pode não ser nada. Pode ser indício de que as coisas não estão tão tranqüilas como apregoa Todt.
A BMW ainda não deve lutar pelo pódio, mas vai chegar perto.
Agora, a espera até o treino oficial. Por que você não aproveita para passar o tempo comentando. Depois do festival de xingamentos dos fãs da ChampCar, um pouco de análise da F-1 cairia bem...