A próxima edição do Pit Stop, terça-feira que vem, será especial. O entrevistado, Tony Kanaan, que no domingo protagonizou um drama histórico em Indianápolis.
Imagino que não faltem perguntas ao piloto baiano. Eu já preparei as minhas. Mande as suas, desde já, para uolnewsformula1@uol.com.br
Diz o mundo todo que Ralf será chutado da Toyota após a excursão da F-1 pela América do Norte.
Já deixei bem clara aqui minha opinião. Em suma, para mim já foi aberração ele ter começado mais um campeonato.
A fonte é o "Bild", que chuta mais que o Sandro Goiano. Ou seja, pode não rolar agora. Mas o fato é que, lendo os textos por aí, lembrei que o contrato do alemão termina no fim do ano.
Janus Katsman, nosso correspondente em Curitiba, Maranello e região, mergulhou na história da 312 B3 e descolou umas fotos dos testes de Ickx em Mugello, em agosto de 1972.
Sensacionais! Mas estava na cara (ou no bico) que não tinha como dar certo. Eu queria saber o coeficiente de arrasto aerodinâmico de um negócio desses...
Entre os sujeitos que me fizeram tomar gosto por esse troço, entre as lembranças que guardo das manhãs de domingo da minha infância, Andrea de Cesaris ocupa lugar de destaque.
Ao longo de 14 anos, o romano disputou 208 GPs por equipes como Alfa Romeo, Ligier e Jordan, além de alguns lixos como Rial e Dallara. Conseguiu dois segundos lugares e, em 83, chegou à oitava colocação no Mundial.
Mas De Cesaris ganhou notoriedade foi como um dos pilotos mais desmiolados de todos os tempos. Quando cheguei à F-1 ele já não estava por lá. O que contam é que ele tinha um tique incontrolável, que quem o visse em trajes civis jamais imaginaria que se tratava de um piloto de carro. Mas uma vez com o capacete, o tique subitamente desaparecia.
De Cesaris também foi dos poucos que, ao longo de toda a carreira, sempre fez a Eau Rouge de pé embaixo. É, ele não batia bem.
Pois hoje o romano completa 48 anos. E, em homenagem a ele, este tributo pescado no Youtube. E só o seu RG "ainda está no plástico, inteiro", como gosta de proclamar a ala mais jovem que freqüenta este espaço, vá direto aos 2min40 do vídeo e entenda melhor do que estou falando...
Não lembro um ano em que Ecclestone não tenha decretado o fim de Magny-Cours como sede do GP da França. Eternamente endividados com o chefão da F-1, os dirigentes do circuito-chato-no-meio-do-nada, porém, sempre deram um jeitinho e foram conseguindo manter a prova.
Mas agora parece que é sério. Porque não é só Ecclestone que não quer. A própria FFSA, a federação francesa, anunciou que não pretende realizar a F-1 em Magny-Cours em 2008.
“Em primeiro lugar, nunca deveríamos ter corrido lá. Só fomos para Magny-Cours por causa do Balestre”, disse o inglês à “Autosport”, referindo-se ao ex-presidente da FISA e da FIA, que inventou o autódromo com seu amigo François Maurice Adrien Marrie Miterrand, que tinha naquela região seu reduto eleitoral.
Em 2008, a F-1 correria num “circuito nos arredores de Paris”. Mas que “circuito” é esse? Autódromos não nascem de um dia pro outro. Falaram em um circuito montado na Disneylândia. Da mesma maneira: montar uma pista num parque não acontece assim, num estalar de dedos.
De duas, uma. A França não terá F-1 no ano que vem ou a categoria voltará para Paul Ricard. Paul Ricard que é de propriedade de Ecclestone.
O Urbano, de Valência, na Espanha, foi no ponto: “Com Google, é sempre fácil”.
Muita gente usou o Google e admitiu. Outros usaram e não admitiram. E alguns internautas, creio, sabiam mesmo do que se tratava o carro do post anterior.
“Carro desenhado por Mario Forghieri como resposta às evoluções apresentadas por Colin Chapman e Derrek Gardner (Lotus e Tyrrel) naquele ano. Foi a primeira Ferrari em formato de cunha, e com várias evoluções para a época. Apesar disso jamais correu um GP. Foi importante como base para o desenvolvimento dos carros da década de 70 da Ferrari”, escreveu o Enrico, de Pouso Alegre. Certo.
“Essa é a Ferrari ‘spazzaneve’, idealizada por Mauro Forghieri. Era uma variação da Ferrari 312B, chamada na verdade de 312 B3, projetada em 1972. Foi testada por Ickx e Merzario em Fiorano. O protótipo acabou abandonado num canto da fábrica quando Forghieri foi transferido para um outro setor. Se quiser, tenho algumas fotos com Ickx ao volante dela!”, mandou o Janus. Que já está convocado a mandar para meu e-mail as fotos do teste de Ickx.
Bom, até onde sei houve também um teste em Monza. “Spazzaneve” é “limpa-neve” em italiano, apelido que o carro ganhou graças ao formato do bico. Embora não tenha disputado um GP, foi um carro importante porque serviu de laboratório para os modelos vitoriosos dos anos seguintes.
Aceitaram e acertam o desafio Enrico, Juliana, Rafael (de BH), Leonardo, Paulo, Janus, José, Fernando Horta, Marcio, Alex, José Luis, Patrícia, Leandro, Rafael (de Brasília), Sérgio, Renato, Fernando Kesnault, Carlos Roberto, David, Alex Stavarengo, Glen, Rui, Cristiano, Filipe, Jamil, Urbano, Everson, Leonardo e Alisson. Todos ganharão uma empadinha na retumbante e gloriosa festa de aniversário de um ano do blog, em setembro.
Ah, sim... Foi o recorde de comentários a um único post da história do blog. Qualquer dia coloco outro desafio desses por aqui. E haja empada...
Semana passada, recebi um e-mail do Alexandre Zanotta, internauta que mora nos EUA e que estava entusiasmado porque, pela primeira vez, iria a Indianápolis assistir às 500 Milhas.
Obviamente, ele foi cooptado para fazer fotos dos bastidores da corrida, para mostrar a todos como é a vida de um torcedor na maior corrida americana.
Alexandre topou a missão e a executou com maestria. As fotos estão abaixo.
Antes, porém, um trecho do relato que ele me mandou no primeiro contato:
"Eu comprei os ingressos facilmente pela internet. Depois, recebi de graça em casa e por e-mail informações sobre os eventos do mês de maio que ocorrerão na cidade, um guia com tudo sobre a corrida e até opção de comprar bebidas e comidas com antecedência (o que eu fiz, e recebi um voucher para apenas chegar lá e pegar meu sanduíche e cervejas), além de prioridade para comprar ingresso para o ano que vem."
Feito esse prólogo, às fotos. Ainda mais chocantes para quem todo ano enfia o pé na lama, balança em arquibancadas provisórias e enfrenta fila para comer, beber e usar banheiros químicos.
É um espetáculo de cinismo a decisão da FIA após a "investigação" conduzida na comunição da McLaren durante o GP de Mônaco.
E é até complicado escolher por onde começar...
Após listar sete fatos, na verdade sete argumentos pró-McLaren, a FIA (e não sei qual instância da entidade, já que isso não está claro), quase pede desculpas à equipe de Ron Dennis pelas suspeitas levantadas.
As frases mais primorosas, que mudam o conceito que se tinha sobre jogo de equipe, são as que abrem e fecham esta segunda parte do comunicado.
"O primeiro objetivo de qualquer equipe é conseguir a vitória com um de seus pilotos. Se isso pode ser obtido, o passo seguinte é tentar garantir que o outro carro chegue em segundo."
"Diante da superioridade em relação às outras equipes, a McLaren teve condições de refinar sua estratégia. A equipe não fez nada que interferisse no resultado do GP."
Então parem, parem tudo. Rasguem o tal artigo 151c do Código Esportivo Internacional. Acabem com essa lenga-lenga de que o jogo de equipe é proibido. E não tomem mais meu tempo com essa discussões inócuas.
Porque, segundo a FIA deixou bem claro hoje, "interferir no resultado do GP" só acontece quando um terceiro piloto, de outro time, é afetado. Quando um time arranja o resultado (e não estou entrando no mérito do último domingo), tudo bem. É isso o que diz a primeira frase.
O comunicado foi divulgado nesta manhã e está aqui.
Como no caso do ano anterior, a Ferrari não teve grande dúvidas sobre o que tascar na página referente a 2001 de “60 Anni in 60 Simboli”. A homenagem, claro, foi para o segundo título de Schumacher pela escuderia, garantido já na Hungria, a 13a das 17 etapas daquele Mundial.
Foi um campeonato em que o alemão não encontrou concorrentes. A Ferrari, afinal, tinha Barrichello. E a McLaren ficou meio que perdida entre um Hakkinen que apagou e um Coulthard que não emplacou.
Começou assim a reportagem que mandei de Budapeste naquele 19 de agosto:
“O mundo acompanha Michael Schumacher há 156 domingos. Em apenas dois, viu o alemão chorar. A primeira vez foi no ano passado, na Itália, quando ele igualou as 41 vitórias de Ayrton Senna. A cena se repetiu ontem.
Diante das câmeras, o piloto invencível, duro e frio se transformou. Abraçou seus adversários, se encharcou de champanhe no pódio, cantou, gritou. E chorou.
Michael Schumacher, 32, da Ferrari, havia acabado de vencer o GP da Hungria e de conquistar, com quatro provas de antecedência, o tetracampeonato da F-1.
Mais: com o resultado, o cidadão de Huerth-Hermuelheim, vilarejo na região central da Alemanha, tornou-se estatisticamente o segundo melhor piloto dos 51 anos de história da categoria.
À sua frente, apenas Juan Manuel Fangio, legendário piloto argentino que conquistou cinco Mundiais da F-1 nos anos 50. (...)"
A gente não sabia. Mas era só uma questão de tempo.
Outro dia escrevi sobre os "grid walks" de Martin Brundle na transmissão da ITV.
Pois aqui está o passeio do inglês em Mônaco. Além de um par de sujeitos que não sei quem são e daquele cozinheiro famoso, ele entrevista Stirling Moss.
"É inacreditável. Muito disso [o bafafá no grid] é por causa do nosso homem [Hamilton]. É incrível o que ele está fazendo. Fantástico", diz a lenda, um dos grandes rivais de Fangio, com um vigor impressionante para seus 77 anos.
Ah, sim, repare no modelito de sua camisa. Mas ele pode.
Brundle ainda leva um "não" bastante constrangedor de Alonso (grande Nano!) e conversa com um pouquíssimo animado (com razão) Massa.
À parte minhas opiniões pessoais sobre o ex-piloto-dublê-de-repórter, o "grid walk" é o que precisa ser feito _em tempo, a transmissão britânica da MotoGP tem coisa parecida, mas com uma menina como mestre de cerimônias.
Seria legal algo assim na transmissão para o Brasil, não? Por que não fazem?
Alguns internautas pediram e aqui vai a classificação final de Indianápolis, com a premiação de cada um dos 33 pilotos. Entre parênteses, as posições de largada.
Pois bem, Bernie conseguiu de novo. Coincidência ou resultado da condição imposta pelo inglês (criticada ferozmente na Espanha às vésperas do GP de Barcelona), o Partido Popular venceu as eleições regionais.
Ou seja, a F-1 terá pelo menos mais uma corrida de rua em 2008, em Valência. Só espero que o traçado proporcione provas menos monótonas do que aquela a que assistimos no domingo. Duas daquele jeito por ano, não dá.
Da série “Por que meu pai não me deu um kart quando eu era criança?”
A organização das 500 Milhas anunciou ontem à noite a premiação dos pilotos que participaram da corrida de domingo. Dario Franchitti ganhou US$ 1,340 milhão pela vitória, mais US$ 305 mil naquelas promoções que inundam a prova americana _primeiro colocado na volta x, corte de cabelo mais ousado, etc e tal. Total, US$ 1,645 milhões e mais alguns trocados.
Não foi a maior de premiação individual. Em 2004, Buddy Rice (lembram?), ganhou US$ 1,7 milhão. O bolo de prêmio da edição 2007, porém, é recorde: US$ 10,67 milhões.
Scott Dixon, o segundo colocado, levou US$ 719 mil. Hélio Castro Neves, terceiro, US$ 646 mil.
Phil Giebler, de quem só tomei conhecimento quando vi acertando o muro, foi eleito o “Estreante do ano”. Tony Kanaan, que teve a vitória tirada das mãos, ficou com o “Scott Brayton Driver's Trophy”, por “exemplificar o caráter e o espírito esportivo” do falecido.
Gosto sempre de conferir o pé dessa lista. Roberto Moreno, por exemplo, que completou apenas 36 voltas e ficou em 33o e último na corrida, ganhou US$ 225 mil. Mais do que Jon Herb, o 32o: US$ 193 mil. Deve haver algum prêmio para a calvície mais brilhante. Bom, no atual ritmo, um dia eu chego lá.
GP de Mônaco, 500 Milhas, Alonso, Hamilton, Massa, Dennis, Kanaan, Franchitti, a investigação da FIA, as decisões da direção de prova de Indianápolis...
Personagens e assuntos do “Pit Stop” desta semana, ao vivo, no UOL News, a partir das 14h30, neste link.
Para quem não sabe, Dario Franchitti é casado com Ashley Judd.
E foi a atriz americana a responsável pela mais bela foto desta edição das 500 Milhas de Indianápolis. Uma imagem singela, do momento em que a chuva voltou ao circuito. Que diz muito, sobre muita coisa.
Está aqui o comunicado da McLaren à imprensa após o GP de Mônaco.
Ron Dennis é claro, como sempre. Não deixa margens a outras interpretações. Não é questão de procurar nas entrelinhas. É questão, pura e simples, de ler.
“Há um clima de decepção devido às diferentes estratégias que tivemos que seguir diante de uma potencial intervenção do safety-car, o que aconteceu em 4 das 5 últimas edições da corrida. Conseqüentemente, você acaba tendo que decidir, com antecedência, qual dos seus pilotos vai vencer. Na primeira rodada de pits, revertemos a estratégia de Lewis de uma parada para duas paradas mais rápidas. Ao mesmo tempo, pedimos para os dois reduzirem o ritmo, para conservar os freios. Como uma equipe, gostaríamos de competir, mas este é um circuito que exige muito cuidado e o resultado é que conseguimos sair daqui com o máximo de pontos.”
Algumas considerações:
1.Não foi apenas questão de antecipar em duas ou três voltas o pit stop do inglês. A McLaren mudou completamente a estratégia dele. Do jeito que Hamilton estava no encalço do espanhol, tomaria a liderança com facilidade numa estratégia de apenas um pit.
2.Havia pelo menos dez dias a McLaren estava pensando em Mônaco. Em algum momento, entre quinta e sábado, decidiu pelo plano de apenas um pit para Hamilton. Uma estratégia, imagino, estudada, pensada e discutida em todos os níveis dentro da equipe. E para quê? Para mudar tudo com a corrida em curso? Será que só depois da largada Dennis e os engenheiros se tocaram de que havia uma “potencial intervenção do safety car”?
3.A “potencial intervenção do safety car”, aliás, não se concretizou. Ninguém, ninguém bateu na largada e em todo o GP apenas dois pilotos acertaram o guard-rail. No fim, 19 carros terminaram a prova, maior marca em 54 edições do GP.
4.Mesmo com gasolina no tanque para apenas um pit stop, Hamilton ficou a 0s179 de Alonso no treino oficial. É um fenômeno.
A McLaren fez sua escolha, está no direito dela, aconteceria cedo ou tarde, todas as equipes tomam atitudes parecidas declaradamente ou de forma velada.
A partir de agora, é Alonso contra a Ferrari, com Hamilton ajudando o espanhol a tirar pontos de Massa e Raikkonen.
Pois é, Franchitti venceu. E, ironia do destino, a corrida terminou mesmo por causa da chuva. Durou mais 52 voltas e... Água. Desta vez, já fim de tarde, sem tempo para as turbinas de avião.
E aí, quem estava no lugar certo, na hora certa, era o escocês _o primeiro desde Jim Clark, em 1965, a vencer a mítica prova de Indianápolis.
Kanaan bateu na trave pela segunda vez no dia. Estava apenas aguardando o pit stop de Franchitti e de mais uma pequena turma à sua frente para reassumir uma liderança tranqüila quando foi acertado por um acidente múltiplo.
Mas foi bonito, bonito como só o esporte consegue fazer, o abraço apertado que o baiano deu no companheiro e amigo após a corrida.
Ano que vem tem mais. E, pela primeira vez, este blog vai declarar torcida a um piloto específico numa corrida específica. Lembrem-me disso em 2008.
Em Indianápolis, acabam de anunciar que a prova será retomada em 30 minutos. Lá pelas 18h45 (horário de Brasília), portanto.
Não vou entrar no lenga-lenga de patriotada. Se há condições de realizar a prova, então que a realizem, é o que acho. E repito o que escrevi há duas horas: se Tony vencer (de novo), será merecido.
Chove forte em Indianápolis. Muito forte. E Tony Kanaan está prestes a, enfim, colocar o anelzão das 500 Milhas no dedo.
A prova foi suspensa na 113ª volta. Mais de metade já havia acontecido. Ou seja, caso a corrida não seja retomada, o piloto que estava na frente no momento da bandeira vermelha ficará com a vitória. E o baiano era o homem certo no lugar certo. Assumiu a liderança, veja só, uma volta antes.
"Se fosse um piloto americano já teriam dado a bandeira quadriculada", disse o brasileiro à TV Bandeirantes.
Não sei. Mas não há dúvidas que já é caso de encerrar a prova. Do jeito que o circuito está, não seca hoje. Muito menos até as 16h locais, 17h do Brasil, limite imposto pela organização.
Tony, daqui a instantes, se tornará o quarto brasileiro a vencer uma das mais tradicionais do automobilismo. Ele merece.
Não vi a prova da Superbike em Silverstone, hoje de manhã, vencida por Troy Bayliss _se alguém assistiu, por favor, conte aqui. Mas só esta cena guarda mais emoções do que as 78 voltas em Mônaco...
Lefteris Pitarakis/AP
Joshua Brookes e Max Biaggi disputam posição na molhada Silverstone
Mas Hamilton poderia ter vencido? Poderia, caso tivesse sido seguida à risca sua estratégia de ficar na pista cinco voltas a mais do que Alonso antes do primeiro pit stop.
Por isso, o inglês seguiu o companheiro tão de perto no primeiro trecho do GP. Queria aproveitar essas voltas limpas para abrir vantagem, fazer o pit e retornar na liderança. Não deu certo. Três voltas após o pit de Alonso, ainda sem a vantagem necessária, foi chamado aos boxes.
A McLaren e Alonso alegam que o espanhol soube economizar melhor a gasolina que tinha no tanque e que isso lhe rendeu as tais duas voltas a mais antes da parada. Lewis, pelo visto, não pensa bem assim. Começou a falar grosso. E deixou no ar uma suspeita de favorecimento ao bicampeão.
"Fiquei surpreso, porque tinha gasolina no tanque para cinco ou seis voltas a mais em relação a ele, mas me chamaram depois de apenas três voltas. Não me deram muito tempo para abrir folga na pista. Vou falar com meus engenheiros."
Achei estranha a sisudez de Anthony Hamilton, o sempre sorridente pai do piloto, após o GP. Agora, está explicada...
"Fuel preservation"? Sei não. História muito estranha. Acho que a McLaren, de forma velada, começou a tomar partido. Em nome da tranqüilidade interna. E em nome, principalmente, do Mundial de Pilotos.
Foi a 150ª vitória da McLaren, a segunda equipe mais bem sucedida da F-1 _a Ferrari soma 195 triunfos;
Pole position, vitória, volta mais rápida: hat-trick de Alonso, apenas o segundo de sua carreira. O primeiro foi na Inglaterra, no ano passado;
O recorde de pódios consecutivos numa temporada de estréia é de Villeneuve, em 1996: sete, entre Espanha e Bélgica. Outra marca que Hamilton, agora com cinco pódios em cinco corridas, vai mandar pro espaço daqui a pouquinho...
Alonso e Hamilton, 38 pontos; Massa, 33; Raikkonen, 23. São esses os números que realmente importam. Não é nada, não é nada, mas 30% do Mundial já se foi. Mais duas ou três corridas, e o brasileiro ganhará a prioridade da Ferrari. E se a McLaren não tomar atitude semelhante, com seus pilotos dividindo os pontos dessa forma, corre risco de tomar uma invertida.
Alonso: “Foi um fim de semana fantástico. Conseguir um hat trick em Mônaco é muito especial. O carro esteve perfeito durante todo o fim de semana. Acho que nunca venci uma corrida com tanta vantagem, um minuto, para o terceiro colocado, então, certamente, foi uma vitória das mais prazerosas da carreira.”
Hamilton: “Bati várias vezes no guard-rail. Ainda bem que o carro é forte e suporta esse tipo de choque o tempo todo. No fim da corrida, tentei pressionar o Fernando, para ver se ele cometia algum erro, mas não aconteceu.”
Massa: “Lógico, olhando as duas McLaren na frente, não foi um dia perfeito. Mas conseguimos marcar pontos importantes numa pista em que nossos carros não estavam como os deles. Cinco pontos não é nada na briga pelo campeonato. Espero que nas próximas corridas a gente tenha ainda mais potencial para brigar e na frente deles. Mas aqui eles eram imbatíveis. Vamos ver se agora a gente consegue virar a situação.”
Alonso larga na frente, mantém a ponta, seguido por Hamilton e Massa.
10 voltas.
Bocejos.
Alonso continua na frente, seguido por Hamilton e Massa.
Vinte, 30, 40, 50, 78 voltas.
Bocejos, muitos bocejos.
Alonso vence, seguido por Hamilton e Massa.
Assim, chato demais, foi o GP de Mônaco. Ainda bem que o cenário, pelo menos, é esplendoroso. Do contrário, não valeria a pena.
Pouco o que destacar. Só Liuzzi e Sutil beijaram o guard-rail. Raikkonen, com a estratégia de apenas um pit, foi bem: saiu de 16º para oitavo. A Honda cumpriu uma das estratégias mais estapafúrdias, toscas e inacreditavelmente amadoras que já vi e conseguiu fazer seus pilotos andarem para trás.
Adoro Mônaco, sou um dos que pensam que a F-1 precisa correr num lugar assim. Mas, pelo bem do esporte, que seja, eternamente, só uma vez por ano.
Faltando 40 minutos para a largada, o último palpite.
Engraçado... Passei a semana toda falando em vitória do Alonso. E, com pista seca, continuo apostando no espanhol. Mas se chover, com corre-corre pros boxes, confusão nas trocas de pneus e coisas do gênero, algo me diz que dá Hamilton. Contos de fadas às vezes acontecem.
Acabo de falar com Mônaco. O céu está “nubladaço”, segundo Julio Gomes, repórter da BandNews FM por lá.
Por enquanto, tudo seco. Mas, para ele, é questão de tempo para começar a cair água. Enfim, em algum momento o GP deve ter chuva, o que jogará para o espaço boa parte do trabalho de todo mundo da F-1 desde quinta-feira.
Primeiro, o pôster do festejado "An Inconvenient Truth", ou "Uma Verdade Inconveniente", documentário sobre aquecimento global que fez a platéia do Oscar aplaudir de pé Al Gore, ex-vice-presidente dos EUA.
Agora, a contracapa da edição de hoje do "Red Bulletin", zoando o desempenho do eco-carro da Honda nesta temporada.
No original, o texto ao lado das chaminés diz que "de longe, este é o filme mais assustador que você já viu". O plágio afirma que "o peso do mundo está nos eixos dianteiros", uma referência ao desequilíbrio e aos problemas de freio do RA107. Nos créditos, os nomes dos pilotos, dos engenheiros, enfim, de toda a cúpula da Honda. Que não deve ter curtido muito a brincadeira...
Na GP2, o esperado. Mesmo sem chuva, um festival de batidas. Algumas, como a do turco Jason Tahinci e a do brasileiro Sérgio Jimenez, estapafúrdias. Neste sábado monegasco, o piloto do safety-car fez valer seu salário.
Um resultado também esperado: vitória arrasadora de Pastor Maldonado, que largou na pole e, mesmo com tantas relargadas, nunca foi ameaçado. Bastavam algumas voltas para o venezuelano abrir vantagem segura para os rivais. Chávez, que bancou a ida do compatriota para a GP2 e que amanhã vai torcer por Milka Duno nas 500 Milhas, logo vai eleger os tais “deportes a motor” prioridade nacional.
Foi não apenas a primeira vitória de Maldonado na categoria. Foram seus primeiros pontos. O que mostra como Mônaco é um circuito diferente, especial, sui-generis.
Giorgio Pantano foi o segundo, seguido por Timo Glock, cada vez mais na ponta do campeonato. São 16 pontos sobre Luca Filippi, quarto na prova e novo vice-líder, o que rebaixou Bruno Senna para terceiro.
Entre os brasileiros, o melhor em Mônaco foi Lucas di Grassi, quinto colocado. Pizzonia foi oitavo. Bruno ficou em 11o. Negrão terminou em 15o. E Jimenez queimou os dedos do blogueiro, que o elogiou dias atrás. A cinco voltas do fim, tentou uma ultrapassagem impossível sobre Borja Garcia na Loews. Tão impossível que não aconteceu. Como até minha avó perceberia, os dois bateriam. Pois os dois bateram e abandonaram.
O campeonato será de Glock. E se Maldonado um dia chegar à F-1, Kubica finalmente terá um rival na categoria feiúra.
“Acho que não foi ruim. Olhando para os tempos da McLaren nas duas primeiras partes do treino, acho até que consegui uma boa volta no final. As condições hoje estavam bem complicadas. Amanhã há boas chances de chuva, o que pode fazer da corrida uma loteria. Então, vai ser divertido. Vocês sabem, Mônaco é uma corrida à parte, sempre com algumas surpresas... Espero fazer uma boa prova, buscar o máximo de pontos e subir ao pódio.”
E sobre ter topado com Raikkonen parado na Rascasse no início do segundo bloco:
“Eu vi a bandeira amarela, mas não esperava encontrar alguém parado daquela forma, no meio da pista. Tomei um pequeno susto, mas consegui desviar sem tocar nele.”
Tradução: pela posição de largada ante o amplo domínio da McLaren no fim de semana, pela situação do campeonato, pelo que aconteceu com Raikkonen no treino, Massa está na nuvens.
“Estou muito, muito feliz. É um pole muito importante, conquistada num treino que teve um pouco de tudo. Estávamos esperando chuva, ela veio no final, mas muito fina e por apenas uma volta, então logo recuperamos a velocidade. Também houve a questão do tráfego, mas aqui você tem que saber que isso vai acontecer. Estar na pole aqui, como eu já fiz no ano passado, é muito, muito importante. E é especial conseguir a primeira pole pela McLaren. Amanhã veremos qual é a estratégia de nossos rivais e espero que tenhamos feito a escolha certa. E não podemos esquecer das chances de chuva..."
É, não podemos esquecer das chances de chuva, que são de 60% para as 14h locais de amanhã. Mas, mais do que inimiga, a água pode ser aliada de Alonso. Porque, afinal, só ele não terá aquele spray na cara nas primeiras voltas.
Era uma questão de tudo ou nada. Fazer a pole position era obrigação. Perder para o companheiro estreante-sensação seria o fim. E Alonso não quis arriscar.
Pilotando no limite em um circuito onde o erro está em cada centímetro de guard-rail, o espanhol conquistou em Mônaco sua primeira pole na temporada, a 16a da carreira. Deve ter tirado um caminhão de peso dos ombros. Um caminhão carregado com a brita em que passeou em Barcelona.
Hamilton, diga-se, quase chegou lá. Ficou em segundo. Merece, também, aplausos. Massa sai em terceiro, com motivos de sobra para sorrir. No fundo, ele sabia que era esse o limite da Ferrari no treino oficial. E viu o companheiro, Raikkonen, cometer mais um erro e afundar no grid.
A chuva, que encharcou a Côte d’Azurpela manhã, não apareceu à tarde. E o treino começou com céu fechado, mas asfalto já seco.
Má notícia para Sutil e outros candidatos a zebra. O alemão dançou no primeiro corte do treino oficial e levou consigo Davidson, Speed, Ralf, Sato e Albers. O mais rápido no primeiro bloco, Hamilton, 0s374 melhor que Alonso, o segundo. Depois, apareceram Raikkonen, Liuzzi e Massa.
Logo no começo do segundo bloco, um susto. Raikkonen parou na Rascasse, exatamente no ponto em que Schumacher virou o malfeitor do planeta no ano passado. O motivo, um beijo no guard-rail na tomada para a chicane da piscina, que danificou a suspensão dianteira direita. O finlandês conseguiu levar o carro até a Rascasse, mas, lá, não teve como contornar a curva.
Ficou algum tempo parado, manobrou, conseguiu chegar aos boxes, mas não saiu mais. Sem tempo, foi o último do segundo bloco. Também foram cortados Button, Wurz, Liuzzi, Trulli e Kovalainen. Mas o grande vexame foi de Coulthard, que fechou Kovalainen, teve apagada sua melhor volta e caiu para 16o, empurrando Raikkonen para 15o. Os mais rápidos, Alonso, Hamilton, Kubica, Heidfeld, Massa e Fisichella. A folga do espanhol para o inglês, 0s048.
O bloco decisivo começou com iminência de chuva e correria para marcar tempo antes de a água cair. A McLaren foi mais esperta e, logo de cara, mandou seus pilotos à pista com pneus supermoles. No duelo interno, o mais esperto foi Hamilton, que logo cravou 1min15s905. Alonso bobeou e, com 1min15s977, ficou em segundo, seguido por Massa.
Mas o espanhol não deixou ficar assim. Retornou à pista e, com uma volta limpinha, fez a pole. Seu tempo, 1min15s726, 0s179 melhor que o colega. Massa até tentou ameaçar a primeira fila da McLaren, mas não deu.
Há oito meses, desde o GP da China, Alonso não larga numa pole. Vocês acham que ele vai aliviar para Hamilton na largada? Numa pista em que a concentração é tão importante, o bicampeão mundial, fera neste quesito, só perde a corrida de amanhã por problema mecânico.
Segundo o weather.com, são de 50% as chances de chuva forte às 14h de Mônaco, o horário do treino oficial _9h em Brasília.
Concedo-me, portanto, a chance de dar dois chutes para a pole. Se chover, dá Raikkonen. Se não chover, dá Alonso. E a expressão "chute" nunca foi tão bem empregada neste blog como agora.
O sábado amanheceu com um cenário incomum, muita chuva no principado. E assim, incomum, foi o terceiro treino livre para o GP de Mônaco.
Visivelmente preocupados, os pilotos se trancaram nos boxes nos primeiros 25 minutos da sessão. Quem se aventurava a sair, logo retornava, sem fechar volta. Foi assim em quase metade do treino. Houve, claro, as escapadas. Ralf, Alonso e, adivinhe, Hamilton, viram o guard-rail de perto, mas não chegaram a bater.
E não é que Sutil, que passou a semana dizendo que é tão rápido como Hamilton, conseguiu sua vingancinha pessoal?No final do treino, com a chuva bem mais fraca mas com o asfalto ainda encharcado, o alemão cravou a melhor volta, em 1min36s612, à fenomenal média de 124,456 km/h _para efeito de comparação, Alonso, na quinta, virou em 1min15s940, a 158,335 km/h.
Não foi só. Assim que cruzou a linha, Sutil parou na pista, algum problema com o carro. Teve de ser empurrado para os boxes. Pane seca? Será que, desfalcada de Paris Hilton, a Spyker viu na manhã chuvosa de sábado a chance de, enfim, aparecer um pouco? Não duvido nada.
Raikkonen terminou em segundo, a 0s127, seguido por Hamilton, Fisichella, Speed, Alonso, Kovalainen e Rosberg. Todos estes marcaram suas voltas nos últimos minutos. Button, que liderou boa parte do treino, ficou em nono, uma posição à frente de Barrichello. Massa foi o 12o.
Pode acontecer coisa parecida no treino classificatório? Pode, deve. Resumindo: se continuar chovendo, o grid é completamente imprevisível.
Caso intrigante trazido por Rodrigo Borges, jornalista, guitarrista e dono de circo.
"Será verdade ou montagem? Alain Prost vence o GP do Brasil de 1984 e a Globo solta o tema da vitória... Naquela época tocava a música para qualquer piloto?"
No morro, apenas alguns gatos pingados assistindo ao treino da GP2. Na sala de imprensa, poucos jornalistas trabalhando. Na bancada de entrevistas coletivas, ninguém.
Cliques da Tatiana Cunha nesta sexta-feira modorrenta em Mônaco.
Hugo Chávez, que intercedeu para que a equipe Trident acertasse com Pastor Maldonado, deve ter aberto um sorriso hoje no Palácio Miraflores. Em plena Mônaco, paraíso do capital, de magnatas, banqueiros e gangsters, o piloto nascido em Caracas dominou o treino classificatório e cravou com surpreendente facilidade a pole position para a etapa única da GP2 neste fim de semana.
Ele foi o único a entrar na casa do 1min20s: sua marca 1min20s820, 0s338 mais veloz que Giorgio Pantano, o segundo colocado. Na segunda fila, Zuber e Boemi.
O melhor brasileiro no grid é Lucas di Grassi, da ART, quinto, que reclamou do tráfego. Será que ele esperava algo diferente em Mônaco?
Senna sai em nono. Pizzonia é o 12o. Depois, entre os brasileiros, aparecem Jimenez, em 21o, e Negrão, em 26o. O líder do campeonato, o alemão Timo Glock, sai em oitavo.
A corrida deve ser boa e, como sempre acontece no principado com pilotos imberbes, bem acidentada. A largada será às 11h de amanhã, com Sportv.
O inglês Bob McKenzie, repórter do Daily Express, veterano na cobertura da F-1 e mundialmente famoso por ter corrido nu por Silverstone em 2005, tentou hoje falar com Lewis Hamilton enquanto o novato voltava dos boxes para o motorhome _uma das coisas boas no principado, os pilotos são obrigados a circular e, nessas, você consegue bater papos informais e, muitas vezes, esclarecedores.
Mas voltando ao Bob. Ele não conseguiu. Hamilton estava ladeado por dois funcionários da McLaren e se negou a falar. Safo, o repórter tratou do assunto com Ron Dennis na entrevista coletiva dos chefes de equipe.
Foi mais ou menos assim:
Bob: Eu queria falar do acesso ao Lewis. Ele estava caminhando de volta para o paddock e, como a gente faz com todo mundo, tentei caminhar ao lado dele e conversar. Mas ele não tinha permissão para falar...
Dennis: Não, isso não é verdade. Não há motivo para que Lewis... Lewis não tem nenhuma instrução do time para agir assim. Ele que escolheu se comportar assim. Tenho certeza de que ele não virou para você dizendo: "Não tenho autorização". Ele...
Bob: Desculpe, mas havia dois funcionários da McLaren dizendo que ele não poderia falar...
Dennis: Qualquer que seja a atitude do Lewis, é decisão dele e eu apoio completamente, já que estamos tentando desesperadamente administrar essa relação com a imprensa. Eu agradeço muito, muito, o nível de interesse da imprensa inglesa por Lewis, desproporcional em relação ao que acontece no resto do mundo. A realidade é que estamos sendo inundados, inundados... Vocês não podem imaginar a quantidade de pedidos de entrevistas exclusivas, etc. Mas não estamos contra a imprensa e não estamos tentando protegê-lo da mídia. Estamos tentando é dar toda a oportunidade para que ele se concentre no trabalho (...) Mas não veja isso como uma mão pesada da McLaren. É o que ele quer e é o mesmo com o Fernando. Ambos querem, desesperadamente, tentar manter algum grau de privacidade em suas vidas particulares.
Bob: Ok. Mas eu só estou falando sobre bater um papo no caminho até aqui...
Dennis: Eu entendo. Mas, honestamente, ele não é... É simples. Esse rapaz de quem estamos falando ainda está se espancando. Mentalmente, ele está se espancando pelo erro que cometeu hoje. Ele cometeu o primeiro erro e não se sente especialmente confortável para dividir esse momento com vocês, rapazes. É o desejo dele e eu apoio. Ele só queria colocar a cabeça no lugar, pensar no que aconteceu e ser o mais solícito o possível com a mídia.
PS do blogueiro: Já vi esse filme. Mas com um piloto espanhol e a imprensa de seu país. Hoje, a relação é bem azeda.
O melhor da edição de hoje do "Red Bulletin" é esse quadrinho abaixo, escondido num pé da página.
O prêmio é limitado a quem mora na Europa. Mas como há muita gente por lá que entra no blog, vale a pena reproduzir.
Quer ir a Magny-Cours com acompanhante, passagens e hotel pagos e ingressos VIP? Então escreva para secret.service@theredbulletin.com até a próxima sexta-feira, 1º de junho, com uma sugestão de nome para essa vaquinha que mora ali ao lado do circuito.
Boa sorte. Mas não esqueça de contar sua sugestão aqui.
Lewis Hamilton, em nota da McLaren, reconhecendo seu primeiro erro na F-1:
"Hoje, pela primeira vez, pilotei um F-1 em Mônaco. Foi fantástico. Obviamente já tinha experiência aqui com carros de F-3 e de GP2, mas um F-1 é muito diferente. Descobri o quanto Mônaco é impiedosa quando escapei no segundo treino e danifiquei o carro. Cometi um pequeno erro na freada da Sainte Devote, os pneus não tinham a aderência necessária, a traseira escapou... E foi isso. Em Mônaco, simplesmente não há espaço para erros. Estou chateado, porque sei que isso dará muito trabalho aos mecânicos. Até então, tudo estava correndo bem e eu consegui virar algumas voltas competitivas."
A GP2 acaba de anunciar em Mônaco a criação da GP2 Asian Series.
Não foram divulgados muitos detalhes, mas a primeira edição do campeonato, já em 2008, acontecerá entre janeiro e abril e suas últimas provas serão preliminares das primeiras etapas da F-1.
Os carros serão os mesmos da GP2. E muitas equipes vão aproveitar o inverno europeu para faturar por lá. O calendário ainda não foi anunciado, mas imagino que vá passar por Malásia, China, Japão, Índia, Cingapura, Coréia do Sul, Emirados Árabes Unidos... Enfim, mercados em que Ecclestone está de olho.
A entrevista de Massa com a imprensa brasileira hoje em Mônaco foi relâmpago.
O ferrarista apareceu, respondeu rapidamente a três perguntas e foi se encontrar com a equipe, numa clara demonstração de que não ficou nada satisfeito com o trabalho desta quinta-feira.
De aproveitável, alegou que pegou trânsito todas as vezes em que foi à pista com pneus novos. Em Mônaco, faz parte do jogo.
E assim continua sem explicação o quase-quiprocó dele com o Fisichella no fim da segunda sessão.
Coulthard, Davidson, Sutil, Ralf e, vejam só, o até então invicto Hamilton. As vítimas do segundo treino livre no principado. Três dos cinco, britânicos. Quero ver o que a “Autosport” vai colocar no site. Será que, por dirigirem pela direita, eles se confundem quando a corrida é na rua? Ok, foi infame. Sorry, Graham Hill.
Entre os quatro, o maior prejudicado foi Hamilton. Ele foi direto e reto, de bico, no guard-rail da Sainte Devote. Além de sujar pela primeira vez a sua ficha (uma hora ia acontecer), perdeu muito tempo de pista, o que em Mônaco, para um estreante na F-1, certamente fará muita falta. A expressão dele, voltando a pé para os boxes, mostrava exatamente isso.
A TV não mostrou a expressão de Alonso. Talvez tenha sido de alívio. Porque o espanhol só tinha a concorrência do colega de equipe. Ficou sozinho, pois.
Coincidência ou não, acelerou mais fundo. A 12 minutos do fim do treino, tinha 1min16s211, apenas 0s085 melhor que Hamilton. Cravou então a primeira e única volta do dia na casa de 1min15: 1min15s940, abrindo 0s356 para o novato.
Com Hamilton batido (literalmente), até a Ferrari, apagada no primeiro treino, cresceu. De pneus supermoles, ou seja, pensando na classificação, Raikkonen fez 1min16s215 nos últimos minutos, garantindo o segundo tempo, a 0s275 do rival. Schumacher, diga-se, estava lá nos boxes, vendo tudo de perto.
Mas foi só para a escuderia. Massa esteve apagado, apagado... E quando apareceu, foi no finalzinho da sessão, numa manobra esquisita. De repente, tirou o pé na Rascasse, atrapalhando Fisichella, que vinha atrás, em volta rápida. Esperemos as explicações. Em tempo: o italiano fechou o treino com a quinta marca, uma posição à frente do brasileiro.
Trulli em quarto, com a Toyota, foi uma surpresa. É o típico caso em que o braço do piloto falou mais alto. O italiano sempre andou bem no principado. Foi lá, em 2004, sua única vitória na F-1. E de certa forma a Honda também mostrou um resultado melhor que o esperado, com Barrichello em 11o, seguido por Button.
Continuo achando que será uma corrida para a McLaren colocar dois pilotos no pódio, um deles recebendo a taça das mãos do príncipe. E que, entre os ferraristas, Raikkonen é o favorito a participar da cerimônia.
Assim, com uma precisão incrível e com um humor ainda mais incrível para o horário, um amigo maníaco por F-1 descreveu o primeiro treino livre, na madrugada. Tomei-lhe emprestada a definição.
Se você também acordou às 5h, meus pêsames. Se não acordou, saiba que fez bem. Se está em Mônaco, não adianta me enganar, sei que provavelmente você faltou às arquibancadas, vazias, vazias, vazias. Fez bem, também, claro.
Em uma hora e meia de treino, pouca notícia.
Foram três os incidentes. Primeiro, o motor de Albers fumou. Faltando cinco minutos para o fim da sessão, Fisichella acertou o guard-rail. E no último minuto, Webber apareceu com um pneu furado. No mais, nada mais.
A McLaren sobrou na frente. Alonso foi o mais rápido, com 1min16s973. Em segundo, Hamilton, a 0s628. Heidfeld, meu candidato a um lugar no pódio neste fim de semana, ficou em terceiro, seguido por Fisichella. Raikkonen, o melhor ferrarista, foi o quinto. A folga do espanhol para o finlandês, 0s945.
Depois, vieram Webber e Rosberg. E Massa surgiu em oitavo.
Sim, acho que a McLaren vai levar esta corrida, já disse isso algumas vezes, mas não sei se este treino foi muito realista. A Ferrari, por exemplo, treinou muito mais com o pneu mole do que com o supermole. Parecia estar pensando mais no GP, enquanto sua rival estava com a cabeça no grid.
Digamos que a sessão tenha confirmado a força da McLaren, mas não a vantagem dela para a equipe italiana. Talvez o segundo treino clareie o cenário.
O ponto alto da entrevista coletiva de hoje em Mônaco:
David, como você se sente sendo o veterano no meio de uma turma tão mais nova? E você sente falta de caras como Villeneuve e Schumacher?
Coulthard: Bem, começando pelo fim... Não. Porque a vida continua e o esporte é algo que está em constante mudança, especialmente a F-1. Olhe, por exemplo, para o que mudou em termos de tecnologia desde que estreei, em 94. Os carros eram mais largos, pneus slick, sem controle de tração, motores de 3,5 litros. Alguém me perguntou um pouco mais cedo sobre o que eu acho do plano de colocar diesel na F-1. Se esse é o futuro, temos que encará-lo.
Não sou dessas pessoas que ficam naquelas de "oh, como era bom antigamente". Sou entusiasmado pelo futuro. Sei que há vários dos seus colegas que ainda pensam que a F-1 era melhor nos 70. Sei que o mundo era muito mais legal, em vários aspectos, mas tenho uma notícia para essas pessoas: não dá para voltar no tempo.
Sobre a primeira parte da pergunta, não penso na idade. Assim como eu não pensava quando tinha 11 anos e corria contra pilotos de 16, o que na época era uma grande diferença (...) Como Lewis vem mostrando, e como Fernando já mostrou, ou Kimi... Se você é bom o suficiente, você tem idade o suficiente. E se você é bom o suficiente, você não é velho até o momento em que seu físico afeta sua habilidade de pilotar o carro.
Pessoalmente, não acredito que seja o caso para mim. Não acho que Michael tenha se aposentado porque era muito velho. Acho que foi por vários outros motivo que talvez a gente nunca entenda. Sempre fazemos escolhas e a minha é de estar aqui, porque amo correr. E por que parar de fazer algo que amo se eu tenho a oportunidade de continuar?
Apesar dos horários mostrados na área de programação do site da emissora, a assessoria de imprensa da Bandeirantes informa que não vai interromper a transmissão das 500 Milhas, no domingo. Garante que a corrida será exibida até o fim e que só então irá para o futebol.
A TV Bandeirantes anuncia o início da transmissão das 500 Milhas, domingo, para as 13h30, meia hora antes da largada. Bom, muito bom.
Nos dois últimos anos, a prova durou três horas e dez minutos. Ou seja, a bandeirada deve acontecer pouco depois das 17h.
Para as 15h30, porém, a emissora anuncia a transmissão do Campeonato Brasileiro. O jogo, seja lá qual for, começa às 16h e só termina às 18h. Ruim, muito ruim.
"Foi 2 a 2. Massa fez o gol da virada, mas o time dele acabou tomando o empate depois. Schumacher não jogou porque estava gripado e com dores no joelho. Alonso também não entrou em campo."
A turma brasileira na GP2 correrá intacta em Mônaco.
A Racing Engineering acaba de confirmar Sergio Jimenez para a quinta etapa do campeonato _sábado, 11h de Brasília.
Alívio para o brasileiro, que até ontem não sabia se correria a prova de maior visibilidade da temporada. Com dificuldades para levantar verbas com patrocinadores, ele sofria forte concorrência de outros pilotos, que queriam pagar para correr exclusivamente a etapa do principado. Em entrevista ao "Linha de Chegada", do Sportv, que vai ao ar amanhã à noite, com a participação deste blogueiro, ele disse que passou as últimas noites em claro.
Talento do kart, primeiro campeão da F-Renault, Jimenez, 23, vai aos trancos e barrancos conduzindo sua vida na vitrine da F-1. Este é um que eu gostaria de ver chegando lá. Seria uma pena vê-lo na Stock no ano que vem.
Outro que corria risco, Xandinho Negrão, que bateu forte em Barcelona, foi liberado pelos médicos da FIA.
"Minhas costas ainda estão um pouco doloridas, apesar de eu ter repousado ao máximo. Só bati uma bolinha leve, mas preferi nem participar do jogo dos pilotos em Mônaco para não correr risco. Sou o mais interessado na minha segurança e tenho certeza que poderei correr normalmente", disse o piloto da Minardi Piquet Sports, que, aliás, no quesito grana, vive situação oposta à do colega.
Rubens Gonçalves Barrichello completa hoje 35 anos.
Estreou na F-1 em Kyalami, aos 20 e cabeludo. De lá para cá, 237 GPs, 13 poles, 9 vitórias e uma trajetória singular.
Rubens perdeu os cabelos, que um dia, misteriosamente, ressurgiram. Casou, ganhou dois filhos. Passou por quatro equipes. Despertou esperanças, sorrisos, ódios, piadas, amores, decepções. Emoções extremas, enfim. Simpatias e antipatias à parte, não há como ignorar que é um personagem único no esporte brasileiro, alguém que mereceria, um dia, uma biografia detalhada.
Um carreira de altos e baixos. Os melhores altos e os piores baixos, envergando o macacão vermelho. Como nessas cenas...
A Folha já está circulando pelas ruas de Mônaco, com a repórter Tatiana Cunha. Que nesta quarta-feira ensolarada, entre uma apuração e outra, encontrou tempo de mandar esses cliques para o blog...
Procurei, procurei... E admito que não achei nem o resultado nem nenhuma outra história sobre o jogo beneficente de ontem em Mônaco.
A assessoria de imprensa sumiu. O site oficial do negócio é uma piada: clique em “últimos eventos” e veja uma foto da partida de 2005! Será que foram todos, inclusive Schumacher, abduzidos?
Desfalque no elenco de celebridades do GP. A rainha da futilidade (e gatinha) Paris Hilton, que seria o grande trunfo da Spyker para ganhar páginas de jornais e minutos de TV no fim de semana, avisou que não vai.
O motivo: condenada a 23 dias de prisão por dirigir embriagada, a socialite-herdeira-modelo-apresentadora-e-atriz-de-filmes-amadores será trancafiada em 5 de junho. E até lá, vocês sabem, ela deve ter muito trabalho a fazer...
Vá dormir cedo hoje! Amanhã tem treino às cinco da madruga...
Segue a programação em Mônaco, horários de Brasília:
Quinta-feira
5h-6h30, 1º treino livre
9h-10h30, 2º treino livre
Sexta-feira
Todo o dia: badalação, uma entrevistinha aqui, outra ali, festinhas nos iates, eventos beneficentes, namoradas novas, eventos de patrocinadores, tapinhas nas costas...
Acabo de falar com a Europa. Com um amigo que há muito tempo circula na F-1 e que sabe exatamente como e com quem falar dentro de cada equipe.
Ele garante que o futuro de Barrichello está na Honda. Que o brasileiro pode estar, sim, conversando com outros times. Mas que o mais provável é que ele renove com os japoneses por mais uma temporada.
Eterno diretor esportivo da Mercedes, Norbert Haug assumiu posição de escudo. Veio a público dizer que Hamilton não pode ser considerado o maior candidato à vitória no fim de semana.
“Espero que logo ele vença uma corrida, mas acho que não é correto apontá-lo, já, como o grande favorito em Mônaco”, disse o dirigente-leôncio. “Mas qualquer que seja o resultado da prova, Lewis terá nosso apoio. Ele tem um histórico fantástico em Mônaco, é um piloto de rua, que gosta desse tipo de pista. Mas talvez esteja recebendo atenção demais.”
Nessa última frase, o alemão denunciou sua verdadeira intenção.
Hamilton é sim, claro, um dos favoritos à vitória, e Haug quer manter essa chance viva, sem que nenhum fator externo a atrapalhe. Mas o grandessíssimo favorito é seu companheiro de equipe, Alonso. Que entrará (mais) em parafuso se essa condição não se concretizar no domingo.
O Pit Stop de hoje promete. No bate-papo sobre as perspectivas para o GP de Mônaco e para as 500 Milhas de Indianápolis, a ilustre participação de Alexandre Barros, falando também, claro, da etapa de Le Mans da MotoGP.
A ING, multinacional do ramo de seguros que patrocina a Renault, decidiu inventar um índice de dificuldade para os GPs da F-1.
O tal "ING Race Index" é calculado com a média das notas (de 0 a 100) para cinco fatores que poderiam ser traduzidos como desgaste dos pilotos, exigência mecânica, característica do traçado, dificuldade no acerto do carro e tradição/fascínio/emoção da prova.
Em Mônaco, essas notas foram, respectivamente, 66, 51, 55, 53 e 99. Média de 64, a sexta no ranking entre 17 corridas.
Pela lógica deles, Malásia (quarta colocada) e Bahrein (quinta) são corridas mais complicadas. A seguradora não mandou a lista completa, mas, já que Sepang não está no pódio, imagino que Interlagos esteja. Pelo sentido anti-horário, pelas ondulações crônicas do asfalto, pelo que a altitude de São Paulo implica para o motor, pela tradição do GP Brasil.
Acho esse tipo de coisa uma pataquada, mas, enfim, não deixa de ser curioso e não deixa de ser mais um tema para o botequim. A iniciativa é pretensiosa. A empresa descreve o índice como "o equivalente ao que o Dow Jones representa para o mercado de ações". Menos, menos...
Será amanhã a já tradicional pelada organizada pelo príncipe Albert envolvendo pilotos de F-1 e outras celebridades no estádio do Mônaco.
Pizzonia está escalado no time principesco. Será o dono da camisa 8. Nunca o vi jogar, mas ele não tem muito jeitão de boleiro...
Divulgação
Outros dois brasileiros estarão no time adversário, Massa e Farfus, ambos também com pinta de pouca intimidade com a redonda. A grande atração, claro, Schumacher. Bom de bola.
Para quem está na Europa, o canal Eurovision Sky Sports vai transmitir a partida. Assistam e comentem aqui amanhã.
A Bridgestone levará para as ruas de Mônaco os pneus mais macios de que dispõe. Oferecerá às equipes as opções mole e supermole, esta ainda inédita.
"Em Mônaco, você precisa de todo a aderência possível. Até por isso, as equipes correm lá com o máximo de carga aerodinâmica. A tração traseira é fundamental, já que há a questão da aceleração em tantas saídas de curva, mas você precisa ser cuidadoso, já que uma saída de traseira pode ser fatal", disse Kees van de Grint,chefe de operações de pista da empresa japonesa.
Segundo ele, a tendência é que a maioria dos pilotos adote a opção supermole, experimentada na semana passada em Paul Ricard.
Ou seja, nesta semana, quando você ouvir por aí "mole" e "duro", entenda "supermole" e "mole".
Os 20 anos da primeira vitória de Senna em Mônaco não vão passar em branco. Pelo contrário.
O Instituto Ayrton Senna vai organizar um grande evento no principado. Começará com uma exposição no Hotel Fairmont, no coração de Montecarlo, passará por um leilão beneficente de macacões, capacetes, coisa e tal, e terminará com a inauguração de uma placa no circuito.
Você não lembra daquela corrida? Da batida de Alboreto nos treinos? Da ultrapassagem do brasileiro ao volante de seu Lotus amarelo-gemada sobre Mansell, com problemas no turbo, na chicane depois do túnel? Da tentativa de dar um banho de champanhe no príncipe?
Outro dia, não lembro onde, vi uma foto de Sutil e Hamilton num pódio da F-3 européia, em 2005. Naquele ano, o inglês levou o campeonato e o alemão foi vice.
Pois hoje, os sites internet afora estão fazendo onda com uma entrevista do piloto da Spyker à “Kicker”, revista alemã de esportes.
Em suma, Sutil diz que é tão bom quanto o colega de noviciado. “Não devo nada a Lewis. Tenho certeza de que posso ser tão rápido quanto ele. Na F-1, o piloto é importante, mas o carro responde por 70% do resultado.”
O alemão está invocando aquela ladainha do “lugar certo na hora certa”, que, sim, é verdadeira na F-1. Mas que não é eternamente determinante. Não mesmo. Até pela falta de mão de obra qualificada, nos últimos anos muitos pilotos começaram por baixo e logo se encaixaram em equipes médias/grandes.
Se for realmente tão bom, Sutil logo arruma uma boquinha num time melhor. Mas do jeito que está, não vai rolar...
O fato é que essa história leva a outra. Qual é a melhor condição para a estréia de um piloto? Três opções:
(a)Numa equipe média;
(b)Numa equipe de ponta;
(c)Depende do nível do piloto.
Tome o exemplo de Massa. Tivesse estreado na Ferrari em 2002, hoje ele não estaria por lá, imagino _descontada aqui sua relação profissional-filial com Todt. Na Sauber, ainda imbuído da porra-louquice de outras categorias, o brasileiro fez todo tipo de besteira. A ponto de ter sido escanteado em 2003.
Mas aprendeu, ganhou nova chance e hoje é um dos melhores da categoria. Na Ferrari, aqueles passeios pela grama, aquelas batidas no muro, aqueles erros de avaliação de 2002 seriam potencializados. Ele seria execrado pela imprensa italiana, sem exagero. Na Sauber, um time médio, quase ninguém sabe, quase ninguém viu. E foi melhor assim.
E é aí que a história volta para Hamilton. O moleque está numa vitrine tão luminosa como a Ferrari. Mas não comete erros. E isso não é clichê barato. Em quatro GPs, foi impecável. Tanto que lidera o Mundial. Para ele, estrear numa equipe grande não foi nenhum trauma.
A resposta imediata para a pergunta, então, seria a alternativa C. Mas acho que eu cravaria A. Hamilton não pode ser levado em conta. É o que podemos chamar de aberração estatística.
E não é que o Moreno conseguiu uma vaga no grid das 500 Milhas?
Pilotando um chassi de 2003, o veterano foi para o “Bump Day”, ontem, cravou 220,299 mph (354,4 km/h) e garantiu a 31a posição para a largada da prova do dia 27. Não deve fazer muita coisa na corrida, mas, enfim, estará lá.
Um resultado que permite duas análises.
Uma delas já está no sempre antenado “Saco de Gatos”. Moreno é um guerreiro, um piloto nato, batalhador, talentoso e dedicado. Assino embaixo.
Outra diz respeito às 500 Milhas. Não dá para levar muito a sério uma corrida que reúne carros com quatro anos de uso, escuderias quase amadoras e pilotos que conseguem largar com apenas um dia e meio de treinos. Não dá.
Ecclestone deu um ultimato para os organizadores de Melbourne. Em entrevista ao “Sunday Herald Sun”, afirmou que se a corrida não acontecer num horário mais “respeitável” para o público europeu (ou seja, na noite australiana), não renovará o contrato.
Puro jogo de cena, pura pressão, acredite.
Ron Walker, o promotor australiano, é chapa de Ecclestone, não vai perder a corrida. E o contrato atual só acaba em 2010. Ou seja, ainda há muita água por passar sob essa ponte.
O fato é que o inglês colocou na cabeça que quer uma prova noturna. Tornou-se um boêmio no discurso. Só fala nisso. E quer realizá-la logo. A “ameaça” a Melbourne, é, de fato, um recado para Cingapura e Sepang. Algo na linha “vejam bem, não estou brincando”.
Por isso, saiba, o calendário terá uma prova noturna muito em breve. Quiçá em 2008. E em 2011 a F-1 correrá na Austrália, como acontece desde 1985.
Certamente nenhuma decisão foi tão fácil para os editores de “60 Anni in 60 Simboli” como escolher o que celebrar em 2000.
Depois de 21 anos, a Ferrari conquistou, naquele 8 de outubro, o Mundial de Pilotos. Ao volante, claro, Schumacher, que largou dependendo apenas de si para levantar o campeonato: uma vitória garantia o título sobre Hakkinen.
E foi o que Schumacher fez. Venceu. O finlandês ainda chegou em segundo, mas era pouco. E assim, o alemão começava uma seqüência até então inimaginável, de cinco títulos na F-1.
Mas teve mais no final de semana. Na sexta-feira, teve até terremoto. Eu estava na sala de imprensa e senti o chão se mover sutilmente de um lado para outro. Durou pouco, mas houve gente que saiu correndo e que passou mal.
Naquele dia, comecei assim a reportagem que enviei de Suzuka:
“Como se não bastasse todo o nervosismo pela disputa do título, um terremoto de 3,9 graus na escala Richter atingiu Suzuka à 1h31 (de Brasília), a 29 minutos do final do treino, quando 52 mil pessoas ocupavam as arquibancadas.
Os prédios tremeram por dez segundos, provocando correria nos boxes, no paddock e na sala de imprensa do autódromo.
O epicentro do tremor atingiu 7,1 graus e aconteceu no oceano, na região de Tottori, 450 quilômetros a noroeste de Suzuka.
Por precaução, uma usina nuclear foi desativada temporariamente e a rede de shikansen, trens-bala japoneses, parou de funcionar por alguns minutos.
No parque onde está o autódromo, os brinquedos foram desligados. Na lojas, prateleiras desabaram. ‘A arquibancada balançou muito. Se fosse no (estádio do) Morumbi, caía’, disse o brasileiro Arnaldo Toshi, que vive em Suzuka.”
Uma curiosidade: naquele domingo, praxe em suas comemorações, Schumacher jogou a garrafa de champanhe para os mecânicos. Eles não seguraram, e a garrafona espatifou no chão. Não agüentei a tentação: ciente do momento histórico que estava vivendo, guardei um caco no bolso, lembrança que até hoje está aqui na prateleira de casa apesar das resistências domésticas...
Barros abandonou na última volta em Le Mans. Confesso que chequei o resultado na “Autosport” antes de publicar o post sobre a corrida, vi que ele não estava entre os classificados, mas imaginei que fosse erro do site. Afinal assisti à prova e vi que o brasileiro estava na pista na última volta.
Estava. Porque abandonou. Chegou a ser terceiro, mas não completou a prova.
Errei, peço desculpas. Mas errou também, de novo, a transmissão da corrida, que despediu-se antes mesmo do pódio ou da chegada dos pilotos aos boxes.
Por que, aqui no Brasil, as emissoras encerram as transmissões das corridas com tanta pressa, parecendo pedir desculpa ao telespectador por estarem tomando o seu tempo com aquela porcaria? Ah, sim... As transmissões de F-1, de moto, do que quer que seja, também começam no laço. Uma caminhada até o banheiro, e você corre o risco de perder a largada.