Fábio Seixas

Automobilismo e pitacos sobre tudo o mais

 

Seul e Paju, Coreia do Sul

Foram dois dias na Coreia do Sul.
 
No primeiro, o destino foi a Seul Plaza. E desconfio que, nestas andanças pelo mundo, não vou encontrar uma multidão como aquela: 300 mil pessoas sentadas no gramado, assistindo ao jogo contra a Argentina em quatro telões de alta definição, vibrando, cantando, seguindo coreografias.
 
A despeito da derrota, foi demais. Fiz um vídeo, que está na página especial "Um Mundo Que Torce" na Folha.com.
 
Ontem, fui para Paju, na fronteira com a Coreia do Norte, que deve ser o único furo da lista de países. O problema não era nem tanto entrar no país. O maior obstáculo seria conseguir sair no mesmo dia, como fiz na maioria dos lugares. Normalmente, o governo norte-coreano retém o passaporte de jornalistas, e a série não poderia correr este risco.
 
Paju emociona. Porque traz aquela sensação do "tão perto e tão longe". Porque é para lá que os sul-coreanos que têm famílias no norte vão quando querem deixar uma mensagem, orar ou apenas olhar o horizonte e tentar desvendar o que está se passando naquelas terras tão misteriosas.
 
Um aperitivo está aqui. O prato principal estará na Folha de amanhã.

Escrito por Fábio Seixas às 21h37

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Douala, Abidjan, Accra. E tchau, África

Três dias sem postar. E, vocês me conhecem, não foi porque não quis.

De Argel, fui para Douala, em Camarões. Com escalas em Beirute, Adis Abeba e, surpresa, em Libreville.

Um lugar bem bacana, que lembra as cidades de praia no Brasil. É conhecida como “Sovaco da África”, por estar bem na dobra do mapa. Mas prefere uma outra fama, a de cidade mais cara do continente.

Camaronesas no bar Le Boj, em Douala (Fábio Seixas/Folhapress)

O motivo, o porto, conexão de todos os países da região com o mundo.

Lá, conheci Rahul Jain, indiano trotamundos que morava até março no Brasil. E que deu dicas sensacionais. Como o “Le Boj”, o bar de bacanas onde assisti ao jogo com o Japão. Como aplacar meu receio sobre a escala que faço agora, na Nigéria.

A embaixada em Brasília só me deu visto de uma entrada no país. E eles exigem visto para trânsito. Desde que saí de São Paulo, sabia que teria que passar por aqui hoje, na minha despedida da África. Estava bem preocupado.

“Fica tranqüilo. Um guarda vai te fazer esperar um pouco, depois vai te acompanhar até o portão de embarque e pronto. Já fiz isso algumas vezes”, disse o Rahul. Dito e feito, aqui estou. Boa, Rahul!

Em Douala, três dias após sair de Johannesburgo, foi onde tomei banho e dormi numa cama pela primeira vez nesta empreitada. A cama do Ibis Douala, meus amigos, é a melhor do mundo. Foi lá, também, que comecei a descartar peças de roupa. Uma camiseta de manga longa ficou de presente para a camareira camaronesa _e provavelmente será usada como pano de chão.

Saí de Douala bem cedo ontem para ir para a Costa do Marfim. Com escala, claro. Desta vez, em Cotonou, no Benin.

Em Abidjan, fui recebido por Tibe Bi, cônsul do país em São Paulo, que conheci na fase de planejamento, quando estava correndo atrás do visto.

Ele e uma turma de amigos me levaram a Mputo, uma aldeia na periferia da cidade.

Garotas assistem à partida em Mputo (Fábio Seixas/Folhapress)

E lá aconteceu uma das coisas mais singelas _e bonitas_ desta empreitada.

Antes de sair de São Paulo, parei numa papelaria e comprei dez chaveirinhos da seleção brasileira. Coisa simples, R$ 1,50 cada. Na mala, carrego também uma camisa do Brasil. Em países “complicados”, digamos assim, são sempre boas moedas de troca.

Alguns desses chaveirinhos já ficaram por aí _um deles, com o guarda nigeriano de hoje. Mas nunca vou esquecer daquele de ontem.

Mputo é um lugar muito, muito simples. Quase uma favela. Enquanto os adultos assistiam ao jogo com Portugal, as crianças ficavam brincando por ali, em ruas enlameadas, em meio a animais e até a um saco de lixo repleto de medicamentos.

Daí, surgiu aquela menininha. Deve ter 6, 7 anos. Ficou olhando enquanto eu trabalhava, entrevistava as pessoas, anotava tudo no bloquinho. Me desconcertou, enfim. Fui até o carro, abri a mochila, coloquei um chaveirinho nas suas mãos.

Ela não disse nada. Sorriu. E saiu correndo com o presente até sua casa.

À noite, já em Accra, Gana, fiquei imaginando onde estaria aquele presente tão simples. Sobre uma mesa, numa gaveta, ao lado da sua cama (se é que a menininha tem uma).

Valeu o dia, já valeu a viagem.

Bom, hora de pegar mais um voo. Saí de Gana, faço agora esta escala na Nigéria, despeço-me da África. Um continente cheio de pobreza, mas com uma enorme vontade de virar o jogo. E que vê o futebol como uma maneira de alcançar este sonho.

Levo daqui a vontade de voltar e conhecer melhor alguns lugares.

Ah, sim. Estou fazendo um “balanço operacional dos voos”. Hoje, está assim:

Voos: 11
Janela: 7
Meio: 1
Corredor: 3
Cias aéreas: 7
Mala no raio-x: 12
Tirar o tênis: 3
Revista manual: 6
Refeições: 6
Omelete: 2
Pior cia. aérea: Air Algerie (uma dica, nunca beba a "Coca-Cola genérica que eles servem)
Melhor cia. aérea: Air France
 
Agora, vamos embarcar. Mais sobre minha viagem, nas páginas da Folha e neste link todo especial na Folha.com.
 
Mando notícias.

Escrito por Fábio Seixas às 08h06

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Argel, Argélia

Torcedores em praça de Argel (Fábio Seixas/Folhapress)

Argel foi o terceiro ponto de parada da série “Um Mundo que Torce”.

Eles não disputavam uma Copa desde o México-86. Pararam para ver o jogo. E terminaram o domingo desolados...

Apesar de me lembrar um dos zagueiros dos anos complicados do Santos, Argel é uma cidade bacana. Costeira, clima ameno.

E nada como as amizades. Pela internet, conheci o Paulo, arquiteto português que mora por aqui. E ele me indicou o Ali, motorista esperto, que me levou pra cima e pra baixo, escapou do tráfego e ainda descolou um cyber café para que eu mandasse todo o material pro jornal.

Foi mais fácil do que ontem, enfim. Difícil foi convencer o cara da imigração que, com esse nariz, eu não falo árabe.

Daqui a pouco, mais uma viagem. Chegou a hora das conexões mais estranhas desta maratona.

Líbano e Etiópia não estão na Copa, mas serão escala deste repórter. Eu disse, logo no começo, que a malha aérea da África era complicada...

Escrito por Fábio Seixas às 13h54

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PERFIL

Nina Horta Fábio Seixas, 37, é jornalista com mestrado em Administração Esportiva pela London Metropolitan University, da Inglaterra, e Coordenador de Produção da Sucursal da Folha no Rio. É colunista de automobilismo da Folha e do UOL.


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