Fábio Seixas

Automobilismo e pitacos sobre tudo o mais

 

Sábado, Rio, bermuda, chinelo, coluna

A 300 metros da bandeirada, Nuvolari parou. "Estou sem gasolina!", gritou. Varzi venceu. A coisa foi tão escancarada, os envolvidos festejaram tanto e falaram tanto, que o escândalo tornou-se público logo depois.
 
Cogitou-se cassar as licenças dos pilotos. Mas eram todos estrelas. Os comissários imaginaram que uma punição severa daria mais publicidade à imundice, mancharia o esporte.
 
O histórico de impunidade da F-1, que dá margem para o surgimento de Briatores, Symonds e Nelsinhos, é o tema da coluna de hoje.
 
A íntegra está aqui, para assinantes da Folha e do UOL.

Escrito por Fábio Seixas às 11h49

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Briscoe erra, Dixon vence

Na Indy, uma barbeiragem incrível deve custar o título a Briscoe.
 
O australiano, único piloto que largou em Motegi com chances de fechar o campeonato por antecipação, saiu do pit lane feito uma vaca brava, atropelou um cone, acertou o muro. Ainda conseguiu voltar aos boxes, regressar à pista, mas terminou só em 18º.
 
Não foi só. Para complicar ainda mais sua vida, a penúltima etapa do campeonato teve dobradinha dos seus rivais da Ganassi. Dixon venceu, com Franchitti em segundo _Rahal ficou terceiro e Moraes novamente foi o melhor brasileiro, desta vez em quinto lugar.
 
Com o resultado, Dixon reassumiu a ponta do campeonato, com 570 pontos. Franchitti foi a 565. Briscoe, com 562, caiu para a terceira posição.
 
Em Homestead, a conta é a mais clara possível. Entre esses três, quem vencer a corrida leva o campeonato _Briscoe só precisa torcer para Dixon não ser o piloto com mais voltas na liderança.
 
Em tempo: esta foi a quinta vitória de Dixon. Ele merece o título.

Escrito por Fábio Seixas às 02h23

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A maior categoria do Brasil

Pizzonia era o quarto colocado na classificação da Stock Car, presença quase garantida naquela chatice de playoff.
 
Era. Vai perder posições neste fim de semana.
 
Porque nem o fato de estar tão bem no campeonato ajudou o amazonense. Sua equipe, a Amir Nasr, simplesmente não apareceu em Jacarepaguá. O motivo, o de sempre: falta de grana.
 
É esta a principal categoria do automobilismo brasileiro. Náuseas.

Escrito por Fábio Seixas às 22h32

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O país da F-1

A colaboração hoje é da Fran, direto do Rio Grande do Sul.
 
"Esse outdoor está há tempos na BR-116 entre Canoas e Porto Alegre. Nesse trecho da BR há uma sequência de propagandas 'do ramo', mas com certeza essa me chamou mais a atenção. Sempre que passo ali lembro do blog. Já havia tentado tirar uma foto, mas é complicado porque é necessário diminuir a velocidade do carro, o que não é muito fácil em plena BR. Tá aí um patrocinador para o teu programa!"
 
 
Obrigado, Fran. Quanto ao patrocínio, é melhor deixar pra lá...

Escrito por Fábio Seixas às 20h38

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Furada

O empresário Tony Fernandes, da Air Asia, que seria o tal chefe da tal Lotus, declarou à Reuters que talvez deixe o comando da equipe antes mesmo de o Mundial de 2010 começar.
 
Sei...
 
Detalhes sobre a fábrica, sobre o motor, sobre o chassi, sobre os parceiros comerciais, sobre os pilotos, nada. Aliás, as equipes anunciadas em junho não estão muito além.
 
Grid com 14 equipes em 2010? Conta outra, Max.

Escrito por Fábio Seixas às 15h12

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Veja a coleção (2)

E para quem prefere navegar, indo e voltando, parando, buscando detalhes, já há duas opções de slide show.
 
Primeiro, a obra do Marcelo Silveira, que você pode acessar clicando aqui.
 
Já o Marcius Júnior montou a apresentação abaixo...
 
 
De novo, mil obrigados a todos.

Escrito por Fábio Seixas às 14h41

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Veja a coleção (1)

Tão legal como achar o último ingresso está sendo a resposta dos internautas ao pedido de ideias para disponibilizar a coleção aqui no blog.
 
Tem muita coisa boa chegando. E tem mais coisa bacana sendo produzida. Obrigado a todos.
 
Começo com esta montagem do Roberto Takata.

 
E aqui, outro vídeo bem feitinho, com direito a som dos melhores e aos nomes dos internautas que colaboraram com a série. O artista da vez é o Ivan Grycuk.

Escrito por Fábio Seixas às 14h27

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Não falta nada

Cadê a garrafa de champanhe?
 
Eis que, às 18h55 desta quinta-feira, 220 dias depois de iniciada, a saga dos ingressos chegou ao fim.
 
Graças a todos que colaboraram. E graças ao Ricardo César De Franceschi, que encontrou numa esquina do Mercado Livre uma imagem do ingresso _daqueles mistérios da rede ou pura incompetência mesmo, eu já havia fuçado por lá algumas vezes, sem sucesso.
 
No post anterior, ele comentou o seguinte: "Fábio, acabei de te mandar o ingresso de 72 por e-mail. Se estiver correto e você postar, aproveita pra mandar um beijo pra minha mulher. O nome dela é Andrea."

Andrea, 220 beijos pra você!

Que rufem os tambores! Lá vai:

 

Conseguimos juntar, portanto, os 39 ingressos de GP Brasil. O de 2009 está logo abaixo. Os outros 37, aqui. Internet colaborativa deve ser isso.

Vou estudar, agora, como colocar todas essas imagens num megapost que não desequilibre todo o blog. Se alguém tiver alguma ideia... 

Parabéns a todos. Vocês são demais.

Escrito por Fábio Seixas às 19h35

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Mais um

Vocês lembram da saga dos ingressos?
 
Pois é, o Rodrigo Mörth também. E mandou para cá o ingresso de 2009...
 
 
Para quem não sabe do que estou falando, a história está aqui.
 
E continua a campanha: se você tem alguma vaga ideia de como posso conseguir uma imagem do ingresso do GP Brasil de 1972, por favor, escreva para fabio.seixas@grupofolha.com.br

Escrito por Fábio Seixas às 17h39

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Nelsinhogate News, edição de 17.set

Cresce a intensidade dos rumores sobre a contratação de Richards para a vaga de Briatore. A correlação é imediata: na mesma proporção, diminuem os boatos sobre a saída da montadora da F-1. Richards significaria comprometimento com o futuro. E, no frigir dos ovos, a Renault poderia erguer uma estátua pra Piquet. Porque sairá ganhando muito em competência e caráter no comando;
 
"Saí para salvar a Renault", disse Briatore. Não. Ele foi foi saído para que a Renault se salvasse. A diferença pode aparecer apenas semântica, mas é mais do que isso;
 
Pouco a pouco, o próximo monte de esterco começa a surgir no horizonte. Aqui e ali, surgem histórias ligando o caso a um esquema de apostas. Em suma: alguém (ou alguéns) teria levado muito dinheiro com a vitória de Alonso, uma zebraça na época. Aí a coisa pode ficar verdadeiramente complicada para Briatore;
 
Lauda, que fala muita bobagem, desta vez acertou a mão: "É a pior coisa que já aconteceu na F-1. O incidente que passa mais perto foi o do Schumacher parando o carro em Mônaco-2006, mas nem aquilo é muito comparável. Desta vez, houve manipulação de resultado, com riscos óbvios para Nelsinho e outros pilotos. A FIA deve punir a Renault com rigor para restaurar a credibilidade do esporte";
 
Já Piquet disse que não está preocupado, que tem grana para pagar os melhores advogados e que Briatore não volta à F-1 nem pela porta dos fundos. Pode ser. Mas não acho que o italiano vai aceitar passivamente a derrota momentânea. Deve estar planejando o contra-ataque. Assim funcionam as vendetas.

Escrito por Fábio Seixas às 14h23

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País da F-1, celebridades

A seção terá hoje a participação de celebridades.
 
Em visita a Lontras, para acompanhar a última etapa do Catarinense, Rodrigo Mattar sacou sua máquina e fez os seguintes instantâneos...
 
 
 
"Eu e o amigo Francis Henrique Trennepohl voltávamos do Autódromo Alceu Feldmann, em Lontras, para Rio do Sul. Sem conseguir achar direito o caminho para o hotel, nos deparamos com essa preciosidade", escreveu Mattar.
 
Flavio Gomes também se comoveu com a seção. Muito, pelo jeito: "Essa fotinho de uma lanchonetinha num postinho em Pinheiros eu tirei pra você."
 

Escrito por Fábio Seixas às 20h40

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Perguntinha

Como os torcedores de Cingapura, tratados como trouxas na primeira passagem da F-1 por lá, reagirão quando Alonso surgir na frente dos boxes, por exemplo?
 
(Faltando nove dias para o primeiro treino, o circuito já está pronto. Fotos, aqui.)

Escrito por Fábio Seixas às 17h03

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Pílulas de meio de tarde

Quem a Renault vai colocar no lugar de Briatore? Se não anunciarem ninguém forte, tipo um Richards, começarei a considerar mais seriamente a possibilidade de saída da equipe da categoria;
 
A sede da Renault F1, em Enstone, na Inglaterra (Tom Hevezi/AP)
 
Curiosidade da biografia do italiano, lembrada pelo Tazio: no fim dos anos 70, após trabalhar como instrutor de esqui e fracassar num restaurante, foi trabalhar como assistente de um empresário. O tal empresário morreu num carro-bomba. A partir daí, a carreira de Briatore decolou;
 
Em 2006, em Melbourne, entrevistei Symonds, que estava na Renault desde os tempos em que a equipe chamava Toleman. Trecho de uma resposta: "Ayrton e eu começamos praticamente juntos. Eu só tinha três anos de F-1 quando ele chegou. Mas era impressionante. Depois de duas corridas, ele parecia um veterano. Terminava uma volta e descrevia todas as reações do carro em cada curva. Vi pouquíssimos pilotos fazerem isso. Um deles, o Michael. Por isso eles foram multicampeões". A F-1 vai perder um cara com muita história por lá. Mas errou feio, tinha que rodar mesmo, paciência;
 
Para Symonds, aliás, um alento. Lembram do Stepney, que vazou segredos da Ferrari para a McLaren? Continua no automobilismo, trabalhando no FIA GT;
 
Será que Nelsinho perdeu a senha do Twitter?

Escrito por Fábio Seixas às 16h42

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Arrivederci, Flavio!

Piquet venceu a primeira metade da batalha. Tirou o emprego de Briatore. E, de quebra, Symonds foi junto.
 
A Renault anunciou que os dois estão fora da equipe e que "não vai contestar as alegações recentes feitas pela FIA sobre o GP de Cingapura de 2008".
 
Era o mínimo que uma marca de respeito como a Renault deveria fazer. O máximo, processar ambos _e os Piquet_ pela imagem manchada nas últimas semanas.
 
Personagem controverso, Briatore sai de cena por ora. Tem outros negócios para se ocupar. Mas não duvido que volte um dia, comandando outra equipe. Sobre Symonds, não imagino o que fará daqui pra frente.
 
Fato é que o julgamento da semana que vem fica esvaziado. Talvez ciente do que viria por aí, a Renault se antecipou aos fatos.
 
Ah, sim, a segunda metade da batalha deve ser mais difícil: encaixar Nelsinho no grid da F-1 em 2010. "Agora acho que vai tentar a Indy mesmo", disse um amigo que atua ativamente neste mercado.

Escrito por Fábio Seixas às 10h24

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Pit Stop #115

É sempre bom ouvir quem conhece um cockpit por dentro. Zonta deu boas opiniões sobre o Nelsinhogate e sobre a disputa do título na F-1.

O Pit Stop ainda falou bastante sobre o GP de Monza e trouxe um Naftalina pessoalmente especial _sou fã do ex-piloto que completará 80 anos nesta quinta-feira.
 
Lá vai...

Escrito por Fábio Seixas às 01h13

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Mercado agitado

O mercado de equipes esteve agitado hoje.
 
Uma boa notícia. A BMW encontrou um comprador para seu time na F-1. E não é Piquet. Um grupo suíço de investimentos, Qadbak, é o novo dono da fábrica de Hinwil. Um certo Lionel Fischer (muito prazer) será o representante do grupo na equipe, que deve manter boa parte de sua estrutura hierárquica para 2010 _seria, pelo menos, o mais inteligente a fazer.
 
Uma notícia estranha. A FIA anunciou que a marca Lotus voltará à F-1 em 2010. Lotus? Pois é. Uma empresa malaia, 1Malaysia F1 Team Sdn Bhd, teria adquirido os direitos sobre o mítico nome e vencido uma concorrência com Epsilon Euskadi e BMW pela 13ª vaga no grid _como a BMW não preencheu a papelada do Pacto da Concórdia, o lugar ficou vago. O suposto time teria sede em Norfolk, na Inglaterra, e seria comandado na pista por Gascoyne.
 
Por que tantas condicionais nesta segunda notícia? Porque a história toda é muito obscura. Não acredito que esta equipe vai sair do papel. Ainda mais com Gascoyne na parada.
 
Caso a FIA não saiba, estamos em setembro. Uma equipe de F-1 não se constrói em seis meses. Se ainda tenho algumas dúvidas sobre as equipes anunciadas em junho, o que sinto por esta "nova Lotus" é uma enorme incredulidade.
 
Mais: a BMW vai correr. Uma 14ª vaga terá que ser aberta, portanto. Mas você acredita num grid de 28 carros já em 2010? Eu não.
 
Aliás, por favor, não digam que "a equipe Lotus" está de volta. Chapman pode puxar seu pé à noite.

Escrito por Fábio Seixas às 09h13

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Pit lane aberto

Zonta será o entrevistado do Pit Stop desta terça-feira.
 
O programa começa às 14h, ao vivo, aqui.
 
Para participar com perguntas, comentários, declarações de amor, o e-mail é uolnewsformula1@uol.com.br
 
Para fazer tudo isso por vídeo, é só seguir as dicas deste tutorial _depois não adianta reclamar que só o Lessa manda vídeo.

Escrito por Fábio Seixas às 21h08

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Cheiro de encrenca

Segundo a "Auto, Motor und Sport", Prost já foi convidado pela direção da Renault para substituir Briatore.
 
Diante do histórico do tetracampeão como dirigente, seria mais prudente para a montadora fechar logo as portas.
 
Pouparia a marca de novos vexames, trambiques, fiascos.
 
Diniz que o diga... 

Escrito por Fábio Seixas às 20h58

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Nelsinhogate News, edição de 14.set

Eu estava achando muito estranho Alonso passar incólume pelo Nelsinhogate.
 
Provavelmente não passará mais. No mínimo, a FIA olhará com um pouco mais de cuidado para o asturiano.
 
Porque, hoje, Nelsão jogou um pouco mais de sujeira no ventilador.
 
Em entrevista ao diário esportivo espanhol "Sport", lançou o seguinte: "Alonso sabia de tudo. Se ele era o 15º no grid de um circuito urbano, não tem sentido largar com pouca gasolina. No máximo, passaria três carros. Depois faria seu pit stop e cairia para último. É uma estratégia muito sem sentido".
 
Pois é...

Escrito por Fábio Seixas às 14h18

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A foto

Sorrisos, aplausos, braços abertos. A foto do fim de semana é esta, clique oportunista de Alex Trovati, da Associated Press.

Barrichello corre para abraçar Brawn após a vitória em Monza (Alex Trovati/AP)
 
E pensar que depois do GP da Alemanha os dois personagens da foto estavam trocando farpas publicamente. O que duas vitórias não fazem...

Escrito por Fábio Seixas às 13h08

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Pílulas do dia seguinte

A Red Bull oficialmente jogou a toalha. Não surpreende. Mas, para o esporte, é uma pena não ter mais esta variável na reta final do campeonato;
 
Brawn coloca Barrichello na posição de franco-atirador no campeonato. "Rubens não tem nada a perder", disse o dono da equipe. Mas, diplomático, acha que Button também tem lá sua vantagem _além dos 14 pontos a mais na tabela, claro: "Jenson pensará mais em marcar pontos. É natural nesta situação". Pode ser apenas impressão minha, mas, no seu discurso pós-GP, detectei inclinação em acreditar mais no título do inglês;
 
A entrevista de Barrichello (aqui) foi mais pé-no-chão que o costume. Muito mais, por exemplo, que a concedida após a vitória em Valencia. Revelou tensão com a história do câmbio, conteve a empolgação, disse que não adianta "encher o peito e dizer que 'é agora', porque não é". Quanta diferença... Positiva, claro;

Em tempo: Barrichello foi muito mais pé-no-chão do que muito jornalista deslumbrado por aí;
 
O Santander anunciou a renovação com a McLaren. É o Marlboro do século 21;
 
Para Brundle, Nelsinho não tem mais lugar na F-1. Não ligo nada pras opiniões do Brundle, mas fato é que este é um sentimento crescente no paddock. Caso Nelsinho tenha aval da FIA para correr o Mundial em 2010, Nelsão terá de preencher um cheque mais pesado do que imaginava antes de todo o rolo;
 
Às interessadas: Hamilton não namora mais a Pussycat Doll.

Escrito por Fábio Seixas às 12h46

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Barrichello já começa a se acostumar

“Estamos ficando acostumados, Rubens.”

Assim, via rádio, o engenheiro Jock Clear deu os parabéns a Barrichello pela vitória em Monza. E resumiu o que a F-1 está pensando no momento.

A F-1 está se acostumando a ver Barrichello na frente. Desde Valência, o brasileiro vive um momento mágico. Parece difícil parar seu embalo.

Azar de Button. Que foi o segundo. E que, embora tenha sorrido e abraçado o colega após a prova, deve estar bem preocupado. Raikkonen completou o pódio.

Barrichello e Button se abraçam após a prova (Beto Issa/Tazio)

A largada foi sensacional. Todo mundo muitíssimo perto, disputas ferrenhas, mas nenhum toque mais pesado.

Hamilton manteve bem a primeira colocação. Raikkonen passou Sutil. Kovalainen ficou pra trás, travou uma belíssima briga com Button, mas perdeu.

A ordem ao fim da primeira volta, Hamilton, Raikkonen, Sutil, Barrichello, Button e Kovalainen.

Começou, então, o jogo de xadrez. Hamilton, e a turma dos dois pits, buscavam fugir da turma que planejou uma parada, Barrichello e Button, que por sua vez tentava não perder contato.

Volta após volta, o inglês da McLaren cravava melhores tempos. Fechou a 14ª com 6s8 sobre Raikkonen e 17s sobre Barrichello.

Na 15ª, Hamilton entrou para os boxes. Voltou atrás de Button, em quinto. Foi a abertura da primeira janela de pits para a turma que tinha duas paradas.

Sutil parou na 18ª. Raikkonen, na 19ª. Barrichello, então, tornou-se líder, seguido por Button. E chegou a hora de eles tentarem se descolar.

Tarefa complicada. Porque Hamilton e Raikkonen estavam em ritmo forte na pista. Na 22ª volta, Barrichello tinha 12s1 para o inglês e 16s3 para o finlandês. Em relação a Button, a situação era mais confortável: tinha 2s2, sabendo que pararia depois.

Na 27ª, Barrichello cravou a então melhor volta, 1min24s999. Duas voltas depois, Button parou. Saiu em quinto. Na seguinte, a 30ª, foi a vez do pit do brasileiro: 0s3 melhor que o do companheiro. Barrichello saiu 4s2 à frente de Button, em quarto, atrás de Hamilton, Raikkonen e Sutil. A briga era com eles.

Na 34ª volta, o momento decisivo, o segundo pit de Hamilton. Com pouco mais de 21s sobre Button antes da parada, o campeão não conseguiu manter as chances de vitória. Voltou atrás do compatriota.

Altiva na pista, a Brawn tinha então que se livrar de Raikkonen e Sutil para carimbar a dobradinha. E o tal carimbo veio na 38ª volta, quando os pilotos de Ferrari e Force India pararam, se atrapalharam nos boxes e voltaram atrás de Hamilton.

Ao fim da última janela de pits, enfim, a ordem era direta, clara: Barrichello, Button, Hamilton, Raikkonen e Sutil.

E o único tranquilo nesta turma era o líder. Com folga confortável sobre Button, sempre na casa dos 5s, Barrichello pode disputar as últimas voltas naquela toada de administrar o resultado.

Raikkonen acabou levando a terceira posição: na última volta, Hamilton bateu, dando o pódio de bandeja.

Com o resultado, Barrichello diminuiu em mais dois pontos a vantagem de Button no campeonato. Agora, o inglês tem 80 contra 66 do brasileiro, 14 de diferença.

Continha rápida: desde que começou a reagir, em Valência, Barrichello diminuiu em 12 pontos a folga do companheiro. Eram 26 depois da Hungria, são 14 agora.

Ou seja, vem tirando, em média, quatro pontos por prova.

Como faltam quatro etapas para o fim, Cingapura, Japão, Brasil e Abu Dhabi, a conclusão é clara: se continuar nesse ritmo, Barrichello será campeão.

Enfim, é só um exercício de matemática. Que, se não tem a capacidade de prever o futuro, pelo menos mostra de forma mais palpável, a inversão de sinais dos dois pilotos da Brawn.

E, aí é achismo meu, acho difícil uma nova inversão. Barrichello entrou naquela fase em que tudo dá certo. E isso traz uma confiança dentro do cockpit que, somada à sua experiência, tornar-se difícil de combater.

Barrichello, 37 anos, 17 temporadas na F-1, tem em mãos a melhor chance de sua carreira de ser campeão mundial.

Escrito por Fábio Seixas às 10h51

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Como está, fica

Engenheiro de Barrichello, Jock Clear falou agora às rádios Bandeirantes e BandNews FM no grid de Monza: "Não há nenhuma preocupação com o câmbio. Vai aguentar esta corrida e as próximas duas".

Pareceu confiante. Esperemos.

Escrito por Fábio Seixas às 08h44

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O último palpite

Pensei seriamente em acabar com este rotineiro post pré-GP. Muito chato não entende que essa é uma quase-brincadeira, muito chato aparece depois da corrida para escrever bobagem.

Mas como também há gente com tutano e bom humor, decidi continuar. Por ora.

Acho que dá Raikkonen, seguido por Hamilton e Kovalainen.

E você? Ah, sim: tente palpitar antes da corrida...

Escrito por Fábio Seixas às 08h37

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Na escolinha

Na GP2, deu Van der Garde no sábado e dobradinha brasileira no domingo: Razia e Di Grassi.


Mas deu, principalmente, Hulkenberg, o primeiro a conquistar o título da categoria de forma tão antecipada.


A Di Grassi, resta lutar pelo vice-campeonato. E a todos, buscar uma vaga na F-1 em 2010.


Hulkenberg, Di Grassi, Petrov e talvez um ou outro endinheirado podem conseguir. Sim, há mais vagas do que nos últimos anos, mas também não faltam candidatos, de todos os lados.

Escrito por Fábio Seixas às 08h27

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PERFIL

Nina Horta Fábio Seixas, 37, é jornalista com mestrado em Administração Esportiva pela London Metropolitan University, da Inglaterra, e Coordenador de Produção da Sucursal da Folha no Rio. É colunista de automobilismo da Folha e do UOL.


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