Fábio Seixas

Automobilismo e pitacos sobre tudo o mais

 

Sexta, coluna

Nas cinco voltas anteriores ao seu segundo e último pit, quando os pneus já estavam no bagaço, Vettel conseguiu média de 1min44s399. Nas mesmas cinco voltas, Hamilton virou em 1min41s240.
Nas cinco voltas finais, pelo mesmo motivo, Vettel fez tempo médio de 1min43s328. Hamilton, de borracha sete voltas mais nova, 1min42s220.
Faltando quatro para a bandeirada, sem muito trabalho, o inglês fez a ultrapassagem, garantiu a vitória e quebrou a hegemonia reinante até então.
Foi um tremendo erro estratégico da Red Bull colocar o alemão numa estratégia de duas paradas em Xangai. Erro que pode ter sido motivado pela sua péssima largada, outro erro. Que pode ter sido influenciado pelo problema com seu claudicante Kers, mais um erro.

A coluna de hoje tenta explicar a derrota da Red Bull em Xangai e explicar o porquê este colunista/blogueiro ainda considera o conjunto Vettel/RB7 o melhor do grid.
 
O texto completo está aqui, para assinantes da Folha e do UOL.
 
Na versão digital da Folha, pág. D5.

Escrito por Fábio Seixas às 09h14

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Paulo Kunze, 67

Instantes depois de eu postar a análise abaixo, veio a notícia da morte de Paulo Kunze.
 
O que não muda em nada o texto. Apenas adiciona gravidade ao abandono da gestão do automobilismo brasileiro.
 
À família, os sentimentos de todos deste blog.

Escrito por Fábio Seixas às 13h05

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A árvore e a floresta

Paulo Kunze continua internado em estado grave na UTI do Hospital Alvorada.
 
Sobre o caso, e a "zica" que atribuem aos últimos tempos de Interlagos, segue uma análise que escrevi para a edição da Folha da terça-feira. Demonizar a pista não me parece um caminho justo...
 
A F-1 correu em Interlagos em 7 de novembro. Autódromo tinindo, estrutura médica impecável, acesso rigoroso ao paddock, os melhores pilotos do mundo. No dia seguinte, tudo já estava desmontado.
No dia 21, no mesmo Interlagos, ocorreu uma rodada do Paulista de Automobilismo. Doze categorias em um só dia: de fuscas a DKWs, de antigos Stock Car a Gols bolinha, de picapes a fórmulas.
Sobre a barreira de pneus no fim da reta, na tomada para o S -local de escapadas e batidas-, havia um pedaço da arquibancada do GP, que estava sendo desmontada.
Um literal ferro-velho da F-1 esquecido bem no ponto que serve para absorção de impactos. Não é difícil imaginar o que aconteceria se um piloto tivesse batido por ali.
O Interlagos de verdade é esse, o do Paulista, não o que a maioria vê na F-1. É o circuito dos fuscas, não o das Ferrari. É a pista de Paulo Kunze, não de Alonso, Vettel e cia.
E Interlagos, aqui, vai além da estrutura física. Os acidentes e mortes recentes não são culpa só do traçado ou da falta de áreas de escape. Para correr no Paulista ou numa Copa Montana, basta um cursinho de pilotagem e a emissão de uma carteirinha.
Cursinho em carros com 100 hp. A Montana, que vitimou Gustavo Sondermann, usa motores de 340 hp.
Isso em São Paulo. Em outros circuitos do país, a situação é ainda mais precária.
O automobilismo brasileiro vai mal há muito tempo. E a depreciação chegou ao limite, a ponto de cobrar seu preço.
Preço que vale vidas.

Escrito por Fábio Seixas às 12h24

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Pit Stop #178

O Pit Stop de hoje fala sobre o GP da China, sobre a Indy, sobre a Stock.

E tem a estreia do quadro Mundo Pequeno. A preciosidade é uma antiga miniatura do Tyrrell P34, made in Zona Franca de Manaus.
 
Lá vai...

Escrito por Fábio Seixas às 12h46

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Pílulas do Dia Seguinte

Montezemolo desceu a lenha no desempenho da Ferrari. "Este não pode ser o nível da equipe." Uma pancada, bem ao seu estilo. Algo me diz que isso significa uma última chance para a atual linha de comando da escuderia. Algo que demorou, aliás;
 
Mark Lenton é mecânico da Red Bull, responsável pela pistola na troca do pneu traseiro esquerdo, e disse a David Coulthard, agora comentarista da BBC, que Button estava tentando trapacear ao parar no lugar errado durante o pit stop. Coulthard perguntou se ele estava brincando e ele negou. Não vejo lógica. Até porque Button foi o maior prejudicado no lance _Vettel ganhou a posição nos boxes. Acho que esse cara anda bebendo muito energético;
 
Após investigação, a FIA descobriu que um problema no software abriu a asa de Alonso no lugar errado, na 24ª volta da corrida. Como aconteceu entre dois curvas, justamente quando ele precisava da asa total, não houve punição. De vez em quando a FIA é sensata;
 
Horner: "Nós teremos outra atualização do Kers. Está ficando melhor, já que estamos entendendo melhor o sistema com a maior milhagem." Para a Red Bull, já era hora. O carro ainda é melhor do que o da McLaren. Mas a distância caiu tremendamente GP a GP;
 
Hamilton poupou um jogo de pneus no sábado. Vettel foi mal na largada. A Red Bull errou na estratégia. Por todas essas circunstâncias, repito, ainda acredito que a Red Bull esteja na frente. A vitória do inglês foi circunstancial;
 
Passou batido no calor da corrida, mas busco redimir-me aqui: que corridaça do Webber;
 
Curiosidade de almanaque: Karthikeyan foi o 23º colocado na corrida. Nunca na história da F-1 tantos pilotos terminaram um GP.

Escrito por Fábio Seixas às 21h18

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A foto

"Vai, meu filho, toma um gole". Saber perder é isso aí.

(Greg Baker/AP)
 
O clique é de Greg Baker, da Associated Press.

Escrito por Fábio Seixas às 15h34

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E na escolinha...

A temporada da F-3 inglesa começou neste final de semana, com uma rodada tripla em Monza.
 
E foi verde-e-amarela.
 
Felipe Nasr venceu 2 das 3 corridas. Na última, com direito a dobradinha do Brasil: Lucas Foresti foi o segundo colocado.
 
Quem também andou bem foi o Fabio Gamberini, tema de uma reportagem bacana que fiz na Folha, ano passado.
 
Pois neste final de semana ele estreou na F3 Euro Open, em Valencia. Com o pé (pesado) direito.
 
Gamberini comemora vitória em Valencia (Divulgação)
 
Venceu as duas baterias entre os chassi F306. No geral, foi quarto na primeira bateria e sexto na segunda.
 
Casos de geração espontânea. Como Guga. Como Daiane. Como outros pilotos brasileiros.
 
Porque política esportiva de desenvolvimento, sabemos, é uma ficção no Brasil.

Escrito por Fábio Seixas às 19h27

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Hamilton, e o fim da hegemonia

E caiu a hegemonia.
 
O pódio de Xangai (Diego Azubel/Efe)
 
No melhor GP até agora na temporada, Hamilton saiu como o grande vencedor em Xangai.
 
Uma vitória que teve muito de estratégia mas também muito de braço e pé pesado. E como é bom ver um duelo, na pista, pela vitória, como o que o inglês travou com Vettel nas voltas finais.
 
Foi de lavar a alma do torcedor, compensar as madrugadas varadas nesta primeira fase do campeonato.
 
Um resultado que começou a ser construído logo nos primeiros metros da corrida.
 
Largando de sua terceira pole na temporada, Vettel, desta vez, não conseguiu vencer os problemas com o Kers.
 
Ele até acionou o botão. Mas o Kers da Red Bull, tivemos a prova cabal agora, é mesmo uma porcaria.
 
Resultado: foi superado por Button e Hamilton nos primeiros metros e por pouco não perdeu posição também para Rosberg.
 
Massa foi bem. Dividiu curva com Alonso, não se intimidou, deixou o companheiro para trás. Schumacher foi outro destaque: largando em 14º, completou a primeira volta em nono.
 
"Tenha paciência, Sebastian, sua posição é boa, vamos esperar os pits", disse o engenheiro da Red Bull ao seu pupilo.
 
Na nona volta, Alguersuari entrou nos boxes, abrindo os pits. De forma melancólica: assim que voltou à pista, sua roda traseira direita saiu voando. Erros em pits acontecem, Ou será que é o mundão todo contra o espanholzinho?
 
Na 11ª volta, Webber e Schumacher pararam. Na 12ª, Di Resta. Na 13ª, Rosberg.
 
Lá na frente, apenas 0s9 separavam Button, o líder, de Vettel, o terceiro.
 
E aí o alemão e a Red Bull deram show. E Button fez besteira.
 
Vettel partiu pra cima de Hamilton e superou o rival. Instantes depois, ele e Button entraram nos boxes.
 
Só que o campeão de 2009, vejam só, foi para os boxes errados. Parou na vaga de Vettel! Com isso, claro, perdeu tempo. Quando tudo foi normalizado, a Red Bull voou no trabalho no carro de seu piloto. Na volta à pista, o alemão estava à frente de Button.
 
Vettel líder? Não.
 
Ao fim da primeira janela de pits, o líder era Rosberg, o primeiro dos pilotos da ponta a parar. Vettel estava a 5s5. Na sequência, Button, Massa, Hamilton, Schumacher, Alonso, Di Resta, Sutil e Kobayashi.
 
A vida de Rosberg, porém, estava longe da tranquilidade. Pelo rádio, ouvimos ele e o engenheiro falando sobre equilíbrio (ou falta de) nos freios. Assim, Vettel começou a chegar.
 
Na 26ª volta, o líder da corrida foi para os boxes, seguido por quase todo o pelotão da ponta.
 
A prova virou, então, um duelo estratégico. Porque Vettel e Massa demoraram a parar. O alemão só entrou nos boxes na 31ª volta. O brasileiro, na 34ª. Ou seja, tentariam completar o GP com apenas duas paradas. Um risco.
 
Para que desse certo, teriam que fazer mais de 20 voltas com um mesmo jogo de pneus duros. Os outros parariam, eles não. Conseguiriam? O destino da corrida dependia desta resposta.
 
Ao fim da segunda janela de pits, Rosberg liderava, seguido por Button, Hamilton, Vettel, Massa, Schumacher, Webber, Petrov, Alonso e Pérez.
 
Eis que, na 38ª volta, Button abriu a terceira e última janela de pits. Hamilton parou na volta seguinte. Rosberg entrou na 40ª.
 
Pronto. Vettel e Massa assumiram as duas primeiras posições, seguidos por Rosberg. Faltavam 16 voltas.
 
Conseguiriam?
 
Pelo sim, pelo não, Hamilton partiu pra cima de Rosberg, atrapalhado por Maldonado e com problemas com combustível, e fez uma bela ultrapassagem.
 
O desgaste dos pneus de Vettel e Massa, então, começou a cobrar seu preço.
 
Hamilton chega em Massa (Adi Wede/Efe)
 
Hamilton foi chegando, chegando e, na 44ª volta, passou o brasileiro. Sua próxima vítima, Vettel, estava a 4s8. Na volta seguinte, a diferença caiu para 3s7. Na 46ª, para 3s3. Na 47ª, para 2s9. E assim foi...
 
Na 51ª volta, Hamilton chegou. Com os pneus na lona, sem Kers e sem rádio, Vettel se esforçou, suou, mas não teve como manter a ponta.
 
Na volta seguinte, após um belíssimo e limpíssimo duelo, Hamilton passou _um pouco antes, na mesma condição, Massa também não conseguiu segurar Rosberg.
 
Button também chegaria em Vettel? Bem, ele até tentou. Mas foi surpreendido por Webber, que vinha voando lá de trás, com pneus mais novos. Depois de sair em 18º, o australiano conseguiu a ultrapassagem na penúltima volta e cravou a terceira posição.
 
Os dez primeiros, na linha de chegada, Hamilton, Vettel, Webber, Button, Rosberg, Massa, Alonso, Schumacher, Petrov e Kobayashi.
 
No Mundial de Pilotos, Vettel tem 68 pontos. Hamilton tem 47. Button, 38.
 
Entre os Construtores, a Red Bull soma 105 pontos, contra 85 da McLaren.
 
Talvez tenha sido circunstancial, mas talvez a McLaren já seja páreo para a Red Bull. Serão dias de especulação e de muito trabalho de ambos os lados.
 
Mas o que importa é poder dizer: ufa, que corrida fantástica!

Escrito por Fábio Seixas às 05h50

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O último palpite

Como escrevi ontem, não consigo apostar em nada diferente do que uma vitória de Vettel.

Depois, vou chutar Button e Rosberg.

E você, o que acha?

Escrito por Fábio Seixas às 03h35

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PERFIL

Nina Horta Fábio Seixas, 37, é jornalista com mestrado em Administração Esportiva pela London Metropolitan University, da Inglaterra, e Coordenador de Produção da Sucursal da Folha no Rio. É colunista de automobilismo da Folha e do UOL.


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