Fábio Seixas

Automobilismo e pitacos sobre tudo o mais

 

Vettel, pole arrasadora

Não gosto de usar este verbo. Mas às vezes não há outro. Vettel humilhou.
 
O alemão dominou o treino classificatório em Cingapura, marcando os melhores tempos nos três blocos da sessão. Com marcas sempre muito, muito boas. Daquelas de não darem a menor chance para os rivais...
 
Em relação ao melhor carro da McLaren, por exemplo, colocou sempre de 0s4 a 0s5 de vantagem. É um fosso.
 
Conquistou, assim, sua 26ª pole na carreira, empatando com Hakkinen como o sétimo homem na estatística histórica. É sua 11ª pole em 14 corridas neste ano.
 
Mais importante do que as estatísticas, colocou-se ainda mais próximo do título. Seus perseguidores mais próximos na tabela, Alonso e Button, ficaram fora da primeira fila.
 
No terceiro treino livre, no início da noite cingapuriana, a Red Bull já fez questão de dar outra mostra de força.
 
O mais veloz foi Webber, com 1min46s081, 0s293 melhor do que a marca de Vettel na sexta-feira. Button foi o segundo, a 0s027, seguido pelo virtual bicampeão, Alonso, Hamilton, Rosberg... Massa foi só o oitavo.
 
Barrichello ficou em 15º, enquanto Bruno ficou em 17º.
 
No Twitter, a Ferrari jogou a toalha. "Vettel é favorito à pole. Um lugar no top 4 é nosso alvo realista, mas vai ser muito difícil de conseguir." Que fase...
 
O treino classificatório começou às 22h locais, com 30ºC no ar e 31ºC na pista.
 
Vettel repetiu a sexta-feira e reforçou o recado de que pretende encerrar a fatura neste final de semana. No Q1, cravou logo 1min46s397, 0s559 mais rápido que Button, o segundo colocado. Depois vieram Hamilton, Alonso, Webber, Rosberg, Pérez, Massa...
 
Barrichello passou em 12º. Bruno foi muito bem. Estava fora do Q2 até os últimos instantes, mas acelerou, fez um volta redondinha e garantiu o 15º tempo, jogando Petrov, seu companheiro, para a degola.
 
Além do russo, foram cortados Kovalainen, Trulli, Glock, D'Ambrosio, Ricciardo e Liuzzi.
 
Começou o Q2, e faltando pouco mais de 9 minutos para o fim, bandeira vermelha: Kobayashi decolou (mesmo) na chicane da curva 10 e ficou no muro. Fim de treino para o japonês.
 
Vettel? Chutou o balde. De cara fez 1min44s931, melhor do que as três poles anteriores da história de Cingapura.
 
O segundo novamente foi Button, a 0s541 (!!!). Webber ficou em terceiro, seguido por Alonso e Massa. Schumacher, Rosberg, Hamilton, Sutil e Di Resta
 
Os cortados foram Pérez, Barrichello, Maldonado, Buemi, Bruno, Alguersuari e, claro, Kobayashi.
 
"Acabei errando, perdendo 0s2 ou 0s3 na minha volta. Não tirei 100% do carro, mas 98% deu pra tirar", disse o brasileiro da Renault à TV Globo.
 
No Q3, Vettel manteve a rotina e voltou a voar. Fez 1min44s381. Button até tentou ameaçar, mas foi desalojado da segunda posição por Webber, que mandou 1min44s732.
 
Ao campeão de 2009, restou conformar-se com o terceiro posto no grid. Ao seu lado, Hamilton. A terceira fila terá Alonso e Massa. Rosberg sai em sétimo, seguido por Schumacher.
 
Na quinta fila, Sutil e Di Resta. Sim, dobradinhas nas cinco primeiras filas.
 
Se os pilotos cruzarem a linha de chegada nas mesmas posições do grid, Vettel não conquistará o título em Cingapura por um mísero ponto.
 
De qualquer forma, acho que fica pro Japão. Vettel também deve imaginar coisa parecida. Mas, como disse Newey outro dia, o alemão não se importa onde o título virá. Quer é vencer corridas com estilo.
 
E é isso que está fazendo em Cingapura.

Escrito por Fábio Seixas às 12h24

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De chofer a piloto das 500 Milhas

Aos 47, Alesi vai tentar se classificar para a próxima edição das 500 Milhas de Indianápolis.

Ele fez o anúncio hoje, em Cingapura, onde está como embaixador da Lotus (a preta e dourada).

Alesi, assim, deve correr por alguma equipe pequena, que levará o motor do grupo malaio.
 
"É só dar 200 voltas num oval a uma média de 370 km/h e terminar na frente de 32 pilotos para tomar a mais famosa garrafa de leite do mundo", brincou o ex(?)-piloto.

Em 2012, a Lotus entrará na Indy como fornecedora de motor. Hoje, a marca já tem um pé nos EUA, com a KV, relação que será desfeita ao fim desta temporada.
 
Depois, mais sério, ele disse que tem noção do esforço físico de uma maratona de 500 milhas e que já começou a treinar num simulador da Dallara.
 
Vai ser curioso. Uma atração para a prova, com uma pitada histórica: em 1965, Jim Clark venceu em Indianápolis com a Lotus.
 
Mas não espero nada além disso.
 
(Angelo Carconi - 27.ago.2011/AP) 
 
(Fui procurar uma foto do Alesi no sistema do jornal e a mais recente é esta acima. O francês foi o chofer do casamento de Petra Ecclestone, no mês passado, em um castelo em Bracciano, na Itália. Tem pouca moral, o cartola?)

Escrito por Fábio Seixas às 12h52

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Cingapura, 1º e 2º treinos livres

É, o alemãozinho parece disposto a encerrar a fatura já em Cingapura.
 
Normalmente ele não faz questão de ser o primeiro colocado nos treinos de sexta-feira.
 
Hoje ele fez. E com grandes vantagens.
 
Vettel, em Cingapura, nesta sexta (Wong Maye-E/AP)
 
Dá para escolher: com o tempo obtido no segundo treino livre, ele foi 0s201 mais rápido que Alonso, o segundo colocado, e 2s225 melhor que a marca de Hamilton na primeira sessão.
 
A lamentar, as zebras que se soltaram dos parafusos antes e durante o primeiro treino. Três, ao todo. Com isso, foram apenas 60 minutos de carro na pista na sessão inagural do fim de semana, o que é um problema óbvio num circuito provisório.
 
Some-se isso ao fato de que os dez primeiros usaram os pneus super-macios no fim do segundo treino e está aí uma explicação para tempos tão melhores.
 
O que não muda o fato de Vettet ter sido o primeiro, porém.
 
De incidentes, os toques de praxe num circuito de rua. Mas nada muito grave.
 
Entre os brasileiros, Bruno e Barrichello ficaram à frente dos seus companheiros em ambas as sessões. Massa viveu o oposto.
 
A Red Bull já deve ter mandado reforçar o estoque de champanhe no Swissôtel...

Escrito por Fábio Seixas às 12h24

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Sexta, coluna

Imagine a F-1 em dez anos. McLaren e Ferrari estarão lá, certo? Red Bull, não se sabe.
Para Mateschitz, a missão pode estar cumprida com mais um ou dois títulos. Com a F-1 já conquistada, pode parecer mais vantajoso abrir suas asas em outro esporte.
Ferrari sempre foi Ferrari, McLaren sempre foi McLaren. A Red Bull já foi Jaguar. Para voltar a ser coisa parecida, basta uma decisão do dono.
A festa pelo bicampeonato, onde quer que aconteça, será merecida. Mas, paradoxalmente, soará também como mais um passo para o fim, ainda que o caminho à frente seja longo.

A coluna de hoje toca num ponto sensível do time que vem encantando a F-1. A Red Bull é sensacional, está de parabéns, merece todo esse sucesso. Mas suas bases não são das mais sólidas.

A íntegra está aqui, para assinantes da Folha e do UOL. Na Folha Digital e na Folha de papel, a coluna está na pág. D9.

Escrito por Fábio Seixas às 09h42

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Bois, cavalos e terra

Podem falar o que quiserem da Red Bull.
 
Mas, até pelo fato de a equipe ser uma plataforma de marketing, ninguém nunca trabalhou a imagem na F-1 como esses caras.
 
A última deles foi meter o carro pra andar no circuito de Austin. Sim, aquele mesmo que hoje é só terra e pó.
 
Como se não bastasse, o início do vídeo é divertidíssimo. Vale a pena ver...

Escrito por Fábio Seixas às 16h00

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Programe-se

É hora da nossa vingança com o outro lado do mundo. Enquanto a F-1 vira a noite e invade a madrugada, nós acordamos no horário normal para acompanhar um GP asiático.

Segue a programação do GP de Cingapura, no horário de Brasília:

Sexta-feira
7h-8h30: 1º treino livre
10h30-12h: 2º treino livre

Sábado
8h-9h: 3º treino livre
11h: treino oficial

Domingo
9h: largada, 61 voltas

Escrito por Fábio Seixas às 14h50

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Em obras

O "Marca" publica em seu site fotos enviadas por uma fã da F-1 na Índia.

São imagens recentes do circuito que (teoricamente) receberá a categoria já no mês que vem. Uma delas está abaixo. Para ver todas, é só clicar aqui.

Ainda há áreas sem asfalto e muito entulho. Menos mal que há, também, muitos operários trabalhando.
 
A corrida vai sair, garantem todos os envolvidos. Mas vai ser no afogadilho.
 
O que não seria inédito, diga-se. Em 2004, quando chegamos ao Bahrein para a corrida inaugural, ainda havia operários pintando paredes...
 
(Obrigado ao Marcio, que deu a dica nos comentários ao post anterior.)

Escrito por Fábio Seixas às 15h18

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Pit Stop #200

O Pit Stop desta semana tem um valor especial. É a 200ª edição do programa, um orgulho danado.

O programa foi lançado em março de 2007 com a proposta de trazer notícias sobre o esporte a motor mas, principalmente, de analisar o que há por trás de cada notícia.
 
É esse nosso objetivo de todas as terças-feiras. É esse nosso objetivo hoje. No cardápio, Cingapura, Vettel, Alonso, Raikkonen, Stock, MotoGP, Indy, Jacarepaguá. O quadro "Naftalina" traz imagens belíssimas do Tyrrell 008 pelo circuito carioca.
 
Lá vai...
 
 
Agora, vamos dar uma de Maguila.
 
Um enorme abraço a meus colegas de bancada, Vicente Toledo Jr., Diogo Pinheiro, Renato Cury, Evandro Lopes, Bruno Império e Rafael Krieger, profissionais de primeira linha.
 
Um muito obrigado aos pilotos que já dividiram conosco a bancada do programa: Felipe Massa, Emerson e Christian Fittipaldi, Gil de Ferran, Bruno Senna, Lucas di Grassi, Hélio Castro Neves, Tony Kanaan, Bia Figueiredo, Giuliano Losacco, Ricardo Maurício, Rafael Suzuki, João Paulo de Oliveira, Alexandre Barros, Chico e Daniel Serra, Klever Kolberg, Marcos Gomes, Cacá e Popó Bueno, Alex Dias Ribeiro, César Ramos, Gabriel Dias e por aí vai...
 
Agradecimentos públicos à turma do UOL, gente como Alexandre Gimenez, Rodrigo Flores, Murilo Garavello, Lello Lopes e Priscila Gomes. A toda a moçada de vídeo em São Paulo. E ao trio da Vatapá Produções, aqui no Rio, Pedro Perazzo, Júlia Vanini e Tânia Pinta. 
 
Para terminar, claro, obrigadíssimo a todos que já assistiram ao programa ao menos uma vez. É a maior verdade já publicada aqui: o Pit Stop é de vocês.

Escrito por Fábio Seixas às 11h52

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Pintura

Hoje foi dia de testar a iluminação do circuito de Marina Bay...
 
O traçado não é nenhuma maravilha, mas, convenhamos, não é dos piores.
 
 
Quanto ao visual, nada a reclamar. Muitíssimo pelo contrário.

Escrito por Fábio Seixas às 12h29

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A irresponsabilidade da Prefeitura do Rio

 
"Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados", escreveu Millôr Fernandes, aforisma que deveria estar na porta de toda Redação de todo veículo de comunicação da galáxia.
 
Não é questão de ser cri-cri gratuitamente e/ou eternamente. 
 
Acreditem: é delicioso fazer reportagens sobre coisas bacanas, sobre soluções, sobre descobertas, sobre grandes conquistas e sacadas. Mas é obrigação denunciar o que não vai bem. Mesmo num dia de descanso.
 
Sábado, meu dia de folga, aceitei um convite para ir a Jacarapaguá acompanhar uma rodada da Porsche Cup.
 
Fui abraçar amigos, fui conhecer um pouco mais da categoria, fui sentir cheiro de gasolina e pneu queimado. E fui rever Jacarepaguá.
 
Saí com dor no coração.
 
Aplausos a todas as categorias que correm por lá. Porque, para correr lá, é preciso deixar o autódromo em condições mínimas para o esporte. E, no dia-a-dia, Jacarepaguá está muito aquém disso.
 
Mato alto para todo lado. Gambiarras em caixas de eletricidade. Arquibancadas enferrujadas. Goteiras. Janelas quebradas na torre de controle. Buracos de aparelhos de ar-condicionado que um dia foram levados.
 
Não há, acreditem, ligação com a rede de água! Quando há algum evento, os promotores precisam contratar caminhões-pipa.
 
Tudo isso, lembrem-se, numa instalação municipal.
 
Tudo isso, como este portão escancarado, este alambrado tudo furado, este mato alto, é responsabilidade da Prefeitura do Rio...
 
 
O circuito de Jacarepaguá está condenado à morte? Sim. Mas até lá, até o tiro de misericórdia, enquanto houver pilotos colocando suas vidas naquela pista seria digno que a prefeitura do senhor Eduardo Paes mantivesse suas instalações com um mínimo de decência.

E Jacarepaguá, hoje, é indecente.

Escrito por Fábio Seixas às 11h06

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PERFIL

Nina Horta Fábio Seixas, 37, é jornalista com mestrado em Administração Esportiva pela London Metropolitan University, da Inglaterra, e Coordenador de Produção da Sucursal da Folha no Rio. É colunista de automobilismo da Folha e do UOL.


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