Fábio Seixas

Automobilismo e pitacos sobre tudo o mais

 

Vettel, pole no braço

Por um momento, até pareceu que ia dar McLaren.
 
Mera impressão.
 
Porque se é verdade que a Red Bull tem o melhor carro da atualidade, também é que Vettel precisou do braço para ficar na frente hoje.
 
Nesta sábado de Sepang, a McLaren parecia mais equilibrada, mais no chão. E se não fosse o alemãozinho, conquistaria a pole.
 
Mas como o "se" não existe...
 
Segunda pole de Vettel em dois GPs na temporada, a 17ª da carreira. Resultado que quebrou um script que, até então, tinha a McLaren na frente. 
 
Na manhã malaia, na última sessão livre, o mais veloz foi Hamilton, 0s209 à frente de Webber. Button foi o terceiro, seguido por Heidfeld, Vettel e Alonso.
 
O treino classificatório começou com tempo seco, 30ºC no ar e 40ºC no asfalto.
 
No Q1, duas surpresas.
 
A primeira, no topo da classificação: Massa foi o primeiro, 1min36s744, 0s117 melhor do que Hamilton. Alonso foi o terceiro. A seguir, Schumacher, Kobayashi, Button, Petrov. Com pneus duros, a Red Bull colocou Vettel em 10º e Webber em 15º.
 
A segunda, lá atrás. O tempo de corte era 1min43s 516. E a Hispania, aleluia, conseguiu. Vai largar no GP, apesar, claro, de seus pilotos terem ficado pelo Q1 mesmo.
 
Os cortados, Maldonado, Kovalainen, Trulli, Glock, D'Ambrosio, Liuzzi e Karthikeyan.
 
Barrichello foi o último entre os que avançaram. Péssimo presságio para o Q2. E que se confirmou.
 
O brasileiro ficou em antepenúltimo no Q2, a 1s927 da melhor marca. Também foram cortados Schumacher, Buemi, Alguersuari, Di Resta, Pérez e Sutil.
 
Na ponta, dobradinha da McLaren. Button fez 1min35s569, 0s283 à frente de Hamilton. Depois,
 
"Performance. Não tem outra explicação. Foi o melhor que a gente conseguiu", disse Barrichello à TV Globo.
 
E veio o Q3...
 
Hamilton saiu e logo mostrou serviço. Cravou 1min35s000, uma voltaça. Com Vettel apagado, muita gente começou a imaginar a quebra da hegemonia.
 
Mas Vettel é especial. Como se tivesse acordado naquele instante, foi para a pista e fez 1min34s870. Hamilton até melhorou, mas não conseguiu. Ficou 0s104 atrás.

Na segunda fila, largam Webber e Button. Na terceira, Alonso e Heidfeld. Massa é o sétimo, seguido por Petrov. Rosberg e o mito Kobayashi fecham o top 10.
 
Vettel vai conseguir segurar Hamilton na corrida? Taí uma boa briga pela frente...

Escrito por Fábio Seixas às 06h15

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Sexta, coluna

São culpados os comissários e diretores de provas no Brasil, mal treinados, mal aparelhados e que, não raramente, permitem treinos e provas quando não há condições de segurança _em fevereiro, Xandinho Negrão teve sorte ao romper um alambrado e ir parar num pasto vizinho ao circuito de Piracicaba, claramente sem condições para a Stock.
São culpados os pilotos, que se unem nas tragédias, mas que formam classe da mais desunida em "tempos normais". Quando Rafael Sperafico morreu, em 2007, todos se insurgiram contra a Curva do Café. Propuseram uma chicane, que chegou a ser testada. Abandonaram a ideia e nunca mais falaram no assunto.
São culpados os jornalistas, que fazemos alardes e alertas e denúncias e críticas e que abandonamos a causa depois, em nome de outras.
Para eximir tanta culpa, que tal agir, cada um na sua? Seria algo, enfim.

A coluna de hoje fala sobre esta histeria dos últimos dias para apontar culpados pela morte de Sondermann. Não, não há um só culpado, não há um só motivo. É um conjunto de erros e omissões, de vários lados. A lista inclui ainda CBA, Fasp, as categorias locais e os administradores de Interlagos.

Em suma, buscar culpados é fácil. Difícil é agir.
 
A íntegra está aqui, para assinantes da Folha e do UOL. Na edição digital da Folha, a coluna está na pág. D9.

Escrito por Fábio Seixas às 14h58

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Sepang, 1º e 2º treinos livres

Webber, nesta sexta, em Sepang (Srdjan Suki/Efe)
 
Webber foi o mais veloz nos dois treinos da madrugada em Sepang.
 
Na primeira sessão, cravou 1min37s851. Entre ele e o segundo colocado, Hamilton, um abismo de 1s665. Schumacher foi o terceiro, seguido por Hulkneberg, Maldonado e Massa. Barrichello ficou em oitavo. Vettel foi apenas o 17°, a 3s976 do companheiro.
 
Webber dominou boa parte do treino, diga-se, mas cravou sua volta voadora nos minutos finais. Uma clara prova de força, um "fiquem espertos" na concorrência.
 
A dupla da Hispania, que extrapolou o limite do 107%, ficaria fora do grid.
 
Na segunda sessão, a primeira vítima do australiano também foi uma McLaren, mas a de Button. E a apenas 0s005. Hamilton ficou em terceiro, seguido por Vettel, Schumacher e Massa.
Lá no fundo, Liuzzi, da Hispania, e Kovalainen, da Lotus, ficaram fora dos 107%.

Fica claro que a McLaren reagiu _e que é melhor eu começar a acreditar em duendes. Fica claro que a Ferrari enfrenta problemas. Fica claro que a Red Bull tem tudo para dar outra lavada.

Escrito por Fábio Seixas às 08h42

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Programe-se

Semana agitada. E com direito a F-1 nas próximas madrugadas.

Segue a programação do GP da Malásia, no horário de Brasília:

Quinta
23h-0h30: 1° Treino Livre
 
Sexta
3h-4h30: 2° Treino Livre

Sábado
2h-3h: 3° Treino Livre
5h-6h: Classificação

Domingo
5h: Largada, 56 voltas

Escrito por Fábio Seixas às 16h23

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Infelicidades

Estou chocado com alguns absurdos que li hoje por aí. Vários deles.
 
Chocado, sendo mais específico, com as reações da CBA e de Interlagos à morte de Gustavo Sondermann.
 
Na Folha, li o diretor de competições da CBA, Nestor Valduga, dizendo isso: "Se a FIA autorizou (a Curva do Café como é hoje), como é que vamos impedir a realização de uma prova?"
 
Li, reli, não entendi. Ninguém está pedindo para que as provas sejam canceladas, para que o automobilismo seja banido. Que diversionismo é este?
 
Só espero, senhor Valduga, que o senhor não esteja falando sobre a relargada naquelas condições. Porque até os tijolos do muro de Interlagos sabem que a direção de prova é soberana.
 
Uma coisa é o autódromo ser homologado para receber uma corrida, ok. Outra é o circuito, devido a uma condição climática, não ter condições de receber prova nenhuma num determinado momento _e a direção de prova assumiu um risco ao autorizar aquela largada com tanta água.
 
O que é necessário, e o que os pilotos estão pedindo, são mudanças naquele ponto específico do traçado.
 
Mudanças com aval da FIA. Mostrando o projeto para a FIA. Chamando a FIA para homologar a obra após executada. E mudar não é tão impossível como alguns querem fazer crer.
 
De que maneira os autódromos mundo afora mudam seus traçados o tempo todo? Como é possível que existam tantos circuitos _e Silverstone é o exemplo clássico_ com várias opções de traçados, todos eles homologados pela FIA? Eles podem mudar e nós não podemos? Como eles mudam?
 
Daí, no Tazio, leio Octavio Guazzelli, gestor de Interlagos, dizer o seguinte quando questionado sobre a opção de uma chicane: "Isso é uma coisa de cada categoria. É responsabilidade de quem comanda o esporte colocar ali uma chicane diferente ou não".

Sim, cabe a cada categoria pedir uma mudança ou outra no traçado. Mas ele deve estar falando de outro autódromo.

Porque Interlagos não oferece opções. Quando tentaram improvisar uma chicane no Café, após a morte de Rafael Sperafico, o que se viu foi asfalto desmanchando. Interlagos, antes e depois de sua gestão, não oferece para categoria nenhuma a alternativa de "colocar ali uma chicane diferente".

Para encerrar a fatura abro o "Globo" e leio Cleyton Pinteiro, presidente da confederação, lançar uma pérola: "Quantos já morreram jogando futebol?

Menos, senhor Pinteiro, muito menos do que no automobilismo. Será que é preciso mesmo explicar para o senhor as idiossincrasias, particularidades, riscos e medidas preventivas de um esporte e de outro? Poupe-me.

Que declaração infeliz.

Quantas declarações infelizes num momento tão infeliz.

Infelizes, os que gostamos deste esporte e acompanhamos os rumos que ele está tomando no Brasil.

Escrito por Fábio Seixas às 13h29

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Pit Stop #176

A trágica morte de Gustavo Sondermann é o principal assunto da edição desta terça-feira do Pit Stop.

Sem mais delongas, lá vai...

Escrito por Fábio Seixas às 12h40

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Sondermann

O carro de Sondermann após o acidente (Felipe Vieira/Velocidadesul.com)
 
Foi um misto de cautela jornalística para não cravar algo muito errado e de torcida para que os boatos estivessem enganados.
 
Telefonemas disparados para todos aqueles que pudessem estar no hospital. Até que veio a confirmação.
 
Gustavo Sondermann, 29, é mais uma vítima do esporte a motor, da Curva do Café, da paixão pela velocidade.
 
Uma relargada na chuva, em condições de péssima visibilidade. Um pneu, o traseiro direito, montado errado em seu carro. A proximidade com o muro, que já havia tirado a vida de Rafael Sperafico, quatro anos atrás.
 
Não se trata apontar o dedo para um culpado, ainda é cedo para isso, mas de esperar que o acidente seja investigado com a seriedade que falta à cúpula do automobilismo brasileiro e que o motivo seja afastado de vez das pistas daqui.

Triste.
 
É nessas horas que dá vontade de escrever sobre outra coisa qualquer...

Escrito por Fábio Seixas às 19h54

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PERFIL

Nina Horta Fábio Seixas, 37, é jornalista com mestrado em Administração Esportiva pela London Metropolitan University, da Inglaterra, e Coordenador de Produção da Sucursal da Folha no Rio. É colunista de automobilismo da Folha e do UOL.


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