Fábio Seixas

Automobilismo e pitacos sobre tudo o mais

 

Vettel, pole e alívio

Em Abu Dhabi, um treino que foi uma meia-corrida.
 
Porque posicionou os candidatos ao título de uma maneira bem interessante, cheia de significados e implicações.
 
Na pole, pela 10ª vez em 19 GPs no ano, Vettel. Ao seu lado, Hamilton. Alonso sai em terceiro, com Button em quarto. Webber sai só em quinto.
 
Vettel tem que fazer a dele. Olhar pra frente, meter o pé no acelerador, lutar pela vitória sem se preocupar com o rádio e depois ver o que acontece. Um alívio.
 
Hamilton tem que partir pra cima do alemão e, da mesma forma, esperar pra ver.
 
Alonso não precisa fazer nada. Terminando ali, em terceiro, está bom demais. É tricampeonato no bolso do macacão vermelho.
 
Button vai aproveitar pra se divertir.
 
E Webber? Bem... O australiano começou a se despedir do título hoje. Porque precisa passa toda essa turma para sonhar com o campeonato. O resultado, para ele, foi desastroso.
 
Pela manhã, no último treino livre, deu Vettel, seguido por Webber. Alonso foi o quarto, a quase 0s8. Hamilton se intrometeu entre a Red Bull e a Ferrari.
 
Uma amostra do que viria pela frente.
 
O treino oficial aconteceu sem problemas, sem emoções, sem alternativas. O normal numa pista que é tão linda quando chata.
 
Lá na frente, Alonso foi o mais veloz, com 1min40s170. Rosberg foi o segundo, a 0s061. Vettel foi o terceiro, seguido por Hamilton e Webber. Barrichello ficou em sétimo, Massa foi o oitavo.
 
Lá atrás, foram eliminados Buemi, Trulli, Kovalainen, Glock, Di Grassi, Senna e Klien.
 
No Q2, já com a noitinha caindo nos Emirados, Vettel cravou a melhor volta, 1min39s874. Button ficou em segundo, a 0s040. Rosberg foi o terceiro, com Webber logo atrás. Hamilton ficou em quinto.
 
Alonso? Só o sexto. Avançaram, ainda, Massa, Schumacher, Barrichello e Petrov.
 
Os degolados, Kubica, Kobayashi, Sutil, Heidfeld, Hulkenberg, Liuzzi e Alguersuari.
 
E veio o último Q3 do ano, o mais importante.
 
Logo de cara, Hamilton fez 1min39s582. Susto?
 
Não para a Red Bull. Que, cheia de confiança, esnobou a concorrência.
 
Demorou para sair dos boxes e, quando o fez, viu Vettel fechando duas voltas rápidas, ambas melhores do que a do inglês.
 
Cravou a pole, sem chances para a concorrência.
 
Massa sai em sexto. Barichello é o sétimo no grid.
 
O cenário formado, o desempenho dos carros, a vontade dos pilotos e a disposição das peças, indicam que o Mundial está bem próximo de Alonso. 
 
Mas Vettel não está longe. Não mesmo.

Escrito por Fábio Seixas às 12h18

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Abu Dhabi, 1º e 2º treinos livres

Vettel, no segundo treino em Abu Dhabi (Steve Crisp/Reuters)
 
Na primeira sessão, deu Vettel seguido por Hamilton.
 
Na segunda sessão, deu Hamilton seguido por Vettel.
 
Webber foi quarto colocado nos dois treinos.
 
Alonso foi sexto e terceiro.
 
Entre os brasileiros, Massa foi o melhor: sexto colocado no segundo treino.
 
Um dia chato de atividades em Abu Dhabi, o que é de se esperar naquela pista insossa. É uma pena que um campeonato tão empolgante seja decidido num lugar tão sem graça. A FIA deveria baixar um decreto, colocar todo mundo de volta num avião e viajar para Spa.
 
Mas como não vai fazer isso... Aos pitacos.
 
Sobre a McLaren, é bom lembrar que Hamilton cravou a pole lá no ano passado. Mas ainda aposto na Red Bull. E, internamente, a vantagem clara é do alemão.

Escrito por Fábio Seixas às 14h42

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Sexta, coluna

Quando lança um viral no YouTube ou recruta estudantes universitários para dirigir carros com enormes latas na capota, Mateschitz aposta no "buzz marketing". O bom e velho boca a boca. Que é o que ele teme no caso de uma marmelada, em Abu Dhabi.
Talvez mais do que ninguém no mundo dos negócios na última década, o austríaco respeita a força do buchicho. Sabe que pode ser, também, destrutiva.
Isso afunila nos ombros de um rapaz de 23 anos.
 
Este, um trecho da coluna de hoje.

A íntegra está aqui, para assinantes da Folha e do UOL.
 
Na Folha Digital, pág. D11.

Escrito por Fábio Seixas às 10h18

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"Senna", o filme

Estreia nesta sexta-feira, no Brasil, o documentário "Senna". Vocês sabem sobre quem.

Estive numa sessão para a imprensa.
 
Vale a pena.
 
Vale pelas imagens até agora inéditas, tanto de gravações amadoras da família como de cenas registradas pela FIA (ou FOM ou Foca, tanto faz), por exemplo, de briefings dos pilotos.
 
Uma delas, de Suzuka-90, é ótima para desmistificar a tese de que Piquet comportava-se sempre como calhorda quando o assunto era o rival. Ele defende Senna da absurda desclassificação do ano anterior. "Vocês fizeram uma merda", diz, para Balestre e Brunserayede.
 
Vale pela narração, tarefa dividida para especialistas do mundo todo. E quem mais fala é o Reginaldo Leme. Fala muito, e fala muito bem.
 
Vale para relembrar detalhes. Vale para matar (ou aumentar) a saudade daquela época. Vale até pela contextualização que é feita sobre o Brasil da época _melhoramos muito.
 
Mas incomoda o endeusamento de Senna, tratado como um verdadeiro Capitão Nascimento da F-1. O tempo todo ele "luta contra o sistema", expressão que chega a usar em um dado momento.
 
É Senna contra o vilão Prost. É Senna contra o vilão Balestre. É Senna contra a vilã McLaren, que não lhe deu carros bons em 92 e 93. É Senna contra tudo e contra todos, sempre sacaneado, sempre vítima, sempre batalhando para superar as injustiças. Para o filme, Senna nunca errou.
 
Quase dá para ouvir Wagner Moura dizendo "o sistema é foda, parceiro".
 
Neste meu repente de crítico cinematográfico, recomendo que vocês vejam o filme com esse olhar crítico. Pero sin perder la ternura. Porque o saldo é positivo.
 
Talvez eu até assista de novo. Com mais calma, sem um bloquinho de anotações no colo.
 
Vai aqui um aperitivo...

Escrito por Fábio Seixas às 20h37

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Button bravo

A McLaren decidiu não escalar nenhum de seus pilotos titulares para os testes em Abu Dhabi, na semana que vem.
 
Paffett e Turvey trabalharão na sexta e no sábado, dias dedicados à Pirelli. Nos outros dois dias, para pilotos jovens, o grosso do trabalho deve ficar com Turvey _inglês, 18 anos, hoje o sétimo colocado na GP2.
 
Button claramente não gostou. O argumento da McLaren é que os pneus mudarão muito ao longo da pré-temporada e que, por isso, o teste valeria pouco.
 
A bronca dele é compreensível. Se eu fosse piloto, pediria para testar esses pneus o máximo possível. Não dá para minimizar a familiaridade com a borracha depois dos exemplo de Schumacher e Massa em 2010.

Escrito por Fábio Seixas às 19h00

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Disneylândia da velocidade

Até agora, eu só tinha visto fotos do tal parque da Ferrari, em Abu Dhabi.
 
Mas acabei de ver uma materinha na TV Folha. Está aqui.
 
É, deu vontade.

Escrito por Fábio Seixas às 19h24

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Programe-se

E chegou a hora do último "Programe-se" do ano.

Segue a programação da F-1 em Abu Dhabi, no horário de Brasília.

Sexta-feira

7h-8h30, 1º treino livre

11h-12h30, 2º treino livre

 

Sábado

8h-9h, 3º treino livre

11h, treino oficial

 

Domingo

11h, largada

Escrito por Fábio Seixas às 12h27

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O País da F-1

A contribuição de hoje veio do Adilson Delaim, de Panorama, no Estado de São Paulo.
 
"Sendo um assíduo leitor das suas colunas, blog e frequente espectador do seu programa Pit Stop, já me deparei várias vezes com algumas situações em que poderia colaborar com o acervo do tema 'País da F-1', Às vezes seria repetitivo, mas eis que julgo encontrar uma em especial. Se pensarmos um pouco depois do velotrol, triciclos, patinetes, jipinhos, skates e bikes, onde empreendemos as próprias forças motrizes para ganhar velocidade, qual é o segundo passo de um piloto senão nos parques de diversões e num auto pista?!. Seguem ai, algumas imagens captadas na ACERUVA 2010  (Feira da Acerola e da Uva, de Junqueirópolis-SP) em outubro. A pintura já está meio surrada pelo tempo, mas espero ter valido o registro."
 
 
 
Festa da Acerola e da Uva? Sensacional. Só não entendi aquela bandeira dos EUA ali entre o Senna e o Massa...
 
Ao Adilson, um grande abraço!

Escrito por Fábio Seixas às 12h15

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Pit Stop #163

O Pit Stop desta terça falou da insegurança em São Paulo, de Vettel, Webber, Alonso, Massa, Barrichello, Hulkenberg, Maldonado, Bruno, Di Grassi, Lorenzo, Stoner, Rossi, Lorenzo, Irvine...

Escrito por Fábio Seixas às 14h43

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Novo amor

E começou, em Valencia, a história de Rossi na Ducati...
 
Rossi, em Valencia (Heino Kalis/Reuters)
 
Diversão à vista.

Escrito por Fábio Seixas às 12h56

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Segundo

'Um segundo lugar correto será melhor do que vencer com ordens."
 
Este, Dietrich Mateschitz. Que vem a ser o dono da Red Bull.
 
Mais um (importante) ingrediente para o maior dilema da história da F-1.

Escrito por Fábio Seixas às 12h49

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A foto

A foto do fim de semana é esta...

Vettel, Horner e Webber em Interlagos (Sergio Moraes/Reuters)
 
Porque, dependendo do que acontecer em Abu Dhabi, pode ter sido o último abraço desses três.
 
O clique é de Sergio Moraes, da Reuters.

Escrito por Fábio Seixas às 18h54

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Pílulas do dia seguinte

Horner: "Nós apoiaremos os dois pilotos igualmente, e os dois pilotam para o time. No final do dia tenho certeza que eles farão o que for certo para o time. Não tenho dúvida sobre isso. Então, não haverá ordens de equipe, e eu não acho que exista alguma decisão difícil para ser tomada";
 
Já tenho meu palpite: se Vettel estiver na frente de Webber com o GP chegando ao final e a única chance da Red Bull for o australiano, a inversão acontecerá. E até o fim dos tempos, todos os envolvidos jurarão pelas mães que foi uma decisão pessoal do alemãozinho, este santo, este rapaz altruísta;
 
Depois do que aconteceu em Interlagos, dispensar Hulkenberg seria uma besteira para a Williams. Demitir Barrichello, pelo que fez no ano todo, seria outra. E assim, a F-1 já começa a falar em Maldonado na Hispania, que promete melhorias após uma parceria com a própria Williams e a chegada de um novo investidor. O venezuelano testará o carro do time em Abu Dhabi. Pelo que Maldonado (não) pilota, estaria de ótimo tamanho;
 
Dois anos atrás, chegando para o GP, encontrei Di Grassi na porta do autódromo. Ele era piloto de testes da Renault, mas não conseguia entrar porque sua credencial estava lá dentro, com a equipe. Escondeu-se no banco de trás do meu carro e, assim, furou o bloqueio dos seguranças. Ontem, entrevistei-o no grid. E foi, de longe, a entrevista mais emocionante do fim de semana. Porque ele é cria de Interlagos, começou moleque, ali do outro lado do muro, no kartódromo. "Vou tentar o melhor para vocês", disse, para o público, quase um animador de auditório. Foi especial;
 
O traçado de Interlagos é dos melhores do campeonato, não há dúvidas. O problema, consenso na F-1,  é o que existe em volta. Barracos, ruas e avenidas mal cuidadas, insegurança. Todo ano é a mesma coisa: alguém da categoria é atacado, e isso repercute no mundo todo. O que não entendo é o seguinte: todas as equipes ficam hospedadas nas redondezas do autódromo. Do portão 7 ao Hilton, são 3,3 km e há praticamente uma só rota. É tão difícil reforçar o policiamento por 3 km de avenida e, assim, evitar essa queimação de filme?;
 
Alonso diz estar "100% confiante". Ok, ele pode estar confiante. Mas "100%", duvide-ô-dó.

Escrito por Fábio Seixas às 17h42

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Dia 3

Fiz a conta, este foi meu 14º GP Brasil com credencial de jornalista no peito.
 
Um GP meio chocho na badalação do paddock (já houve melhores), não muito emocionante na pista (já houve muito melhores), mas que deixa no ar o tal papo de boteco de dois posts abaixo (um dos melhores).
 
Um GP que envergonhou pela insegurança da cidade _e choca ler, nos comentários, como há gente conformada, pessoas que acham normal ver bandidos com metralhadora por aí.
 
Um GP que teve a emoção da Lotus 72 acelerando. "As curvas 2 e 3 não existem mais, mas o clima de Interlagos ficou", disse Emerson, a este que vos bloga, emocionado, no grid.
 
Um GP que teve as arquibancadas gritando "Rubinho, Rubinho" e "Alonso, viado", mostrando que não foram apenas os jornalistas que se indignaram com a marmelada de Hockenheim.
 
Um GP vapt-vupt. Porque na semana que vem tem corrida em Abu Dhabi. Cinco minutos após o pódio, sem exagero, já havia empilhadeiras e caminhões carregados de contâneires etiquetados para os Emirados.
 
Um GP que teve gosto de café, de sanduíches de atum, salame e carne louca, de macarrão da Ferrari, de café, de Red Bull, de balinhas de hortelã, de café.
 
 
Mais um GP com vocês, leitores do blog. Obrigado pela companhia.

Escrito por Fábio Seixas às 18h35

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Jackie também merece

Em seis temporadas, a Red Bull conquistou o Mundial de Construtores. Lindo, bacana, aplausos, parabéns.
 
Mas não nos esqueçamos da origem disso tudo.
 
A Red Bull era a Jaguar. Que fez tudo errado na F-1, mas não conseguiu destruiu toda a herança deixada pela Stewart, um time modesto, bem ajeitadinho, de orçamento apertado e que fez muito, muito bonito em três temporada na categoria.
 
Herbert, Stewart e Barrichello no GP da Europa de 99
 
Jackie, tricampeão e dos caras mais simpáticos do paddock, também merece sua taça de champanhe. 

Escrito por Fábio Seixas às 18h03

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Boteco

Nas entrevistas coletivas pós-GP, um Vettel sorridente-cauteloso e um Webber com cara de que não gostou.
 
Questionado sobre o que fará se estiver à frente do companheiro em Abu Dhabi, o alemão enrolou, enrolou, não disse nada. Webber respondeu que vai depender da "última volta".
 
O que vai acontecer? Quem merece? A Red Bull vai rasgar o seu discuso? A Ferrari vai bater orgulhosa no peito, evocando a marmelada de Hockenheim?
 
E assim a F-1 ganhou, por uma semana, um excelente papo de boteco.

Escrito por Fábio Seixas às 17h48

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Vettel, e o esporte venceu

Vettel no pódio de Interlagos (Sebastião Moreira/Efe)
 
Não teve pra ninguém. A Red Bull sobrou em Interlagos.
 
Vitória de Vettel, a quarta no ano, a nona na carreira.
 
Webber em segundo. Sim, Webber, à frente do companheiro no campeonato.
 
Jogo limpo, sem marmelada, sem arranjos obscuros. 
 
Vitória do esporte.
 
Na largada, a liderança de Hulkenberg não durou 100 metros.
 
Antes mesmo do S, Vettel colocou por dentro e passou o compatriota. Também na primeira volta, foi a vez de Webber superar o pole e assumir o segundo posto.
 
Mais pra trás, tudo limpo, nenhuma lambança.
 
Quem babava era Alonso, que deixou Hamilton para trás na segunda volta e partiu pra cima de Hulkenberg. O problema é que não foi tão fácil quanto ele imaginava. E, enquanto perdia tempo atrás do novato, as Red Bull disparavam.
 
Na sexta volta, Alonso já estava a 9s6 de Vettel. Foi demais para o espanhol. Entre o Lago e o Laranjinha, ele se jogou e fez a ultrapassagem. O "problema" ficou para Hamilton.
 
Na décima volta, o top 10 era Vettel, Webber, Alonso, Hulkenberg, Hamilton, Kubica, Barrichello, Massa, Schumacher e Button.
 
Tornou-se uma corrida de duas divisões.
 
Na primeira, Vettel e Webber cravavam voltas mais rápidas, marcavam um ao outro, aumentavam ou reduziam a diferença de acordo com a volta. Na 12ª volta, 2s4 entre os dois. De Webber pra Alonso, porém, um fosso de 10s5.
 
Foi neste momento que Button parou nos boxes. Um indício do potencial destrutivo dos 53ºC do asfalto para os pneus e uma tentativa de sair de trás do trenzinho puxado por Hulkenberg.
 
Massa parou logo depois _e voltou para os boxes na volta seguinte porque a Ferrari não fixou bem a roda dianteira direita. Sua prova ficou arrasada a partir daí.
 
Liuzzi, Kubica, Heidfeld, Alguersuari, Barrichello, Glock... Pouco a pouco, o pessoal do meio e do fundão começou a antecipar o pit na esperança de colher algo diferente lá na frente.
 
Na 20ª volta, Hamilton, em quarto, inaugurou a janela "normal" de pits. Schumacher, sexto, seguiu o inglês. Alonso, terceiro, fez seu pit na 24ª, quando já estava a 16s9 de Vettel.
 
E as Red Bull? Velocidade de cruzeiro, quilômetros lá na frente.
 
Na 25ª, Vettel parou. Pit normal, sem sacanagens com o alemãozinho no meio deste mundão todo. Na 26ª, foi a vez de Webber entrar. Pit normal, sem sacanagens com o australianinho no meio deste mundão todo.
 
Vettel, que estava na frente, continuou na frente, pois.
 
A única mudança foi que o fosso para Alonso aumentou. O espanhol não conseguiu manter o ritmo de antes, enquanto a Red Bull passou a virar ainda mais rápido.
 
Na 34ª volta, Barrichello e Alguersuari tocaram no S. Logo depois, a imagem do brasileiro se arrastando para os boxes, com o pneu furado. Interlagos é mesmo complicado para ele...
 
Seis voltas depois, Vettel tinha 2s8 sobre Webber. Do líder para Alonso, 17s4. Depois, Hamilton, Button, Rosberg, Kobayashi, Sutil, Schumacher e Hulkenberg.
 
Na 51ª, a 20 para o fim, Liuzzi resolveu trazer emoção pra corrida. Acertou o guard rail na saída do S, safety car na pista. Ufa.
 
A relagarda veio na 55ª volta. Vettel segurou bem a ponta, com 2s1 sobre Webber. Alonso, agora, estava a 5s1, mas sem chances de ameaçar ninguém.
 
É verdade que, no fim, o espanhol apertou o ritmo. Mas não deu. Não daria. O dia era da Red Bull.
 
Com o resultado, Alonso se mantém na ponta do Mundial, com 246 pontos. Webber está a 8 pontos, com 238. Vettel sobe para 231. Hamilton tem 222.
 
E o Mundial de Construtores tem dono. O título foi garantido pela Red Bull.
 
O que vai acontecer em Abu Dhabi? Não dá para imaginar.
 
Mas, pelo menos hoje, o espírito esportivo venceu.

Escrito por Fábio Seixas às 15h39

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Button e Kassab

Button é o assunto da manhã em Interlagos.
 
Chegou agora há pouco ao circuito e, cercado por jornalistas do mundo todo, concedeu uma mini-entrevista coletiva sobre o fato lamentável de ontem.
 
Disse que estava no banco do passageiro de uma Mercedes blindada. No volante, um motorista-segurança-PM. No banco de trás, seu pai e seu empresário.
 
Explicou que o motorista notou uma movimentação estranha alguns carros atrás.
 
"Eram dois homens, e deu pra perceber que estavam carregando algo estranho. Um deles levava um revólver. O outro... Parecia uma metralhadora. O motorista então achou um espaço mínimo para passar. Eu achei que ele não conseguiria, mas ele passou e escapou. Os dois tentaram correr atrás da gente, mas escapamos."
 
Button ainda classificou o incidente de "azar".
 
Às rádios Bandeirantes e BandNews FM, Kassab lançou um "é, aconteceu".
 
O primeiro é um gentleman. O segundo deveria ter ficado em casa. 

Escrito por Fábio Seixas às 10h55

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Sol e selvageria

Menos de meia hora da minha casa para Interlagos.
 
Que Deus abençoe o homem que decidiu acabar com o warm-up.
 
Na chegada ao autódromo, um funcionário da McLaren conversava com seguranças. O assunto, o susto que Button levou ontem.
 
Não está claro ainda o que aconteceu.
 
Já ouvi que a Mercedes blindada que levava o inglês para o hotel foi cercado por bandidos armados, e o motorista conseguiu fugir. Já ouvi que o motorista simplesmente percebeu uma movimentação estranha e fez uma manobra mais estranha ainda. À Rádio Bandeirantes, um comandante da PM disse que a corporação não recebeu nenhuma notificação.
 
Enfim, qualquer que seja a verdade, nada parecido pode acontecer. Nem com o Button nem comigo nem com você. Vivemos uma selvageria, e a única diferença é que, em casos assim, a notícia cruza as fronteiras do país.
 
Selvageria. Uma pena.
 
 
No céu, não há um nuvem. "Chance zero de chuva", disse a meteorologista da rádio.
 
E vamos trabalhar...

Escrito por Fábio Seixas às 08h48

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PERFIL

Nina Horta Fábio Seixas, 37, é jornalista com mestrado em Administração Esportiva pela London Metropolitan University, da Inglaterra, e Coordenador de Produção da Sucursal da Folha no Rio. É colunista de automobilismo da Folha e do UOL.


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