Fábio Seixas

Automobilismo e pitacos sobre tudo o mais

 

Caça-níqueis

O Conselho Mundial incluiu o Bahrein no Mundial. Como Bernie queria, será em 30 de outubro, jogando o GP da Índia para o fim do calendário. Ainda não está decidido se será em 4 ou 11 de dezembro, mas, por questão de logística a segunda data parece mais provável _Interlagos foi mantido para 27 de novembro.

Vinte GPs é um exagero? Muita corrida em lugares caça-níqueis?

Calma, porque 2012 será pior. O Conselho aprovou um calendário com 21 provas.

É este aqui...

11.mar, Bahrein, Sakhir
18.mar, Austrália, Melbourne
1º.abr, Malásia, Sepang
8.abr, China, Xangai
22.abr, Coreia do Sul, Yeongam
6.mai, Turquia, Istambul
20.mai, Espanha, Barcelona
27.mai, Mônaco, Monte Carlo
10.jun, Canadá, Montreal
17.jun, EUA, Austin
1º.jul, Europa, Valência
15.jul, Inglaterra, Silverstone
29.jul, Alemanha, Hockenheim
5.ago, Hungria, Hungaroring
2.set, Bélgica, Spa-Francorchamps
9.set, Itália, Monza
30.set, Cingapura, Marina Bay
14.out, Japão, Suzuka
28.out, Índia, Jaypee
11.nov, Abu Dhabi, Yas Marina
25.nov, Brasil, Interlagos

A mágica foi massacrar as férias das equipes no meio do ano.

Nada contra Sepang, Yeongam, Istambul, Xangai, Sakhir... Mas são lugares sem a menor ligação com o automobilismo, com autódromos faraônicos que vivem às moscas, inclusive no final de semana da F-1.

Só estão lá por conta do dinheiro. As equipes também faturam com essas provas? Claro que sim. Mas a que custos físico e mental?

É em momentos assim que eu tenho mais certeza de que parei de viajar na hora certa.

Escrito por Fábio Seixas às 12h08

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Sexta, coluna

J.R. Hildebrand é um dos grandes ídolos da história do esporte americano.
Seu reinado começou em 2011, quando, aos 23 anos, venceu as 500 Milhas de Indianápolis, a mais tradicional prova do automobilismo dos EUA. Não foi para menos. Naquele domingo de maio, Hildebrand fez história. Com agá maiúsculo.
Havia 84 anos, desde George Souders, em 1927, que um estreante americano não vencia a corrida. Mais: sua equipe, a Panther, era uma das mais modestas do grid, azarão que vivia batendo na trave. Como se não bastasse, ele carregava o patrocínio da Guarda Nacional, um orgulho do país. Encaixe perfeito com o apelido que tinha desde a Indy Lights: Capitão América.
A vitória deste californiano de Sausalito era tudo o que o esporte a motor dos EUA, àquela altura carente de heróis, precisava. Elemento por elemento.
A coluna desta sexta tenta imaginar o que teria se tornado a vida de Hildebrand se ele não tivesse errado na última curva das 500 Milhas.

Coisas parecidas devem ter passado pela cabeça dele naqueles 9 segundos em que o carro se arrastou pelo muro.
 
A íntegra está aqui, para assinantes da Folha e do UOL. Mas você também pode ler na Folha Digital, na pág. D9.

Escrito por Fábio Seixas às 10h48

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40 milhões de motivos

Bernie quer dar um jeitinho no calendário para acomodar o GP do Bahrein.
 
A ideia é jogar o GP da Índia para 11 de dezembro, fechando o Mundial.
 
A prova barenita entraria na data hoje reservada para Nova Déli, 30 de outubro.
 
As equipes, claro, odiaram a ideia. Tudo o que os mecânicos não querem é mais uma semana de trabalho, invadindo dezembro, ao fim de uma longa jornada de 20 GPs.
 
Brawn assumiu a frente.
 
"Estão exagerando. Os rapazes estão trabalhando desde janeiro. E hoje não temos mais equipes de testes, o que significa que eles parariam pouco antes do Natal para voltar logo depois do Ano Novo", disse. "Acho isso inaceitável. Dissemos isso para Bernie, ele sabe nossa opinião."
 
Brawn tem toda a razão. E Bernie, ex-dono de equipe, no fundo sabe disso. Sua insistência com o GP do Bahrein tem apenas um motivo: os US$ 40 milhões que vai embolsar caso a corrida aconteça.

Escrito por Fábio Seixas às 10h04

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Pit Stop #184

O Pit Stop desta semana fala de duas das corridas mais bacanas dos últimos tempos, Mônaco e Indianápolis.

Fala de Hamilton, Vettel, Massa, Barrichello, Hildebrand, Wheldon, Kanaan...
 
Mas meu momento preferido é o Naftalina. Nesta terça, um mito do automobilismo completa 52 anos. Parabéns, Andrea de Crasheris!

Escrito por Fábio Seixas às 10h54

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A foto

Pela primeira vez na história deste blog, a foto do fim de semana não será nenhuma imagem registrada por fotógrafo profissional.

O clique abaixo é do internauta Breno Lima, que escreveu o seguinte: "Momento inacreditável: estava aguardando o JR Hildebrand entrar na reta comemorando a vitória, e acabei registrando-o lambendo o muro e o momento exato em que Dan Wheldon o ultrapassa. Uma foto para a série de lances inacreditáveis."
 
Breno Lima
 
A foto é tão boa que pegou até a traseira do carro do Kimball, de quem Hildebrand desviou para acertar o muro. Valeu, Breno! E parabéns!

Escrito por Fábio Seixas às 15h42

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Pílulas do Dia Seguinte

Hamilton foi extremamente infeliz na entrevista pós GP. Só isso, infeliz. Porque, no fundo, ninguém levou a sério a menção dele a racismo. Ele começa falando em perseguição, em ser chamado pelos comissários em 5 das 6 corridas... Até aí ok, o chororô é livre. E, então, a repórter da BBC pergunta se ele imagina um motivo para isso. O piloto solta um "talvez porque eu seja negro". Quem lê _e apenas lê_ a declaração pode ficar chocado. Quem vê a entrevista, e sua expressão de "sei-lá-vou-falar-qualquer-besteira-para-não-ficar-no-vácuo", entende melhor o contexto. Ele falou a primeira besteira que passou pela cabeça. Deve ter aprendido a lição. Se você não viu a entrevista, aqui vai...

Isto posto, Hamilton mereceu as punições de ontem. É um excelente piloto, dono de um enorme talento nato, mas às vezes corre como se o cérebro estivesse desligado. Foi o caso no principado;
 
Alonso disse que perdeu a corrida na bandeira vermelha. Ou seja, partiria para cima de Vettel. Foi uma pena, de fato. Os elementos eram de um duelo épico;
 
Em entrevista ao "Guardian", Button revelou que sempre imaginou pilotar para a Ferrari. "Quando criança, eu sempre sonhei em correr por três equipes: Williams, McLaren e Ferrari..." Dois terços já foram. Blablablá à parte, Button é o tipo de piloto que se encaixaria bem na vaga eventualmente aberta pela saída de Massa;
 
Todt se encontra hoje com as fabricantes de motor para discutir 2013. Ferrari, Mercedes e Cosworth são contrárias ao plano para o turbo de quatro cilindros. Para bagunçar o coreto, os italianos sugerem turbos V6, mas só a partir de 2015. O tempo urge: sexta-feira, na reunião do Conselho Mundial, é o prazo final para qualquer decisão referente ao regulamento de 2013;
 
Falando em Paris, Kobayashi deixou seu apartamento na cidade-luz e ainda não sabe onde vai morar. Questionado pelo "Blick" se pensa em ir para a Suíça, disse que não sabe. E revelou: "Hoje sou um desabrigado. Só tenho uma mala e fico pulando de hotel em hotel". É muito mito;
 
Hildebrand admitiu o erro na 800ª das 800 curvas de Indianápolis. "Eu sabia que seria bastante apertado com o combustível acabando. Os spotters ficavam no meu ouvido dizendo que ‘os outros estão chegando e chegando forte’. Tive que conservar um pouco de combustível e os pneus estavam no final. Fiz uma avaliação quando cheguei no carro nº 83 [Charlie Kimball, retardatário] e pensei que não poderia diminuir a velocidade. Fui para o lado mais rápido e acabei em cima dos detritos de pneus. Foi isso." Um erro que entrou para a história.

Escrito por Fábio Seixas às 10h00

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Inacreditável

Nesses anos de automobilismo, vi muita coisa.
 
Vi piloto perdendo corrida por comemorar antes da hora. Vi piloto sofrendo pane seca na última volta. Vi título da F-1 ser decidido na última curva da última volta do último GP.
 
Hoje, mais um capítulo para a série de lances inacreditáveis.
 
JR Hildebrand perdeu as 500 Milhas de Indianápolis na última curva. São 200 voltas, 800 curvas. Ele fez 799 sem problemas. Na última, acertou o muro.
 
Crueldade? Tristeza? Injustiça? Automobilismo, amigos. Automobilismo.
 
E, por anos a fio, sempre que quisermos citar a máxima de "corrida só acaba na bandeirada", invocaremos o exemplo do jovem americano.
 
Veja você também... E reveja e reveja e reveja. Quanto mais eu vejo, menos eu acredito que aconteceu.

Quase um detalhe, Dan Wheldon ganhou a prova.

Escrito por Fábio Seixas às 17h59

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Vettel, vitória do amadurecimento

Mônaco lavou a alma neste domingo.

Após tantas corridas monótonas no principado, o GP de hoje foi dos mais emocionantes. Aberto, acidentado, cheio de duelos, estratégias e alternativas.

Vitória de Vettel, no limite. Uma vitória para provar seu amadurecimento. Porque, por 15 voltas, segurou atrás de si Alonso e Button.

Foi a quinta vitória em seis corridas na temporada e a 15ª na carreira, o que o empata na estatística com Hamilton. Entre os pilotos em atividade, está atrás apenas de Schumacher (91 vitórias) e Alonso (26).

Na largada, Alonso novamente foi a atração. Superou Webber e contornou a Sainte Dévote já na terceira posição.

Schumacher foi o destaque negativo. Caiu de quinto para décimo.

Na segunda volta, Vettel já tinha 3s2 sobre Button, que, pelo rádio, reclamava de "direção muito pesada".

O top 10 na quinta volta tinha Vettel, Button, Alonso, Webber, Rosberg, Massa, Maldonado, Petrov, Schumacher e Hamilton. A vantagem do líder já estava em 4s3.

A corrida, então, assistiu ao seu primeiro duelo, Schumacher x Hamilton.

O inglês passou cinco voltas grudado no alemão e, na décima volta, atacou no final da reta. Schumacher foi agressivo, defendeu como podia, mas, com problemas nos pneus, não conseguiu segurar.

Na 12ª volta, Schumacher perdeu outra posição, para Barrichello.

É, não tinha como continuar com aqueles pneus. E, assim, o alemão inaugurou os boxes neste domingo.

Logo depois, mais um belo duelo, Rosberg x Massa. Na 15ª volta, o brasileiro fez a ultrapassagem na Piscina. Maldonado, meio que de carona, também superou o alemão,

Na 15ª volta, Button parou. Logo depois entraram Vettel e Webber. E a Red Bull, pasmem, errou feio com seus dois pilotos. O pit de Vettel levou 6s9. O de Webber, mais de 12s.

Como resultado, Button assumiu a liderança do GP, seguido por Vettel e Alonso. Webber despencou.

Iniciou-se um duelo tático. Button tinha os pneus supermacios, mais velozes mas com desgaste maior. Vettel estava com os macios.

O inglês, então, tratou de sentar a bota e acelerar tudo. Volta após volta, colocava 1s, 1s5 no rival.

Na 24ª volta, por exemplo, Button tinha 11s6 sobre Vettel. Na 26ª, a folga era de 14s9.

Hamilton só foi parar na 23ª volta. Massa parou na 27ª. Ambos deram pinta de que tentariam apenas um pit stop.

Na altura da 30ª volta, Vettel começou a andar mais rápido que Button e a reduzir a diferença. Não por coincidência, o inglês foi para os boxes e voltou a colocar os supermacios, indicando que teria de parar mais uma vez. Voltou em segundo.

Na 35ª volta, o lance mais polêmico da corrida. Hamilton, exagerando na agressividade, tentou passar Massa no hairpin. O brasileiro endureceu, manteve-se na frente. Logo à frente, Hamilton tentou de novo, no túnel. O ferrarista saiu do traçado e, aí, não conseguiu segurar o carro.

Foram dois lances diferentes, que fique bem claro. Hamilton não teve culpa no abandono de Massa, mas, na minha opinião, merecia ser punido pelo primeiro ataque _tanto que levou um drive-throught.

Guard-rail, abandono, estreia do safety car nesta temporada.

No mesmo instante, Alonso entrou nos boxes para seu segundo pit. Colocou pneus macios, para ir até o fim da corrida. Uma belíssima aposta, já que Button, à sua frente, fatalmente teria de parar mais uma vez. 

Ah, sim: Schumacher abandonou, parando na Rascasse.

Na 39ª volta, o safety car voltou aos boxes. Ritmo acelerado novamente.

Na 45ª volta, Vettel tinha 0s9 sobre Button. Alonso estava a 6s1 do inglês. Na sequência, Sutil, Kobayashi, Webber, Maldonado, Petrov, Hamilton e Heidfeld.

Button, enfim, parou na 49ª volta. Retornou à pista em terceiro, atrás de Alonso.

Vettel, à esta altura, tinha 5s sobre Alonso.

O panorama era o seguinte... Vettel tinha pneus macios desde a 16ª volta. Alonso estava com os macios desde a 35ª. Button, o mais rápido dos três na pista, tinha os macios desde a 49ª.

A vitória dependia de duas questões: 1) Vettel conseguiria levar o carro até o fim sem parar mais?; 2) Alonso seguraria Button? 

A partir da 63ª volta, a corrida ficou ainda mais emocionante. O melhor GP de Mônaco dos últimos tempos. Os três carros estavam colados, apenas 0s4 separavam Vettel e Button.

Foi pilotagem no limite, na ponta dos dedos, num circuito cheio de guard-rails e detritos de borracha para todo lado. Espetacular.

Na 68ª volta, eles encontraram todos os retardatários do mundo à frente. E rolou confusão.

Sutil perdeu o controle, cortou a chicane, Alguersuari acertou Hamilton e foi acertado por Petrov. Caos.

O mais incrível foi que os três líderes passaram ilesos. E Vettel, claro, agradeceu a entrada do safety car: tudo o que ele queria era um sossego para os pneus.

Na 72ª volta, bandeira vermelha. Todo mundo alinhou no grid, esperando Petrov ser retirado de ambulância.

Pneus novos para todos, o que é permitido pelo artigo 41 do Regulamento Esportivo _o link está aí no menu da direita. E relargada na 73ª volta, após 20 e poucos minutos de bandeira vermelha.

Na passagem pela linha, Vettel tinha 0s9 sobre Button. Um pouco mais de respiro, pero no mucho.

Um pouco mais atrás, Maldonado abandonou após um toque com Hamilton. É, o inglês hoje só não bateu no príncipe Albert...

Vettel não teve grande problemas nessa voltas residuais, cruzou com 1s1 sobre Alonso. Button completou o pódio.

Ainda marcaram pontos Webber, Kobayashi, Hamilton, Sutil, Heidfeld, Barrichello e Buemi.

No Mundial de Pilotos, Vettel agora tem 143 pontos contra 85 de Hamilton e 79 de Webber. Button tem 76, Alonso aparece com 69. Massa é o oitavo, com 24.

Nos Construtores, a Red Bull lidera com 222 pontos. A McLaren tem 161. A Ferrari é a terceira, com 93.

Ufa! Agora é hora de respirar um pouco. E rever, rever e rever este GP.

Escrito por Fábio Seixas às 11h27

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O último palpite

Vettel, Button e Webber. Assim vai começar, assim acho que vai terminar o GP de Mônaco.

E você? Qual é seu palpite?

Escrito por Fábio Seixas às 08h37

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PERFIL

Nina Horta Fábio Seixas, 37, é jornalista com mestrado em Administração Esportiva pela London Metropolitan University, da Inglaterra, e Coordenador de Produção da Sucursal da Folha no Rio. É colunista de automobilismo da Folha e do UOL.


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