Timo Glock, 25, 4 corridas na F-1 pela Jordan em 2004, é o terceiro campeão da GP2.
O alemão venceu hoje a última etapa do campeonato em Valência. Lucas di Grassi, o único em condições de barrar sua conquista, terminou em 13º e 11 pontos atrás na tabela.
Estou curioso pra ver o que será dos dois a partir de já.
Até agora, a GP2 vem sendo irrepreensível na sua missão de lançar talentos para a F-1. Rosberg e Hamilton saltaram do título da escolinha direto para boas equipes. Kovalainen, que, como o brasileiro não levantou o campeonato, idem.
Mas o duelo de 2007 parece-me ter sido diferente. Glock já disputou GPs, é piloto de testes da BMW, não tem aquela cara de novidade de seus antecessores. Di Grassi até tem. O que ele não tem é um grande apoio por trás. Por outro lado, o sucesso de Hamilton pode ajudar por tabela.
Vamos ver... Enquanto eu dormia, a FIA puniu Vettel (dez posições no grid da China pela batida em Webber) e Liuzzi (25 segundos por passar Sutil sob bandeira amarela, o que deu ao alemão seu primeiro ponto na F-1).
Vettel, diga-se, já havia se desculpado com Webber. Disse que foi surpreendido por uma freada brusca do australiano, que por sua vez reagia a uma freada brusca de Hamilton.
Hamilton, diga-se também, chegou a ser investigado pela freada. Mas os comissários chegaram à conclusão de que ele não fez nada de errado e a vitória foi confirmada.
Mas o que promete dar algum pano pra manga é a chiadeira da Ferrari. O time jura que não recebeu nenhuma comunicação por escrito (e-mail ou nota impressa) sobre a obrigatoriedade de largar com pneus para condições extremas.
Segundo o engenheiro Stefano Domenicali, o aviso só veio por rádio, quando a corrida já estava na segunda volta. O comunicado no papel só teria chegado à escuderia por meio da RAI, que recebeu o papel na sala de imprensa e o teria repassado na base da camaradagem.
“Reclamamos com a FIA assim que a corrida acabou. Eles pediram desculpas, disseram que mandaram um e-mail, mas reconheceram que não era o método mais apropriado para uma situação de emergência como aquele”, disse Domenicali.
Todt, porém, disse que o rolo vai ficar por isso mesmo. “A corrida já acabou, um apelo não resolveria o problema. Pelo bem do esporte, não vamos abrir outra polêmica.”
A expressão de Alonso no Japão-07 me lembrou a expressão de Schumacher no Japão-06. Desolação plena. Um misto de tristeza e irritação. O campeonato escorrendo pelos dedos. A ficha caindo.
Tanto que, no discurso pós-corrida, Alonso já citou a palavra “milagre” para falar de suas chances de título.
“Não estou jogando a toalha, mas a não ser que aconteça um abandono de Hamilton... Tenho que ser realista, vai ser muito duro tirar seis pontos por corrida. Eu teria que vencer as duas corridas e esperar que ele terminasse em quinto ou sexto. Então, sendo realista, é complicado. Principalmente porque ele não abandonou nenhuma corrida. Mas vou tentar o máximo. O único lado bom é que vou poder correr mais relaxado, sem pressão, esperando um milagre.”
Matematicamente, Raikkonen até tem chances de título. Ele está a 17 pontos de Hamilton e pode descontar 20. Mas, sejamos honestos, isso é mera teoria. Na prática, não vai dar pra ele. A disputa está mesmo entre Hamilton e Alonso.
E qual é a conta?
Bom, Hamilton tem 12 pontos sobre Alonso. Se depois de Xangai a diferença for de 11 pontos, o inglês é campeão. Se a folga cair para 10 ou menos, a decisão vem para Interlagos.
O raciocínio é simples: para trazer a disputa ao Brasil, Alonso tem que obrigatoriamente chegar na frente do inglês na China. Dentro dessa premissa, se o espanhol vencer ou for segundo, a decisão está adiada. Se ele ficar entre terceiro e sétimo, precisa torcer para que o inglês fique duas posições atrás, no mínimo. Qualquer outro resultado dá a taça para Hamilton já em Xangai, com um GP de antecedência.
Mas, se não for na China, dificilmente o título escapará das mãos do inglês na última etapa. A “gordura acumulada” (para usar um termo do luxemburguês) é tamanha que Hamilton pode ser campeão, por exemplo, com um quarto e um quinto lugares, mesmo que Alonso vença as duas provas. Ou seja, o inglês já pode se dar ao luxo de prescindir do pódio.
O título, quem diria, está nas mãos do novato. O bibelô do começo da temporada tem tudo para ser o primeiro campeão pós-Schumacher e entrar na galeria dos heróis da F-1. Quem diria...
Absurda a decisão da direção de prova de começar a corrida com toda aquela chuva. Não havia condições, até os monges de Monte Fuji sabiam. Foram voltas e voltas e voltas de pista encharcada e nenhuma disputa. Que adiassem a largada. Erraram feio;
Na coletiva pós-GP, Raikkonen disse que os pilotos com pneus intermediários foram obrigados pela direção de prova a trocarem para pneus de condições extremas ainda durante o safety car. Isso explica, em parte, a confusão estratégica da Ferrari na corrida. Explica, mas não justifica. Porque, de qualquer forma, não era para ninguém ter largado com os intermediários;
Vai ser difícil para o Ari Saretti, editor de imagens da Globo na F-1, condensar as melhores cenas da corrida num VT de um minuto e pouco. Teve Webber jogando o volante longe após ser tirado da corrida por Vettel. Teve Massa rodando toda hora. Teve a briga de Massa com Kubica _que vai render um puxão de orelhas da FIA, acho. Teve Alonso batendo sozinho, acidente que esmigalhou suas chances de tricampeonato. Teve a ultrapassagem do Heidfeld sobre o Alonso, seguido por uma rodada de Hamilton...;
E teve Vettel chorando. A cena do dia. Do alto dos seus 20 anos, liderou um GP pela primeira vez na vida. Mais: foi a primeira vez que a Toro Rosso encabeçou uma corrida. Após o pit, ele caiu para terceiro. Então, entrou o safety car. E Vettel fez lambança: perdeu a concentração por um segundo e acertou Webber, com força. Os dois abandonaram. Minutos depois, as câmeras flagraram o menino desconsolado, nos boxes da Toro Rosso.
Pelo resultado? Hamilton venceu o GP do Japão, debaixo de muita chuva, e colocou as mãos na taça. Abriu 12 pontos de vantagem sobre Alonso, que bateu e abandonou, e pode fechar a disputa já no próximo domingo, na China.
Pelo festival de rodadas e acidentes? Hamilton, Massa, Alonso, Raikkonen, Wurz, Heidfeld, Button, Sato, Vettel, Sutil, Webber, Davidson… Desses eu lembro. Mas os outros devem ter escapado também.
Hamilton sobreviveu. Deu sorte, é verdade, no “timing” do seu único pit. Quando voltou à pista, entrou na frente de um trenzinho que confinava Alonso. Mas demonstrou, também, muita habilidade: não é fácil segurar um carro de F-1 num pista-sabão como estava Monte Fuji.
Kovalainen foi segundo, Raikkonen passou em terceiro. Coulthard foi o quarto, seguido por Fisichella. Massa, depois de uma luta alucinante com Kubica nas últimas curvas, chegou em sexto. Liuzzi completou a zona de pontos.
“Foi uma corrida complicada do começo ao final. A gente acreditava que dava para ir ao final sem parar uma segunda vez e eu seria o terceiro, mas tive que parar e perdi o pódio. O campeonato foi constante, com um bom carro o tempo todo, mas no final faltaram sorte e um carro que chegasse até o final”, disse Massa, que já não tem mais chances matemática de título.
Poderia começar também pelo nome da corrida. Sim, Hamilton foi o megavencedor, deu um salto enorme para o título, mas o nome do GP foi Vettel, que deu um show de pilotagem seguido de um show de barbeiragem,
Como é bom, de vez em quando, assistir a uma corrida maluca.
Ah, mas teve mais, muito mais. Daqui a pouco eu volto.
Você sabe o que estava fazendo há 20 anos? Bom, se você gosta de F-1 e é do tempo do long play, provavelmente estava fazendo quase a mesma coisa que hoje: acordado, mas para acompanhar o treino em Suzuka.
Piquet estava 12 pontos à frente de Mansell no campeonato. O inglês precisava desesperadamente vencer. Pressionado, perdeu o controle do Williams e...
Sentindo dores no corpo, Mansell desistiu de correr a prova. E Piquet conquistou o terceiro e último de seus títulos mundiais.
Quem apostou que Hamilton e Alonso não baterão na primeira curva ganhou um aliado de peso. Ron Dennis acha o mesmo.
“Os dois são profissionais. E se há algo que me faz rir são perguntas do tipo ‘você vai conversar com eles antes da corrida para evitar uma batida?’ Eles são pilotos, e não há nada no mundo que você possa falar para pilotos que eles lembrem numa primeira volta de corrida. Mas eu confio nos fatos que a) eles são profissionais e b) os dois querem ganhar o Mundial. E a melhor maneira de reduzir as chances de chegar lá é batendo um no outro.”
Saídas de traseira e tanque mais cheio. As explicações de Massa para seu desempenho apagado na parte final da sessão classificatória.
“O treino foi bem disputado. No primeiro bloco, eu já consegui um tempo bom logo de cara. O segundo foi ok, mas eu não consegui uma volta limpa. O Q3 foi um pouco mais complicado. Meu carro começou a sair de traseira, principalmente no final, quando todos estavam melhorando os tempos. O carro estava difícil naquele momento, e eu também estava pensando na estratégia para a corrida.”
E, sim, ele também está pensando na lambança que pode acontecer logo à sua frente, na largada
“Acho que a primeira curva vai ser sempre interessante nestas últimas três corridas. A gente viu, em Spa, Lewis e Fernando brigando bastante. Mas nunca dá pra saber, temos que esperar. É o tipo de coisa com a qual não podemos contar, que não dá pra planejar.”
Dormi, sonhei, pensei, pensei, pensei e cheguei à opinião de que Alonso e Hamilton não vão bater. Seria muita imprudência dos dois abrir essa chance para a Ferrari. Mas sei que tem muita gente que imagina exatamente o contrário. Façamos um pequeno bolão, pois.
Foi tanta coisa na F-1, que deixei meio de lado a GP2 em Valência. Erro meu. Porque a categoria é importante. E porque é decisão de campeonato.
Vitória do russo Petrov, sua primeira na temporada, seguido por Pantano e Nakajima
Na luta pelo título, Glock foi o sétimo. Di Grassi abandonou. E a vantagem do alemão subiu de dois para quatro pontos.
O brasileiro vai precisar de sorte, muita, muita sorte, na corrida de amanhã, a última da temporada: larga lá do fundo do grid, enquanto o rival sai em segundo lugar.
A largada acontece às 7h (de Brasília), com Sportv.
Hamilton mostrou em Monte Fuji uma qualidade que pouca gente conhecia. Sim, além de tudo, o novato é bom de chuva.
No asfalto molhado, conquistou a quinta pole de sua curta carreira na F-1. Uma pole, porém, que pode não significar tanto: o segundo colocado, com todo o apetite do mundo, é Alonso, seu companheiro, rival e desafeto declarado.
Contrariando todas as previsões, perspectivas, dicas, comentários, sugestões e indicações, o treino começou no horário marcado. Uma decisão discutível. A pista estava molhada, bem molhada. E a neblina era intensa, bem intensa.
Ok, alguém pode querer alegar falta de segurança. Mas, quer saber? Acho que a atitude foi correta. Uma chuvinha, de vez em quando, não faz mal a ninguém.
Tanto é que o único a fazer lambança foi Ralf, que acertou Yamamoto feito um míssil. Normal, é o Ralf.
No primeiro corte, rodaram Barrichello, Wurz, Davidson, Sutil, Sato e Yamamoto. Ficou feio para o brasileiro...
Lá no outro extremo, o mais rápido foi Massa, 1min25s359, seguido por Alonso, 1min25s379. Raikkonen ficou em terceiro. E Hamilton fechou o G4.
O segundo bloco já foi mais tranqüilo, com menos spray, menos escapadelas. Os cinco cortados, Ralf (que não conseguiu levar os restos do seu carro para os boxes), Liuzzi, Trulli, Coulthard, Kovalainen e Fisichella.
E a McLaren mostrou serviço. Hamilton fez o melhor tempo, 1min24s753, 0s053 melhor que Alonso. Raikkonen foi o terceiro, com Massa em quarto. Classificaram-se para a superpole, ainda, Heidfeld, Button (xiii, ficou ainda pior para Barrichello), Kubica, Webber, Rosberg e Vettel (aplausos para ele).
O Q3 começou com Alonso colocando tempo na turma, 1min25s596. Raikkonen chegou perto, a 0s039, com Hamilton em terceiro e Massa em quarto.
O ritmo foi ficando cada vez mais apertado, com todos melhorando os tempos, como de hábito. Raikkonen escapou, voltou ileso para a pista. Alonso, idem.
Veio a hora da decisão. Na última tentativa, Raikkonen melhorou, mas não o suficiente para conseguir a pole. Alonso ficou na mesma, 1min25s438.
Hamilton, então, voou: 1min25s368, cravando a pole. Era a última volta, a última chance, mas ele não tremeu. Foi impecável. Muito bom, sensacional, esse garoto.
Massa, apagado, larga só em quarto. Atrás dele, Heidfeld e Button. É, ficou péssimo para Barrichello.
Primeira fila toda da McLaren, numa largada com previsão de pista molhada?
Sim, estou pensando o mesmo que você. O resto do mundo, Ron Dennis e os dois ferraristas também, pode acreditar.
Vão tentar começar o treino às 2h. Se não houver condições, vão ficar adiando, adiando, adiando até o limite da luz natural.
Caso não seja possível definir o grid hoje, haverá uma sessão livre de 15 minutos, amanhã, às 9h locais (21h de sábado, horário de Brasília). E o treino oficial acontecerá às 10h de lá, 22h de cá.
Faltando 25 minutos para o início do treino oficial, a situação em Fuji é crítica. A visibilidade piorou ainda mais e dificilmente o treino acontecerá ainda hoje.
A FIA ainda não confirmou oficialmente, mas, por lá, a conversa é que os comissários esperarão até as 15h30 locais, 3h30 de Brasília.
Se as condições não melhorarem, provavelmente o treino oficial será marcado para amanhã de manhã, noite de sábado no Brasil, a exemplo do que aconteceu em Suzuka-2004.
As fotos abaixo foram tiradas minutos atrás pela Tatiana Cunha.
Alonso, hoje: "Em Spa, nós não batemos. E acho que nunca vamos bater um no outro. Estamos lutando pelo campeonato, mas ao mesmo tempo somos inteligentes e vamos tentar terminar as corridas. Num choque, a gente nunca sabe quem vai levar a pior. Não podemos assumir esse risco."
Hamilton, logo depois: "Eu só tento ser um piloto honesto. E, nesta corrida, vou tentar superá-lo, porque sei que isso vai machucar mais do que mandá-lo para o muro. Podendo, não vou deixar nenhum espaço para ele. Simples assim."
Aqui, Tatiana Cunha mata a cobra e mostra o pau. Ou o morro.
Não disse que o primeiro dia de treinos teve tempo bom e céu claro? Pois aí está a prova: ele, o Monte Fuji, em foto tirada pela enviada especial da Folha de dentro do ônibus que leva os jornalistas do hotel para a pista.
Lindo, não?
Mas acho que Alonso não está conseguindo muito curtir a paisagem...
Pois é, Hamilton jogou ainda mais gasolina na fogueira.
À BBC, disse que tem a preferência dos mecânicos da McLaren na reta final da disputa pelo título.
“Depois que o problema [o silêncio entre Dennis e Alonso] veio a público, as pessoas na equipe entenderam quem é quem. E perceberam quem devem apoiar. Fernando não é a pessoa que eu imaginei que fosse, mas essas coisas acontecem. Quando você está num trabalho em que se relaciona com muita gente, você tenta fazer o melhor possível para mostrar a todos que merece apoio. No começo, ele era o alvo das atenções. Mas eu mudei isso, conquistei esse respeito da equipe. Eu sempre quis vencer, sim, mas de uma maneira justa. Nunca me aproximei a ninguém do time para pedir um equipamento melhor. Não gostaria de ganhar dessa forma.”
Mas lá no fim, bem no fim do túnel, Massa enxerga um pontinho de luz.
E, por isso, vive uma situação delicada neste fim de semana. Em tese, precisa ajudar Raikkonen. Na prática, suas chances podem crescer vertiginosamente, de uma hora pra outra, se Alonso e Hamilton se enroscarem _o que não é nada impossível.
Enfim, precisa ajudar, pero no mucho. Uma dose errada de submissão, e a oportunidade única de virar o jogo vai para o ralo.
Este é o tema da coluna de hoje na Folha. O link, aqui, para assinantes do jornal e do UOL.
Já virou rotina neste fim de temporada: na sexta-feira, a Ferrari domina um treino (o primeiro ou o segundo), a McLaren comanda outro (o primeiro ou o segundo).
Mais lento do G4 na primeira sessão em Monte Fuji, Hamilton foi o mais rápido na segunda tomada de tempos: 1min18s734. Colocou 0s214 sobre Alonso, o segundo.
Massa foi o terceiro, com 1min19s483, a 0s749 do inglês. E, sim, aqui há uma notícia: a diferença foi grande, preocupante para os italianos. Trulli fez valer o conhecimento da Toyota do seu circuito e foi o quarto. Raikkonen fechou em quinto, seguido pelos Renault de Kovalainen e Fisichella.
Rosberg? A alegria durou pouco. Foi só o 13º, com a informação de que terá de trocar de motor amanhã, antes do treino oficial. Game over, portanto.
Barrichello fez o 17º tempo, três postos atrás de Button.
Ainda acredito na Ferrari. Mas com um treino classificatório mais apertado do que eu imaginava. E você?
Vinha dando Massa, Massa, Massa... Até que, no final, deu Raikkonen.
Nos últimos minutos do primeiro treino livre em Monte Fuji, o finlandês cravou 1min19s119 e tomou do brasileiro a primeira colocação. A diferença entre os dois, 0s379.
Alonso foi o terceiro, a 0s548. Hamilton, o quarto, a 0s688.
Rosberg, o piloto que mais cresceu na segunda metade da temporada, foi o quinto, seguido por Kubica. Depois, na seqüência, Wurz, Trulli e, vejam só, Sutil _talvez, o segundo piloto que mais evoluiu.
Barrichello foi bem: 11º, oito posições à frente de Button.
Um início tranqüilo em Fuji, sem pancões, sem escapadas, sem grandes sustos.
A Ferrari está com essa bola toda?
Eu acho que está. Foi o que vimos em Spa, e o traçado de Fuji guarda algumas semelhanças com a pista belga.
Abaixo, o capacete que Coulthard usará neste fim de semana, em homenagem ao amigo McRae, morto num acidente de helicóptero.
Ok, a intenção é bonita e já foi elogiada por aqui. Mas estou maluco ou não tem mesmo nada a ver com o desenho usado pelo campeão de rali?
O desenho adotado não é o de Coulthard, mas também não é o de McRae. Parece-me mais uma edição especial, meio de luto, para a ocasião. Sinceramente, não entendi a escolha.
Massa claramente ficou irritado com os rumores sobre uma transferência para a Toyota.
“Isso tudo é uma maluquice. Eu tenho um contrato, que ainda não terminou. Só termina no ano que vem. Mas fiquei interessado com essa história de que viram meu empresário no motorhome da Toyota em Spa. Todo mundo diz que viu. Mas ele não esteve lá. Nem eu, nunca fui ao motorhome da Toyota. Quando você tem um contrato que só termina no ano seguinte, por que conversaria com outra equipe? Estou feliz na Ferrari e quero encerrar minha carreira na Ferrari.”
Duas considerações:
1. Indignação com boatos adianta pouco na F-1. Adianta nada, na verdade. Os rumores são intrínsecos à categoria, é algo histórico. Muitas coisas começam como boatos e terminam como verdades. Outras caem no ridículo e viram folclore. Bom humor, também nessas situações, parece ser a melhor saída. Barrichello é um que sempre se irritou com qualquer conversa sobre o mercado. Que Massa não entre nessa onda;
2. Além do bom humor, há duas maneiras de abafar a história, seja ela verdadeira ou não. A primeira é terminar o Mundial à frente de Raikkonen. A segunda, caso o pensamento da Ferrari seja diferente, é deixar bem claro ao mundo que, pelo bem de todos e felicidade geral da nação ferrarista, vai atuar como escudeiro do finlandês nos últimos três GPs. Isso ele já começou a fazer em Spa. E reforçou hoje. "Trabalho para a equipe. E se não tenho chances, com certeza vou ajudar a equipe, qualquer que seja o campeonato em disputa."
Você, como Raikkonen, não tem idéia de como é o traçado de Monte Fuji?
Bom, não há fonte melhor do que o site oficial do circuito. O mapinha está aqui.
Aliás, a coisa mais bacana no site oficial é a ilustração abaixo.
Vejamos... Um piloto de cabelo preto e olhos grandes, um macaquinho no ombro, uma garota bonita ao lado. Alguma semelhança?
Para terminar a sessão "conheça Fuji", que tal um vídeo? Esse aqui é da reinauguração do circuito, em 2005, com a participação de Hermann Tilke, sempre ele.
Ok, tá em japonês. Mas dá pra ter uma idéia do traçado, curva a curva... A dica foi do Felipe Maciel, do Blog F-1.
Um dia antes do normal, porque, afinal, a corrida é quase no sábado, segue a programação para o GP do Japão, nos horários de Brasília. Prepare o despertador e a cafeteira...
Com atraso (o dia ontem foi bem corrido), está aqui o link para o Pit Stop desta semana.
Logo na abertura do programa, o assunto principal, que vem agitando os bastidores da F-1 nos últimos dias: os destinos de Alonso e Massa em 2008. Mas também falamos bastante de MotoGP e da Stock.
Concorda com alguma coisa? Discorda de tudo? Nem lá nem cá? Comente!
O “News of the World”, tablóide britânico que “informa” que a Ferrari está disposta a pagar US$ 40 milhões para ter Alonso em 2008, é daqueles que vira-e-mexe encontra ETs no centro de Londres e que garante que Elvis está vivo e morando na Jamaica.
Na edição de hoje, por exemplo, o diário destaca o relato da modelo Amii Grove, ex-namorada de Jermaine Pennant, jogador do Liverpool. Ela conta, veja que singelo, que o rapaz gostava de soltar o grito do Tarzan enquanto transava.
A manchete é uma suposta reportagem em que um ex-guarda-costas da Britney Spears “conta tudo” sobre a garota...
Enfim, não dá para levar a sério.
O que não quer dizer que o interesse da Ferrari não exista. Acho que existe, até. Mas não com base no “News of the World”.
A imprensa britânica noticia hoje que Stepney está preparando uma autobiografia contando sua versão do mais escabroso caso de espionagem da história da F-1.
“Ele pretende contar ali toda a sua vida, dentro de fora da F-1, além de um relato profundo do recente ‘Stepneygate’”, disse a editora Lorie Coffey. “Ele não teve a oportunidade de dar sua versão dos fatos e é isso o que quer fazer. Nigel não está fazendo isso por dinheiro.”
O título provisório do livro, “Red Mist”, algo como “Névoa vermelha”.
Bom... Concordando ou não, será leitura obrigatória para quem, um dia, quiser entender melhor esse tumultuado campeonato de 2007.
Em entrevista à “Gazzetta dello Sport”, Mosley admitiu que não estava dando muita importância à troca de e-mails entre Alonso e De la Rosa até ser alertado por Ecclestone.
Sim, o manda-chuva da FOM também tinha os e-mails.
“Não sei quem os repassou para ele, mas tenho uma suspeita”, disse Mosley.
Dennis? Alonso?
Isso, agora, é o de menos. A guerra já está deflagrada.
O importante dessa história é o exemplo que ela dá da astúcia de Ecclestone. E, principalmente, da moleza e da subserviência de Mosley.
O GP do Japão, o título de Stoner e a definição dos dez classificados para os playoffs da Stock Car serão os três principais assuntos do Pit Stop de hoje, a partir das 14h30, ao vivo, aqui.
Para mandar sua pergunta, comentário ou sugestão ou tudo junto ao mesmo tempo, o e-mail é o uolnewsformula1@uol.com.br
Após o GP da Bélgica, critiquei a falta de sensibilidade da F-1, que não fez uma homenagem digna a McRae.
Pois Coulthard, o último gentleman da categoria, resolveu dar um jeito nisso: vai correr em Monte Fuji com o capacete do compatriota, seu grande amigo.
Ok, vai ser difícil, mas vou tentar não zoar Coulthard neste fim de semana.
Bom, era ele que estava sentado lá, menos de três meses depois de quase (quase mesmo) morrer em Nurburgring. O austríaco pode ser acusado de tudo, menos de amarelão. Por muito menos, vários teriam abandonado a carreira. Não, não dá para recriminar nem criticar nem colocar em dúvida sua atitude.
Nunca estive lá. No máximo, vi a montanha-símbolo do país pela janelinha do avião. Não dá pra errar, é aquele ícone que já cansamos de ver por aí, em ilustrações como essa...
O que sei de Monte Fuji?
Que recebeu duas vezes a F-1, em 76 e 77, e que foi lá que Hunt conquistou seu título debaixo de chuva e neblina após Lauda deixar a prova alegando insegurança, uma decisão que até hoje gera polêmica.
Que é de propriedade da Toyota. Como Suzuka é da Honda. E que fizeram uma bela reforma por lá _bom, não há reforma que impeça a neblina de baixar, portanto fiquemos de olho.
E sei de uma curiosa história sempre contada pelo amigo Reginaldo Leme.
Conta ele que os repórteres do mundo todo ficaram preocupados em 76 quando chegaram a Monte Fuji e não encontraram máquinas de telex na sala de imprensa. Como eles fariam para mandar os textos para os jornais?
A apreensão logo se transformou em surpresa. No lugar do telex, havia máquinas de escrever e algumas outras máquinas diferentes, esquisitas, que ninguém ali nunca havia visto antes.
Eram aparelhos de fax. Os repórteres só tinham de batucar suas reportagens nas máquinas de escrever e, então, funcionários do autódromo as enviavam, por fax, para uma central de telex em Tóquio. Lá, operadoras japonesas digitavam tudo de novo e mandavam para os jornais.
Sim, hoje o fax é um morimbundo, quase aposentado. Mas você lembra quando viu um pela primeira vez e ficou surpreso? Pois é... A F-1 foi um dos laboratórios para aquela "revolução".
Assisti ontem à noite, no Sportv, ao VT da corrida da Stock em Brasília.
Corrida boa, sem dúvida.
Mas com duas grandessíssimas ressalvas.
A primeira, os pneus Pirelli. Que, de novo, mostraram não serem capazes de suportar o ritmo da Stock. Rodrigo Sperafico que o diga.
A experiência com os compostos nacionais não só não funcionou neste ano como foi desastrosa. Já vão tarde. No ano que vem, a Stock terá pneus Goodyear, como noticiou Victor Martins no site Grande Prêmio.
A segunda ressalva, o toque de Hoover em Ingo. Detalhe: a ultrapassagem já estava consumada. Foi como se, após passar, o sul-mato-grossense quisesse dar um recado na base do "não tente me dar o troco, porque vou engrossar".
Ingo, é verdade, parece não ter ligado muito. Depois de uma breve discussão, após os dois pararem os carros, era só sorriso e abraços no pódio. Mas eu liguei. E não gostei, achei desnecessário.
Aniversário de afilhado é sagrado, e eu estava na estrada enquanto a Stock corria em Brasília.
Pelo que li, a corrida foi boa. Lembro de ter visto a prova de Brasília no ano passado, igualmente emocionante. Coincidência ou méritos do traçado?
A vitória foi de Hoover, com Ingo em segundo e Bernoldi em terceiro.
Os dez classificados para o playoff: Cacá Bueno, Ricardo Maurício, Thiago Camilo, Marcos Gomes, Valdeno Brito, Daniel Serra, Felipe Maluhy, Rodrigo Sperafico, Ingo e Hoover.
Alguém apostaria, no início do ano, que Losacco não estaria nesse grupo? Eu não...
Pelo braço, pelo carro e pela experiência, acho que Cacá leva. Mas, sabe-se lá... Esse playoff meio que zera tudo.
Nunca a principal categoria do motociclismo teve um campeão tão jovem.
Sim, Stoner fez história nesta madrugada, em Motegi.
Aos 21 anos, 11 meses e 8 dias de idade, o australiano com cara de moleque conquistou o título da MotoGP.
Foi o sexto colocado na corrida. E conseguiu o que precisava para assegurar a taça com três etapas de antecedência: ficou à frente de Rossi. O italiano fez uma corrida apagada, sofreu com o rendimento dos pneus numa pista que começou úmida e foi secando, e terminou em 13º.
De quebra, Rossi perdeu também a condição de mais jovem campeão da MotoGP. Em 2001, no primeiro dos seus cinco títulos, tinha 22 anos, 8 meses e 18 dias.
Curiosa, a trajetória de Stoner neste ano. Até o ano passado, ele era o “Rolling Stoner”, como gostava de enfatizar, com justiça, o amigo Rodrigo Mattar. Neste ano, porém, colocou a cabeça no lugar. Começou a temporada ganhando uma corrida depois da outra e o que parecia uma coincidência curiosa acabou se tornando um campeonato consistente.
Desde 1998, quando Michael Doohan conquistou o penta, um australiano não comemorava o título.
Mas tenho a impressão que nem Doohan nem Rossi, duas lendas das duas rodas, ficaram chateados. O título de 2007 não poderia ser de mais ninguém. Ficou nas melhores mãos.
Em Brasília, na prova que define os seis últimos classificados para os playoffs da Stock Car, a pole position é de Valdeno Brito, com 59s357, média de 177,03 km/h. Foi o melhor tempo do fim de semana.
Duda Pamplona, com 59s708, sai em segundo, seguido por Antonio Jorge Neto. Pedro Gomes é o quarto. Líder do campeonato, Cacá Bueno sai em quinto.
Fechando os dez primeiros, Rodrigo Sperafico, Ricardo Zonta, Ricardo Sperafico, Hoover Orsi e Marcos Gomes.
A largada será às 10h55 (adoro esses horários quebrados...), com Globo (ah, é por isso).
Luca Bassani/Divulgação
Alan Hellmeister e mais 49 pilotos da Stock, fora os 32 da Stock Light e os 16 da Stock Jr., não seguiram, exatamente, a idéia do Dia Mundial Sem Carro...
Os duelistas do Estoril voltaram a se encontrar em Motegi. Desta vez, pelo menos até agora, com gosto de revanche para o espanhol.
No Japão, a pole, fácil, foi de Pedrosa: 1min45s864, 0s391 de vantagem para Rossi, o segundo. O renascido Hayden sai em terceiro, seguido por De Puniet.
Stoner é o nono. Para ser campeão, ele precisa chegar à frente de Rossi. Ele também levanta a taça caso ambos abandonem.
Sei não... Está com pinta de que o australiano só vai comemorar na etapa seguinte, em casa.
A Spyker, que já foi Jordan, deixará de pertencer a uma fábrica de carros e passará para as mãos de Vijay Mallya, magnata indiano.
Se comemorei a chegada da Spyker, no ano passado, agora choro o fato de o time ser comandado por alguém que não é do ramo.
Em outra palavras, será menos uma equipe de automobilismo e mais um investimento, como ações na bolsa de Nova Delhi ou a compra de aeronaves _Mallya é dono da Kingfisher Airlines.
Enfim, saudades de sujeitos que tinham amor à camisa, uma estirpe cujos últimos sobreviventes são Ron Dennis e Frank Williams.
E uma estirpe de sujeitos como Eddie Jordan e Colin Chapman, que aparecem neste excelente vídeo, sugestão do Bruno Menezes.
Chutado da F-1, Speed seguiu os passos de Montoya e Villeneuve e decidiu correr de stock car nos EUA.
No caso dele, na ARCA, alguns degraus abaixo dos ex-companheiros. Speed estreará em Talladega, no mês que vem, pela Eddie Sharp Racing, com um carro como este abaixo...
Para Speed, sobrenome que hoje soa como uma ácida ironia, está bom demais.
O GrandPrix, já citado aqui várias e várias vezes como o site mais bem informado sobre os bastidores da F-1, traz uma história instigante hoje.
O destino de Alonso em 2008 pode não ser a Renault, mas a Ferrari.
A equipe italiana pagaria a rescisão contratual e correria a próxima temporada com a dupla Alonso-Raikkonen. O piloto de testes seria Luca Filippi, o mais novo protegido da família Todt.
E Massa? Segundo o site, o brasileiro visitou o motorhome da Toyota em Spa.
"Seria uma mudança vantajosa do ponto de vista financeiro, mas que não ajudaria sua carreira de vencedor de GPs", escreve o GrandPrix.
E acabou a última bateria de testes para 2007. Com McLaren na frente.
Em Jerez, De la Rosa foi o mais rápido hoje, 0s039 melhor que Badoer. Nelsinho, único brasileiro na pista e um dos poucos pilotos que treinaram todos os dias, foi o quinto.
Acredite se quiser: São Paulo recebe, desde quarta passada, o 1º Festival de Esculturas de Areia.
São obras dos artistas Gisele, Sérgio e Mauro Prata.
E o que isso tem a ver com o blog?
Bem, primeiro que a exposição, que vai até outubro e tem entrada gratuita, acontece pertinho do autódromo, na avenida Interlagos, 800. Mais detalhes no site Praia em Sampa.
Segundo que uma das esculturas, de autoria de Sérgio Prata, reproduz três carros de F-1 _tem seis metros de extensão, levou cinco dias para ser concluída e consumiu 38 toneladas de areia.
Sei não, mas me parecem mais confiáveis que os Honda...
No segundo dia de testes em Jerez, uma turma mais velha nos carros e o melhor tempo para a McLaren, com De la Rosa, que se concentrou nos pneus para as próximas três corridas.
A FIA divulgou hoje as transcrições das reuniões do Conselho Mundial em 26 de julho e 13 de setembro.
Vai levar tempo para ler tudo. Mas o “highlight”, segundo os sites que já o fizeram, está no depoimento de Ron Dennis, no encontro da semana passada.
Ele revela que desde o GP da Hungria não conversa com Alonso.
“Não estamos nos falando, mas esse não é o problema. Desde a Hungria, não tivemos nenhuma conversa”, diz.
Em outro trecho, o chefe da McLaren classifica sua relação com o espanhol como “fria”.
“Nosso relacionamento sempre foi extremamente frio. Na cabeça do Fernando, há uma forte convicção de que nossa política em relação aos pilotos não reflete sua condição de campeão mundial. Ele acha que sua experiência e conhecimento e o que ele trouxe de outra equipe são tamanhos que ele deveria receber alguma vantagem.”
Dennis fala mais. Fala muito sobre Alonso.
“Naquela discussão na Hungria, ele estava nervoso com o que havia acontecido na véspera, mas não chegou nem perto do meu grau de nervosismo. Quando ele disse que tinha e-mails de um engenheiro da McLaren, eu disse: ‘Chega!’. Eu saí da sala, trouxe Whitmarsh, e Fernando repetiu tudo, na frente de seu manager. Quando ele terminou, perguntei a Martin Whitmarsh o que fazer e ele disse que deveríamos contar tudo para Max. Foi o que fiz quando eles saíram.”
Lendo isso, não imagino como Alonso e Dennis possam continuar juntos em 2008.
Tem a questão da grana, é verdade. Mas será que paga todo esse desgaste?
Testando para a BMW, Glock foi o mais rápido hoje em Jerez, na abertura da última semana de testes da F-1 para 2007.
“Para 2007” em termos. Porque muita gente já foi pra pista testar componentes e soluções para 2008. Ou seja, não dá pra levar o resultado muito a sério.
Para registro, os tempos de hoje:
1º. Glock (BMW), 1min20s606, 71 voltas
2º. Liuzzi (Toro Rosso), 1min21s280, 90 voltas
3º. Boémi (Red Bull), 1min21s309, 59 voltas
4º. Montagny (Toyota), 1min21s555, 72 voltas
5º. De la Rosa (McLaren), 1min21s651, 46 voltas
6º. Piquet (Renault), 1min22s009, 63 voltas
7º. Barrichello (Honda), 1min22s020, 79 voltas
8º. Nakajima (Williams), 1min23s177, 87 voltas
9º. Badoer (Ferrari), 1min23s432, 36 voltas
Pelo visto, não estão experimentado apenas componentes para 2008. Estão testando, também, moleques para 2009, 2010, 2011...
Com uma diferença em relação à maioria dos dopings que vemos por aí. Um atleta normalmente perde a medalha depois de ser flagrado no exame. A McLaren foi flagrada. Mas a disputa continua rolando, com a equipe como competidora.
Foi este o tema central do Pit Stop de hoje. Para assistir, clique aqui.
O “Red Bulletin” de sábado tratou de um velho conhecido nosso. Cornelius Horan. O idiota padre irlandês famoso por ter invadido o GP da Inglaterra de 2003 e a maratona de Atenas, no ano seguinte.
Quis o destino (e meus chefes) que eu estivesse em ambas as ocasiões.
Em Silverstone, lembro, ninguém entendeu nada. Barrichello estava fazendo uma das melhores corridas de sua vida. Sainda na pole, foi superado por Raikkonen e Trulli, mas deu o troco sobre o finlandês numa das grandes ultrapassagens da temporada.
Foi então que, de repente, o maluco apareceu no meio da pista, levando um cartaz com os dizeres “leia a Bíblia, a Bíblia está sempre certa”.
Depois de quase ter sido transformado em migalhas pelo Jaguar de Webber, Horan foi arrancado da pista por um fiscal. O safety car entrou, Barrichello caiu para oitavo, mas, com uma Ferrari nas mãos, conseguiu vencer.
A piada da coincidência foi instantânea. Aquela foi a segunda vitória de Barrichello com, digamos, “intervenção externa”. Ou você não lembra de Robert Sehli, o funcionário da Mercedes que invadiu Hockenheim, em 2000, na histórica primeira vitória de Rubinho?
Bom, em Atenas tudo foi mais agitado. Eu havia acabado de chegar ao MPC, o centro de imprensa, voltando da cobertura do taekwondo _Natália Falavigna caíra na luta pelo bronze_ quando vi, pela TV, que o Vanderlei Cordeiro de Lima estava em primeiro lugar.
Era um azarão, um BMW prestes a vencer um GP. Mas, enfim, ele estava liderando a prova mais nobre dos Jogos. E fui mandado para lá, ao Panathinaiko, para cobrir o troço.
Mas como eu iria para lá? Os ônibus da organização demorariam, e era preciso ter pressa.
Tentava bolar uma solução, correndo para fora do MPC, quando cruzei com Luciano Borges e sua equipe da TV Bandeirantes, e com Alex Müller, então na Rádio Bandeirantes. Todos grandes colegas, todos grandes amigos, todos com a mesma missão. Esprememo-nos então num carro da Band e fomos para lá.
Mas havia um “probleminha”. Por conta da passagem da maratona, grande parte das ruas e avenidas de Atenas estava bloqueada. Tentamos ao máximo nos aproximar do estádio, mas chegou um momento em que tivemos de estacionar o carro e seguir a pé.
Pelo celular, Roberto Dias, coordenador da cobertura da Folha em Atenas, me avisava sobre o desenrolar da prova. “Quilômetro 15, ele continua na frente. “Quilômetro 20. Tudo igual.”
Pelo cálculo, estávamos uns 20 km à frente de Vanderlei e a cerca de 2 km do Panathinaiko. Olhamos um para o outro, a equipe da Band e eu, e não tivemos dúvida. Entramos no percurso e corremos aquele trecho final, até o estádio. Sim, corremos o final da maratona!
Foi das situações mais surreais que já vivi. Mochila com laptop nas costas, sendo saudado e vaiado pelo público, em pleno percurso da maratona de Atenas. Müller, mãos para o alto, ia dando tchau para todo mundo. A equipe da TV, logo atrás, sofria com o peso extra de câmera, tripé, coisa e tal.
(Aliás, Alex, cadê aquelas fotos?)
Assim que entramos no estádio, uma chegada, digamos, não muito apoteótica, recebi a ligação contando da intervenção do padre. Olhamos para o telão, que mostrava o replay a todo instante, e, na hora, veio o clique.
“Cacete, esse cara de novo?”
PS: Em 2005, fui morar em Londres. E descobri que o sujeito morava no mesmo bairro, Bermondsey. Comecei a pensar em perseguição. Mas, não, nunca o encontrei no supermercado, no ônibus ou no pub. Ainda bem.
A McLaren desistiu do apelo contra a punição na Hungria.
Já sabemos, portanto, a decisão dos acionistas do time, que, segundo Ron Dennis, dariam a palavra final sobre o recurso contra a exclusão no Mundial de Construtores.
O autódromo de Pinhais acaba de ser confirmado como sede da etapa de abertura do WTCC em 2008, nos dias 1º e 2 de março.
Serão 12 etapas. Sai Holanda, entram México e Japão. E as corridas portuguesas serão no Estoril, não mais no Porto.
Taí um belo campeonato, com belas corridas, sem a divulgação que merece.
Ah, sim: para quem não sabe, o atual líder do Mundial é brasileiro. Faltando três rodadas duplas para o fim do campeonato, Augusto Farfus tem 69 pontos, um a mais que Andy Priaulx.
Agora, a FIA anuncia que vai divulgar, na quarta-feira, as transcrições completas das audiências do Conselho Mundial no caso de espionagem.
Trocas de e-mail, imagino, em profusão.
Mas há um pequeno "detalhe". Antes de serem divulgadas, as transcrições serão submetidas a Ferrari e McLaren, que poderão suprimir trechos que considerarem confidenciais dos pontos de vista técnico e financeiro.
Em outras palavras, as envolvidas e maiores interessadas no caso editarão o que será mostrado ao público.