"Condeno toda e qualquer invasão de privacidade, independentemente do cargo ou da posição que a pessoa ocupe. Além disso, o caso já é tratado pela Justiça, e o presidente Max Mosley fará os esclarecimentos necessários na assembléia extraordinária da FIA."
A posição do presidente da CBA, Paulo Scaglione, cantada e decantada pela transmissão global do treino classificatório, está na Folha de hoje.
Os créditos são da repórter Tatiana Cunha, que ouviu o mandatário da Confederação Brasileira de Automobilismo.
Scaglione torna-se, assim, o primeiro dirigente de entidade nacional a opinar a favor do presidente da FIA.
Dirigentes da Holanda, da Alemanha, dos EUA e de Israel questionaram a permanência de Mosley após a divulgação das cenas de uma orgia com motivos nazistas pelo tablóide inglês "News of the World".
A coluna de hoje na Folha está aqui, para assinantes do jornal e do UOL.
O tema, claro, a orgia de Mad Max, com direito a uma especulação que me intriga: quem armou para ele?
Segue um trecho:
"Da pessoa com quem conversava, ouvi a terceira possibilidade. E que, para mim, tornou-se já naquele instante a preferida, por vir de quem veio. Uma multa de US$ 100 milhões, diz, seria um bom motivo para tentar arrasar com a carreira de alguém."
Em Sakhir, pole pra Kubica. O quê? Sim, pole pra Kubica. Massa andou na frente o tempo todo, mas, no último instante, a ponta do grid ficou com o polonês.
O treino aconteceu com tempo bom, céu parcialmente nublado, temperatura do ar de 29ºC, com 44ºC no asfalto.
E o susto de Hamilton, ontem, valeu para todos. Cautela foi uma das marcas do treino. Todo mundo evitou atacar as zebras, todo mundo ficou piano, piano...
No primeiro bloco, só Sato parou pelo caminho. Perdeu a traseira e abandonou. Além dele, foram cortados Coulthard, Fisichella, Vettel, Sutil e Davidson. O mais rápido foi Massa, seguido por Trulli e Raikkonen.
Pois é, Vettel e Coulthard...
A segunda parte do treino começou com Massa acelerando forte. Cravou logo 1min31s188, melhor marca do fim de semana, 0s232 que o tempo do segundo treino livre. Kovalainen ficou em segundo, com 1min31s718, seguido por Kubica, Heidfeld, Hamilton, Raikkonen, Trulli, Rosberg, Alonso e Button.
Ficaram na degola Webber, Barrichello, Glock, Nelsinho, Bourdais e Nakajima.
Pois é, Barrichello e Nelsinho...
O terceiro bloco foi mais agitado. Massa tomou um sustinho na primeira volta, não conseguiu o ritmo anterior, mas foi o suficiente para ficar em primeiro, a 0s011 de Kubica.
Todos entraram, trocaram pneus, e então, na segunda volta, Kubica voou. Cravou 1min33s096. Massa ficou em segundo, seguido por Hamilton e Raikkonen.
Pois é, Massa...
E parabéns pra Kubica. A primeira pole é especial. E o polonês é um piloto especial.
Há pilotos que andam bem em determinados circuitos. Sei lá, o estilo de um casa com o estilo do outro e, aí, ninguém segura.
Parece ser o caso de Massa com esta pista de Sakhir.
O brasileiro fez dois belíssimos treinos hoje. No segundo, foi batido por Raikkonen nos últimos minutos, mas não se resignou e cravou uma voltaça, superando o companheiro em 0s907.
Pelo histórico e pelo que a Ferrari fez em Sakhir em fevereiro e nesta sexta-feira, Massa já é o favorito à vitória.
No cronômetro, a McLaren ficou bem atrás. Kovalainen, a 1s332 de Massa. Isso é uma eternidade na F-1. Hamilton, a 1s427. E ainda bateu forte no fim do treino, num erro muito parecido com o de Massa na Malásia _foi pra zebra e perdeu o equilíbrio do carro.
Destaque ainda pro bom treino de Nelsinho, em décimo. Alonso, 12°, tentou a todo custo dar o troco e, no melhor estilo vaca louca, bateu em Sutil.
Barrichello foi mal, 16°, cinco posições atrás de Button.
Massa: "Eu continuo igual. No dia em que eu errar, vou assumir. Em duas corridas, não mudei em nada meu jeito de ser e não vou mudar até o fim da minha carreira".
Barrichello: "Acredito que será um ano como aquele de 2005 da Ferrari, em que você tem as evoluções, mas a certo momento você tem de virar o rosto das pessoas que trabalham no túnel de vento para o ano que vem".
Nelsinho: "Tenho que classificar mais perto do Fernando, sei que tenho potencial para isso". Questionado sobre Mosley, lançou: "I have no comments sobre isso, não posso falar nada, desculpa".
As entrevistas dos três pilotos brasileiros hoje no Bahrein estão no Tazio.
As montadoras bateram pesado em Mosley hoje, no Bahrein.
A Honda disse que a "reputação da F-1 e de seus participantes está sendo prejudicada" e pede uma decisão da FIA.
A Toyota afirmou que reprova qualquer comportamento que possa ser entendido como racista ou anti-semita e também coloca a decisão nas mãos da FIA.
A pancada mais forte, porém, veio de um comunicado conjuntos das rivais BMW e Mercedes-Benz. "O incidente atinge Max Mosley tanto pessoalmente como na posição de presidente da FIA. Por consequência, atinge toda a indústria automobilística. Esperamos uma resposta dos órgãos da FIA".
Mais: segundo o "Times", o xeque do Bahrein escreveu ao inglês pedindo que ele não pisasse no país.
Em resposta a tudo isso, Mosley convocou uma reunião extraordinária do Senado da FIA.
O que vai acontecer?
Ele vai pedir pra ficar, mas será convencido a sair. É minha aposta.
Por quê?
Bom... Imagine que você e todos os outros funcionários da empresa recebem no e-mail imagens do chefe numa orgia e, em seguida, são chamados para uma reunião com ele. Como seria o clima? Pois é, com Mosley é a mesma coisa.
Assim começa e-mail que acabo de receber da organização da Stock: "A Corrida do Milhão, uma das atrações da temporada 2008 da Copa Nextel Stock Car, será em agosto. A Vicar Promoções Desportivas, realizadora da categoria, divulgou a confirmação da prova para o dia 31 de agosto, no Autódromo Internacional Nelson Piquet, em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro."
Onde? Como? Em que traçado? Não há explicações.
E, se vocês querem saber minha opinião, acho que nem a Stock sabe.
PS: O mesmo comunicado prevê a possibilidade de uma prova de rua em Salvador, em novembro.
Ah, é bom que se diga que "Times" e "News of the World" pertencem ao mesmo grupo, o News Corp., de Rupert Murdoch.
Ah, é bom que se diga também que desde 2007 a FIA e o "Times" estão engalfinhados _Mosley processa o jornal e Martin Brundle, que, numa coluna, chamou a investigação sobre a McLaren de "caça às bruxas".
Em uma carta endereçada às entidades filiadas à FIA, hoje, Mosley pediu desculpas pelo "constrangimento" causado, mas não negou a veracidade das imagens.
"É contra a lei na maioria dos países publicar detalhes da vida privada de uma pessoa sem uma boa razão. As publicações do 'News of The World' são uma total violação injustificada da minha privacidade e pretendo entrar com ações judiciais contra o jornal no Reino Unido e em outras jurisdições", disse Mosley, que afirmou ter sido alvo de espionagem nas duas últimas semanas.
O que importa para o esporte é que ele anunciou que continuará à frente da FIA.
Com que cara presidirá a próxima reunião do Conselho Mundial, ainda não sei.
Demorou, mas surgiu a primeira pegadinha de 1º de abril na F-1.
O site F1 Live anuncia hoje que David Coulthard comprou a Toro Rosso, que passará a se chamar CPR, Coulthard Power Racing.
Segundo a "reportagem", o anúncio foi feito num encontro do escocês com repórteres à meia-noite de ontem. E há até "frases" do piloto.
"Quando Didi disse que queria vender a Toro Rosso, a idéia veio à minha mente", teria dito o veterano.
Didi, diga-se, é Dietrich Mateschitz, dono da fábrica de energéticos.
Um trecho do texto: "Inicialmente, eu queria que a equipe chamasse Coulthard Super Racing, mas a palavra Super já foi usada", admitiu Coulthard. A capa de Super-Homem que ele usou no pódio do GP de Mônaco de 2006 hoje orna os ombros de uma escultura de madeira de uma mulher nua, em tamanho natural, na porta de seu apartamento.
No formato tradicional, com muita conversa sobre o GP do Bahrein e cenas da MotoGP e da Indy. As do Mosley, vamos ficar devendo, é um programa familiar.
Para assistir, ao vivo, a partir das 14h30, clique aqui.
Pois é, o caso cresceu. Já tem gente respeitada no meio, como Moss, pedindo a cabeça de Mosley.
Mosley que nunca foi um virtuose no campo técnico (vide a invenção dos pneus com sulcos) e que subiu na FIA graças a seu excepcional dom pra diplomacia.
Dom que, mais do que nunca, já está sendo colocado à prova. Será curioso acompanhar o que Mosley fará para tentar escapar dessa...
O "News of the World" é o mais aloprado dos tablóides britânicos.
Já o citei algumas vezes aqui, e sempre faço esta ressalva: é do tipo que toda semana acha um ET vivendo em Northamptonshire ou que localiza Elvis morando numa ilha do Pacífico. Mas às vezes acerta, esta ressalva também precisa ser feita. Enfim, cabe a cada um acreditar ou não no que lê por lá.
Dito isso, à história do dia: o jornal publica hoje uma reportagem com cenas de um homem que diz ser Max Mosley.
Este homem entra numa, digamos, casa de tolerância e é recebido por uma, digamos, funcionária do local.
Bizarro? Ainda nem começou. O que se segue são sessões de sadomasoquismo com direito a fantasias nazistas.
Há um vídeo no ar. O homem é idêntico a Mosley. Mas não coloco a mão no fogo, pode não ser o presidente da FIA.
Por que isso está no blog? Porque imagino que a história pode crescer, sim, atingir o presidente da FIA.
A vitória de Pedrosa foi chatinha. Largou, passou Lorenzo, venceu. Rossi foi outro que deixou o candidato-a-rei pra trás.
Eu preferia ter visto a corrida do sujeito aí abaixo.
Marco Vasini/AP
Schumacher saiu da primeira fila em Misano e terminou em quarto, com uma KTM Super Duke 990. Na minha caixa de e-mail, a assessora de imprensa do alemão volta a bater na tecla de que tudo não passa de um hobby. "Ele não pretende começar uma segunda carreira de piloto", diz Sabine Kehm.
Se me surpreendi com algo sobre Homestead, foi com a fleuma de Kanaan após uma derrota trágica.
O brasileiro liderava com folga até a 193ª das 200 voltas. A vitória era dele. Era. Porque Viso, retardatário bateu, ricocheteou no muro e, na volta, acertou a roda dianteira direita do brasileiro.
O baiano até tentou continuar, mas não tinha condições. Quando o safety car deixou a pista, a três voltas do fim, a vitória sobrou para Dixon.
O que você faria numa situação dessas? Sairia chutando tudo, xingando, louco da vida?
Kanaan, não. "Você precisa terminar a corrida pra ganhar. Foi uma falta de sorte, estava com a vitória na mão. Mas é muito mais comum perder corridas do que ganhar. E eu perdi hoje".
Fábio Seixas, 33, é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo com mestrado em Administração Esportiva pela London Metropolitan University, da Inglaterra.
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