Não, hoje não tem coluna na Folha. Estou em férias!
Mas, recebendo a notícia da confirmação de Kovalainen na McLaren, lembrei de uma coluna que escrevi em 2005, em Mônaco, e que tinha o finlandês como um dos personagens.
Segue parte do texto...
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Mônaco é o GP para ver e ser visto, diz uma máxima da F-1. No paddock improvisado no porto, executivos circulam pra lá e pra cá atrás de bons negócios, modelos desfilam ao lado de celebridades na esperança de serem clicadas, pilotos de categorias de base tentam se fazer conhecidos.
Como Heikki Kovalainen. Finlandês, 23 anos, líder da GP2, ele estava ontem em frente à catraca que dá acesso a esse mundo de fantasia. Do lado de fora, junto a torcedores e curiosos, ainda de macacão. E atendia a todos que pediam para serem fotografados ao seu lado, mesmo sabendo que aqueles novos "fãs" muito provavelmente não sabiam seu nome.
Sem credencial para superar a barreira, Kovalainen estava esperando alguém da FIA puxá-lo para o paddock, onde concederia entrevista coletiva por ter conquistado a pole para a corrida de hoje. Assim que a obrigação acabasse, porém, seria escoltado até a saída. E se reuniria aos curiosos.
Um dia talvez essa imagem precise ser resgatada. O finlandês é um dos melhores da safra, ao lado de Scott Speed e Adam Carroll. Já tem contrato com a Renault, deve colocar uma credencial de F-1 no peito em dois anos, e, sei lá, vai que um dia conquista um título...
Ontem, pelo menos, cumpriu seu papel. Foi pra pista num dia de folga para a categoria-mãe, ficou em primeiro lugar no grid, atravessou o paddock -ainda que rapidamente. Foi visto. Mais importante ainda, foi notado.
O que chamou a atenção foi o contraste com cenas registradas pouco antes, por ali mesmo.
Primeiro, Xandinho Negrão, atual campeão da F-3 sul-americana, perdeu o controle do carro na Sainte Devote, bateu, só voltou à pista no final do treino classificatório e ficou fora do limite de 107% para largar hoje.
Logo depois, Nelsinho Piquet, que em 2004 faturou a F-3 inglesa, acertou em cheio o turco Can Artam, que estava lento, esquentando os pneus. Voltou a pé para os boxes, também acima do tempo limite.
Os dois pediram _e conseguiram_ autorização para largar.
Para alcançar a F-1, porém, o buraco é mais embaixo. Nelsinho deve até chegar lá, tem sobrenome famoso, o pai conhece todo mundo, e o rapaz passou a quinta-feira no caminhão da Minardi. Mas o fato é que não há, no cenário, um Kovalainen, um Speed ou um Carroll brasileiros.
Pode ser coincidência. Pode ser resultado do esfacelamento das categorias nacionais de monopostos. Pode ser reflexo do boom dos campeonatos de turismo. Pode ser outro diagnóstico qualquer. Mas o sintoma que começa a se formar é de entressafra.
Barrichello deve correr mais dois ou três anos, se tanto. Massa ainda precisa desencantar. Pizzonia, Zonta e Bernoldi, hoje pilotos de testes, têm mínimas chances de serem promovidos. A disponibilidade de apenas 20 vagas no grid complica ainda mais a situação.
E, assim, ou surge um Guga do volante, um fenômeno espontâneo, um "salvador da pátria" que até agora passou despercebido, ou daqui a alguns anos não haverá um brasileiro no paddock, para ver ou ser visto.
Pelo menos não do lado que interessa da catraca.
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De lá pra cá, algumas coisas mudaram. Um dos meus vaticínios, por exemplo: Speed revelou-se um tremendo fiasco. Quanto a Carroll, mantenho minha opinião _na China, hoje, ele foi o mais rápido no treino da A1 GP; seu problema para continuar na trilha da F-1 foi a falta de dinheiro.
E, a Nelsinho, juntaram-se Bruno e Di Grassi. Mas só. Ainda é muito pouco, até porque Di Grassi acabou de levar um tombo na Renault.
A foto distribuída pela McLaren diz tudo. Vestido de prateado, o garoto estampa um sorriso do tamanho do mundo.
Não é pra menos. Depois de meses e meses de queda-de-braço entre Hamilton e Alonso, permeada pelo mais nojento caso de espionagem da história da F-1, quem se deu melhor?
Nem Hamilton, que terá de se virar pra acertar o carro agora, nem Alonso, que teoricamente está fora da luta pelo título em 2008. Mas o finlandês, confirmado hoje como segundo piloto da McLaren.
Kovalainen começou mal a temporada pela Renault, balançou, quase caiu, mas se recuperou e fechou o campeonato em sétimo lugar, com 30 pontos, 9 a mais que Fisichella.
É um bom nome, um moleque que não vai chegar peitando Hamilton, que trará à McLaren pontos valiosos, que poderá vencer um ou outro GP e com potencial para ser treinado para o futuro.
E que vai passar os próximos meses com aquele sorrisão escancarado.
A Honda elegeu o site da “Autosport” para sair em defesa de Barrichello.
Primeiro, com Fry: “O ano foi difícil para Rubens, mas ele está extremamente em forma. Ele obviamente está treinando muito duro e terá no Ross alguém com quem trabalhou antes e que sabe do que é capaz. Isso o motivou bastante”.
Depois, com Brawn: “Conheço bem Rubens e ele era capaz de pressionar Michael. Algumas vezes, a um ponto em que precisávamos pedir que aliviasse, como vocês bem lembram. Com o equipamento correto, ele pode vencer corridas. Então, se falharmos, a culpa não será dele”.
Um incremento de € 30 milhões no orçamento foi uma das iscas da Renault para fisgar Alonso. Que, convenhamos, estava facinho, facinho...
Segundo Briatore à “Gazzetta dello Sport”, o objetivo é voltar a ganhar corridas em 2008 e entrar pra valer na luta pelo título em 2009.
“Alonso é um piloto que comete menos erros do que Schumacher”, disse o italiano ao jornal.
É o que de mais empolgante circula hoje na F-1. Com a definição de Alonso e a demora da McLaren em agir, as notícias vão rarear nos próximos dias. Como diria o coelho, “é só, pessoal”.
Ah, sim... Faz certo barulho também a notícia de que uma ex-empregada doméstica de Ralf e Cora ganhou uma ação trabalhista contra o casal. O valor, € 14.000. Fim de feira.
E não é que flagraram o apressado Schumacher no aeroporto de Coburg, logo após deixar o volante do táxi? Apesar da pressa, ele teve tempo de distribuir alguns autógrafos.
Pedem que eu comente história que estava ontem nos sites e que estampa os jornais de hoje.
Que é a seguinte: Schumacher, que mora na Suíça, foi com a família a uma cidadezinha na Alemanha buscar um cachorro (??!!). Eles se atrasaram e, quando chamou um táxi para retornar ao aeroporto de Coburg, Schumacher estava temeroso de perder o vôo.
A solução? Pediu licença ao taxista, Tuncer Yilmaz (deve ser turco), e assumiu o volante do Opel Vivaro (velocidade máxima, 163 km/h). Resultado: a família Schumacher entrou no avião e o taxista ganhou um causo para contar pelo resto da vida.
Entendo Schumacher. E acho que quem já passou por situação parecida (atraso para um vôo + taxista lerdo no volante) também entende.
Nos anos seguindo a F-1, colecionei algumas histórias com taxistas. E a mais marcante é bem menos engraçada que a do alemão.
Você já foi à Hungria? Se você foi, sabe do que estou falando. O cumprimento do direito de ir e vir, na Hungria, é complicado para um forasteiro.
Por anos, alugávamos carros, como fazíamos em todos os países. Até que os policias húngaros adotaram como parte do ganha-pão a rotina de achacar turistas.
Identificar um carro alugado é fácil. Mais ainda na Hungria, onde as locadoras fazem o favor (coincidência ou conluio?) de colar enormes adesivos nos veículos. Pronto. É a senha para você ser parado. E uma vez parado, amigo, pode começar a separar os euros.
A praxe é a seguinte: o policial pede seu passaporte, você entrega, ele cobra uma “multa” de €100 para devolver. Não, você não precisa ter feito nada errado. E não, não adianta argumentar com um policial corrupto húngaro. É melhor pagar a multa e ir embora.
Uma vez, fomos parados, Flávio Gomes e eu, por policiais metros após embicarmos numa contramão. Os policiais nos levaram até uma outra rua de Budapeste, atrás do prédio do parlamento (??!!), onde cobraram os € 100. Mais tarde, a explicação: eles chegam ao limite de arrancar as placas de sentido das ruas para induzir os turistas ao erro.
Bem, passamos a deixar os passaportes no hotel e deixamos de alugar carros. E a solução era recorrer aos taxistas. A maioria com índole semelhante às desses policiais.
(Sim, há exceções. Como o Átila, sujeito boa-praça indicado pelo recepcionista do hotel e que sempre aparecia minutos após o toque no celular. Se você for a Budapeste, procure por ele no hotel Pólus. Mas não, não fique no Pólus, que é uma porcaria.)
Em 2005, saindo do circuito na sexta-feira, não tive outra opção a não ser recorrer ao ponto de táxi montado diante do portão principal. Entrei no primeiro carro parado e pedi ao ogro que estava no volante que me levasse ao hotel Pólus _sim, sei que eu disse que é uma porcaria, e é mesmo, mas é barato e é a espelunca mais próxima de Hungaroring.
Assim que o carro começou a percorrer a Bernie Avenue (??!!), percebi que o taxímetro estava desligado e alertei o motorista para tão inusitado fato. Ao que ele me respondeu: “Fixed price.”
Não lembro o valor, mas, sei lá, chutemos 20.000 forints, cerca de € 80, para uma distância de 7 ou 8 km. Detalhe: no dia anterior, eu havia cruzado Budapeste, vindo do aeroporto, por metade do preço.
Pois é. Alertei o motorista, mais uma vez, para tão inusitada incongruência. Ao que ele me respondeu: “Fixed price, fixed price, fixed price”.
Começamos a discutir, digamos, num tom mais elevado. E então ele pegou a autoestrada para Budapeste _o hotel fica no meio do caminho. Foi demais para um fim de dia carregado, cheio de trabalho. Vendo que ele não desistiria de cobrar aquele valor e que aquilo me causaria problemas na chegada ao hotel, perdi a cabeça. Com o carro em movimento, em plena rodovia, puxei o freio de mão, destravei a porta e saí.
Aí, foi a vez de o sujeito ficar enfurecido. Mostrando que sabia mais inglês do que o quase-mantra “fixed price”, ele disse que chamaria a polícia, eu falei para chamar mesmo e assim ficamos por alguns minutos.
Até que ele se acalmou e me perguntou: “Quanto você quer pagar?”.
Acertamos um valor, acho que 5.000 forints, e aí, incrivelmente, voltei para o carro. “Pronto, agora esse cara vai me levar pruma biboca, me matar e desovar o corpo no Danúbio. Pelo menos será um apodrecimento glamuroso”, pensei, passados alguns metros de estrada.
Mas, não. Levou-me direto e reto para o hotel e ainda esperou que eu trocasse o dinheiro no McDonald’s _achei mais prudente não entregar a ele uma nota de 10.000, esperando troco.
No dia seguinte, pedi carona a um colega japonês, que estava hospedado em Budapeste mas que topou me deixar no Pólus, no meio do caminho.
Adivinha o que aconteceu? Pois é, assim que me deixou, no retorno para a autoestrada, foi parado pela polícia...
Qual é a duração do contrato entre Alonso e a Renault?
Eis uma ótima pergunta. Escolha a resposta que mais te agradar.
Para a agência alemã DPA, que cita uma “fonte na equipe”, e para o “Marca”, dois anos. Para a “Auto, Motor und Sport”, o contrato é de três anos, rendendo US$ 147 milhões ao espanhol.
Na Inglaterra, “Times” e “Independent” também cravam três anos, mas o “Daily Mail” fala numa cláusula que pode devolver o piloto ao mercado já em 2009.
O “Mundo Desportivo”, da Espanha, escreve que o acordo é de um ano. O “As” concorda, mas cita cláusulas de renovação automática de ambos os lados, dependendo do desempenho em 2008.
Meu palpite? Um ano, com cláusula de renovação. Se Alonso atingir uma determinada pontuação, fica em 2009. Se ficar aquém desse “x”, tem a opção de sair.
O Pit Stop de hoje foi dos mais esclarecedores, com um bate-papo com Chico Rosa, administrador de Interlagos, sobre o acidente que matou Rafael Sperafico.
Chico bate na tecla de que a FIA nunca fez nenhuma restrição à Curva do Café ou à barreira de pneus naquele local. Mas deixa no ar a possibilidade de mudanças.
O programa também falou sobre Nelsinho e Alonso e respondeu às perguntas dos internautas.
Os promotores de Cingapura anunciaram hoje a programação para o primeiro GP noturno da história. A corrida vai começar às 20h locais. Em Brasília, pelas minhas contas, serão 9h.
Uma empresa italiana, Valerio Maioli, foi contratada para cuidar da iluminação do circuito. E alguns detalhes do serviço são curiosos.
As áreas de escape, por exemplo, terão iluminação diferente, menos intensa, para evitar confundir os pilotos.
É preciso ter cuidado, também, para que nenhum dos holofotes atrapalhe a visão dos pilotos. “Se um piloto rodar, por exemplo, não pode ficar cara a cara com o jato de luz”, informou a empresa no anúncio de hoje.
Os holofotes estarão sempre de um mesmo lado da pista, junto às câmeras de TV, para não prejudicar a geração das imagens. Há, ainda, uma preocupação com os ângulos da incidência de luz, para tentar minimizar as sombras no asfalto.
A corrida vai acontecer no dia 28 de setembro. Para quem não lembra ou para quem é novo no pedaço, vale a pena ver algumas fotos de trechos do circuito, publicadas aqui em abril.
A Folha publica hoje uma história emblemática, de autoria do repórter Rogério Pagnan, sobre a mania de parlamentares de agir como “otoridades” e de ver os demais como cidadãos de segunda (ou terceira ou quarta) classe.
Em São Paulo, 54 vereadores decidiram alocar seus carros como sendo da presidência da Câmara. Assim, os veículos ganham placas diferenciadas _pretas, com o número do gabinete_ e escapam do rodízio. A íntegra está aqui, para assinantes da Folha e do UOL.
A cereja (podre) no bolo (estragado) é a declaração de Adilson Amadeu, do PTB: “Isso perto dos 5,7 milhões de veículos é um pingo no oceano”.
Será que foi essa a educação que ele deu pros filhos dele? O pior é que imagino que sim...
No anúncio de hoje, Briatore referiu-se a Alonso como alguém que “já mostrou suas habilidades como piloto e como líder”. Nelsinho, para ele, é um dos “jovens talentos mais promissores do automobilismo”.
Alonso declarou estar confiante de que a Renault produzirá um carro competitivo em 2008 para voltar ao topo. Nelsinho agradeceu a chance e disse que quer aprender ao lado do espanhol.
Papéis bem definidos, portanto. Como era de se esperar.
Nelsinho não é Hamilton, mas é claro que, depois da experiência deste ano, Alonso tomou todas as precauções na hora de assinar a papelada.
Escrevi, abaixo, que o ano será difícil para os dois. Sim.
Para Alonso, porque caberá a ele recolocar a Renault onde a havia deixado, no fim de 2006. E não será fácil, porque o carro deste ano era bem ruinzinho. Será uma prova de fogo.
Para Nelsinho, porque ele terá que controlar o ímpeto em algumas oportunidades. A Renault é uma porta sensacional para um estreante. Desde Emerson na Lotus, em 1970, um brasileiro não estreava por uma equipe tão boa. Mas ele terá de seguir a cartilha e ter na cabeça o tempo todo que neste ano tudo é para Alonso. Situação bem diferente da que viveu até agora, sempre em equipes bancadas pelo pai.
Nelsinho é bom piloto, mas nunca me encantou nas pistas. Terá agora, numa excelente escola, mais uma chance de evoluir. Que a aproveite.
Ah, sim: má notícia para Lucas Di Grassi, o piloto de testes será Romain Grosjean, campeão europeu de F-3. Ele nasceu na Suíça, mas tem nacionalidade francesa.
Alonso e Nelsinho correrão na Renault em 2008, como até os parafusos de Viry-Châtillon sabiam _e é engraçado ver por aí como tem gente aqui e lá fora se auto-proclamando autor do furo de reportagem.
Por enquanto, discursos afáveis, agradecimentos de todos os lados, promessas de um ano bom.
Dia corrido, mais tarde coloco aqui uma análise mais aprofundada. Por ora, o que me vem à cabeça: vai ser um ano difícil. Para os dois.
É incrível a volúpia de alguns analistas e pseudo-analistas para apontar, já, culpados no caso da morte de Rafael Sperafico.
É o muro, é a curva, são os pneus, é o amadorismo da categoria, é a gaiola. Tem gente aproveitando-se da tragédia para desovar antigas teses pessoais na esperança, enfim, que elas deixem o pó das gavetas. Impressionante.
Naquele ângulo, qualquer um morreria, num carro da Stock Light, da Stock, da IRL, da F-1. Simples assim. Infelizmente, aconteceu daquele jeito.
Da última vez que contei, eram dez os Sperafico espalhados pelo mundo correndo de alguma coisa.
Sperafico. Uma família de Toledo, no Oeste do Paraná, que caiu em paixão pelo automobilismo no início dos 70, quando o patriarca, Dilso, fez sucesso na Divisão 3 e chegou a correr de Super Vê com nomes como Nelson Piquet e Alex Dias Ribeiro.
Sperafico. Uma família, primos, irmãos, filhos e tios, que decidiu então se dedicar ao automobilismo, viver o automobilismo, respirar o automobilismo.
E que quase chegou ao ápice, a F-1, quando Rodrigo e Ricardo correram na F-3000.
Mas era a hora errada. Para a categoria e para os gêmeos. Que voltaram para o Brasil. E hoje, domingo, Rodrigo alcançou sua maior conquista, o vice-campeonato da Stock, colocando-se seriamente no páreo para o título do ano que vem.
Uma alegria para a família.
Seguida pouco depois pela maior das tristezas. A morte de Rafael Sperafico, 27, piloto que correu nos EUA, que tentava um recomeço na Stock Light e que não resistiu a uma batida forte na Junção, na quinta volta da última etapa do campeonato.
Automobilismo tem dessas coisas. Não é o caso, agora, de buscar culpados ou de lançar conclusões. Por mais frio que isso pareça, repito, automobilismo tem dessas coisas, infelizmente é assim. A morte é inerente ao esporte a motor. E uma família que se confunde com a história do automobilismo brasileiro sabe disso.
É o caso, por ora, de lamentar. Lamentar o fim da vida de alguém que, afinal, só queria sentir o vento na cara, as curvas passando rapidamente, as retas desaparecendo sob o carro.
Em Interlagos, vitória de Marcos Gomes. Valdeno Brito foi o segundo colocado, seguido por Antonio Jorge Neto.
Rodrigo Sperafico foi o quarto e conquistou o vice-campeonato.
A corrida, o mesmo de sempre. Algumas batidas estúpidas, algumas reações destemperadas, mas, no geral, uma boa competição.
Agora é 2008, com um grid mais seletivo, pneus novos e uma geração que já amadureceu (os Sperafico, Marcos Gomes, Maurício, Brito) a ponto de desafiar aqueles que venceram nos últimos anos. Tem tudo pra melhorar.
Ali e acolá começam a pipocar histórias sobre De la Rosa como companheiro de Hamilton em 2007.
A origem, o “Daily Mail”. Segundo o jornal inglês, o veterano passou à frente de Kovalainen e Paffett na luta pela vaga. O motivo, o Santander, que chegou à equipe por causa de Alonso, claro, e que pede (ou exige) um piloto espanhol em 2008.
Pode ser. Pode não ser.
Por critérios técnicos, não seria nunca. Entre apostar num piloto em crescimento (Kovalainen), numa incógnita (Paffett) ou num que é sabidamente mediano (De la Rosa), a última opção parece-me a menos inteligente.
Fábio Seixas, 34, é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo com mestrado em Administração Esportiva pela London Metropolitan University, da Inglaterra.