Fábio Seixas

Automobilismo e pitacos sobre tudo o mais

 

Hora da xepa

A Olimpíada vai chegando ao fim, e é hora de comprar as famosas lembrancinhas.
 
Mas a idéia não foi só minha. Descobri hoje que chinês, como brasileiro, também gosta de deixar tudo para o final.
 
Tinha pouca gente na loja?
 
 
 
A superloja olímpica fica pertinho do MPC. Em relação ao Pan do Rio, duas diferenças: não há produtos em falta e os preços são bem mais camaradas.
 
Não vou contar os valores aqui, seria deselegância com quem vai ganhar. Para mim, comprei só um boné: US$ 10. Não é caro.

Escrito por Fábio Seixas às 03h42

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A menina do motorhome da Williams

Durante um bom tempo, 2004-2005, convivi com Maurren. Na F-1.
 
Namorada de Pizzonia, e suspensa por doping pouco antes do Pan de Santo Domingo, ela então havia abandonado completamente o esporte para se dedicar ao piloto e, mais tarde, à filha.
 
Sempre que cruzava com ela no paddock ou no motorhome da Williams, um mesmo pensamento passava pela cabeça. Algo na linha "e pensar que ela já foi uma atleta de ponta..."
 
Sim, porque Maurren sempre ali, tímida no motorhome lotado de ingleses, era mais uma namorada de piloto com o olhar perdido, era mais uma menina circulando com credencial VIP, era mais uma dona-de-casa aborrecida esperando o companheiro terminar o trabalho para levá-la para jantar.
 
Tenho uma foto com Maurren, Antonio e a menina Sophia num restaurante em Silverstone. Restaurante chinês, vejam só _quando chegar a SP, se eu lembrar, posto aqui.
 
Naqueles tempos, vira-e-mexe eu perguntava se ela voltaria ao esporte. A resposta era sempre um peremptório "não".
 
"Quem diria que ela já foi uma das maiores atletas do Brasil..."
 
Ontem a (agora ex-)namorada de piloto, a dona-de-casa, a mãe de Sophia tornou-se a primeira brasileira a conquistar um ouro individual olímpico.
 
O que só me faz admirar ainda mais sua aptidão natural para o esporte: mesmo com essa parada longa, ela conseguiu voltar. E neste nível.
 
Se a Ligia Kogos _dermatologista badalada de São Paulo e que estranhamente passou incólume pelo episódio do doping_ não tivesse dado um creminho errado pra ela em 2003...

Escrito por Fábio Seixas às 03h30

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Vertigem

Kari Kuukka é um fotógrafo finlandês e fez isto aqui para mostrar a posição em que estava para a final dos 100 m, no Ninho de Pássaro.
 
Sensacional.

Escrito por Fábio Seixas às 06h10

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Embaixador

Não imagino o nome dele. Só sei que é chinês, que ama o futebol brasileiro, que a camiseta dele era mais pirata que o Barba Ruiva e que tem uma boa garganta.
 
O rapaz aí gritou pelo Brasil o tempo todo no estádio dos Trabalhadores.
 
 
Por "tempo todo" quero dizer o tempo todo mesmo, sem exagero.
 
Ele puxou holas, provocou este americano que estava à frente aí na foto, gritou os nomes de Marta, Cristiane e Tiago _atacante do Beijing Guoan. No fim não perdeu a animação.
 
Fui dormir pensando se ele percebeu qual foi o placar...

Escrito por Fábio Seixas às 05h54

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O choro das meninas

O Brasil perdeu para os EUA no futebol, e foi um terrível déjà-vu encontrar aquelas meninas na zona mista, destruídas mais uma vez. Cristiane tentou falar, não conseguiu. Marta dizia-se com raiva. Rosana, a meiga Rosana, falou em derrota do talento para a eficiência. E Simone Jatobá, ramalhete de flores nas mãos, andando cabisbaixa para o ônibus...
 
Por coincidência, cobri as duas finais olímpicas do futebol feminino. E é difícil não se envolver emocionalmente com a batalha dessas garotas.
 
Todas são bacanas, todas são atenciosas, todas estavam tão animadas na véspera, querendo o ouro... Todas, agora, vão esperar alguma atenção da CBF, para nada. Nem o prêmio pela prata está acertado. Terão de buscar o exterior se quiserem continuar jogando bola. Que sejam felizes assim, porque merecem.
 
Desculpem, mas não sou um robô.

Escrito por Fábio Seixas às 03h00

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Tudo amarelo

Torcida amarelinha no estádio?
 
Sim, a cor é essa. Mas não exatamente por conta do Brasil. A chuva apertou por aqui, e a organização distribuiu capas de chuva para o público. Amarelas.
 
As americanas vão tomar um choque quando derem uma primeira olhada nas arquibancadas...

Escrito por Fábio Seixas às 08h37

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É só querer

Dia desses deixei meu cartão de visita na salinha do comitê olímpico dos EUA no MPC e desde então venho recebendo dezenas de e-mails diários sobre as atividades dos americanos: resultados, convocações para entrevistas, frases dos atletas, etc, etc...
 
E eis que acaba de pingar o comunicado que o USOC mandou aos jornalistas americanos sobre a final feminina do futebol.
 
Enquanto o COB lavou as mãos, dizendo que não tinha como intervir e que os brasileiros deveríamos retirar os ingressos a partir das 15h, o comitê dos EUA avisa que terá dois representantes no local, conhecedores da imprensa americana, para fazer a distribuição.
 
Há até uma relação de seis critérios, em ordem de importância, como "efetiva publicação da reportagem" e "órgãos representando cidades-natais de jogadoras".
 
Com a brasileirada, foi na base do "quem chegar primeiro, pegou".
 
E esse é só um exemplo banal de porque algumas coisas funcionam e outras não.
 
 
PS: Já na tribuna, enquanto japonesas e alemãs duelam pelo bronze. Por enquanto só dá Japão...

Escrito por Fábio Seixas às 07h28

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Espera e água

Ontem escrevi da bagunça que foi o trabalho da imprensa no Brasil x Argentina, culpa do desleixo do COI com o futebol e do oba-oba de quem não tinha o que fazer.
 
Pois os chineses aprenderam rapidinho. Com requintes de exagero.
 
Hoje, o Bocog forçou os repórteres a chegarem ao Workers' Stadium com SEIS HORAS de antecedência para retirarem uma senha. Sem papelzinho, sem lugar na tribuna.
 
Bom, se funcionar, ótimo. O estádio tem wifi em todo canto, dá fazer aqui o mesmo trabalho do MPC. Toquemos o barco.
 
Ah, sim: chove a cântaros.

Escrito por Fábio Seixas às 05h32

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De olhos bem puxados

As meninas da ginástica rítmica posaram assim para a "Gazeta do Povo" na edição do dia 15.

A idéia foi a mesma dos jogadores de basquete da Espanha e que gerou revolta dos patrulheiros do politicamente correto. E, até onde eu sei, no Paraná não houve grita de associações de imigrantes chineses nem de jornalistas dispostos a fazer de um ato ingênuo uma afronta étnica.
 
Essa chatice, pelo menos, ainda não nos invadiu. A dica foi do Paulo, de Curitiba.

Escrito por Fábio Seixas às 02h31

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Cenas chocantes

Cuidado. Se você costuma frequentar estádios ou ginásios no Brasil, as cenas a seguir são impactantes. São imagens nunca vistas por aí e que podem resultar em revolta, tristeza, melancolia.
 
Não diga que não avisei.
 
Eis, amigos, o banheiro do Ninho de Pássaro...
 
 
 

Escrito por Fábio Seixas às 02h02

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Bolt, glória e desconfiança

Bolt fez o que ninguém tinha feito, chegou onde ninguém havia conseguido chegar.
 
Ouro nos 100 m, ouro nos 200 m, recordes mundiais nas duas provas.
 
É claro que, à boca miúda, todo mundo levanta a suspeita de doping. O histórico, infelizmente, leva a isso. E convenhamos, a facilidade com que Bolt chegou a seus feitos é estranha, para o bem ou para o mal.
 
Quem ama o esporte, claro, torce para que o segredo seja a "mandioca de Trelawny", como o pai de Bolt disse após a final dos 100 m.
 
Quem já está escolado pelo caso de Marion Jones, o último fenômeno olímpico, vai ficar um bom tempo com o pé atrás _7 ou 8 anos ou mais.
 
É uma pena, talvez Bolt não mereça, talvez seja uma injustiça sem tamanhos, mas hoje tem que ser assim.

Escrito por Fábio Seixas às 01h14

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Remando

Sumiços do blog significam que estou de férias ou que estou trabalhando feito um remador viking.
 
O primeiro caso não é o caso.
 
Ontem acordei no Ninho de Pássaro, passei a noite no Worker's Stadium, virei a madrugada no MPC. Horário do busão pra Vila: 5h.
 
Claro, o ponto alto (ou baixo, dependendo do ponto de vista) foi o futebol. A seleção não jogou nada, nada, nada. Três argentinos, Messi, Aguero e Mascherano, jogaram muito. Deu no que deu, 3 a 0.
 
Mas baixo mesmo, sob qualquer ponto de vista, foi o que aconteceu na tribuna de imprensa. 
 
Noite fraca na programação dos Jogos, o lugar ficou lotado. Trabalhando, uns 10%. O resto, atrapalhando. Bicões de todas as nacionalidades para todos os lados, gente sentada nos degraus complicando o entra-e-sai de quem precisava fazer suas matérias.
 
 
Erro, também, da organização, que não previu que um Brasil x Argentina precisaria de limitação para o acesso dos credenciados _como aconteceu na cerimônia de abertura e em todas as finais da natação.
 
Cereja do bolo, Márcio Bernardes, da rádio Transamérica, tirou hoje a camisa em plena tribuna de imprensa durante a semifinal dos brasileiros no vôlei de praia. É demais...

Escrito por Fábio Seixas às 02h07

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O balde

Depois do já célebre purê-de-sei-lá-o-quê, ontem tive minha segunda incursão no maravilhoso mundo da comida instantânea chinesa.
 
O motivo, claro, a falta de tempo. Aliás, que outro motivo há para apelar pra algo assim?
 
No mercadinho da Vila de Imprensa, já escolado pela primeira experiência mal-sucedida, resolvi mudar de estilo. Malandrão, passei batido pelos purês e fui direto para a popular gôndola dos atraentes baldes de lâmen, nosso miojo.
 
Após uma pesquisa cuidadosa, selecionei os sabores de carne e frango. Que identifiquei pelas simpáticas figuras, vejam só, de uma vaquinha e uma galinha no rótulo. O camarãozinho, embora sorridente, preferi deixar para uma próxima.
 
Por dias e dias, os pequenos baldes de isopor restaram sobre a mesa do hall. Madrugada após madrugada, eu abria a porta e os encarava com certo ar de triunfo. Afinal, estava conseguindo sobreviver sem eles. "Quem sabe não levo de lembrança para o Brasil", cheguei a pensar.
 
Não deu.
 
Ontem fui indo, indo, indo, não consegui jantar. Quando enfim acabei a última missão faltavam 10 minutos para o ônibus partir. Saí em desabalada carreira atrás do dito-cujo, com um pensamento fixo: frango ou carne?
 
Em pé ao lado do motorista no ônibus lotado, não cheguei a uma conclusão, olhar atráido pelo velocímetro que não passava dos 20 km/h. Sentimento que nunca imaginei ter, bateu uma enorme saudade dos motoristas de ônibus do Rio.  A única decisão que tomei foi passar antes pelo refeitório _que na madrugada só serve cerveja_ para pegar talheres. Afinal, como eu comeria aquele negócio?
 
Cheguei ao quarto, dei uma última olhada nos pequenos baldes de isopor e decidi sacrificar o alegre bovino-fazendo-joinha. 
 
 
Água fervida, a aventura então começou pra valer.
 
Acredite: um produto vendido num mercadinho frequentado apenas por jornalistas internacionais não trazia UMA instrução em inglês. Ok, sei que preparar lamen não é exatamente uma façanha culinária, mas o lamen-da-vaquinha-sorridente exigia algum preparo. O motivo, o kit de pacotinhos que encontrei dentro do balde.
 
(Havia um microgarfo e uma microcolher, diga-se. Apropriados, talvez, para o Flávio Gomes. Não para mim.)
 
Enfim, de volta aos pacotinhos. Água fervida, já cozinhando o pálido macarrão, tentei desvendar o que eram. 
 
Abri o primeiro, um pó, como o do nosso conhecido miojo. Foi pra água.
 
Peguei o segundo, um líquido vermelho. Lembrei de uma experiência desagradável passada na Malásia em 1999 _culpa, vejam só, do supracitado colega_ e deixei de lado.
 
O terceiro foi um choque. Parecia... Parecia... Bom, veja a foto e tire sua conclusão.
 
 
Olhei para aquela pasta, olhei para o conteúdo do balde, nada atraente e nada parecido com a foto na tampa. E o negócio foi pra água.
 
Minutos depois, o lamen-da-vaquinha-sorridente virava história.
 
 
Consistência: 7. Sabor: 3. Oleosidade: 9,75. IQG (índice de quebra-galho): 10.

Escrito por Fábio Seixas às 03h22

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Boa vizinhança

A convivência com gente do mundo todo no MPC cria situações engraçadas.
 
Na nossa mesa, além do Freddie Mercury e de seu colega de bigode, há uma turma da Nova Zelândia. Os kiwis são gente boa, tranqüilos, também já entraram na dança. Já dei até tchauzinho pela webcam para o filho de um deles, em Auckland.
 
Mas o fato é que só há uma TV na mesa. E dividir essa tela vira um exercício de diplomacia. Americanos, brasileiros e neozeolandeses têm interesses diferentes e que, muitas vezes, acontecem nos mesmos horários.
 
Como hoje.
 
Cheguei ao MPC por volta das 10h, louco para sintonizar a TV na natação. Phelps, afinal, entraria de vez para a história. Caminhei apressadamente para a mesa confiando nos colegas americanos e, quando cheguei, encontrei ciclismo. Sim, ciclismo!
 
Phelps prestes a conseguir o mítico oitavo ouro olímpico, superando Spitz, e os neozeolandeses vidrados na primeira eliminatória da prova de perseguição por equipes. Primeira eliminatória!
 
Tentei argumentar daqui, dali, não funcionou. Eles estavam irredutíveis. O jeito vai ser ver no telão, pensei. Fiquei com um olho no peixe, outro no gato.
 
No telão, Phelps chegava para a prova. Na TV, a gloriosa equipe dinamarquesa pedalava. No telão, Phelps era anunciado. Na TV, a gloriosa equipe britânica pedalava. Na TV, Phelps subia no bloco. Na TV, a competição acabava, com os gloriosos kiwis em segundo lugar.
 
"Ok, swimming", disse o cara de Auckland, aquele da webcam.
 
Política de reciprocidade: agora é hora de analisar a agenda de competições da Nova Zelândia e preparar o troco.

Escrito por Fábio Seixas às 04h31

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PERFIL

Nina Horta Fábio Seixas, 37, é jornalista com mestrado em Administração Esportiva pela London Metropolitan University, da Inglaterra, e Coordenador de Produção da Sucursal da Folha no Rio. É colunista de automobilismo da Folha e do UOL.


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