Hamilton confirmou no treino official em Xangai aquilo que demonstrou nas sessões livres.
Foi absoluto. E com um carro visivelmente mais bem equilibrado que os da concorrência, conquistou com facilidade a pole para o GP que pode lhe dar o título mundial.
Foi a sétima pole do inglês na temporada, a 13ª na carreira. Iguala Barrichello e torna-se, assim, o quarto piloto em atividade em poles, atrás de Alonso (17), Raikkonen (16) e Massa (14).
Mais do que essa marca, porém, o que importa nesta pole é o significado para o campeonato.
Raikkonen em segundo, claro, vai abrir passagem para o companheiro. Os rivais que se entendam, e a vantagem é toda do inglês.
Mas essa vantagem vai durar? Não vai patinar como em Fuji? Sim, a largada é no fim da madrugada, 5h no horário de Brasília, mas não dá pra perder por nada...
O treino oficial aconteceu com sol, 35ºC no ar, 28ºC no asfalto.
No Q1, foram cortados Coulthard, Nakajima, Button, Sutil e Fisichella. Lá na frente, Hamilton foi o mais rápido, com 1min35s566, seguido por Kovalainen, a 0s057. Vettel foi o terceiro, com Alonso e Massa na cola.
Barrichello pela primeira vez desde o GP do Canadá, no início de junho, conseguiu sobreviver à primeira degola. Mas, como esperado, não passou da segunda: foi 14º colocado. Foram limados, ainda, Nelsinho, Kubica (!!!), Glock e Rosberg.
Aqui, dois destaques.
O primeiro, para Nelsinho. Webber, que passou para o Q3, trocou motor e vai largar do fundão. Ou seja, o brasileiro da Renault vai sair em décimo, podendo jogar com combustível. Ficou de bom tamanho, portanto.
O segundo, para Kubica. E a expressão do polonês, ao fim do Q2, mostrava tudo. Nem ele entendeu o que aconteceu com seu carro, que pulava a cada curva.
Na frente, de novo, melhor marca para Hamilton, 1min34s947, a melhor do fim de semana, a única na casa do 1min34s. Massa foi o segundo, a 0s188. Passaram, ainda, Kovalainen, Raikkonen, Vettel, Heidfeld, Alonso, Bourdais, Webber e Trulli.
No Q3, não deu pra ninguém. Mesmo errando na sua primeira volta lançada, Hamilton não perdeu o controle. Depois que todos trocaram pneus, ele voltou a voar e marcou 1min36s303.
Raikkonen ficou a 0s342. Massa, a 0s586.
Se Hamilton sair ileso da primeira curva, tem carro para sumir na frente. Cabe a Raikkonen e a Massa não deixar que isso aconteça. Repito: não dá pra perder essa largada.
No terceiro treino livre, deu Heidfeld, com 1min36s061. Hamilton foi o segundo, a 0s074.
Mas rolou um déjà vu. O inglês rodou no mesmo ponto em que atolou no ano passado, na saída dos boxes. Desta vez, conseguiu voltar para a pista. Mas, novamente, o fantasma de 2007 surgiu...
Massa foi só o 12º, imediatamente atrás de Nelsinho e Barrichello.
Já era hora de a Ferrari ter feito alguma coisa. Em três sessões, em nenhum momento a equipe italiana mostrou serviço. Não acho que esteja escondendo o jogo. Acho que está mesmo é um pouco perdida.
A resposta definitiva virá daqui a pouco, às 3h. Inté.
O líder do Mundial começou bem logo de cara, mas revezando com as Ferrari na ponta. De repente, porém, passou a melhorar, melhorar, melhorar. Ficou inalcançável.
Fechou a sessão com 1min35s630, 0s390 mais rápido que Massa _uma diferença considerável. Raikkonen foi o terceiro, a 0s422. Kovalainen ficou em quarto, seguido por Kubica e Alonso.
Nelsinho foi o nono. E Barrichello, o 17º.
No fim da sessão, a Ferrari deu toda a pinta de treinar com o tanque mais cheio. Mas, enfim, mesmo que não tenha sido isso, ainda é cedo. Vamos acompanhar com atenção o segundo treino, a partir das 3h.
Os pilotos vão chamar Hamilton na chincha na reunião de amanhã, em Xangai.
O motivo é o que seus colegas chamam de "agressividade excessiva nas freadas".
"Você não pode se mover nas áreas de frenagem daquela maneira", disse Webber, sobre a primeira curva do inglês em Fuji.
"Um comissário morreu em Monza porque havia gente fazendo esse tipo de coisa. É sobre isso que vamos conversar", completou o australiano, dirigente da GPDA, referindo-se ao GP da Itália de 2000. Trulli também chiou.
Atenção: não são os comissários falando. São aqueles que dividem freadas com o talvez futuro campeão da F-1.
Se você já passou dos 30 e visita este blog, saiba que há exatos 25 anos você provavelmente estava torcendo loucamente pelo sujeito abaixo...
Sim. Em 15 de outubro de 1983, em Kyalami, na África do Sul, Piquet largou em segundo com a Brabham e terminou em terceiro, conquistando o bicampeonato mundial.
Antes da corrida, ele era o segundo no campeonato, com 55 pontos, dois a menos que Prost. Arnoux, com 49, também tinha chances matemáticas.
Arnoux abandonou na nona volta, quebra do motor Ferrari. Vinte e seis voltas depois, foi a vez de Prost abandonar, com um problema no turbo da Renault.
Para Piquet, portanto, bastava cruzar a linha de chegada em quarto. Ele foi uma posição além.
Duas curiosidades: 1) a corrida aconteceu num sábado; 2) naquele ano, antes da penúltima corrida, Piquet era o terceiro no campeonato, com cinco pontos a menos que Prost.
Um abraço pro Diego Maulana, que me lembrou da data. Que, por sua vez, me fez lembrar do adesivo da Brabham que meu primo Fernando tinha na porta do quarto dele e que me matava de inveja...
Me convence que o céu Faz tudo ficar infinito" (Cazuza)
Pois é, lá vem mais um final de semana virando a madrugada. Sorte dos insones. Recorte e guarde a programação do fim de semana, no horário de Brasília:
Quinta-feira
23h-0h30: 1° treino livre
Sexta-feira 3h-4h30: 2° treino livre
Sábado 0h-1h: 3° treino livre 3h-4h: treino oficial
O Eugênio Fuzikawa está em Xangai, para assistir ao GP, e vai nos abastecer de curiosidades e fotos nos próximos dias.
Lá vai a estréia...
"Estou em Nantong, cidade próxima a Xanghai, a trabalho. Calhou de eu vir pra cá justamente na época do GP. Claro que não poderia deixar passar e estarei lá. Gostaria de compartilhar com você a experiência aqui na China.
Anexei duas fotos que tirei, uma da placa da rodovia que leva ao circuito (Shanghai - Nantong) e outra do ingresso.
Repassarei mais fotos no fim de semana, quando provavelmente estarei nos treinos e também da corrida,claro.
Detalhe: ainda há ingressos disponíveis na semana da corrida. Comprei o meu ontem, por 780 yuans, que dá aproximadamente R$ 260. No Brasil, acabou há meses, acho que o interesse chinês ainda não é tão grande......"
Ao Eugênio, um abraço.
E uma resposta: o interesse por F-1 na China é mesmo muito pequeno. O que causa um enorme contraste com a megalomania do autódromo: são milhares e milhares de assentos vazios no fim de semana.
Sou cricri, admito. Às vezes pego muito no pé de uns e outros e já peguei muito no pé daqueles que cuidam de Interlagos.
Mas quando é o caso de elogiar, os elogios precisam ser feitos. E é o caso de Interlagos.
Pouco a pouco, o circuito vai ficando com cara de autódromo europeu, com arquibancadas de alvenaria, paddock amplo, mais espaços para circulação.
Ainda tem problemas, claro, principalmente nos setores da Reta Oposta, que continuam montados em estruturas tubulares, com banheiros químicos, lanchonetes improvisadas... Mas é até compreensível: uma estrutura fixa, naquele pedaço, ficaria às moscas durante todo o ano, não se justificaria.
Enfim, gostei. E segue um pouco do que vi. Ainda hoje, coloco aqui a reportagem que fiz pro UOL lá no circuito.
Pintura no muro da Reta dos Boxes
Acionar as luzes da largada é mais fácil do que parece
O morro na curva do Sol foi recuado para facilitar o resgate
A visão da curva do Sol, entrando na Reta Oposta
A descida do S do Senna
Montagem de arquibancadas na Reta Oposta
Ajuste de desnível em área de escape da curva do Lago
A nova cobertura sobre os boxes, que será definitiva
Novo lance de arquibancadas fixas na Reta dos Boxes
A obra mais atrasada, a base dos Hospitality Centres
O Leandro Alvares, do blog Stop & Go, fez um levantamento interessante.
Em Fuji, Bourdais se tornou o 15º piloto a liderar um GP nesta temporada.
Tanta gente sentindo esse gostinho era algo que não acontecia desde 1975. E que aconteceu em apenas outras quatro temporadas na história: 1954, 1956, 1957 e 1960.
Por que isso demorou tanto para acontecer? Acho que porque a F-1 viu duelos entre dois, três, no máximo quatro pilotos dos 80 até meados dos 90.
E porque viu domínios como os de Schumacher (00-04), Lauda (77), Prost (85 e 93), Senna (91) e Mansell (92) _Piquet sempre ganhou campeonatos apertados.
Enfim, eu fiquei curioso no fim de 2006 para saber como seria a nova F-1. E é essa aí, uma das mais democráticas da história.
A foto não é inédita, está na capa de Esporte da Folha nesta segunda, mas não teve jeito. Olhei todas as 1.021 imagens que chegaram de Fuji e esta é a melhor mesmo...
O autor do clique superoportunista, Toru Hanai, da Reuters.
Alonso disse que, se puder, ajudará Massa. Pode ser uma ajuda valiosa, mais até que a de Raikkonen. Mais vontade para isso, pelo menos, o espanhol tem;
"Foi quase tão deliberado quanto pode ser", disse Hamilton, questionado se Massa bateu nele de propósito. É claro que o brasileiro endureceu o jogo, era o que tinha de ser feito. Mas continuo achando que ele não tinha muita opção. Espremidos daqueles jeito, algum toque sairia;
Logo depois da prova, escrevi que, na minha visão, Massa não merecia a punição pelo choque e que, no lance com Bourdais, o brasileiro é que deveria ter sido punido. Escrevi ainda que a punição a Hamilton foi bem dada. Hoje, após rever e rever as cenas, mantenho as primeiras opiniões, mas confesso que tenho dúvidas sobre o drive through para o inglês. Minha única certeza é que o rigor dos comissários está maior nesta temporada. Sim, isso é amplamente discutível, assunto para debates e mais debates. Mas, enquanto isso, seria inteligente por parte dos pilotos terem mais cautela;
Acho que Nelsinho segurou o lugar dele na Renault para 2009;
Acabo de vir de Interlagos. O ritmo por lá está intenso, mas diferentemente de anos anteriores, o trabalho pesado está concentrados nos bastidores, não na pista em si. Gostei do que vi, principalmente da construção de mais arquibancadas fixas e de um platô para montagem dos hospitaly centres. Cada vez, a prefeitura gasta menos com aquelas horrendas (e caras) arquibancadas tubulares. Ano a ano, aquilo ali vai ficando com cara de autódromo. Mais tarde coloco as fotos aqui.
O espanhol teve o mérito de se livrar das confusões na largada, passou Kubica no primeiro pit stop e, acelerando muito no segundo trecho da prova, abriu vantagem suficiente para parar antes e mesmo assim manter a ponta.
Dos 48 pontos de Alonso no campeonato, 20 foram marcados nas duas últimas provas. Vai ser difícil alguém tirar o espanhol de lá.
Falando em campeonato, e os duelistas?
Hamilton parece louco para jogar tudo pelo espaço. Largou feito um louco, espremeu Raikkonen, mereceu a punição. Terminou em 12º. Não parecia piloto lutando por título.
Massa ficou encaixotado na largada, não teve muito o que fazer e, na opinião deste blogueiro, não mereceu a punição pelo lance com Hamilton.
Ok, ele colocou duas rodas na grama. Mas se ele não fizesse isso, colocaria as outras duas em cima do inglês. Enfim, os comissários pensaram diferente.
Após os drive throughs, Massa ainda tentou fazer alguma coisa. Conseguiu algumas boas ultrapassagens, tentou um segundo stint mais longo, chegou a rodar num encontrou com Bourdais _vi erro do brasileiro_, cruzou em oitavo, marcou um ponto. Hamilton sumiu, ninguém sabe, ninguém viu.
Destaque ainda para a boa corrida de Nelsinho. Ele largou pesado, adiou muito a primeira parada, acelerou quando estava mais leve, foi preciso ao seguir a estratégia. Terminou em quarto, grudado em Raikkonen, resultado que deve ajudar para 2009.
Kubica foi segundo, após segurar brilhantemente o finlandês, que foi o terceiro mesmo com um carro bem mais rápido.
Entre Hamilton e Massa, a diferença caiu de sete para seis pontos. Mas há uma corrida a menos para o brasileiro tentar descontar.
Num cenário normal, eu jogaria mais uma pá de terra nas chances de uma virada.
Mas com Hamilton fazendo lambança desse jeito, sei não...
Fábio Seixas, 37, é jornalista com mestrado em Administração Esportiva pela London Metropolitan University, da Inglaterra, e Coordenador de Produção da Sucursal da Folha no Rio. É colunista de automobilismo da Folha e do UOL.
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