O tal Grosjean parece ser bom. Muito bom. Largando em oitavo hoje em Dubai, conseguiu a segunda vitória em duas etapas da GP2 asiática.
Pelo que li por aí, o francês com cara de moleque, novo piloto de testes da Renault, fez algumas belas ultrapassagens. E contou também com a sorte _e não há mal nenhum nisso, pelo contrário.
Bruno, que saiu em sétimo, viveu o oposto disso tudo. Enfrentou super-aquecimento do motor quando ia para o grid, envolveu-se num acidente no começo da prova e, no final, teve um pneu furado num toque com Valsecchi.
Valério foi o quinto. Nunes não passou da primeira volta.
Com o resultado, Grosjean tem agora 19 pontos no campeonato. Bruno é o vice-líder, com 9.
“É uma diferença considerável, mas o calendário ainda está no início. Teremos mais oito corridas e ainda dá tempo para descontar”, disse o brasileiro.
A próxima rodada dupla será nos dias 15 e 16 de fevereiro em Sentul, na Indonésia.
A foto abaixo foi enviada pelo Otávio de Almeida, com o seguinte comentário: "Na base das comemorações do aniversário de São Paulo, o Geoportal disponibilizou o primeiro levantamento aéreo da cidade. Acessando a página, o primeiro marco que pude notar, foi o aeroporto de Congonhas. Depois, saí à caça de Interlagos, que não foi muito difícil de achar..."
É interessante notar que não há quase nada ao redor do autódromo. Interlagos, naquela época, era quase outra cidade. Meus avós, por exemplo, tinham chácara por lá...
Acho que já escrevi isso aqui, mas não custa repetir: o projeto para toda aquela área era um primor.
O engenheiro inglês Louis Sanson, da Companhia Auto-Estradas SA, bolou um belíssimo plano urbanístico ligando Congonhas à região de Santo Amaro, que compreendia a Cidade Satélite de Interlagos, com hotel, igreja e autódromo e áreas planejadas para uso residencial, comercial e industrial.
"O trajeto total tinha 14 quilômetros, começando na Avenida Brigadeiro Luís Antônio até o pedágio na Vila Sophia, próximo à Chácara Flora, seguindo uma variante para a represa", escreve o livro Guarapiranga, Recuperação Urbana e Ambiental no Município de São Paulo, num trecho que encontrei aqui.
Tudo foi pro beleléu quando proibiram os cassinos no Brasil _na represa, estava sendo erguido um cassino que pagaria os investimentos da empreiteira com o projeto. Até hoje existe uma carcaça de prédio por lá.
Enfim, o pouco que resta de belo em Congonhas, na 23 de Maio e na Washington Luís é fruto dessa história. E Interlagos, o bairro todo e seu entorno, nem de longe se aproxima do sonho de Sanson. Infelizmente.
Romain Grosjean, 21, novo menino dos olhos da Renault, venceu a prova inaugural da GP2 asiática, hoje, em Dubai.
Foi de ponta a ponta. O francês (nascido em Genebra!), campeão da F-3 européia em 2007 e novo piloto de testes de Briatore, largou na pole e não teve problemas para manter a liderança.
Bruno, que largou em segundo e terminou em segundo, precisou se preocupar com outro adversário, o espanhol Andy Soucek, e não teve chances de partir para o bote em Grosjean.
Terceiro no grid, Soucek passou o brasileiro na largada. O troco só foi dado no fim da prova, quando Grosjean já era inalcançável.
"Eu era mais rápido que o Soucek, mas é difícil ultrapassar nesta pista e nas retas, por causa da relação de marchas, ele escapava. Se eu tivesse me livrado antes do Soucek, aí sim poderia ter encostado no Grosjean”, explicou Bruno, no comunicado enviado à imprensa.
Alberto Valério foi o 10º. Diego Nunes terminou em 13º.
Sutton Images
Os sorridentes Bruno, Grosjean e Soucek recebem seus troféus em Dubai
Não, não é coincidência. Antes supercontrolado pela McLaren, Raikkonen está livre, leve e solto na Ferrari. Na McLaren, ele era o “pé-frio”. Na Ferrari, é o campeão do mundo e o piloto que liderou três das seis sessões de testes coletivos até agora.
Este, o tema da coluna de hoje, aqui, para assinantes da Folha e do UOL.
(Aliás, a partir da semana que vem a coluna será publicada aos sábados e vou precisar mudar o nome deste post. Sugestões?)
Por apenas 0s017, Raikkonen foi o mais rápido do último dia da segunda bateria de testes para valer deste ano.
O finlandês completou 88 voltas, uma a menos que Kovalainen, o segundo, um dos expoentes da semana em Valência.
Massa foi o terceiro, com 96 voltas. Piquet, que chegou a interromper o treino com uma rodada, ficou em 12º, com 89 voltas.
Taí outro ponto que chamou a atenção: todo mundo andou muitíssimo hoje. Como Valencia tem 4005 m, Nakajima, o que mais andou, completou 464,6 km, mais do que um GP e meio.
Aliás, o japonês foi o quarto. Quando os bons resultados começar a ficar tão freqüentes, não há como não reconhecer que o carro é bom.
A BMW? Por enquanto anda murcha, murcha, com seu festival de asinhas e chifres.
Começa amanhã, em Dubai, o primeiro campeonato bacana de 2008, a GP2 Asia Series.
Será a primeira edição. Foi uma maneira que Ecclestone encontrou de 1) difundir o automobilismo na Ásia e no Oriente Médio, 2) deixar a molecada em atividade e 3) colocar uma bela grana no bolso, claro.
Serão dez etapas, de amanhã a 12 de abril. Quatro delas, em Dubai. As demais, na Malásia, na Indonésia e no Bahrein.
Abaixo, explicações enviadas pelo sempre competente Márcio Fonseca, que trabalha com Bruno Senna, um dos três brasileiros no campeonato _os outros são Alberto Valério e Diego Nunes:
O formato da disputa obedecerá ao sistema do campeonato internacional. Amanhã, às 8 horas locais (seis horas à frente do horário de Brasília), os 26 pilotos entrarão na pista para 30 minutos de ensaios livres. A tomada classificatória, novamente em meia hora, será realizada das 11 às 11h30. A largada para a primeira bateria está marcada para as 13h30, com duração de 42 voltas.
Sábado, às 13 horas, os oito melhores da prova da véspera sairão em posições invertidas para as 28 voltas da corrida de fechamento do programa. A parte técnica, no entanto, sofreu alterações.
Os carros são os mesmos utilizados na Fórmula GP2 de 2005 até 2007 e que serão substituídos por uma nova geração a partir de 2008 na série principal. Os motores tiveram a potência reduzida de 600 para 500 cavalos, a fim de facilitar a adaptação dos novatos.
A lista de participantes é a seguinte:
iSport International Bruno Senna (Brasil) Karum Chandhok (Índia)
ART GP Romain Grosjean (França) Stephen Jelley (Inglaterra)
Em Valência, Barrichello deu suas primeiras impressões sobre o RA108:
"Ainda não há muito a falar. Mas é claro que você pode dizer que é melhor que o outro, que era tremendamente ruim. Seria difícil fazer um carro pior. Há algumas pequenas questões, como temperatura aqui e ali, esse tipo de detalhe que acontece na estréia de qualquer carro. O sentimento inicial foi bom, não ruim. O grande problema de 2007 era o desequilíbrio de todo o peso do carro na frenagem, e isso parece ter sido resolvido. Vamos ver o que acontece."
Hoje foi a vez de a Honda mostrar seu carro de 2008.
A honra coube a Barrichello, que completou 12 voltas nesta manhã, em Valência, sem problemas.
Ainda há pouco a dizer. De mais notável, o carro pareceu-me mais limpo de penduricalhos aerodinâmicos nas laterais. E leva uma asa dianteira mais tradicional, sem a “ponte” que virou moda nesta pré-temporada.
Nesta semana, o carro continuará assim, todo branco. O layout definitivo será revelado na terça que vem, em Brackley.
Brawn? Sim, com certeza deve haver um dedo dele aqui e ali neste RA108. Mas é sempre bom lembrar que, quando ele chegou, o carro já estava saindo do forno...
Nos anos em que o controle de tração esteve proibido, uma das atividades mais freqüentes do paddock era apontar irregularidade desta ou daquela escuderia.
Era piloto dizendo ter ouvido um barulhinho suspeito no carro da frente, era chefe de equipe acusando uma rival de driblar o regulamento, era jornalista jurando que tal engenheiro conseguiu uma forma de operar o sistema sem que a FIA soubesse.
Uma chatice. Porque jogava, sempre, uma sombra sobre o carro vencedor. Não falhava.
O sistema foi liberado, mas, agora, voltou a ser proibido. E antes mesmo da primeira corrida, o falatório já começou.
Trulli foi o responsável por atirar a primeira pedra. À “Autosprint”, o piloto da Toyota disse que há equipes que estão conseguindo usar a nova centralina padrão, fornecida pela McLaren, para conseguir o efeito de controle de largada. E não se consegue isso sem um controle de tração.
“Não vou dizer nomes, mas acho que alguns times acharam uma maneira de iniciar um procedimento de largada, reduzindo as chances de as rodas patinarem no momento da tração”, disse o italiano. “Não estou dizendo que é trapaça, embora eu já tenha visto informações conflitantes na Toyota. Mas analisando o comportamento de alguns carros em dezembro e agora, posso dizer que há algumas mudanças enormes. E suspeitas.”
A “Autosport” também relata que alguns carros produzem sons diferentes quando sob forte aceleração.
Taí, pode anotar: esse tipo de conversa será uma constante durante toda a temporada
Nenê e seu estafe nunca foram muitos bons em lidar com a imprensa brasileira e, em conseqüência, com o público daqui. Estranho, porque faz parte deste estafe uma assessoria de imprensa. Brasileira.
Daí, o jogador some das quadras com um problema misterioso.
Passam-se dias sem um esclarecimento, o que gera todo tipo de especulação. Até que ele é operado em segredo, no dia 14, e a assessoria surge como que dos céus para dizer que se tratava de um tumor.
O comunicado terminava com a seguinte pérola: “As informações divulgadas pela Assessoria de Imprensa de Nenê são oficiais e vêm de encontro ao compromisso com a verdade de toda a equipe 'Nenê31'.”
Três dias após a cirurgia, a assessoria aparece de novo para divulgar que o tumor era benigno.
Então ontem, cinco dias depois, André Fontenelle, da “Época”, publica reportagem com o médico que retirou o tumor, que atesta: era maligno.
Nenê, tudo indica, vai se recuperar bem. Ficará mais dois, três meses afastado e então voltará ao seu Denver Nuggets, jogando a bola de sempre. O tumor, diz o médico, era pequeno, pouco agressivo e foi retirado num estágio muito inicial, antes que o câncer se espalhasse. Que bom.
Ah, sim: o comunicado anunciando que o tumor era benigno foi apagado do site oficial do atleta.
A Ferrari foi a mais rápida hoje em Valência, mas quem chamou a atenção foi o novo carro da Williams.
Simulando um GP durante a tarde, Rosberg fez o terceiro tempo do dia, superando as McLaren de Kovalainen e De la Rosa.
Blefe? Parece que sim. Mas convém ficar de olho nos próximos dias. Motor, a Williams tem.
Alonso foi apenas o sexto e ainda ficou parado na pista com o motor superaquecido.
Pelo menos, deve ter sentido um prazer em ver a faixa colocada por seus torcedores nas arquibancadas cheias de Valência... O inglês não treinou hoje, mas certamente vai ver essa faixa em algum lugar.
Pivô do mais escandaloso caso de espionagem da história da F-1 (ladrão, num português bem claro), Nigel Stepney arranjou emprego. No automobilismo!
O ex-ferrarista foi contratado pela Gigawave, empresa que instala sistemas de câmeras onboard em várias categorias mundo afora e que correrá com um Aston Martin no FIA GT, como equipe privada.
Stepney deve atuar nas duas frentes.
As adversárias já devem estar comprando cadeados e biombos.
Bia Figueiredo, que neste ano correrá na Indy Pro Series, é a convidada desta semana do Pit Stop. Ela participará por telefone, direto da sede da Sam Schmidt Motorsports, em Indianápolis.
O programa vai ao ar amanhã, ao vivo, às 14h30, aqui.
Agora sim, com fotos melhores, já dá para dar alguns pitacos sobre os novos carros de Williams e Renault.
Começo reforçando algo do último post sobre o dia em Valência: os engenheiros da McLaren devem estar orgulhosos. Lançaram uma tendência, como não se via há algum tempo na F-1. Não com esta força. Com exceção de Ferrari e BMW, todas as equipes apareceram neste 2008 com a "asa-ponte". Ou "boca-de-bagre" como preferem muitos por aqui.
A Renault está mesmo mais sinuosa. Abaixo, fotos do lançamento do R27 e de hoje, em Valência. Repare na base da entrada de ar, junto ao assoalho. O corte parece mais radical. Ah, sim: a asa traseira lembra uma parede, mas isso, a gente sabe, varia de pista pra pista. Em Monza, não será bem assim...
24.jan.2007/AP
Fernando Bustamante/AP
A Williams também trabalhou bem na asa traseira. E está menos quadradona. Olha lá...
A dica é do Ricardo Botto, que escreveu o seguinte no e-mail: "Só para compensar aquele vídeo horroroso daquela figura 'dirigindo' a pobre Ferrari. Isto sim é subida de montanha!!!"
É de arrepiar até aqueles que não gostam de carros.
Confesso que não conhecia este filme, produzido pela Peugeot e vencedor de vários prêmios.
O ano, 1988. As estrelas, Ari Vatanen e um Peugeot 405 T16. A locação, Pikes Peak, nos EUA.
Debaixo de muita neblina, Renault e Williams colocaram hoje seus novos carros na pista de Valência.
A Williams, primeiro. O carro, ostentando uma pintura comemorativa, deu apenas uma volta, Hulkenberg ao volante. Como não conseguir ver um palmo à frente do capacete, voltou aos boxes para esperar as condições melhorarem.
Depois foi a vez de a Renault e Alonso aparecerem. Logo de cara, o que dá para perceber é que mais uma equipe se rendeu à “asa ponte”. E minha primeira impressão é que o carro é ainda mais cheio de ondas que seu antecessor. Saquem só as entradas de ar nas laterais.
Mais tarde, com mais imagens, comentamos melhor...
A semana que começa verá a segunda bateria de testes da F-1 em 2008.
O local, Valência. As novidades, os novos modelos de Williams e Renault.
O que esperar? Da Williams, pouca coisa.
Já a Renault é, para mim, hoje, uma enorme coleção de interrogações.
A equipe faz o shakedown do R28 amanhã, um dia antes de o resto da tropa chegar. O carro de 2007 era tão ruim mesmo? Mas será que não tinha nada de bom? Ou tinha, e a culpa era da dupla Fisichella e Kovalainen? Alonso vai conseguir dar a volta por cima? Nelsinho será capaz de ajudar em algo nesse começo de vida do novo modelo?
Por tudo isso, acho que a Renault será a grande atração dos próximos dias...
E a melhor história automotiva do fim de semana está no "Agora", de autoria de Artur Rodrigues e Diego Padgurschi. Parabéns à dupla.
Fotos Diego Padgurschi/Agora
O fusquinha acima é o último ainda usado pela Polícia Civil de São Paulo. Está alocado na Delegacia de Cartas Precatórias, na rua Estados Unidos, nos Jardins, e, segundo o delegado João Lopes Filho, é o xodó do pedaço.
Seus dias, porém, estão contados. Será trocado por um Gol e seguirá para o Museu da Academia da Polícia.
Fábio Seixas, 34, é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo com mestrado em Administração Esportiva pela London Metropolitan University, da Inglaterra.