"Eu não sei se temos ritmo para a Red Bul. Acho que sim. Mas para a McLaren parece impossível. É de se esperar que a McLaren tenha uma corrida diferente do resto."
"O pôr-do-sol é o problema maior, porque ele fica na visão por alguns momentos, se bem que o sol desce muito rápido aqui. O contraste é diminuído por eles já terem luzes acesas, então não tive problemas quanto a isso."
"De uma certa forma eu acho que somos a terceira maior força neste final de campeonato. Estamos sofrendo um pouco com a velocidade, mas estou super feliz. Quarto lugar era o melhor que dava para esperar."
Para ler e ouvir a entrevista de Barrichello em Abu Dhabi, dê um pulo no Tazio.
Hamilton é só o quarto mais leve e mesmo assim conquistou a pole com aquela tranquilidade toda. Vettel, porém, está 4,5 kg mais pesado. Ou seja, o inglês vai ter de fazer um primeiro trecho de prova em ritmo de classificação para segurar a ponta depois da primeira parada nos boxes. Hamilton está em excelente condição, mas a corrida ainda não está tão ganha;
Problema dele ou do carro, Barrichello fez um treino ruim. É o segundo mais leve e ficou só em quarto. Webber carrega cinco quilos a mais e foi 0s060 mais veloz;
Button também não teve um bom sábado. Mas acho que não está muito preocupado com isso.
Em Abu Dhabi, a 17ª pole de Hamilton, a quarta na temporada.
Sem supresas. Ele andou bem por lá desde o primeiro momento. Com a marca, supera Moss e torna-se o terceiro inglês em número de poles, só atrás do Mansell (32) e do Hill-filho (20).
No duelo pelo vice-campeonato, Vettel levou a melhor sobre Barrichello. O alemão sai em segundo, com o brasileiro em quarto _e com Webber como escudo, em terceiro.
Foi, de longe, a sessão classificatória mais chata da temporada. Pelo traçado insosso, bobo. Pelo caráter amistoso do GP. Pela falta de tesão dos pilotos em buscarem alguma coisa.
No terceiro treino livre, deu Brawn, com Button 0s002 mais veloz que Hamilton. Quase um empate técnico, nada que abalasse a força da McLaren. Barrichello foi o terceiro.
O treino oficial aconteceu com 30ºC no ar, 32º no asfalto.
No Q1, foram cortados Alonso (!!??), Liuzzi, Sutil, Grosjean e Fisichella.
Lá na ponta, como quase sempre no fim de semana, os dois ingleses campões. Hamilton fez 1min39s873, 0s505 melhor que Button. Trulli foi o terceiro, seguido por Kubica, Heidfeld e Barrichello.
No segundo bloco do treino, deu Hamilton de novo, desta vez seguido por Vettel. A marca do inglês, 1min39s695, 0s289 melhor que a do alemão. Button foi o terceiro, seguido por Webber e Trulli.
Fechando a turma da suposta luta pela pole (porque já estava claro quem seria o primeiro), Barrichello, Buemi, Kubica, Heidfeld e Rosberg.
Foram cortados Raikkonen, Kobayashi, Kovalainen, Nakajima e Alguersuari.
E com o crepúsculo, veio o Q3.
E, lógico, veio a pole do Hamilton. Tranquila, sem sustos, tudo sob controle. O tempo, 1min40s948.
Sempre tem a questão do peso, claro, mas não acho que Hamilton esteja jogando com combustível. Numa pista sem claros pontos de ultrapassagem, já colocou uma mão na última taça da temporada.
Mirar o corte de custos é louvável, mas a FIA derrubou o alvo errado ao banir os testes durante o Mundial. Esqueceu que, naturalmente, ocorre uma demanda por mão de obra ao longo do campeonato. Kobayashi, Alguersuari e Grosjean estrearam praticamente crus. E a situação não será lá muito diferente para os estreantes em 2010. Entre 95 e 96, Villeneuve percorreu 11 mil km em testes antes de disputar seu primeiro GP. Único estreante em Melbourne, Buemi fez 7.400 km, ou 33% a menos. Pesa.
A coluna fala sobre o desafio maior que os novatos encontram hoje na F-1.
Na edição digital da Folha, está na página D5. A versão texto está aqui.
Começo este post como terminei o anterior. A McLaren está forte.
Quando Kovalainen faz o primeiro tempo, é sinal de que o time de Woking está sobrando. Foi o caso neste segundo treino livre em Abu Dhabi.
Fazendo bom uso do Kers, metade sendo despejado na reta principal, a McLaren fez dobradinha. O finlandês foi o mais veloz, com 1min41s307, 0s197 melhor que Hamilton.
Button ficou em terceiro, a 0s234. Vettel foi o quarto, a 0s284.
O quinto foi a sensação do fim de temporada. Ele mesmo, Kobayashi _para efeito de comparação, Trulli ficou em 14º.
Barrichello foi apenas o oitavo.
Não tem muito segredo. É McLaren na frente, com Brawn e Red Bull na briga logo atrás. Será assim amanhã, será assim no domingo.
Uma pista de cenário deslumbrante, traçado meio bobinho, sem grandes desafios de pilotagem.
Button rodou, e só.
Na ponta, ele e Hamilton, os ingleses campeões mundiais, travaram um duelo pelo primeiro tempo, vencido pelo piloto da McLaren.
O melhor tempo do primeiro treino livre em Abu Dhabi, 1min43s939. Button ficou a 0s096. Vettel foi o terceiro, a 0s214.
Na sequência, Barrichello, Heidfeld, Buemi, Sutil, Webber, Alguersuari e Trulli.
Raikkonen ficou em 15º. Alonso foi o 16º.
A temperatura do ar estava em 35ºC. No asfalto, 47ºC.
O próximo treino acontece às 11h, horário da sessão oficial e da corrida. Talvez seja mais significativo para uma análise do que pode acontecer. Mas algo já é fato: a McLaren está forte.
O Charles Nisz está envolvido numa competição bacana.
Ele mesmo explica: "O Centro Europeu de Jornalismo lançou uma competição entre blogueiros para falar sobre mudança climática. Foram escolhidos 81 blogueiros do mundo todo e eu fui um dos escolhidos. Estive em Copenhagen para o lançamento da competição, entre 21 e 24 de setembro, aprendi a mexer no publicador do site da competição, tive palestras com os editores do CEJ e conheci os outros 80 participantes. Os blogueiros serão avaliados durante três meses e todo mês serão escolhidos três vencedores, um em cada critério a seguir: qualidade dos posts, impacto e uso de ferramentas de multimídias. Os três melhores blogueiros ao final da competição serão levados para Copenhague durante a conferência climática da ONU."
O que isso tem a ver com F-1? Simples. Em seu último post, o Charles defende que a F-1, responsável por tantas novidades para o mercado automotivo, deveria também ser a plataforma para alternativas verdes. Tem toda a razão, embora nem todo mundo por lá pense assim _o Kers, por exemplo, vive na berlinda.
Eis que começa a pipocar nos sites brasileiros informação confirmada, imagino, pela mesmo fonte que cravou para mim há instantes: Bruno vai mesmo correr pela Campos em 2010.
O contrato foi assinado no domingo e ele não levará dinheiro de patrocinador. Seu companheiro de equipe deve ser o De la Rosa, mas ainda não há contrato fechado.
Boa sorte ao Bruno. E à Campos. As dificuldades financeiras neste começo de vida da equipe são enormes, como escrevi dois posts abaixo.
É forte o zunzunzum de que Bruno assinou com a Campos para 2010. Na Espanha, já tem gente cravando. Não tenho a informação, mas é muita gente falando, acho que acertou mesmo.
Há uma corrente que acha que o importante é entrar na F-1, seja qual for a porta. Uma vez lá dentro, é tentar mostrar serviço.
Pode ser. Mas acho que Bruno, pelo sobrenome que tem, poderia cavar coisa melhor. Talvez a frustração pelo que ocorreu com a Honda, em janeiro, tenha provocado pressa em assinar qualquer coisa para o ano que vem.
Das novas equipes anunciadas para 2010, a Campos é a que mais está engatinhando em termos financeiros. Sofre (bastante) para fechar o orçamento e já há quem diga que acabará negociando sua vaga no Pacto da Concórdia com a BMW-Sauber-Qadbak, que tem a estrutura e o dinheiro mas não foi signatária do acordão com Ecclestone.
Ecclestone trava uma briga política histórica com o BRDC, o British Racing Drivers' Club, que administra todo o complexo de Silverstone. Por isso, há anos, tenta tirar a F-1 de lá.
Para 2010, sua esperança era Donington. O circuito de Leicestershire foi anunciado como casa do GP da Inglaterra, mas não conseguiu cumprir os trocentos prazos que foram sendo concedidos para terminarem algumas obras.
Resultado: hoje, em Abu Dhabi, Ecclestone deixou claro que não dá mais para Donington. Que seja o fim desta novela chata.
Trulli, para Sutil, na entrevista coletiva de hoje em Abu Dhabi: "Não sei se você é cego. Tenho fotos se você quiser ver. Você está tentando me ultrapassar por fora, na zebra".
Sutil respondeu: "Não há problema de estar na zebra. Não sei quanto você deseja aprender as regras".
Falei isso na transmissão do GP Brasil e repito agora, depois de ver a cena algumas vezes: pelo acidente, pelo piti à beira da pista e pela teimosia burra, Trulli merecia uma suspensão.
"Estamos muito perto de finalizar uma coisa boa para mim, que é ter um carro competitivo, o que eu almejei. Estou feliz porque estou no meio dos rumores, coisa que não estava no ano passado. A hora em que for para falar eu vou falar."
Barrichello vai correr na Williams em 2010, até minha avó já sabe. Só que não pode falar, chatices da F-1. Mas para ouvir o que o brasileiro pode dizer, e disse, hoje em Abu Dhabi, é só clicar no Tazio.
Bem bacana, a entrevista de Gil de Ferran ao Bruno Vicaria, do Tazio.
"Ele [Button] tem uma sensibilidade muito acima da média. Ele tem umas mãos, uns pés que acho que ele sente um grão de areia com uma bota de bombeiro. Você olha nos gráficos de volante e acelerador, ele é sempre muito preciso, gradual, e sempre me impressionou a velocidade com que ele acha o limite. Chega lá rapidamente e dificilmente passa dele. O ritmo de corrida dele quando está tudo certinho é impressionante."
Para quem não sabe ou não lembra, Gil foi chefe de Button na Honda.
A versão "tela grande" está aqui. E a partir da semana que vem, o programa acontecerá em novo horário, às 10h30 das terças. Gostei da mudança. É sempre bom quando a notícia chega antes, afinal.
A contribuição hoje é do professor Marcelo Modesto.
"Sendo leitor assíduo do seu blog, não poderia deixar de contribuir com a sua 'seção de fotos de estabelecimentos comerciais que fazem referência à F-1', como disse o Flavio Gomes. O que chamou a atenção nessa foto foi o Lotus John Player Special, que, apesar de não ser o do Senna, me fez lembrar dos tempos que comecei a gostar do esporte. A foto foi tirada na Avenida João Ramalho, em Mauá".
Ok, obrigado. Mas o que vem a ser um "tatoo rock bar", como o American Graffiti (grande filme!), vizinho da oficina? O cara te tatua enquanto você bebe e ouve Rolling Stones, é isso?
A globetrotter Eloisa Lopez, que está em Abu Dhabi, chama a atenção deste blogueiro para o horário da corrida do fim de semana.
A largada em Abu Dhabi será às 17h locais. "São 18h15 e está tudo escuro lá fora", escreveu agora há pouco.
Sim, a corrida vai terminar com iluminação artificial. Depois da primeira prova noturna da F-1, no ano passado, em Cingapura, esta será a primeira vez em que os refletores serão acionados durante um GP.
Em tempo: no horário de Brasília a largada será às 11h.
Passando a régua nas pendência do fim de semana, a coluna de sábado falava da eleição de Todt.
Mosley enterrou a Fisa e alcançou a presidência da FIA. Passou a ter, então, gigantesco poder para ditar os rumos da F-1.
E ditou. Porque, por mais que existam um Conselho Mundial e um Senado, seus integrantes, em grande maioria, são subservientes à presidência e às viagens e mordomias que usufruem desse relacionamento. Resultado: o que Mosley propôs, emplacou, e nem mesmo um escândalo com tons nazistas foi capaz de demovê-lo do cargo. A F-1 dos últimos 16 anos foi a cara dele.
Na versão digital de sábado, aqui, a coluna está na página D5. A versão texto está neste link.
Rossi cruzou em terceiro, ganhou o sétimo título, parou a moto, festejou com torcedores/amigos, colocou uma camiseta com os dizeres "Galinha velha é que faz canja boa" e só então foi para o pódio.
A foto do fim de semana é de Tan Boon Hong, da Associated Press.
O pulso ainda pulsa. A gripe ainda existe, mas eu também. Então vamos lá.
Assisti à Stock e à reprise da MotoGP.
Na primeira, as mesmas coisas de sempre, capô voando, pilotos exagerando na dose, um vencedor diferente. Na começo da prova, uns 5 ou 6 cortaram a primeira curva pela grama e ninguém foi punido.
"Não tem curva praquele tanto de carro", disse o colega Bruno Vicária, do Tazio, que estava lá. Então algo está errado.
Na Moto, uma corrida cerebral de Rossi. A pista molhada mudou todos os prognósticos, e o italiano tratou apenas de levar sua Yamaha segura, em terceiro, até a linha de chegada.
Conquistou, assim, o sétimo título na categoria máxima do motociclismo. Mas não é isso que faz dele um gênio. Isso, Rossi sempre foi.
Carlo Gancia é um dos representantes da Indy no Brasil. Havia acabado de chegar em Nova York, vindo da Suíça, quando atendeu o telefonema deste que vos bloga. Não sabia do vazamento no site da Indy.
O que ele disse: "Fechar, não fechamos. Não fechamos nada ainda... Estamos realmente muito próximos de fechar com o Rio, mas ainda não tem nada certo. Se esse texto vazou, foi um erro, se anteciparam aos fatos".
Eis que Kanaan coloca um post no Twitter celebrando uma "novidade boa" e indicando um link.
Que leva a uma página do site oficial da Indy intitulado "Bom dia, Rio" e anunciando a etapa brasileira para o dia 14 de março, no Rio.
"A temporada vai começar no dia 14 de março num circuito de rua de 2,3 milhas (3,7 km) nos cenários absolutamente incríveis da praia de Botafogo, do Corcovado e do Pão de Açúcar", diz a matéria, assinada por Dave Lewandowski.
Mas... peraí. O texto está datado de 31 de outubro. E não aparece no índice de notícias do site.
Instantes depois, o próprio link indicado por Kanaan foi tirado do ar.
Esqueci ontem de comentar a negativa da FIA à superlicença para Loeb correr em Abu Dhabi pela Toro Rosso.
Já escrevi aqui outras vezes que acho bacana pilotos de outras categorias, astros principalmente, buscarem a F-1. Mas esta aventura tem de ser consciente. Loeb não tem quilometragem suficiente com um carro de F-1 para disputar um GP. Além de uma atração, seria também um perigo.
Prometi no domingo postar aqui no blog o trecho da entrevista do Bernie em que ele lamenta a morte de Senna mas avalia que o acidente teve um impacto positivo, em termos de publicidade, para a F-1.
Lá vai...
A minha pergunta foi sobre o impacto da morte de Senna para a F-1. Literalmente, a tradução deste trecho da resposta é a seguinte: "Infelizmente, ele gerou tanta publicidade que foi boa para F-1. Infelizmente. É uma pena que tenhamos perdido o Ayrton para isso acontecer".
Ciente da importância do que tinha acabado de ouvir, pedi que ele explicasse, depois, a lógica por trás da declaração. Daí as ressalvas que estão no texto publicado na Folha. Mas, enfim, o centro da questão está no áudio aí em cima, cristalino.
Mais uma vez, como escrevi já no domingo, é importante fazer uma leitura correta do que ele disse. Em nenhum momento Bernie "celebrou" a morte do Senna ou algo parecido. Bernie não é estúpido, muito pelo contrário.
Mas há que se entender que trata-se um dos mais bem-sucedidos homens de negócio do mundo, alguém que transformou a F-1 de circo quase amador em esporte megaprofissional. E que alguém assim normalmente tem um ótica e um discurso que às vezes chocam pelo pragmatismo.
Acho até que há fundamento no que ele pensa. O que gerou tanta polêmica, acredito, foi o fato de ele dizer. E dizer em Interlagos, na véspera do GP Brasil.
Amanhã tem eleição na FIA. Mosley, desde 1993 no cargo, vai largar o osso.
Todt é o candidato da situação. Tem apoio de Mosley e de Ecclestone. Seu ponto fraco é a ligação carnal com a Ferrari, que causa receios óbvios em muita gente. Seu principal projeto é descentralizar o comando das categorias geridas pela FIA. Haveria, por exemplo, um "Comissário de F-1", espécie de vice-presidente da entidade cuja única atribuição seria olhar para o Mundial.
Vatanen é a oposição. Seu ponto forte é representar a ruptura total com o que está aí, renovar realmente a entidade. Seu ponto fraco é exatamente este: quem vota, os clubes e federações, não estão muito a fim de perder tradicionais boquinhas.
Aconteceu no dia 11, na Austrália, a 52ª edição dos Mil Quilômetros de Bathurst, prova que todo ano atrai um enorme público, gente que acampa desde a quinta-feira no circuito de Mount Panorama.
Como acontece em outras corridas por aí e por aqui, o automobilismo acaba virando quase um detalhe. Boa parte da turma quer mesmo é passar quatro dias na farra, enchendo a cara.
Para moralizar a brincadeira e reduzir as confusões, a polícia local decidiu estipular um limite para o consumo de álcool. Por dia, cada torcedor teve direito a "apenas" 24 latinhas de 375 ml de cerveja.
Fui pesquisar sobre o tal circuito de rua de Marrakech, que aparece no calendário da F-2, divulgado hoje. O traçado está abaixo...
A pista tem 4,54 km e foi projetada pela mesma empresa que fez Surfers Paradise. Estreou em maio, no WTCC. Robert Huff conquistou a pole à média de 148,9 km/h. Para efeito de comparação, a pole em Curitiba, do Yvan Muller, foi em 158 km/h.
Os organizadores falam, sim, em receber a F-1 alguma dia. Se acontecer, que seja no lugar de outro circuito da rua. Já há uma overdose de pistas assim no calendário atual.
[Do lat. mediocre.] Adj. 2 g. 1. V. mediano (3). 2. Sem relevo; comum, ordinário, vulgar, mediano, meão.
Alguém realmente acha Button um piloto sensacional?
Para mim, ele sempre foi um piloto de normal para fraco, nada além disso. E o título mundial não muda minha opinião.
Ganhou porque tinha um carro revolucionário no começo da temporada, anos-luz à frente da concorrência. E porque o outro cara que tinha esse carro só foi se entender com os freios em Silverstone, oitava etapa do campeonato, quando as outras equipes já haviam recuperado terreno.
Button mereceu? Claro que sim, venceu seis dos sete primeiros GPs. Mas a história da F-1 registra outros pilotos medíocres que foram campeões. Acontece de vez em quando. Aconteceu ontem.
"Agora, vou sentar com a equipe para discutir a renovação do contrato. Mas não vai poder ser amanhã porque vou estar de ressaca", disse Button, ainda em Interlagos. Ele quer ficar. Mas quer mais grana. Justo;
A Williams, que era voz dissonante, concordou com o fim do Kers para 2010. É o tiro de misericórdia numa invenção de Mosley que tinha tudo pra dar certo mas que não foi abraçada pelas equipes;
"Jenson fez um começo de temporada onde abriu uma grande vantagem, e graças a isso ele venceu. A gente esteve mais forte quando o carro não era bom, mas tiramos poucos pontos. Foi um campeonato decente, lutado", disse Barrichello. "Decente, lutado". Se ele não reclama, mesmo sabendo que não estará na Brawn em 2010, como tem gente que brada que ele foi prejudicado pela equipe?;
Daqui a alguns anos, talvez a gente não lembre que Webber venceu a corrida. Mas tenho a impressão que todo mundo lembrará de Kobayashi;
Brawn campeã dos Construtores. Brawn é gênio. E, de certa forma, seu sucesso com uma equipe tão modesta relativiza o hepta de Schumacher.
Não que isso tenha muita importância, mas começo a achar que o vice-campeão será Vettel...
Menos gente nas arquibancadas, chuva no sábado, solzão no domingo, Massa criando polêmica, Barrichello levantando as arquibancadas no treino, esvaziando-as antes do fim da corrida, uma declaração forte de Ecclestone, vários Red Bull, espressos e sanduíches frios, um campeão medíocre mas que se entendeu melhor com um carro genial e que, por isso, mereceu o título.
Uma quinta colocação foi o suficiente para que Jenson Alexander Lyons Button, 29, fechasse hoje, em Interlagos, a disputa do Mundial de Pilotos.
Um título merecido. Button venceu seis corridas no ano, foi arrasador no começo da temporada e, se tirou o pé no final, foi porque sabia que não valeria a pena arriscar.
E se alguém ainda tem dúvidas sobre esse mérito, reveja os primeiros sete GPs de 2009.
A vitória foi de Webber, com Kubica em segundo. Hamilton ficou na terceira posição.
A largada, em si, foi limpa. Usando a mesma lógica, resta classificar a primeira volta de imunda.
É até difícil lembrar de tudo. Webber e Raikkonen se tocaram, Fisichella fez Kovalainen rodar, Trulli acertou Sutil, que foi abalroado por Alonso. Safety car. E, no corre-corre dos boxes, Kovalainen derramou gasolina por todo o pit lane, o que levantou chamas quando a Ferrari de Raikkonen passou.
Ufa. Esqueci algo?
Na saída do safety car, Barrichello manteve a ponta. Button, que se deu bem com todas as lambanças e já era o nono. Lá na frente, Barrichello acelerava, mas não conseguia fugir de Webber.
Mas ele estava leve, já sabíamos desde sábado à tarde. E foi então que começou a perder posições. Na 21ª, entrou nos boxes. Voltou à frente de Vettel, mas foi superado pelo alemão. Na 24ª, Kubica parou. Voltou à frente do brasileiro. Na 27ª, Webber parou. Adivinhem? Sim, mais um que passou Barrichello. Enquanto isso, Webber liderava, seguido por Vettel, que foi dos últimos a parar. Kubica era o terceiro, com Barrichello logo atrás.
O alemão da Red Bull entrou na 38ª volta. Ordem reestabelecida, pois.
A dez voltas do fim, todo mundo havia parado, Webber tinha 5s sobre Kubica. Barrichello era o terceiro, mas reclamando de vibração na roda traseira direita.
Não tardou para ser ultrapassado por Hamilton e cair pra quarto. Logo depois, o brasileiro entrou nos boxes: era um furo no pneu. Foi parar em oitavo.
Brawn campeã dos Construtores, Button campeão dos Pilotos. Barrichello dificilmente terá outra chance. Mas merece aplausos. Seu 2009 foi muito bom. Só não foi tão bom quanto o de seu companheiro de equipe.
Ecclestone me chamou de mentiroso, agora há pouco, nas rádios Bandeirantes e BandNews FM.
Ontem, em entrevista gravada, ele disse que a morte do Senna foi boa para os negócios da F-1. A matéria está hoje na página D3 da Folha.
Antes que alguém se rebele, Ecclestone não celebrou, não disse que torceu pra isso, nada parecido. Pelo contrário, ele obviamente lamentou, disse que foi uma "infelicidade", claro.
A lógica dele, homem de negócios, é que muita gente mundo afora que nunca tinha ouvido falar de F-1 só descobriu que a categoria existia por meio das notícias sobre a morte de Senna. E este efeito colateral foi bom, só isso.
O trecho:
FOLHA - Qual foi o impacto da morte de Ayrton Senna para a F-1? ECCLESTONE - Foi uma infelicidade. Mas a publicidade gerada foi tanta... Foi boa para a F-1. É uma pena que tenhamos perdido o Ayrton para isso acontecer. Ele era popular, mas muita gente que não o conhecia soube da F-1 por conta da publicidade gerada com sua morte.
Hoje, obviamente, não dá. Mas durante a semana vou disponibilizar o áudio da resposta aqui no blog.
A largada deve ser com pista seca, segundo contou o Marcos Massari, da Somar Meteorologia, na Rádio Bandeirantes. Segundo ele, há chance de chuva, mas só para o final da corrida.
Dia corrido. Quando der, volto aqui ou ao Twitter. Até.
Pois é... Barrichello é o mais leve do grid, junto com Heidfeld.
Eis a lista:
Rubens Barrichello (BRA/Brawn), 650,5 kg
Nick Heidfeld (ALE/BMW), 650,5
Kimi Raikkonen (FIN/Ferrari), 651,5
Fernando Alonso (ESP/Renault), 652
Mark Webber (AUS/Red Bull), 656
Robert Kubica (POL/BMW), 656
Heikki Kovalainen (FIN/McLaren), 656,5
Adrian Sutil (ALE/Force India), 656,5
Nico Rosberg (ALE/Williams), 657
Jarno Trulli (ITA/Toyota), 658,5
Sébastien Buemi (SUI/Toro Rosso), 659
Lewis Hamilton (ING/McLaren), 661
Kazuki Nakajima (JAP/Williams), 664
Jaime Alguersuari (ESP/Toro Rosso), 671,5
Kamui Kobayashi (JAP/Toyota), 671,6
Jenson Button (ING/Brawn), 672
Romain Grosjean (FRA/Renault), 677,2
Vitantonio Liuzzi (ITA/Force India), 680
Sebastian Vettel (ALE/Red Bull), 683,5
Giancarlo Fisichella (ITA/Ferrari), 683,5
Brasileiro e alemão devem parar na 21ª volta. Webber, na 24ª. Sutil, na 25ª;
Entre os pilotos lá da frente, o mais pesado é Trulli. O italiano da Toyota só deve fazer o primeiro pit cinco voltas depois do brasileiro;
Button segue também uma estratégia de duas paradas, mas adiando muito o primeiro pit, até a 33ª volta. Já Vettel vai para apenas um pit stop, pelo jeito: sai com gasolina para só parar na 39ª.
Mas não esqueçamos da chuva. Dependendo do que acontecer amanhã, pode ser mais útil parar cedo. Ou não. Tudo vai depender de São Pedro.
"Era importante largar na frente. Provavelmente estou mais leve que esses dois aqui ao meu lado [Webber e Sutil], mas era importante ficar na frente até para escapar das confusões no meio do pelotão. Foi uma sessão fantástica. Eu realmente fiquei orgulhoso de tudo aquilo que a gente conseguiu. No Q2 foi bem difícil, estávamos com uma decisão sobre que tipo de pneu usar. Estou muito feliz, com os pés no chão, não ganhamos nada ainda. E quero agradecer a torcida que ficou aqui, debaixo desta chuva toda."
Este, Barrichello, na entrevista coletiva aqui em Interlagos.
Nem nos melhores sonhos Barrichello poderia esperar um resultado como o de hoje em Interlagos.
Pole position em casa, num momento-chave do campeonato. Com Button apenas em 14º.
É a 14ª pole da carreira, a primeira desde o GP Brasil de 2004, quando ele ainda estava na Ferrari. E a mais comemorada, sem dúvida. Com toda a justiça, com toda a razão de ser.
O treino começou às 14h, debaixo de muita chuva, um temporal.
E não tardou para alguém fazer lambança. Quem? Grosjean, claro. Mas logo depois, o outro sócio do seu clube, Fisichella, rodou e empacou no S.
Bandeira vermelha, treino interrompido.
Quando voltou, a chuva já era mais fraca e todo mundo, claro, foi à luta.
Hamilton logo cravou 1min27s473, Rosberg baixou para 1min24s356, ninguém arredava pé da pista, que vinha melhorando volta a volta.
Ao fim do Q1, a melhor marca ficou com Rosberg mesmo, 1min22s828. Raikkonen foi o segundo, seguido por Kubica, Nakajima, Barrichello e Button.
O corte foi o mais estrelado da história: Vettel, Kovalainen, Hamilton, Heidfeld e Fisichella. Uma Ferrari, duas McLaren, o terceiro colocado no Mundial e um piloto que sempre se coloca ali no bolo.
"Estava muito perigoso, aquaplanando em todo lugar. Não conseguia nenhuma aderência. Espero que a corrida seja no seco", justificou Hamilton, que deu uma escapada antes de recolher para os boxes e desistir da disputa.
A FIA tinha a mesma opinião: estava perigoso. Tanto que levou 24 minutos para dar a autorização para o início do Q2.
A mesma toada do Q1: congestionamento no pit lane, todo mundo na pista logo de cara. E aí, foi a vez de Liuzzi encontrar o muro.
Ele perdeu a freada no fim da Reta dos Boxes, rodou, triscou o muro, seguiu de traseira até acertar o muro externo do S. Pedaço de carro pra todo lado, chuva forte de novo, treino interrompido por uma hora e 11 minutos.
A luz verde foi acionada no pit lane às 16h10, faltando 12 minutos para o fim do bloco.
E aí, foi de assistir de pé. Button tentou, tentou, tentou, tentou. Não conseguiu avançar. Seu tempo, 1min22s504, 2s109 pior que Rosberg, novamente o mais veloz.
Barrichello passou sufoco, quase não passou. Mas "quase" não importa. Porque ele passou. Em décimo, com 1min21s569.
"No Q1, o carro estava saindo muito de frente. Aí, fizemos pequenas mudanças do carro e ele passou a sair muito de traseira", tentou explicar Button.
E veio o Q3.
De tirar o fôlego, de novo.
Barrichello apareceu bem no começo, chegou a ficar em primeiro por alguns instantes, para delírio da torcida. Caiu, melhorou, voltou a levantar as arquibancadas. Foi superado, então, por Webber. E, no finalzinho, fez Interlagos explodir.
O tempo da pole, 1min19s576. O australiano ficou a 0s092, em segundo.
Saindo na pole, com Button em 14º e Vettel em 16º, Barrichello tem tudo para levar a decisão para Abu Dhabi. E se ele antes torcia por chuva, agora é bom esperar tempo seco. Quanto menos imprevistos no GP, melhor para ele, o pole.
"A pista antiga era a melhor do mundo. Se você cometia um erro aqui na Curva 1, ia bater lá na Reta Oposta. Era um traçado sensacional. Não havia outro traçado com tanta visibilidade para o público. Seria ótimo se pudessem reabilitar o circuito antigo."
O rapaz aí da direita entende das coisas...
Um enorme abraço ao Carsten Horst, autor do clique, forte concorrente ao próximo Prêmio Esso.
O terceiro treino livre quase não aconteceu. O mundo caiu, a sessão teve pouco mais de 15 minutos, mas foi o suficiente para Grosjean sofrer um acidente espetaculoso _o carro quase capotou na saída da Reta Oposta.
Acho que dá Vettel na pole. E vocês, qual é a aposta?
E não tenho dúvidas de que esta é a edição mais caída em que já trabalhei. Pouquíssima gente nas arquibancadas, trânsito zero para chegar ao autódromo.
É, também, o primeiro GP Brasil em Interlagos com apenas um brasileiro. Em 1978, a etapa brasileira da F-1 também teve só um representante do país, Emerson, de Copersucar, mas foi em Jacarepaguá.
Coincidência? Acho que não. Depois da explosão de emoção que foi a corrida de 2008, o público esperava mais. A ausência de Massa pesou. E Barrichello não empolga muita gente.
Eis que, no horário do almoço, paddock lotado de jornalistas, Massa foi para a varandinha do escritório da Ferrari. Eis que a assessora de imprensa da equipe estava do lado. Eis que Alonso surge, conversa animadamente com o futuro companheiro de equipe, eles apertam as mãos, posam para fotógrafos. Quantas coincidências, não?
Melhor assim. Mas que Massa falou a verdade na quarta-feira, falou...
Segundo treino, pista seca em Interlagos, 22ºC no asfalto.
O mais veloz foi Alonso, 1min12s214, 0s011 melhor que a pole de Massa em 2008, 0s546 mais lento que a marca de Kovalainen no Q2 do ano passado.
Buemi (!!??) manteve a primeira posição por boa parte da sessão. No finalzinho, porém, acabou sendo superado pelo espanhol, que claramente foi leve, leve pra pista.
Barrichello usou da mesma estratégia. Passou o treino todo com a cabeça na corrida, mas no final resolveu buscar tempo. Não encaixou volta para ficar em primeiro, porém: teve de se contentar com o terceiro tempo, 1min12s459.
Webber foi o quarto. Button, o quinto. Vettel terminou em sétimo
O saldo do primeiro dia: uma Brawn que mostrou alguns lampejos, mas uma Red Bull que pareceu mais consistente.
No primeiro treino em Interlagos, pista seca, garoa, chuva, pista molhada, pista mais ou menos seca, pista mais ou menos molhada.
De tudo, pois.
Inclusive deslizes dos pilotos. Grosjean acertou a placa da freada dos 100m na Junção (como é ruim este francês!), Buemi bateu no Laranjinha, Barrichello rodou no Pinheirinho, Alonso deu algumas escapadas.
E a equação do fim de semana foi comprovada. Quanto mais frio estiver o asfalto, melhor pra Red Bull. Quanto mais quente, melhor pra Brawn.
Não que seja uma enorme surpresa, foi assim a partir do meio da temporada. Mas faltava ver em Interlagos. E neste primeiro treino, vimos.
O melhor tempo foi de Webber, 1min12s463. Vettel tinha o segundo tempo até os instantes finais, quando a temperatura começou a subir. Daí, deu Barrichello, a 0411 da marca do australiano. Tempos bons para uma sexta: no ano passado, a pole do Massa foi em 1min12s368_sim, com gasolina no tanque, mas é uma referência válida.
Vettel ficou em terceiro. Na sequência, Kovalainen, Hamilton, Nakajima e Button.
Em Interlagos, 18ºC às 9h20, 21ºC no asfalto. Vento frio, céu fechado, todos só esperam o momento em que a chuva vai chegar.
No caminho para o autódromo, ainda sem o esquema especial da CET, trânsito péssimo. Ok, talvez não seja necessário disponibilizar, já sexta, as faixas reversíveis. Mas deveriam pelo menos proibir os caminhões no entorno do autódromo.
Ah, sim: os ambulantes estão à toda, novamente. O bonézinho fajuto da Ferrari começa sendo oferecido por R$ 15. "Tem R$ 10 aí, patrão? Faço por R$ 10", é a última oferta antes de o semáforo abrir...
Interlagos amanheceu com chuva, tem céu nublado agora.
Os carros já estão prontos. Os seguranças continuam querendo te dizer o que você pode ou não fazer. Alguns pilotos deram voltas a pé pela pista, A sala de imprensa tem sanduíches de quatro queijos e de lombo. Gelados.
Disse que "bateu na trave" para correr no Brasil, mas que a equipe achou que seria menos arriscado colocar Grosjean em Interlagos.
Um erro de avaliação, óbvio. O francês não conhece a pista, vem fazendo corridas lamentáveis, é difícil imaginar desempenho pior. A política pesou, claro.
Pela manhã, coletiva com os pilotos da Ferrari. Agora, Interlagos.
A chuva já passou, mas o assunto de ontem, evidentemente, não.
Minha opinião? Massa tem toda a razão. É claro que Alonso sabia. E é louvável que alguém fale algo útil e sincero neste ambiente pasteurizado em que ninguém vai além dos discursos oficiais.
Além das frases do post abaixo, Massa falou mais hoje em São Paulo.
"A gente tem que pensar que tudo o que aconteceu não foi só culpa do Nelsinho. Ele fez parte da culpa. Foi culpa de toda a equipe (...) Nunca fui tão próximo do Nelsinho, nunca tive uma amizade grande com ele, então está igual. Cheguei a sentir tristeza com tudo isso."
No almoço com jornalistas brasileiros, este blogueiro incluído, Massa foi assertivo ao ser questionado se Alonso sabia da armação de Cingapura-2008.
"Ele sabia, sem dúvida. Ele sabia, lógico que sabia. Tem que saber. Não tem como saber. Ele sabia, lógico que sabia. Tenho certeza absoluta".
Acho que não há dúvida sobre o que ele quis dizer, certo?
Mas a Ferrari, claro, se movimentou para colocar panos quentes.
Diz que, "de cabeça fria", Massa esclareceu que não tem nenhuma informação concreta e que falou apenas baseado "numa sensação".
Os jornalistas italianos aqui, claro, já estão em polvorosa. A turma da "Gazzetta dello Sport", por exemplo, voltou para a sala de imprensa para reescrever todo o material de amanhã.
Amanhã, claro, Alonso será questionado sobre isso.
Coube ao Aston Nadruz. às 10h50, postar o comentário 60.000 da história do blog.
"Será que a Toyota continua em 2010? A Mercedes fornece motores para a Brawn e Force India... Bem que poderia trocar a segunda pela Williams... Fábio, pra você qual o melhor motor; Toyota ou Renault?", escreveu.
Bem, Aston, a situação da Toyota ainda está bem nebulosa. Já dispensou o Glock, já avisou que não estará na Williams... Sei não.
Sobre a Mercedes, acho que a Williams adoraria. Mas o indiano tem mais bala.
Quanto à última pergunta, eu preferiria um motor Renault no meu carro.
Obrigado a todos vocês que agitam este blog. Obrigado, até, aos chatos: vocês me tornaram um cara mais tolerante e mais consciente da pobreza de espírito que ronda por aí. Mas obrigado, principalmente, àqueles que enriquecem o debate, dão dicas bacanas, participam positivamente.
A Folha de hoje publica uma ótima entrevista com Barrichello, feita pela Tatiana Cunha. A cereja do bolo é isso aqui...
É a primeira vez que eu falo isso, mas cheguei a falar com o Roger Penske [dono da equipe da Indy]. Nós conversamos porque eu queria saber quais as condições dele, ele queria saber as minhas, mas isso era 1% do meu pensamento. Mas eu tive muita sorte porque, se fosse a Honda, eu não sei se estaria lá. E, quando não foi Honda, de repente o mundo caiu. Nas duas vezes, quando me disseram que os aviões tinham batido nas torres no 11 de Setembro e quando me falaram que a Honda ia sair da F-1, eu estava jogando golfe e tive a mesma sensação. Aquilo não era possível. Até ter uma imagem ou um papel escrito, para mim, eram coisas impossíveis. E foi daquilo que acho que minha oportunidade cresceu. Com essa coisa de inibir os testes, eles [a Brawn] precisavam de alguém experiente e com muita vontade. Era eu. A própria Silvana [mulher], quando me deu um abraço, falou: "Eu não acreditava mais".
Esta vai para aqueles que dizem (e que escrevem!) que não havia nada entre Honda e Bruno e que a vaga de Barrichello na Brawn nunca esteve ameaçada.
O Pit Stop desta semana foi feito direto de Interlagos. O assunto principal é óbvio _e fazia tempo que o frame não congelava numa pose constrangedora para este blogueiro-apresentador.
Sim, são anos neste negócio, mas ainda me impressiono com a capacidade de gente da F-1 em negar o que é certo _e o que eles admitem abertamente nos bastidores.
"Converso direto com Frank Williams, e são só boatos. A mesma coisa vale para mim", disse Rosberg, hoje, sobre o troca-troca com Barrichello.
Ah, Interlagos... Interlagos da terça-feira modorrenta, ainda sem muita novidade. Dos vigias espalhados por todos os cantos e que tentam te impedir de circular a todo custo. Interlagos da pista que está pronta, recebendo apenas os últimos retoques de tinta.
De longe, disparado, a melhor notícia dos últimos dias veio numa entrevista de Ecclestone à "Auto, Motor und Sport".
O chefão da F-1 é contra o banimento total dos testes. E apareceu com uma ideia ótima: usar a estrutura dos autódromos para realizar testes nas segundas-feiras pós-GPs.
"Os carros jã estão lá, as equipes também. Os custos serão mantidos dentro de um limite e isso dará chance para novos pilotos aparecerem. O problema do atual sistema é impossibilitar que jovens pilotos sejam testados", disse.
A ideia não é nova. No passado, era comum as equipes ficarem por alguns dias nos circuitos testando, testando, testando.
Mas, vinda de Ecclestone, ganha importância, imponência, respeito, pode virar. Tomara.
Massa voltou a andar com um F-1, hoje, em Fiorano.
Usou um modelo 2007, equipado com pneus de GP2. Uma situação diferente. Desta vez, quem esteve em teste foi o piloto, não o carro.
"Foi tudo muito bem. O que aconteceu naquele 25 de julho não mudou nada. Não consegui dar muitas voltas porque estava chovendo, mas foi bom para perceber que nada mudou. Não senti nenhum problema, foi como se eu não tivesse ficado tanto tempo parado", disse, à TV italiana.
Sobre sua volta, a Ferrari subiu o tom no domingo. Foi enfática em negar seu retorno "num futuro próximo". Vamos acreditar, então.
Não demorou muito. Foi só um amigo e a Globo telefonarem.
E assim Barrichello, que pela manhã negou ter assinado com a Williams, à noite confirmou o acerto ao Burti e ao "Fantástico".
Não que a confirmação mude algo. A notícia já havia sido dada. Mas, novamente, é um caso que mostra como as coisas funcionam na F-1: invariavelmente, de maneira chata, boba, burocrática.
Enfim, aos fatos...
Segundo "Folha" e "Estado" de hoje, o companheiro na Williams também está certo. Será Hulkenberg, campeão da GP2, pupilo de Willi Weber.
Motor? Ninguém sabe, ninguém viu.
A Williams pode manter o Toyota (se a montadora japonesa continuar na F-1), pode trocar para Cosworth. Há até uma chance de Renault. Mas, por ora, nada.