Acabou a 29ª edição dos Jogos Olímpicos, a mais megalomaníaca da história, grande também nos resultados.
A Olimpíada de Phelps e de Bolt. A Olimpíada do Ninho e do Cubo. Dos recordes mundiais na piscina e na pista. Das mulheres brasileiras: Ketelyn, Maurren, Mari, Fofão, Sheila e cia, Isabel e Fernanda, Marta, Cristiane, Bárbara e cia.
Uma Olimpiada de decepções pro Brasil: os campeões mundiais do judô, a ginástica, o vôlei de praia, o futebol e o vôlei masculino. Uma Olimpíada de orgulhos para o Brasil: de novo Ketleyn e Maurren.
A Olimpíada do tanque na rua, dos militares nas cerimônias de abertura e encerramento, da linha-dura.
Hora de descansar para poder voltar com força total, logo.
A todos que acompanharam esse epopéia, um grande obrigado, até já.
PS: Vi pouco da vitória do Massa. Não perdi muito da corrida pelo que me contaram. Enfim, o blog voltará em breve à programação normal.
Durante um bom tempo, 2004-2005, convivi com Maurren. Na F-1.
Namorada de Pizzonia, e suspensa por doping pouco antes do Pan de Santo Domingo, ela então havia abandonado completamente o esporte para se dedicar ao piloto e, mais tarde, à filha.
Sempre que cruzava com ela no paddock ou no motorhome da Williams, um mesmo pensamento passava pela cabeça. Algo na linha "e pensar que ela já foi uma atleta de ponta..."
Sim, porque Maurren sempre ali, tímida no motorhome lotado de ingleses, era mais uma namorada de piloto com o olhar perdido, era mais uma menina circulando com credencial VIP, era mais uma dona-de-casa aborrecida esperando o companheiro terminar o trabalho para levá-la para jantar.
Tenho uma foto com Maurren, Antonio e a menina Sophia num restaurante em Silverstone. Restaurante chinês, vejam só _quando chegar a SP, se eu lembrar, posto aqui.
Naqueles tempos, vira-e-mexe eu perguntava se ela voltaria ao esporte. A resposta era sempre um peremptório "não".
"Quem diria que ela já foi uma das maiores atletas do Brasil..."
Ontem a (agora ex-)namorada de piloto, a dona-de-casa, a mãe de Sophia tornou-se a primeira brasileira a conquistar um ouro individual olímpico.
O que só me faz admirar ainda mais sua aptidão natural para o esporte: mesmo com essa parada longa, ela conseguiu voltar. E neste nível.
Se a Ligia Kogos _dermatologista badalada de São Paulo e que estranhamente passou incólume pelo episódio do doping_ não tivesse dado um creminho errado pra ela em 2003...
Não imagino o nome dele. Só sei que é chinês, que ama o futebol brasileiro, que a camiseta dele era mais pirata que o Barba Ruiva e que tem uma boa garganta.
O rapaz aí gritou pelo Brasil o tempo todo no estádio dos Trabalhadores.
Por "tempo todo" quero dizer o tempo todo mesmo, sem exagero.
Ele puxou holas, provocou este americano que estava à frente aí na foto, gritou os nomes de Marta, Cristiane e Tiago _atacante do Beijing Guoan. No fim não perdeu a animação.
Fui dormir pensando se ele percebeu qual foi o placar...
O Brasil perdeu para os EUA no futebol, e foi um terrível déjà-vu encontrar aquelas meninas na zona mista, destruídas mais uma vez. Cristiane tentou falar, não conseguiu. Marta dizia-se com raiva. Rosana, a meiga Rosana, falou em derrota do talento para a eficiência. E Simone Jatobá, ramalhete de flores nas mãos, andando cabisbaixa para o ônibus...
Por coincidência, cobri as duas finais olímpicas do futebol feminino. E é difícil não se envolver emocionalmente com a batalha dessas garotas.
Todas são bacanas, todas são atenciosas, todas estavam tão animadas na véspera, querendo o ouro... Todas, agora, vão esperar alguma atenção da CBF, para nada. Nem o prêmio pela prata está acertado. Terão de buscar o exterior se quiserem continuar jogando bola. Que sejam felizes assim, porque merecem.
Sim, a cor é essa. Mas não exatamente por conta do Brasil. A chuva apertou por aqui, e a organização distribuiu capas de chuva para o público. Amarelas.
As americanas vão tomar um choque quando derem uma primeira olhada nas arquibancadas...
Dia desses deixei meu cartão de visita na salinha do comitê olímpico dos EUA no MPC e desde então venho recebendo dezenas de e-mails diários sobre as atividades dos americanos: resultados, convocações para entrevistas, frases dos atletas, etc, etc...
E eis que acaba de pingar o comunicado que o USOC mandou aos jornalistas americanos sobre a final feminina do futebol.
Enquanto o COB lavou as mãos, dizendo que não tinha como intervir e que os brasileiros deveríamos retirar os ingressos a partir das 15h, o comitê dos EUA avisa que terá dois representantes no local, conhecedores da imprensa americana, para fazer a distribuição.
Há até uma relação de seis critérios, em ordem de importância, como "efetiva publicação da reportagem" e "órgãos representando cidades-natais de jogadoras".
Com a brasileirada, foi na base do "quem chegar primeiro, pegou".
E esse é só um exemplo banal de porque algumas coisas funcionam e outras não.
PS: Já na tribuna, enquanto japonesas e alemãs duelam pelo bronze. Por enquanto só dá Japão...
Ontem escrevi da bagunça que foi o trabalho da imprensa no Brasil x Argentina, culpa do desleixo do COI com o futebol e do oba-oba de quem não tinha o que fazer.
Pois os chineses aprenderam rapidinho. Com requintes de exagero.
Hoje, o Bocog forçou os repórteres a chegarem ao Workers' Stadium com SEIS HORAS de antecedência para retirarem uma senha. Sem papelzinho, sem lugar na tribuna.
Bom, se funcionar, ótimo. O estádio tem wifi em todo canto, dá fazer aqui o mesmo trabalho do MPC. Toquemos o barco.
As meninas da ginástica rítmica posaram assim para a "Gazeta do Povo" na edição do dia 15.
A idéia foi a mesma dos jogadores de basquete da Espanha e que gerou revolta dos patrulheiros do politicamente correto. E, até onde eu sei, no Paraná não houve grita de associações de imigrantes chineses nem de jornalistas dispostos a fazer de um ato ingênuo uma afronta étnica.
Essa chatice, pelo menos, ainda não nos invadiu. A dica foi do Paulo, de Curitiba.
Cuidado. Se você costuma frequentar estádios ou ginásios no Brasil, as cenas a seguir são impactantes. São imagens nunca vistas por aí e que podem resultar em revolta, tristeza, melancolia.
Bolt fez o que ninguém tinha feito, chegou onde ninguém havia conseguido chegar.
Ouro nos 100 m, ouro nos 200 m, recordes mundiais nas duas provas.
É claro que, à boca miúda, todo mundo levanta a suspeita de doping. O histórico, infelizmente, leva a isso. E convenhamos, a facilidade com que Bolt chegou a seus feitos é estranha, para o bem ou para o mal.
Quem ama o esporte, claro, torce para que o segredo seja a "mandioca de Trelawny", como o pai de Bolt disse após a final dos 100 m.
Quem já está escolado pelo caso de Marion Jones, o último fenômeno olímpico, vai ficar um bom tempo com o pé atrás _7 ou 8 anos ou mais.
É uma pena, talvez Bolt não mereça, talvez seja uma injustiça sem tamanhos, mas hoje tem que ser assim.
Sumiços do blog significam que estou de férias ou que estou trabalhando feito um remador viking.
O primeiro caso não é o caso.
Ontem acordei no Ninho de Pássaro, passei a noite no Worker's Stadium, virei a madrugada no MPC. Horário do busão pra Vila: 5h.
Claro, o ponto alto (ou baixo, dependendo do ponto de vista) foi o futebol. A seleção não jogou nada, nada, nada. Três argentinos, Messi, Aguero e Mascherano, jogaram muito. Deu no que deu, 3 a 0.
Mas baixo mesmo, sob qualquer ponto de vista, foi o que aconteceu na tribuna de imprensa.
Noite fraca na programação dos Jogos, o lugar ficou lotado. Trabalhando, uns 10%. O resto, atrapalhando. Bicões de todas as nacionalidades para todos os lados, gente sentada nos degraus complicando o entra-e-sai de quem precisava fazer suas matérias.
Erro, também, da organização, que não previu que um Brasil x Argentina precisaria de limitação para o acesso dos credenciados _como aconteceu na cerimônia de abertura e em todas as finais da natação.
Cereja do bolo, Márcio Bernardes, da rádio Transamérica, tirou hoje a camisa em plena tribuna de imprensa durante a semifinal dos brasileiros no vôlei de praia. É demais...
Depois do já célebre purê-de-sei-lá-o-quê, ontem tive minha segunda incursão no maravilhoso mundo da comida instantânea chinesa.
O motivo, claro, a falta de tempo. Aliás, que outro motivo há para apelar pra algo assim?
No mercadinho da Vila de Imprensa, já escolado pela primeira experiência mal-sucedida, resolvi mudar de estilo. Malandrão, passei batido pelos purês e fui direto para a popular gôndola dos atraentes baldes de lâmen, nosso miojo.
Após uma pesquisa cuidadosa, selecionei os sabores de carne e frango. Que identifiquei pelas simpáticas figuras, vejam só, de uma vaquinha e uma galinha no rótulo. O camarãozinho, embora sorridente, preferi deixar para uma próxima.
Por dias e dias, os pequenos baldes de isopor restaram sobre a mesa do hall. Madrugada após madrugada, eu abria a porta e os encarava com certo ar de triunfo. Afinal, estava conseguindo sobreviver sem eles. "Quem sabe não levo de lembrança para o Brasil", cheguei a pensar.
Não deu.
Ontem fui indo, indo, indo, não consegui jantar. Quando enfim acabei a última missão faltavam 10 minutos para o ônibus partir. Saí em desabalada carreira atrás do dito-cujo, com um pensamento fixo: frango ou carne?
Em pé ao lado do motorista no ônibus lotado, não cheguei a uma conclusão, olhar atráido pelo velocímetro que não passava dos 20 km/h. Sentimento que nunca imaginei ter, bateu uma enorme saudade dos motoristas de ônibus do Rio. A única decisão que tomei foi passar antes pelo refeitório _que na madrugada só serve cerveja_ para pegar talheres. Afinal, como eu comeria aquele negócio?
Cheguei ao quarto, dei uma última olhada nos pequenos baldes de isopor e decidi sacrificar o alegre bovino-fazendo-joinha.
Água fervida, a aventura então começou pra valer.
Acredite: um produto vendido num mercadinho frequentado apenas por jornalistas internacionais não trazia UMA instrução em inglês. Ok, sei que preparar lamen não é exatamente uma façanha culinária, mas o lamen-da-vaquinha-sorridente exigia algum preparo. O motivo, o kit de pacotinhos que encontrei dentro do balde.
(Havia um microgarfo e uma microcolher, diga-se. Apropriados, talvez, para o Flávio Gomes. Não para mim.)
Enfim, de volta aos pacotinhos. Água fervida, já cozinhando o pálido macarrão, tentei desvendar o que eram.
Abri o primeiro, um pó, como o do nosso conhecido miojo. Foi pra água.
Peguei o segundo, um líquido vermelho. Lembrei de uma experiência desagradável passada na Malásia em 1999 _culpa, vejam só, do supracitado colega_ e deixei de lado.
O terceiro foi um choque. Parecia... Parecia... Bom, veja a foto e tire sua conclusão.
Olhei para aquela pasta, olhei para o conteúdo do balde, nada atraente e nada parecido com a foto na tampa. E o negócio foi pra água.
Minutos depois, o lamen-da-vaquinha-sorridente virava história.
A convivência com gente do mundo todo no MPC cria situações engraçadas.
Na nossa mesa, além do Freddie Mercury e de seu colega de bigode, há uma turma da Nova Zelândia. Os kiwis são gente boa, tranqüilos, também já entraram na dança. Já dei até tchauzinho pela webcam para o filho de um deles, em Auckland.
Mas o fato é que só há uma TV na mesa. E dividir essa tela vira um exercício de diplomacia. Americanos, brasileiros e neozeolandeses têm interesses diferentes e que, muitas vezes, acontecem nos mesmos horários.
Como hoje.
Cheguei ao MPC por volta das 10h, louco para sintonizar a TV na natação. Phelps, afinal, entraria de vez para a história. Caminhei apressadamente para a mesa confiando nos colegas americanos e, quando cheguei, encontrei ciclismo. Sim, ciclismo!
Phelps prestes a conseguir o mítico oitavo ouro olímpico, superando Spitz, e os neozeolandeses vidrados na primeira eliminatória da prova de perseguição por equipes. Primeira eliminatória!
Tentei argumentar daqui, dali, não funcionou. Eles estavam irredutíveis. O jeito vai ser ver no telão, pensei. Fiquei com um olho no peixe, outro no gato.
No telão, Phelps chegava para a prova. Na TV, a gloriosa equipe dinamarquesa pedalava. No telão, Phelps era anunciado. Na TV, a gloriosa equipe britânica pedalava. Na TV, Phelps subia no bloco. Na TV, a competição acabava, com os gloriosos kiwis em segundo lugar.
"Ok, swimming", disse o cara de Auckland, aquele da webcam.
Política de reciprocidade: agora é hora de analisar a agenda de competições da Nova Zelândia e preparar o troco.
Tyson Gay não passou para a final dos 100 m. Largou mal, correu mal, terminou em quinto, quase na raia vizinha.
O terceiro homem mais rápido do mundo não ficou entre os 8 finalistas da prova mais rápida do mundo.
Uma zebra, um choque, o estádio ficou catatônico por alguns instantes.
Bolt foi o mais rápido da primeira série com uma facilidade impressionante: 9s85, tirando o pé no final, correndo como quem passeia por aí. Na segunda bateria, a de Gay, vitória de Asafa: 9s91.
Dos 8 classificados, 6 fizeram tempo abaixo de 10s.
A briga deve ser caseira, entre dois grandes amigos, Asafa e Bolt, que ontem saíram abraçados da pista. A não ser que aconteça mais uma zebra-monstro.
E repaginando a brincadeira de todo o GP da F-1, lá vai o meu palpite: dá Bolt, com Asafa em segundo e Dix em terceiro.
No dia da cerimônia de abertura, postei aqui uma imagem do setor dos fotógrafos, um aperto só.
Mas há os VIPs, sempre há. Que, no caso de uma Olimpíada, são os fotógrafos das grandes agências e que, quase sempre, trabalham em pool _as imagens são distribuídas por todas as empresas.
Vejam só a localização privilegiada do escritório dessa turminha aqui no Ninho...
Sim, ainda faltam três horas e meia para a prova, mas em eventos assim não é bom bobear. E com wifi em todo o estádio, tanto faz trabalhar aqui ou no MPC ou em qualquer outro lugar.
No caminho, muita gente. A Olimpíada finalmente pegou.
Nos últimos dias, houve um certo temor do COI e do Bocog diante do baixo público pelo Parque Olímpico. A natação vivia lotada, os jogos de basquete também, mas algo intrínseco dos Jogos é a curtição pelo Parque: gente passeando, aproveitando o dia, fazendo nada, só olhando, vivendo.
Até agora, isso não tinha acontecido. Hoje, aconteceu.
No sábado nobre do atletismo, que deve trazer 91 mil pessoas ao estádio, o Parque de Pequim não ficou devendo nada aos das últimas Olimpíadas. Seguem alguns cliques da minha caminhada...
Enfim, o primeiro ouro. Que vai catapultar o Brasil de 43º para 23º no quadro de medalhas. E que alivia um pouco o peso sobre o Ministério do Esporte, que colocou dinheiro recorde na preparação olímpica, e sobre o COB, que decidiu como gastar essa dinheirama.
Mas 1 ouro e 4 bronzes após uma semana de Olimpíada ainda é resultado fraco diante do R$ 1,2 bilhão que o governo colocou no esporte de alto rendimento no último ciclo olímpico.
Cielo, óbvio ululante, está de parabéns. Até porque é gente boa e chegou a Pequim à sombra de outros nadadores.
Há dois bigodudos do "New York Daily News" sentados ao lado da turma da Folha no MPC. O tempo vai passando, a gente vai se conhecendo, enfim, eles entraram pra turma _um deles já ganhou o apelido de Freddie Mercury.
O outro, mais sisudo e que ainda não recebeu nenhuma alcunha, ficou até altas horas da última madrugada trabalhando. Na hora de sair, dizendo ser hora de encontrar o amigo Tsing Tao (a melhor cerveja da China), revelou o motivo de tanto trabalho.
Tudo começa com a foto abaixo...
Antes de embarcarem para a China, os jogadores da seleção de basquete da Espanha posaram para um anúncio puxando os olhos.
Na opinião deste blogueiro, não há nada de errado. Todos dão a impressão de estarem super felizes às vésperas do embarque para Pequim, parece-me uma gracinha inofensiva, simpática até. Mais: a seleção espanhola é patrocinada pela Li-Ning Footwear, empresa de material esportivo do ex-ginasta Li Ning, aquele que acendeu a pira. Não, não houve intenção nenhuma de ofender.
Mas para os patrulheiros do politicamente correto, e os EUA são ouro, prata e bronze nesta categoria, foi uma enorme sujeira com os chineses.
"É uma grande história", disse o repórter do NYDN, dando toda a pinta de que deve ter mandado umas cinco páginas de matéria sobre o caso. No Yahoo! Sports, um articulista chama a foto de "ridícula", afirmando que "tem tudo para deixar um monte de gente nervosa". Um tal Organização dos Sino-Americanos já divulgou várias notas criticando os espanhóis. E há quem associe à foto as vaias contra a Espanha na virada sobre a China, também no basquete _foi uma partida super acirrada contra os donos da casa, nada mais natural que a torcida local vaiasse.
Sabe quando você vai indo, indo, ninguém te impede, você continua indo, indo, e, quando percebe, está na cara do gol?
Aconteceu comigo ontem. Fui ao Ninho de Pássaro tentar acompanhar o treino do atletismo naquele que já apelidamos de "ninhozinho" _uma pista de aquecimento bem ao lado do estádio.
O portão estava fechado. E a idéia então foi acessar a pista pela passagem subterrânea ligando uma coisa a outra.
Também estava fechada. Tenta daqui, tenta dali e, quando me dei conta, estava no túnel de entrada do Ninho, às margens do pista, bem na largada dos 100 m.
O homem mais rápido das eliminatórias, e há três enormes favoritos a isso, largará da raia 4 no sábado, às 11h30 (horário de Brasília).
E terá mais ou menos esta visão _com mais público, claro.
A imprensa fica muito em cima do Ninho de Pássaro, do Cubo d'Água, mas li pouco sobre as outras arenas olímpicas.
Compreensível: as duas primeiras são majestosas, e a comparação é cruel. Mas há um quê de injustiça: as outras instalações são impecáveis.
Nos últimos dias, fui à esgrima, ao tênis e ao beisebol. Fiquei impressionado nos três casos.
Tudo organizado, tudo funcionando, tudo tinindo de novo.
Se você ainda não viu a quadra central do tênis, tente ver _eu ainda só vi por fora, o jogo da dupla brasileira foi na quadra 9, mas espero conhecer melhor numa hora dessas.
Todo mundo que veio pra cá sabe onde está, sabe que este país vive numa ditadura, sabe da falta de liberdade de expressão, sabe dos abusos militares.
Daí que hoje o MPC amanheceu com esta cena...
O governo chinês estacionou este trambolho bem em frente ao centro de imprensa.
Os jornalistas que chegam para trabalhar têm seu dia estragado pela visão desta arma de seis rodas, capacidade para transportar 11 soldados, equipada com um canhão de 25 mm e uma metralhadora de 7.62 mm.
Como no episódio da bandeira olímpica carregada por soldados, na cerimônia de abertura, soa como um lembrete do regime. Lembrete desnecessário, repito. Todo mundo aqui sabe onde está.
Quem parece não saber onde está _nos Jogos Olímpicos, onde as cenas deveriam ser outras_ são eles.
Wang Yusi é editor de Esportes do "Guang Ming Daily", mais um entre os tantos jornais estatais na China.
Gente boa, super prestativo, inglês acima da média. Estamos conversando, até que ele diz ter assistido a um filme brasileiro, "God City".
"City of God", corrijo. E então começa o interrogatório.
Yusi quer saber o que era aquilo. Tento explicar a idéia de favela. Ele pergunta se aquilo realmente existe no Brasil. Eu digo que sim, infelizmente sim. "Mas eles usam armas?" Eu respondo que grupos de traficantes controlam várias áreas e que muitas vezes há confrontos com a polícia. Ele não entende como o governo deixou as coisas chegarem a esse ponto. Eu tento contar um pouco sobre a força do tráfico de drogas, sobre a pobreza, sobre a corrupção de policias.
O metrô chega à estação Dongdan, nos despedimos. Eu, com a certeza de que ele não entendeu nada.
Pois é, dez dias de China, chegou a hora de lavar a roupa suja.
Há duas opções na Vila de Imprensa. Lavar a própria roupa, nas máquinas no subsolo de cada prédio, ou colocar tudo num saco e levar à lavanderia.
Falta de tempo, correria, fui na segunda opção.
Eu e o resto da imprensa mundial, imagino. Quando tirei a foto, já havia enfrentado 20 minutos de fila.
Amanhã eles entregam, essa é a promessa. Só espero que venha tudo certo. E, principalmente, que não troquem camiseta minha por uma desse sujeito logo à frente...
A bandeira olímpica foi carregada por militares em marcha. Não gostei, uma imagem que nada tem a ver com o esporte.
A tocha entrou no estádio e passou de mão em mão por ídolos do esporte chinês até parar em Li Ning, ex-ginasta. Que foi alçado por cabos e então deu uma volta pelo teto do estádio enquanto projeções mostravam pontos de parada da (conturbada) turnê mundial da tocha.
Em seguida, provavelmente, a mais extraordinária queima de fogos da história.
A pira olímpica está acesa em Pequim. Estão abertos os Jogos Olímpicos.
Hora de voltar pro MPC e começar a colocar tudo isso no papel.
No momento em que a ponta da bandeira chinesa apontou, o Ninho de Pássaro foi abaixo.
Um aplauso só, uma vibração só, um potente urro. De arrepiar. Nas arquibancadas, um mar vermelho começou a gritar o nome do país assim que a música parou.
O Ninho tremeu. Literalmente.
Um a um, os principais líderes do PC foram mostrados no telão. A pira, que eu não sabia onde estava, agora é aparente. Está lá no alto, sobre o desenho de uma chama, bem na minha frente. Longe de qualquer escada ou plataforma.
Não há mais hot dogs (estilo americano ou chinês) nas lanchonetes do estádio. O jeito foi se virar com um muffin de chocolate e um iogurte de pêssego.
Os EUA foram aplaudidos, uma surpresa pra mim. Mas pouco antes a Rússia foi mais.
O calor por aqui só faz aumentar. Segundo a meteorologia, faz 28º agora em Pequim, com sensação térmica de 33ºC. Com certeza este segundo termômetro não está no Ninho. Aqui está mais quente do que isso, uns 38ºC.
A bandeira brasileira surgiu às 21h29 no estádio olímpico. Um minuto depois, o nome do país iluminou o telão.
Fomos aplaudidos. Não como Taiwan, Hong Kong, Canadá, Cuba ou Paquistão, mas, sim, houve alguma vibração _no caso do Japão, um murmúrio indeciso entre a vaia e o aplauso tomou conta do estádio.
Os próximos países a entrar são Gabão, San Marino, São Vicente e Granadinas e Santa Lúcia. Hora de ir fazer um lanchinho...
E depois Guiné, Guiné Bissau, Turquia, Turcomenistão...
Sim, vale a ordem alfabética chinesa. O Brasil será o 39º país a entrar no estádio. A expectativa é saber como os chineses reagirão às delegações de Japão, França e EUA.
Com uma hora de festa, a primeira referência ao mundo. Um enorme globo saiu do meio do estádio, exibindo os cinco continentes. No topo, Sarah Brightman, aquela do "Amigos para Siempre" de Barcelona-92, cantou o tema dos Jogos _que ainda não pegou.
A festa começa a ficar menos China e a ficar mais mundo. Daqui a menos de dez minutos, segundo a programação, começa a entrada dos atletas.
Lang Lang, o pianista mais famoso da China, toca agora no Ninho de Pássaro, ao lado de uma garota de cinco anos.
Muita luz, muita cor, pessoinhas luminosas correndo pra lá e pra cá. Formaram a imagem de uma pipa, mais uma das muitas invenções chineses desfiladas até agora. Uma menininha saiu voando.
Este trecho da cerimônia está Hans Donner total.
Uma voluntária se aproxima e entrega a lista dos condutores finais da tocha. É claro que ainda não entregaram o jogo de quem _ou como_ acenderá a pira. Aliás, não vi a dita-cuja. Será que é na torre de TV ao lado do estádio?
Pelo menos, o comunicado desta voluntário foi mais interessante que o trazido pela colega anterior: instruções sobre como chegar no estádio...
A bandeira da China tem um vento de mentirinha, acredite.
Não venta nada no estádio. Mas a bandeira vermelha está lá, tremulando, como se estivesse à beira-mar. Na certa, há uma sistema de ventilação na ponta do mastro.
Fogos de artifício explodiram por toda a cidade, seguindo o eixo da praça da Paz Celestial até o Ninho de Pássaro.
Uma menininha linda cantou uma música em homenagem à bandeira chinesa, que logo depois foi hasteada ao som do hino do país. Só não curto muito esse tom militar para tudo.
Na tribuna de imprensa, voluntários nos entopem de papéis. Já recebi comunicados informando que Brunei está fora dos Jogos (não inscreveu os atletas no prazo) e que o porta-bandeiras de Cuba está emocionado, assim como a japonesa, o britânico e o queniano.
Há também dados estatísticos. Dos 204 porta-bandeiras, 61 competirão no atletismo. Em seguinda, vem a natação, com 19.
O resultado é que minha mesa já está cheia de papéis.
Para Londres-2012, preciso me lembrar de levar uma ficha verde-vermelho de churrascaria rodízio.
Presidente do COI, Jacques Rogge está bem constrangido ao lado de Hun Jintao. Aplaudido com ares marciais sempre que aparece no telão.
No primeiro ato, 2.008 percursionistas de fou, tambor feito de saibro e bronze, impressionam. Batucam e citam um ditado de Confucio: "quão felizes estamos por receber amigos de longe".
Os chineses foram camaradas com os preços no estádio.
Uma cerveja ou um refrigerante sai por 5 RMB, cerca de R$ 1,30. O problema é que a cerveja _duas marcas chinesas e a onipresente Budweiser_ é "no colda".
Como? Bom, foi o que me disse a mocinha do bar, quando eu pedi uma cerveja.
"Beer, no colda". No cold. Sem gelo. Quente, enfim.
Nos assentos no estádio, todos têm direito a uma sacolinha com um kit cheio de badulaques para serem usadas na cerimônia de abertura.
O kit é composto de uma lanterna, um bastão luminoso pisca-pisca (nada mais chinês), um tamborzinho, pulseiras coloridas e, claro, uma bandeira chinesa. Ah, sim, tem uma capa de chuva também.
O Ninho de Pássaro é quente, muito quente. Deve ser o preço, imagino, da bonita cobertura sobre as arquibancadas. Um forno. Já começamos a especular aqui se isso pode afetar as provas de atletismo...
Chegar ao estádio foi tranqüilo. São pouco mais de 18h30 em Pequim, ainda está claro, e pouco a pouco as pessoas começam a chegar.
No caminho, uma revista rápida, não tão minuciosa como eu imaginava. Muito chinês (jura?), mas muita gente de fora também. E claro, todo mundo fez sua foto com os mascotes e com cartão-postal ao fundo.
No meu primeiro dia de MPC, coloquei aqui uma foto da sala ainda vazia.
Esqueça aquela imagem. A realidade agora é esta...
Dia da abertura, o lugar está fervendo como nunca. Como nunca mesmo, porque a partir de amanhã, com as competições acontecendo, muita gente vai trabalhar direto nos estádios e ginásios e isso aqui vai esvaziar um pouco.
Por enquanto, como ainda não há nada rolando, todo mundo trabalha aqui. No mural, um aviso informa que mais de 7.000 jornalistas estarão no MPC hoje, superando as expectativas da organização, o que deve gerar alguns problemas.
O que me faz lamentar não ter trazido um rolo daquelas fitas de trânsito, aquelas pretas e amarelas, sabe? Porque, a todo instante, alguém tenta ocupar os lugares demarcados para Folha, ignorando os adesivos que mostram que aqueles são assentos reservados _e pagos.
Basta alguém levantar para almoçar e, pronto, aparece outro querendo sentar no lugar.
A frase do dia é "excuse me, this is a booked place".
Aqui em Pequim já é 08/08/08. Data marcada pelos chineses há 7 anos para a abertura do maior evento da gigantesca história do mais impressionante país do mundo. Não é pouco.
É engraçado, isso. Por anos e anos, o mundo esportivo tem uma data na cabeça. E de repente você olha para a folhinha, para o relógio, para a tela do computador e, pronto, chegou o dia.
Não dá para mensurar, não dá para comprovar, mas há um clima diferente na capital chinesa hoje.
De ansiedade extrema.
Não faltam motivos. A começar pelo que citei acima, o fim desta espera. Mas passando também pelos segredos que cercam a cerimônia, pelo receio de que algo saia errado, pela curiosidade em saber se algum atleta fará algum tipo de protesto _aposto que sim.
O presidente americano num estádio chinês? A abertura dos Jogos mais politizados desde Moscou-80? Um evento deste porte num país que tenta se provar competente ao mundo?
Para os jornalistas, é a certeza de que, o que quer que aconteça, será histórico.
Meu ingresso para cobrir a abertura dos Jogos _para os jornalistas não basta a credencial, é preciso descolar uma entrada também...
Algum tempo atrás, acho que logo depois de Atlanta, vi uma entrevista com a Fátima Bernardes sobre a cobertura da Olimpíada em que ela dizia que dormia seis horas por noite.
Sei lá porque, guardei isso na cabeça. Mas hoje sei que não é bem assim.
Porque a gente dorme muito menos. Três, quatro, cinco horas. E só. Daí, é acordar, tomar o café da manhã e voltar pro MPC.
Ontem foi um dia típico. Cheguei o centro de imprensa às 9h de quarta. Saí às 2h30 de quinta. Na minha mesa, um arsenal...
Bom, na Vila de Imprensa os restaurantes fecham às 23h.
A saída foi lançar mão do kit de emergência, comprado num mercadinho assim que pisei na China: aqueles potinhos em que é só jogar uma água quente e pronto _nessas longas coberturas, é sempre bom ter alguns planos Bs armados.
Eu achava que era uma espécie de miojo, algo assim. Enganei-me. O troço conseguia ser pior.
Era um tipo de purê, sei lá do quê, com direito a umas bolinhas de um sei-lá-do-quê diferente.
Invoquei os deuses do Olimpo, mandei pra dentro e fui dormir.
A tocha olímpica chegou hoje a Pequim, cercada de segurança. Tinha até tanque na rua.
Os Jogos mais politizados da história (ou pelo menos desde Moscou-80) concorrem para ser também os mais conturbados.
A lista é extensa. Tufão, terremoto, atentado, agressões a jornalistas, proibição a entrevistas...
E nesta quinta-feira já houve manifestante desfraldando a bandeira do Tibete. E confusão para cobrir a passagem da tocha, culpa do sigilo armado para o evento.
A imprensa só foi informada dos pontos de partida e chegada. Que se virasse para encontrar a dita-cuja. Um inferno, enfim.
Sim, nesta terça-feira teve Pit Stop, direto aqui da China.
O programa foi bem mais curto que o normal, participei por telefone, não deu para bater bola com os internautas, mas, enfim, falamos um pouco de F-1. Está tudo aqui...
Pequim, ou pelo menos a parte para turista ver, está toda assim: cheia de cores, cheia de plantas, tentando passar aquela imagem de cidade verde, preocupada com o combate à poluição.
Fui ontem à entrevista coletiva de lançamento dos novos slogan e símbolo da campanha de Tóquio para receber a Olimpíada de 2016.
Tudo muito bonito, muito organizado, no Grand Hyatt, um hotelzaço de Pequim, perto da praça da Paz Celestial. A apresentação foi impecável, o que só aumenta minha convicção sobre a falta de chances do Rio.
Menos mal que a disputa termina em outubro do ano que vem, antes que comece a gastança desenfreada _se bem que, até lá, vão gastar muito...
Mas o que me chamou a atenção, mesmo, foi um dos argumentos dos japoneses para lutarem pelos Jogos.
Eles estão preocupados com os efeitos da chamada "geração digital": crianças que passam o dia na frente dos computadores e que deixam de lado toda e qualquer atividade física. E acham que o amor aos esportes motivado por uma Olimpíada em casa pode desgrudar os jovens de seus Macs, PCs, Ipods, Playstations e quetais.
Uma causa interessante, que talvez sensibilize os membros do COI. Bola dentro.
O título do post é o nome de uma estação de metrô aqui em Pequim.
Fui de metrô hoje ao centro da cidade. Saí do MPC, peguei a linha 8 até a estação Beitucheng, troquei para a linha 10 até a famosa Huixinxijienankou e de lá tomei a linha 5 até Dongdan.
Tirando os nomes das estações, impronunciáveis para nós, o resto é fácil, muito fácil. O metrô é super bem sinalizado, com indicações em inglês por todo canto e paineis luminosos nos vagões que deixam claro em que ponto você está, por quais estações você já passou e quais serão as próximas.
O metrô foi um dos principais investimentos da China para os Jogos. Antes da Olimpíada, eram 100 km de trilhos sob a cidade. Agora são 200 km.
A linha 8, construída especialmente para os Jogos, é um dos orgulhos chineses. Mas, enquanto as outras linhas vivem lotadas, a 8 ainda está vazia, servindo apenas a voluntários e jornalistas. As fotos estão aí para comprovar.
Achei engraçada, ainda, a curiosidade dos pequineses com a presença de um ocidental no metrô, principalmente mais para o centro da cidade.
Uma velhinha, sentada à minha frente, ficou o tempo todo olhando para mim. E um velhinho começou a conversar com os caras ao lado e a dar risada.
Na minha última visita a Xangai, em 2006, escrevi um post sobre a terra do Santana.
De lá pra cá, a China cresceu em ritmo, ahnn, chinês. Os Santanas já são raros, e a frota de táxis é composta por um modelo da Hyundai cujo nome me escapa.
Mas aqui pertinho, do lado do Cubo d'Água, encontrei um Santana. Da polícia. Seria o último?
Os VIPs, como dá para perceber, têm um opção um pouco mais confortável para irem para lá e para cá...
Ontem, aconteceu uma entrevista coletiva do Departamento de Meteorologia de Pequim, e o tempo inteiro os chineses se auto-louvaram pela melhoria das condições do ar na cidade.
Sim, o fim de semana foi de céu claro, céu azul. E já acho que escolheram a dedo o dia da entrevista.
E eis que, de repente, as TVs do MPC começaram a mostra imagens da F-1. E eis que, pasmem, consegui assistir à toda a corrida.
Bela largada. Largadaça de Massa, a melhor largada do ano.
A partir daí, corrida chata, aquela coisa de sempre na Hungria, com exceções aos problemas de Hamilton e Raikkonen.
Sim, tudo estava dando certo para Massa. Estava. Porque a três voltas do fim, boom, o motor foi para o espaço, a primeira quebra assim da Ferrari desde a Austrália.
E o que era a corrida da liderança do campeonato, do direito à prioridade na Ferrari, da recuperação, do embalo, tornou a corrida da decepção.
Suportasse o motor mais três voltas, Massa seria o líder do campeonato. Agora, é o terceiro, com 54 pontos, contra 62 de Hamilton e 57 de Raikkonen.
Ah, sim: a vitória foi de Kovalainen, seguido por Glock e Raikkonen.
A idéia é trazer fotos de detalhes da Olimpíada, sem obrigação de periodicidade. Sempre que eu encontrar algo aparentemente lateral, mas que me chame a atenção, postarei aqui.
Começando pelo design das luminárias ao redor do Ninho de Pássaro...
O Ninho de Pássaro é, de longe, o estádio mais impressionante do planeta. Não há nada parecido. Cheguei a imaginar que aquele emaranhado fosse apenas decoração. Não é.
É o que sustenta o estádio. Sensacional.
Lá dentro? Não sei. Tentei entrar, mas não consegui. Tudo o que vi foi isso...
Em princípio, não entendi o motivo. Mas enquanto percorria o entorno do estádio, comecei a encontrar com pequenos pelotões de adolescentes uniformizados, andando enfileirados, quase numa marcha, ordem marcial.
Só quando cheguei ao outro lado, entendi o que se passava. Era dia de ensaio para a abertura dos Jogos _e o cara ali ficou bravo com a foto...
Daí, a proibição de entrar. Tudo bem, deixa pra próxima.
Mas entrei no Cubo d'Água. Que é quase tão impressionante quanto.
Ainda não deu tempo de conhecer o Ninho de Pássaro e o Cubo d'Água, os cartões postais dos Jogos.
O dia foi para se instalar no MPC, o Main Press Center, o centro de imprensa da Olimpíada.
Que ainda está vazio. Por enquanto, são poucas as mesas ocupadas. Ainda dá para almoçar no bandejão sem filas (encarei um caneloni de ricota), ainda dá para circular sem esbarrões, ainda dá para tomar um café de graça.
Acho que por essas fotos dá para ter uma idéia da situação por aqui...
Quanto ao café, era brincadeira. Não o preço: é de graça, sim. Mas não dá para tomar. É ouro olímpico de pior café do mundo.
Alguém que esteja vindo pra cá pode trazer uma máquina de espresso?
E a primeira impressão é muito boa. Não vou entrar no mérito de discussões políticas ou ideológicas. Não por ora, até porque não tive tempo de ver muita coisa. Saí do avião às 15h locais, agora são pouco mais de 20h. Ou seja, fiz o célebre trajeto aeroporto-hotel e mais nada.
Mas nesse meio tempo precisei passar por alguns trâmites burocráticos. E tudo funcionou bem, muitíssimo bem, bem melhor do que em Atenas.
Primeiro, a passagem pela imigração. Depois, a validação da credencial, o feliz reencontro com a mala, a passagem pela alfândega, o ônibus, que pegou a faixa olímpica de tráfego e não parou no trânsito até a Vila de Imprensa.
Lá em cima falei de hotel, força do hábito.
A exemplo de 2004, a turma da Folha está hospedada numa das Vilas de Imprensa da Olimpíada. Como a Vila Olímpica, para os atletas, as Vilas de Imprensa (duas, no caso de Pequim) são condomínios que recebem jornalistas do mundo todo.
A estrutura é sensacional. Na que estamos, são sei lá quantos prédios de 30 andares, com capacidade para 2.472 pessoas. Há vários tipos de apartamentos. O nosso tem uma salinha com geladeira, duas poltronas e uma mesa, um banheiro, dois quartos e uma suíte.
Aqui ao lado, banco, mercado, correio, academia de ginástica, piscina aquecida.
Tudo muito espartano, sem exageros, mas funcional, que é o que importa. Este, abaixo, é o glorioso quarto 1801-B da North Star Media Village.
Amanhã, com claridade, conto mais e faço mais algumas fotos. Está só começando.
PS: O céu por aqui está mais azul do que o de São Paulo nos últimos dias...
Fábio Seixas, 35, editor-adjunto de Esporte da Folha, é jornalista, com mestrado em Administração Esportiva pela London Metropolitan University, da Inglaterra.
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