Fábio Seixas

Automobilismo e pitacos sobre tudo o mais

 

Os pneus-farofa e a pole de Webber

Depois do GP da Turquia, postei no blog as ressalvas de Trulli ao efeito dos pneus-farofa para o treino classificatório.
 
Em resumo, o italiano dizia que este ponto do regulamento de 2011 tirou muito da emoção do sábado. Em vez de partirem para o tudo ou nada, os pilotos agora precisam ficar fazendo cálculos para guardar pneus macios para o domingo.

Saiu a velocidade pura, entrou o conservadorismo coxinha _para quem quiser ler, o post está aqui.

Pois foi o que aconteceu hoje em Barcelona.
 
Tudo indicava pole de Vettel. Ou, pelo menos, tudo indicava uma boa briga do alemão com seu companheiro de equipe.
 
Não aconteceu. A Red Bull preferiu ser coxinha.
 
A pole ficou com Webber, a sétima da carreira, a primeira desde o GP da Bélgica do ano passado. E, depois da "não-disputa", nem houve muita vibração nos boxes.
 
Uma pena. Porque a briga, que seria boa, se insinuava desde a sessão da manhã.
 
No último treino livre, Vettel humilhou.
 
Enquanto todos se esgoelavam buscando tempo, ele ficou nos boxes. Conversando, rindo, olhando de vez em quando os monitores.
 
No finalzinho, foi para o carro, deu uma volta, cravou todo mundo, marcou o melhor tempo do final de semana até então: 1min21s707. Foi 0s084 melhor que Webber. Schumacher, o primeiro do resto, ficou a um abismo: 1s350.
 
Já dava para imaginar o que vinha pela frente.
 
No Q1, o resultado foi ilusório. Para se garantir noa Q2, muita gente colocou pneu macio e foi mais rápida que os Red Bull, de borracha dura.
 
O mais veloz foi Schumacher, 1min22s960, seguido por Petrov, Maldonado, Alonso, Massa, Rosberg... Webber foi o sétimo. Vettel, o 11º.
 
Barrichello não passou, ficou em 19º. À Globo, afirmou ter sofrido com um problema no câmbio, que não estava "coerente".
 
Também foram cortados Trulli, Glock, Liuzzi, Karthikeyan, D'Ambrosio e Heidfeld.
 
No Q2, as coisas já foram mais realistas. Vettel cravou 1min21s540, seguido por Webber, Button e Hamilton. Completaram o top 10 Rosberg, Schumacher, Alonso, Maldonado (com o câmbio "coerente", pelo visto), Petrov e Massa.
 
Os eliminados, Buemi, Pérez, Alguersuari, Kobayashi, Kovalainen, Di Resta e Sutil.
 
Chegou o Q3. E o duelo Vettel x Webber durou pouco.
 
Na primeira tentativa, o alemão fez 1min21s181. O australiano o superou, com 1min20s981.
 
Vettel se resignaria? Ou seguiria seus instintos para tentar a sexta pole seguida?
 
Ao que parece, nem uma coisa, nem outra.
 
Ficou com toda a pinta de que a Red Bull deu ordem para seus pilotos pouparem pneus para o domingo. Webber e Vettel não foram para a pista.
 
Hamilton sai em terceiro, a 0s980, seguido por Alonso. Button e Petrov formam a terceira fila. Rosberg sai em sétimo. Massa é o oitavo. Na quinta fila, Maldonado e Schumacher.
 
Para o GP, pelo menos, dá para imaginar um bela luta entre os pilotos da Red Bull. Webber, mais cerebral, contra um Vettel louco para assumir a ponta.
 
A nova F-1, com sua nova lógica dos pneus-farofa, decidirá o vencedor.

Escrito por Fábio Seixas às 10h18

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Barcelona, 1º e 2º treinos livres

Webber, nesta sexta, em Barcelona (Srdjan Suki/Efe)
 
Webber fez a pole e venceu em 2010 em Barcelona.
 
Webber começou na frente em 2011 em Barcelona.
 
O australiano foi o mais rápido nas duas sessões de treinos desta sexta. Na primeira, cravou 1min25s142, 1s007 melhor que Vettel, o segundo colocado.
 
Rosberg abriu a turma do resto, seguido por Alonso, Pérez, Hamilton e Schumacher. Barrichello foi o 10º, e Massa ficou em 16º.
 
Pérez em quinto? Pois é, o mexicano está pintando um ótimo piloto. Já outro estreante, Maldonado, adivinhem? É, escapou e ficou na brita.
 
No segundo treino, Webber repetiu a dose, desta vez com 1min22s470, 0s039 à frente de Hamilton.
 
Vettel foi o terceiro, com Button em quarto e Alonso em quinto. Na sequência, os Mercedes de Rosberg e Schumacher. E Massa, em oitavo. Barrichello foi o 14º.
 
Que a Red Bull é a favoritíssima à pole, não há dúvidas.
 
Webber veste bem a pista espanhola, é fato.
 
Mas será que ele quebra a série de Vettel em treinos oficiais?
 
Acho que não. 

Escrito por Fábio Seixas às 11h34

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Sexta, coluna

Para que um fiapo daquele sucesso se repita, Montezemolo precisa reeditar, também, a limpa que fez na cúpula ferrarista a partir da contratação de Todt, em 93.
Domenicali et caterva não formam a turma que colocará Alonso em condições de brigar com Vettel e Newey. O problema é que "Todts" são raros no mercado. De bate-pronto, penso em dois nomes. Mas Richards está entretido com sua Prodrive enquanto Briatore... Bem, é o Briatore.
E quanto a Massa? Para o bem da sua carreira, precisa mudar de ares urgentemente, o quanto antes. Uma vez reeditado o "plano Schumacher", já se sabe o papel que lhe caberia...

A coluna desta sexta na Folha tenta aprofundar um pouco mais a reflexão sobre o novo contrato de Alonso com a Ferrari.

A íntegra do texto está aqui, para assinantes da Folha e do UOL. No bom e velho papel e na Folha Digital, a coluna orna a pág. D7. 

Escrito por Fábio Seixas às 09h43

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Alonso e a Ferrari

Montezemolo: "Renovamos nosso acordo com um piloto que sempre mostrou uma mentalidade vencedora mesmo nas circunstâncias mais difíceis. Fernando tem todas as qualidades necessárias, tanto tecnicamente quanto pessoalmente, para assumir um papel de liderança na história da Ferrari".

Alonso: "Eu me senti imediatamente confortável na Ferrari e agora é como minha segunda família. Tenho uma grande fé nos homens e mulheres que trabalham em Maranello e naqueles que os lideram. É natural querer estender minha relação em longo prazo com o time no qual vou encerrar minha carreira na F1”.

E, assim, Ferrari e Alonso anunciaram nesta manhã a renovação do contrato até 2016.

Alonso, nesta quinta, em evento da Ferrari em Barcelona (Lluis Gené/France Presse)

Montezemolo, claro, tenta replicar o modelo que funcionou tão bem com Schumacher.

Só falta combinar com toda a chefia. Ou trocá-la. Schumacher não fez tudo sozinho.

Para Alonso, é ótimo negócio. Queimado na McLaren e vendo a força da união Vettel-Red Bull, ele não tem muito para onde correr.

Para Massa, é o sinal que faltava para buscar novos ares o mais rápido possível.

Escrito por Fábio Seixas às 09h20

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Programe-se

Já tem F-1 de novo neste final de semana, o GP da Espanha.
 
E o site oficial da categoria traz uma estatística interessante, que dimensiona a chatice crônica dessa corrida.
 
Das 20 edições do GP espanhol em Barcelona, 16 foram vencidas pelo pole position, incluindo todas as da última década.
 
Mais: desde 2008, a média de "ultrapassagens normais" por corrida lá é 2,3. Neste ano, a média até agora é de 24,5. 
 
Ou seja, será um teste de fogo para as novas regras, principalmente para a asa traseira. Meu palpite é que, com aquele retão, Barcelona vai se redimir.
 
À programação:
 
Sexta-feira
5h-6h30: 1° Treino Livre
9h-10h30: 2° Treino Livre

Sábado
6h-7h: 3° Treino Livre
9h-10h: Classificação

Domingo
9h: Largada, 66 voltas

Escrito por Fábio Seixas às 10h04

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Pit Stop #182

Barcelona tem uma das maiores retas da F-1. Um prato cheio para as asas traseiras móveis.

Por isso acho que o GP da Espanha, normalmente previsível e chato, pode ser bem bacana.
 
Esse é um dos temas do Pit Stop desta semana, que também falou de Stock, de MotoGP, de F-3 inglesa, do GP da Bélgica de 1981 e que mostrou, na seção "Mundo Pequeno", o Williams de seis rodas.
 
Lá vai...

Escrito por Fábio Seixas às 12h14

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Newey e o furo no pneu

De vez em quando, surge um jornalista para nos lembrar que ainda há gente interessante para ouvir, que é possível descobrir novidades mesmo em assuntos batidos, o quanto é bacana uma entrevista bem feita.
 
Donald McRae é do primeiro time do "Guardian" e, por ocasião do lançamento do filme "Senna" no Reino Unido, entrevistou Newey.
 
O resultado, declarações fortes e reveladoras sobre a morte do tricampeão.
 
E algo que eu nunca havia lido: Newey diz que se tivesse que apontar uma causa para o acidente na Tamburello, seria um furo no pneu traseiro direito provocado pelos detritos do acidente na largada.
 
Sim, é preciso relativizar. Newey é parte interessada. Para o homem que projetou aquele carro, furo no pneu é um excelente bode expiatório. Mas, enfim, é uma declaração importante de alguém importante.
 
Newey (esq) com Horner, na inauguração do Red Bull Ring, no sábado (Lisi Niesner/Reuters)
 
Algumas frases ...
 
"O pouco cabelo que eu tinha caiu nos dias seguintes. Aquilo me mudou fisicamente. Foi devastador."
 
"Tanto Patrick Head como eu nos perguntamos se queríamos continuar nisto, se queríamos estar envolvidos em um esporte em que pessoas podem morrer em algo que nós criamos.”  
 
"Foram semanas negras. A verdade verdadeira é que ninguém nunca saberá ao certo o que aconteceu. Não há dúvidas que a coluna de direção quebrou, mas a grande questão é se quebrou no acidente ou se a quebra provocou o acidente."
 
"Não há dúvidas de que o projeto [da coluna de direção] era ruim, mas as evidências mostram que a escapada do carro não foi resultado da quebra da coluna. Se você analisar as tomadas das câmeras, principalmente a do carro do Schumacher, que vinha logo atrás, verá que o carro não escapa de frente. Escapa de traseira, o que não é sinal de quebra da coluna de direção. A traseira abaixa de repente, e todos os dados sugerem que isso realmente aconteceu. Ayrton então tira 50% o pé do acelerador, o que seria suficiente para corrigir a rota, mas logo depois pisa forte nos freios. A questão é o motivo desse comportamento na traseira."
 
Até aí, nenhuma grande novidade. Já se falava em alteração na pressão dos pneus devido à queda de temperatura nas voltas sob safety car. Newey, porém, tem outra tese.
 
"A traseira do carro abaixou muito naquela segunda volta, o que, de novo, é algo estranho já que a pressão dos pneus deveria ter voltado àquela altura da prova. O que me leva a crer que provavelmente o pneu traseiro direito sofreu um furo ao passar pelos detritos na pista. Se eu fosse obrigado a apontar um único motivo para o acidente, seria este."
 
A íntegra, em inglês, está aqui.

Escrito por Fábio Seixas às 09h33

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Novo velho destino

Mateschitz inaugurou no fim de semana seu mais novo brinquedinho: o Red Bull Ring.
 
Ele comprou o circuito de Spilberg, que recebeu a F-1 até 2003, e reformou. Construiu ainda dois hotéis, um clube, uma pista de kart e outra de rali.
 
A inauguração teve Vettel, Webber, Lauda, Newey, Ecclestone, corrida de clássicos, exibições de motos, de aviões...
 

Pelo vídeo dá pra ver que o trabalho foi muitíssimo bem feito.
 
Alguém duvida que a F-1 voltará para lá, e logo? E Ecclestone nem precisa sacrificar um GP. O Bahrein está se encarregando disso...

Escrito por Fábio Seixas às 20h00

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Máquina x braço

Em Le Mans, uma boa corrida da MotoGP.
 
Menos pela vitória de Stoner, que perdeu a ponta na largada, mas recuperou-a e desapareceu, mais pelos duelos Simoncelli x Pedrosa, Rossi x Lorenzo x Dovizioso.
 
Uma disputa, em particular, nas últimas voltas, merece reflexão. A máquina de Dovizioso x o braço de Rossi.
 
Venceu o italiano da Honda.

Escrito por Fábio Seixas às 10h37

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PERFIL

Nina Horta Fábio Seixas, 37, é jornalista com mestrado em Administração Esportiva pela London Metropolitan University, da Inglaterra, e Coordenador de Produção da Sucursal da Folha no Rio. É colunista de automobilismo da Folha e do UOL.


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