Fábio Seixas

Automobilismo e pitacos sobre tudo o mais

 

Fala, Barrichello

"O carro está bem melhor do que em Spa. Mas eu tive um problema na largada na Bélgica e a equipe está falando que esse câmbio não deve durar quatro corridas. Se não deve durar quatro corridas, a melhor estratégia é trocar aqui, porque aqui é possível fazer ultrapassagens."
 
Barrichello falou aos jornalistas brasileiros em Monza, após a classificação. Para ler e ouvir tudo, dê um pulo aqui.

Escrito por Fábio Seixas às 16h08

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Na balança

Saiu a lista dos pesos.

Que é esta:
 
Lewis Hamilton (McLaren), 653,5 kg*
Adrian Sutil (Force India), 655*
Kimi Raikkonen (Ferrari), 662*
Fernando Alonso (Renault), 677,5*
Vitantonio Liuzzi (Force India), 679,5*
Sebastian Vettel (Red Bull), 682*
Heikki Kovalainen (McLaren), 683*
Mark Webber (Red Bull), 683*
Jenson Button (Brawn), 687*
Robert Kubica (BMW), 697,5
Rubens Barrichello (Brawn), 688,5*
Giancarlo Fisichella (Ferrari), 690
Nick Heidfeld (BMW), 697,5
Romain Grosjean (Renault), 699,8
Jarno Trulli (Toyota), 703
Sebastién Buemi (Toro Rosso), 706
Jaime Alguersuari (Toro Rosso), 706
Kazuki Nakajima (Williams), 706,2
Nico Rosberg (Williams), 708,6
Timo Glock (Toyota), 709,8
 
Marcados com asterisco, os pilotos do Q3.
 
Hamilton, o pole, é o mais leve do grid, seguido por Sutil. Ambos devem parar na mesma volta, ou com uma volta de intervalo, no máximo.
 
Raikkonen parece, também nesta lista, numa boa situação. Carrega 8,5 kg a mais que Hamilton e, com Kers, larga em terceiro. Se fizer um bom início de prova, só terá que se preocupar com a turma que planeja um pit.
 
E Button e Barrichello são os dois expoentes deste grupo. Ainda não há uma definição sobre o câmbio do brasileiro, mas se ele conseguir sair em quinto, terá enormes chances de vencer _até porque, mesmo mais pesado, foi melhor que o inglês no Q3.
 
Button deve estar mais atento do que nunca ao que acontece com o carro do companheiro. Com o brasileiro na sua frente no grid, tem chances, claro. Mas sem ele, suas possibilidades se multiplicam.
 
E vocês? O que acharam? Algo a acrescentar? 

Escrito por Fábio Seixas às 14h31

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Acelerou, rodou, bateu

Sobre o relatório da telemetria de Nelsinho que circula por aí: acho importante, mas acredito também que é fácil de ser desmontado pela Renault em sua defesa.

Afinal, para rodar, um piloto precisa errar.

Escrito por Fábio Seixas às 13h06

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Barrichello em risco

A Brawn está preocupada com o câmbio de Barrichello, sob suspeita desde o final da prova em Spa. Neste momento, os engenheiros analisam a situação. Em caso de troca, o brasileiro, perderá cinco posições no grid.

 

A história está lá no Tazio.

Escrito por Fábio Seixas às 12h38

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Hamilton, pole esperada

Em Monza, pole de Hamilton.

Um resultado que não surpreende. Apesar dos rompantes da Force India, o inglês e sua McLaren foram o conjunto com desempenho mais consistente nos treinos livres.

 

É a segunda pole de Hamilton na temporada, a 15ª na carreira, o que já o coloca como o terceiro piloto em atividade que mais largou na frente _atrás apenas de Alonso e Raikkonen e empatado com Massa. Para quem estreou em 2007, é louvável.

 

Em segundo, Sutil. Que não foi uma grande ameaça à pole, mas que deixou outros 18 pilotos para trás. Parabéns, portanto. Na segunda fila, dois finlandeses: Raikkonen e Kovalainen.

 

Depois, Barrichello e Button, o duelo pelo título.

 

O dia em Monza foi interessante.

 

Pela manhã, a surpreendente Force India continuou na frente. Sutil foi o mais veloz, com 1min23s336, seguido por Button, Heidfeld, Barrichello e Hamilton.

 

Mas o raio da pole indiana não caiu duas vezes no mesmo lugar. No treino oficial, as coisas voltaram mais ou menos ao normal.

 

A sessão aconteceu com calor, 26ºC no ar, 40ºC no asfalto.

 

No Q1, deu Raikkonen, 1min23s349. A seguir, Hamilton, Button, Barrichello e Kovalainen.

 

Os cortados, Glock, Nakajima, Rosberg, Buemi e Alguersuari _numa pista veloz como Monza, três motores Toyota ficaram na.primeira degola, um enorme vexame.

 

O segundo bloco do treino mostrou que a briga pela pole seria ferrenha. Barrichello conseguiu logo de cara uma voltaça, mas depois foi superado por Hamilton e Button.

 

O líder do Mundial fechou o Q2 com a melhor marca do fim de semana, 1min22s955. O inglês da McLaren foi o segundo, a 0s018. O brasileiro ficou em terceiro.

 

Os outros classificados para a luta pela pole foram Sutil, Liuzzi (aplausos, mais uma vez, para a Force India), Webber, Raikkonen, Alonso, Kovalainen e Vettel.

 

Fracassaram Trulli, Grosjean, Kubica, Fisichella (que, aos 36 com 14 temporadas nas costas, admitiu "nervosismo") e Heidfeld. Os dois pilotos da BMW sequer terminaram o treino, encostaram na grama com problemas mecânicos e por lá ficaram. Motor? No caso do alemão, pelo menos, ficou parecendo...

 

E veio o Q3!

 

Com Hamilton na pole position, sem grandes problemas.

 

Sutil até ameaçou no final, com seu 1min24s261. Mas o inglês estava mesmo mais forte na pista, fez uma última volta redondinha e cravou 1min24s066, folga de 0s195.

 

Raikkonen sai em terceiro, com Kers e, portanto, com gigantescas chances de avançar bem logo na largada. Kovalainen é o quarto.

 

Na terceira fila, Barrichello e Button, claramente em estratégias de tanque cheio. Vai ser interessante acompanhar este duelo tático/fraterno entre os dois. Duelo pelo campeonato, com um pit wall no meio.

 

A seguir, fechando o top 10, Liuzzi, Alonso, Vettel e Webber.

 

Agora é esperar a lista de pesos. Mas, por ora, coloco Hamilton e Raikkonen como os grandes favoritos à vitória.

Escrito por Fábio Seixas às 10h23

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Baixaria no Nelsinhogate

Briatore, como é do seu feitio, jogou pesado hoje.
 
Em várias conversas com jornalistas do mundo todo em Monza, insinuou homossexualidade de Nelsinho. Afirmou que, atendendo a um pedido pessoal de Nelsão, tirou o garoto de Oxford, onde vivia com um homem mais velho, e o levou para morar em seu próprio prédio em Londres.
 
Chamou ainda Nelsinho de menino mimado, que sempre correu em equipes do pai e que "perdeu a cabeça" ao encarar uma competição de verdade, a F-1.
 
Mais: o italiano cavou o passado. Disse que Nelsão sempre arranjou problemas por onde passou. Lembrou da mulher do Mansell, das polêmicas com Senna...
 
Por fim, confirmou que a Renault pretende processar Nelsão e Nelsinho em Londres e Paris pelo que chamou de "mentiras ultrajantes".
 
Começando do começo: e daí se Nelsinho for homossexual? Isso faz dele mais ou menos piloto? Em que medida isso aliviaria ou complicaria as acusações sobre Cingapura? Será que Briatore acha que a FIA vai levar menos a sério o depoimento do brasileiro? 
 
Nada disso. Na verdade, acho que foi mais uma farpa lançada apenas para esquentar a polêmica e pegar num ponto sensível para Nelsão. Afinal, o tricampeão usou do mesmo ardil quando quis subir o tom e abaixar o nível na briga com Senna. É ridículo, é apelativo. E há tempos já não é xingamento nenhum. É um comportamento retrógrado e risível, de dar pena. É bobo, até.
 
Sobre Nelsinho ser menino, já escrevi até coluna sobre isso. Neste ponto bem específico, e não confundam as bolas, Briatore tem razão. Na época de F-3 sul-americana, quando era proibido testar, Nelsinho passava dias e dias treinando em circuitos pelo interior do país com carenagens levemente modificadas, para burlar o regulamento. Na F-3 inglesa, a diferença de estrutura entre sua equipe e as demais era de água e vinho (ou vice-versa, acho que fica mais apropriado). Na F-1, raramente esteve realmente focado. Vivia cercado de amigos, curtindo as tentações que aquele mundo oferece. Deu no que deu: desempenho fraco, que foi o estopim para a demissão e todo o imbróglio que segue.
 
Processar os Piquet, é direito da Renault. Assim como é direito dos Piquet se defenderem e contra-atacarem. E sobre o passado de Nelsão, cadê a novidade? Os Piquet poderiam lembrar que o italiano foi acusado de esbofetear a Naomi Campbell, por exemplo. O armário de Briatore está cheio, lotado de esqueletos...
 
Não é questão de tomar partido. Porque não há partido a ser tomado. Bato, de novo, na tecla de que não há mocinhos na história.
 
Ontem, escrevi que Nelsinho, ao confessar ter batido de forma proposital, admitiu também a atitude mais vergonhosa já tomada por um esportista brasileiro em todos os tempos.
 
(A comparação com Senna é absurda porque foi um revide e porque ele estava lutando por um título. Foi feio? Foi. Mas eu comparo com um lance pesado no futebol entre dois jogadores dividindo uma bola. A comparação com Barrichello também não cabe, na minha opinião. Foi feio? Demais, mais do que as batidas em Suzuka. Mas foi tudo feito às claras, de maneira gritante até, e não influenciou nos resultados de outros pilotos na prova.)
 
Hoje, escrevo que Briatore perdeu a mão na discussão. Surtou. Completamente. Talvez porque esteja vendo a vaca (com Kers) correndo pro brejo.
 
Algumas perguntas/divagações, para terminar o post que já vai longe e que certamente terá desdobramentos...
 
1. E se Nelsinho tivesse um contrato com a Renault até 2056? Nunca saberíamos disso tudo, imagino. Cai, assim, a máscara de baluarte da Justiça do garoto.
 
2. O que deveria interessar à FIA é descobrir se houve mesmo premeditação. Se houve, todos devem ser punidos exemplarmente. Saber quem sugeriu e quem acatou é o de menos. Todos os que executaram algo assim estão sujos, esportivamente imundos.
 
3. Alonso foi criado por Briatore desde a F-3000 e adotado pela Renault. É o piloto líder do time. Para que tudo desse certo em Cingapura, ele precisaria também estar no lugar certo na hora certa. Parece-me absurdo imaginar que nem Briatore nem Symonds (para não dizer ambos juntos) tenham contado os planos para o espanhol.
 
4. Nelsinho terá imunidade, diz a FIA. Delação premiada. Até aí, ótimo pra ele: o dinheiro do pai pode comprar uma vaga em 2010. Mas dinheiro nenhum apagará o que aconteceu. E acho que os patrocinadores das equipes não acharão tão bacana estampar suas marcas no macacão de um piloto com uma ficha tão complicada.

Escrito por Fábio Seixas às 17h32

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Fala, Barrichello

"Acho que Ferrari e McLaren estão bem, mais a McLaren. Acredito que a gente ainda tenha surpresas com o carro do Alonso com o Kers, com a Force India... Enfim, alguns carros podem surpreender. Não sei até que ponto a BMW pode surpreender."
 
Este, Barrichello falando aos jornalistas brasileiros em Monza. O que pode ser traduzido como "está tudo muito embaralhado".
 
Para ouvir a entrevista, dê um pulinho no Tazio.

Escrito por Fábio Seixas às 17h24

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Monza, 1° e 2° treinos livres

Em Spa, primeira pole, primeiro pódio.
 
Fogo de palha? Blefe para encaixar Fisichella na Ferrari? Casamento único entre carro e pista?
 
Talvez não. Em Monza, o melhor tempo no primeiro dia de treinos foi da Force India, com Sutil: 1min23s924.
 
Ok, Monza guarda algumas semelhanças com Spa em termos de velocidade, esta foi apenas a sexta-feira, Sutil não deve lutar pela vitória. Mas o crescimento da Force India é inegável, fruto de uma evolução aerodinâmica que fez juz ao motor Mercedes. A equipe está de parabéns, pois.
 
Grosjean (??!!) foi o segundo, seguido por Alonso, Kovalainen, Kubica e Glock. Hamilton foi só 11°. Webber ficou 14°. Barrichello foi o 16°, três posições melhor que Button. Vettel cravou o 18° tempo.
 
Ou seja, a turma da frente usou este segundo treino para pensar mais na corrida, e é mais sensato analisar a primeira sessão.
 
Que teve dobradinha da McLaren na frente, com Hamilton e Kovalainen. Sutil em terceiro, seguido por Alonso. Button foi sétimo, Barrichello ficou em 12°. Webber e Vettel, em nono e 18°, respectivamente.
 
A McLaren parece ser a equipe com mais força até agora. Depois, aparecem Brawn e Renault _prefiro observar mais a Force India amanhã. A Red Bull claramente segurou Webber e Vettel, preocupada com o baixo estoque de motores. A Ferrari ainda não disse a que veio.
 
Ah, sim: Fisichella foi o oitavo pela manhã e o último à tarde. Mas é experiente, é bom piloto, vai se recuperar no sábado. Outro Badoer seria demais para os tifosi.

Escrito por Fábio Seixas às 11h45

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A confissão de Nelsinho

Ainda estou em miniférias, fora do país. Daqui a pouco tenho um voo, chego a São Paulo nesta sexta-feira e então retomarei as atividades _no blog, na Folha, nas rádios e por aí vai.

Ao contrário do que eu planejei, não consegui desligar da F-1 nos últimos dias. O motivo, claro, o caso Cingapura-2008.

Não escrevi antes porque faltava a palavra do Nelsinho. Eu achava precipitado emitir um julgamento antes disso. E, no fundo, no fundo, torcia para que tudo não passasse de um enorme e rocambolesco mal-entendido.

Mas, enfim, surgiu o depoimento de Nelsinho à FIA. Cheio de informações. Minuciosas. Sórdidas.

Prometo analisar tudo com mais calma nos próximos dias. Por ora, apenas isso: é a atitude mais vergonhosa já tomada por um esportista brasileiro em todos os tempos.

Lembra aquela boba história infantil do "se eu te mandar pular da janela, você pula?" Nelsinho pularia. Briatore também.

É o típico caso em que não há mocinhos. Não interessa mais quem propôs, quem sugeriu, quem analisou, quem aceitou, quem só ouviu falar e calou. Todos os lados estão sujos, imundos. Todos os participantes de tal engodo devem ser banidos do esporte _e ainda não me convenci da inocência de Alonso.

De novo: quando chegar em São Paulo, escrevo mais. Até.

Escrito por Fábio Seixas às 16h45

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PERFIL

Nina Horta Fábio Seixas, 37, é jornalista com mestrado em Administração Esportiva pela London Metropolitan University, da Inglaterra, e Coordenador de Produção da Sucursal da Folha no Rio. É colunista de automobilismo da Folha e do UOL.


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