Fábio Seixas

Automobilismo e pitacos sobre tudo o mais

 

Cidade do Panamá, San Salvador, Tegucigalpa

"Vou comprar um chapéu", foi a piada idiota que passou pela minha cabeça quando o avião pousou no Panamá.
 
A cidade do canal foi uma das escalas para chegar a Tegucigalpa, em Honduras. Entre uma e outra, uma noite mal dormida num hotel em San Salvador.
 
A capital hondurenha me surpreendeu. Lembra Ribeirão Preto, Campinas, enfim, as cidades em ebulição do interior de São Paulo. Tem seus bairros mais humildes e um centro acanhado, cheio de vielas. Mas conta também com largas avenidas, recheadas de redes americanas de fast food.
 
Por lá, fui recebido pelo Geovanny Gomez, figuraça, jornalista, apresentador de programas de esporte na TV. Foi ele que colocou na mesa do almoço, à minha frente, o Limber Pérez, lateral daquele time que eliminou o Brasil na Copa América de 2001. Talvez a última derrota humilhante da seleção brasileira.
 
O papo rendeu bem e estará nas páginas da Folha de amanhã. É legal ouvir o "outro lado" de quem joga contra o Brasil. Limber deixou escapar uma ponta de mágoa com a arrogância dos brasileiros em campo. Um aperitivo, aqui.
 
Onde estou? De volta ao Panamá. Nova escala, agora para o sul das Américas.
 
Ah, sim: como ainda não consegui cortar o cabelo, comprei um boné no Panamá.

Escrito por Fábio Seixas às 22h08

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Santiago

A passagem pelo Chile foi regada a café. Muito café.

 

Cafezinho bastante caro, aliás. No aeroporto, um espresso sai por 1290 pesos, ou mais ou menos R$ 4,25.

 

Desembarquei por lá antes das 6h e precisei fazer hora até as 8h _daí, a overdose de cafeína. Às 8h30, eu tinha um encontro com Daniel Matamala, jornalista chileno que lançou recentemente um livro sobre o Mundial de 1962 e vem provocando polêmica no país.

 

Papo concluído, fotos clicadas, toca pro aeroporto novamente. O voo era ao meio-dia, o check in precisava ser feito por volta das 10h e eu ainda tinha que escrever os textos e mandar as imagens para o jornal.

 

“Você quer chegar rápido ao aeroporto?”, perguntou o taxista na porta do canal Tele 13, onde encontrei Daniel. Como diz meu pai, foi oferecer milho pra bode.

 

Enfim, deu tempo. A reportagem sai amanhã na Folha. E já tem um aperitivo na Folha.com.

 

Ah, sim: escrevo este post no aeroporto do Panamá. Honduras é a próxima parada, a 15ª. Parece incrível, mas já estamos chegando à metade do roteiro.

Escrito por Fábio Seixas às 20h38

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Miami e Bogotá

Na passagem pelos EUA, tudo bem (ou quase).
 
Porque, por incrível que pareça, tive problemas para conectar à internet. Deu pau no sistema do Holiday Inn de Miami Beach e tive que correr pro aeroporto para enviar o material para o jornal. Lá, enfim, tudo deu certo, a conexão era ótima, texto e fotos da heróica vitória sobre a Argélia estão na Folha de hoje.
 
Em meio à apuração, ainda deu tempo de uma entrevista, a segunda que este blogueiro concede a um canal internacional nesta empreitada...
 
 
Mas problema, mesmo, foi o que aconteceu na minha escala em Bogotá.
 
Eu estava tranquilo, teria três horas por lá antes de embarcar para o Chile. Fui passear ali pelas lojinhas, fiz algumas ligações, comprei uma cerveja, sentei numa mesinha para checar os e-mails e escrever meu post sobre Miami.
 
Foi quando percebi, uma hora depois de ter saído do avião, que, sonado de tudo, havia esquecido meu computador na bolsa do assento à minha frente. Raramente tido o laptop da mochila, mas o fiz neste voo para resolver uns pepinos de planejamento desta empreitada.
 
Pânico.
 
Corri até uma funcionária da Avianca, que me disse que o avião ainda estava no portão. Corri feito um louco pelo terminal e, primeira sorte, ele ainda estava lá. Não iria para viagem nenhuma, estava prestes a ser rebocado para o hangar.
 
Esmurrei a janela de vidro do finger e o funcionário da manutenção que estava na cabine me viu. Seguiram-se alguns gestos desesperados de mímica até que ele me pedisse para subir a porta metálica de acesso ao avião.
 
Bom, eram 20h em Bogotá e lá estava eu, à beira de um finger, com o avião a uns 5 metros, gritando em espanhol com o cara, explicando a situação, pedindo para que ele verificasse o assento 20F.
 
Ele foi, voltou, disse que não havia nada por lá. O avião começou a ser rebocado.
 
Foi quando eu lembrei que meu assento era outro, o cartão de embarque eu tinha nas mãos era de um voo anterior. Viajara na janela, sim, mas do lado esquerdo. O certo era 14A.
 
Gritei novamente, agitei os braços... O avião já ia longe, mas o cara fez sinal de positivo, dizendo que iria procurar assim que chegasse ao hangar.
 
À essa altura, eu já era atração no aeroporto. Dois funcionários da segurança vieram me atender. Uma menina ficou comigo o tempo todo, e é pena que eu não tenha perguntado seu nome.
 
Fato é que, após vários e vários diálogos por rádios, idas e vindas pelo terminal internacional, ela me levou até Freddy, despachante de bagagens da Avianca. Foi a segunda sorte.
 
Ele me disse para esperar, iria até o avião. Foi. E voltou 15 minutos depois. "Não tem nada lá", disse.
 
Mais pânico. Pelo valor do computador. Pelo que a perda significaria para meu trabalho dos dias seguintes. Por todas as fotos de todos os lugares. Já comecei a pensar em como faria nas próximas paradas. Eu estava inconformado. Posso perder tudo nessa viagem, menos o passaporte e o computador.
 
Freddy se solidarizou, pediu desculpas, me levou até a entrada da aduana, se despediu. Eu estava tão atordoado que, em vez de seguir para a área de conexões internacionais, de repente me vi no meio da rua.
 
Voltei por uma porta proibida, levei bronca de um segurança, expliquei o caso. Estava caminhando para a área de embarque quando ouvi: "Señor Silva!"
 
Era Freddy. Esbaforido. "Encontramos seu computador, vem comigo."
 
Fui, com todo o alívio do mundo. E só conseguia dizer "puta que pariu, Freddy, puta que pariu".
 
Ele me colocou numa salinha, pediu que aguardasse. Uns 20 minutos depois, surgiu com o computador e um DVD do "Cocoricó".
 
"Este também é seu?", perguntou. "Não, Freddy, não é. Obrigado."
 
E, assim, aqui estou batucando este post. E, assim, a camisa da seleção que eu estava levando na mochila desde o começo da viagem já tem um dono.
 
>> LEIA MAIS sobre a série "Um Mundo Que Torce" na Folha.com

Escrito por Fábio Seixas às 07h07

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Cidade do México

Está difícil manter os olhos abertos hoje.
 
A viagem foi bem longa e a manhã, desgastante. México x Uruguai começou às 9h aqui na Cidade do México. Depois de fazer partidas no meio da tarde, à noite e na madrugada, agora estou no fuso contrário, algumas horas antes do Brasil. Mas, enfim, tem bola rolando. E matérias para escrever.
 
A ideia aqui no México foi assistir ao jogo na casa de uma família perto do estádio Azteca. E foi bem bacana. Fui muitíssimo bem recebido pelos Urbina Martinez e, de novo, ficou aquela vontade de passar mais algum tempo por aqui para conhecer melhor o lugar.
 
Na frente da casa deles, uma feira livre. Completamente vazia durante o jogo, claro. Dei um pulinho lá. Um dos sucesso de venda está aí na foto abaixo. Cada 100 gramas de chili sai por 10 pesos, ou R$ 1,41.
 
 
No começo do segundo tempo, Luis, o mais novo dos irmãos na casa, apareceu com tortillas e vários recheios. Este blogueiro decidiu se aventurar com um molho de chili que, diziam os anfitriões, era bem leve, inofensiva.

Preciso contar o fim da história?
 
>>LEIA MAIS sobre a série "Um Mundo Que Torce" na Folha.com

Escrito por Fábio Seixas às 16h45

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Narita e Honolulu

Sinalização de banheiro no aeroporto de Honolulu (Fábio Seixas/Folhapress)

Aloha! Escrevo do Havaí. Mais uma escala no dia mais interminável da minha vida.

Quando saí de Auckland, eram 7h45 de segunda-feira. Vooei umas dez horas e desembarquei em Tóquio às 16h30. Fiquei por lá umas quatro horas, voei mais seis e, quando cheguei ao Havaí, eram 9h30 de... segunda-feira!
 
Agora, são 13h36. Daqui a pouco pego outro voo até Los Angeles. De lá, mais um pra Cidade do México, onde, enfim, piso às 5h30 da terça.
 
No Japão, o tempo foi para mandar material para o jornal, para a Folha.com, mais nada. Aqui, pelo contrário, uma escala interminável. Sem contar que é a escala mais infeliz de toda a jornada: parar no Havaí e ficar só na área do aeroporto é uma enorme frustração. Um dia hei de voltar, como se deve.
 
Mas, enfim, peguei um táxi e mandei tocar prum Target. Lá, comprei novas meias e camisetas. As velhas, e uma blusa de frio, foram parar num saco. Mas aí, veio a dúvida: o que fazer com o saco?
 
Sim, porque os EUA continuam daquele jeito... O taxista me proibiu de ligar a câmera dentro do carro dizendo que "é proibido filmar as ruas". Eu estava tão cansado que resolvi não discutir. Daí, no raio-x, claro, fazem todo mundo tirar o sapato. Imaginem o que fariam se eu largasse uma sacola no meio do aeroporto? SWAT na certa.
 
Enfim, perguntei para uma funcionária do aeroporto o que eu poderia fazer com aquilo. E ela chamou Amaro.
 
Amaro é carregador de malas em Honolulu. E quando mostrei que havia até três pares de meia zero quilômetro, que não couberam na mochila, ele abriu aquele sorrisão. 
 
Ah, sim: aqui ficaram também as três camisetas que comprei na Costa do Marfim.
 
Em boas mãos, com certeza.

Escrito por Fábio Seixas às 20h51

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Auckland, Nova Zelândia

O aeroporto de Auckland oferece café de graça no desembarque. E a latinha de Red Bull no país tem meio litro.

Deve ter a ver com o fato de a Nova Zelândia estar no subúrbio do mundo, na contramão dos horários dos grandes eventos.

O jogo com a Itália, por exemplo, aconteceu às 2h locais. A partida do Brasil começou às 6h30. Para aguentar uma Copa do Mundo assim, só com muito café e muita taurina.

Sorte minha, que precisei apelar pra tudo isso nessa passagem por Auckland.

Cheguei no meio da tarde e, ciceroneado pelo Marcelo Meinota, mais um amigo que ganhei nesta viagem, fui até a sede do Auckland FC.

O time já disputou dois Mundiais da Fifa e no último, em 2009, foi quinto colocado. Ótimo resultado para um clube amador. Sim, amador.

Quando cheguei lá, o presidente, Ivan Vuksich, estava passando uma mão de tinta na pequena arquibancada. “Uns garotos picharam. E quando isso acontece, o melhor a fazer é pintar logo, para eles não voltarem”, disse Ivan, calça azul toda respingada de tinta branca.

Inimaginável, não? E foi com um grupo formado por cinco jogadores amadores que a seleção da Nova Zelândia arrancou um empate contra o milionário time italiano. Coisas do futebol.

No hotel, uma soneca rápida, um jantar decente (o primeiro fora de um avião desde Camarões, no quarto dia da jornada) e o bar Fox, onde assisti ao jogo ao lado de Marisa Vicelich, mulher de Ivan, zagueiro/volante, número 5 da seleção, recordista em jogos pelos All Whites.

Ah, sim: a série "Um Mundo Que Torce" virou notícia internacional. Estve que vos bloga foi objeto de matéria do jornal das 18h do canal 1 da TVNZ. Ainda bem que, após alguns dias no visual náufrago, eu tinha feito a barba...

O jogo terminou pouco antes das 4h. Hora de correr pro hotel, escrever, mandar as fotos para o jornal, um vídeo para a Folha.com e tocar de novo para o aeroporto.

O voo para o Japão saiu às 8h30. E, pela primeira vez nesta jornada, uma companhia aérea, a Air New Zealand, não aceitou minha mochila como bagagem de mão.

Uma mochila que viajou comigo até em aviãozinho da Embraer na África não pode, segundo a Air New Zealand, entrar num Boeing 777-200 dotado de bagageiros em que cabem famílias inteiras.

Vai entender... Só espero que a mala chegue a Tóquio. Até porque a passagem por lá será relâmpago. Aliás, se você está lendo este post é porque eu, pelo menos, aterrissei no Japão.

É a 11ª parada da série. Até agora, em 11 dias, foram 16 voos em 11 empresas diferentes. E, no meu ranking pessoal, a Air New Zealand agora faz companhia à Air Algerie na lanterninha.

Escrito por Fábio Seixas às 08h04

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Sydney, Austrália

Foi um sentimento de déjà vu retornar a Sydney, pisar no Darling Harbour, dez anos depois.

Sydney foi minha primeira Olimpíada. E embora Atenas e Pequim tenham feito o melhor para exibir seus encantos, a primeira Olimpíada a gente nunca esquece.

Sei lá, talvez tenha a ver com esse meu sentimento particular, mas acho que nem 2004 nem 2008 tiveram a animação de 2000. E, se é verdade, a culpa é do Darling Harbour.

Na marina, durante os Jogos, funcionava um tal de Heineken Hospitality. Era pra lá que os atletas iam após suas competições, sucessos ou fracassos. Em comum, todos enchiam a cara. Uma festa tremenda, toda noite, enfim. E embora eu não tenha ido nenhuma vez pra lá durante a Olimpíada (vida de jornalista não é a moleza que vocês pensam), aquela imagem ficou na minha cabeça.

Pois bem, voltei ontem. A lembrança daquelas noites de loucura em 2000 foi imediata. Sydney é uma das seis cidades do mundo que recebem a Fan Fest da Fifa. E o Darling Harbour estava fervendo para Austrália x Gana.

Era, porém, uma ferveção diferente. E é sobre isso a reportagem na Folha de hoje.

Desta vez, uma turma muito mais comportada estava por lá. Basicamente, estrangeiros que curtem futebol e australianos, históricos fãs do rúgbi, dispostos a entender os mistérios deste esporte que encanta o mundo todo. Em vez da cerveja, café, arma mais eficiente para aguentar o frio de 12 graus. Na página especial sobre a série, tem um vídeo da turma comemorando o gol que abriu o placar.

Garotas australianas durante Austrália x Gana (Fábio Seixas/Folhapress)

(Escrevo da poltrona 7A no voo QF55, de Sydney para Auckland. O relógio marca 9h56 e os comissários chegam para oferecer o almoço! Almoço!! Uma das opções, já ouvi, é frango. Frango antes das 10h é qualquer coisa... Bom, já pulei o café da manhã, vou ter que comer alguma gororoba agora. Já volto.)

Voltei. E optei pelo peixe com cogumelos. Menos mal do que o frango. E a Qantas é mesmo uma companhia bacana: quando você pede uma Coca, os comissários te entregam uma latinha. Em várias outras, é meio copo lotado de gelo e olha lá. Decidi me esbaldar e pedi uma segunda latinha. O cara trouxe. Vitória, amigos, vitória.

Ah, sim: acabo de conferir o papelzinho que levo dobrado junto ao passaporte e esta é a décima companhia área que pego nesta viagem. Marca que vale algumas considerações:

Já tinha notado isso quando eu viajava atrás da F-1, e a história se repete agora: as companhias aéreas exibem, todas elas, os mesmos filmes. Quando não se podia escolher a programação, houve uns dois meses em que assisti “Shakespeare Apaixonado” umas 20 vezes, a ponto de decorar várias falas. A bola da vez é “Alice”. Assisti pela primeira vez no voo de Lagos para Dubai. Vi alguns trechos entre Seul e Sydney. E agora, neste voo sem telinhas individuais, adivinhem o que está passando...

Omelete. As companhias aéreas têm algum conluio com o Sindicato Mundial das Granjas? Por que todas elas servem omelete no café da manhã? Não dá pra variar?

Aliás, no capítulo café da manhã, cabe uma observação sobre o pãozinho. Os donos de companhias comem pão gelado? Não? Ah, bom.

Nunca, nunca mesmo, beba a Coca-Cola genérica servida pela Air Algerie.Sim, sei que já escrevi isso, mas o trauma foi grande. Da mesma forma, nunca, nunca mesmo, peça vinho tinto na classe econômica da Asiana. Tente desinfetante, pode ser melhor.

Não sei se a Emirates consegue se sustentar sozinha ou se ainda é bancada por dinheiro de Dubai.Fato é que não tem pra ninguém, hoje, em termos de qualidade de serviço. A viagem ainda não está na metade, mas acho que já pintou a campeã.

Por enquanto, é isso. Daqui a pouco aterrisso em Auckland, onde na próxima madrugada assisto ao jogo entre Nova Zelândia e Itália. Sim, madrugada: a partida começa às 2h locais. Vou tirar uma soneca.

(E se você está lendo este post, é porque já estou em Auckland. Embora já existam voos em que é possível acessar a internet e usar o celular, ainda são uma raridade. Ainda bem. Os aviões ainda são o último oásis da incomunicabilidade. Uma necessidade, às vezes, mesmo para quem trabalha com comunicação.)

Escrito por Fábio Seixas às 01h56

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PERFIL

Nina Horta Fábio Seixas, 37, é jornalista com mestrado em Administração Esportiva pela London Metropolitan University, da Inglaterra, e Coordenador de Produção da Sucursal da Folha no Rio. É colunista de automobilismo da Folha e do UOL.


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