O Rafael Steffen, da querida Monte Mor, foi dar umas bandas pela Bélgica e voltou de lá com uma boa história pra contar.
Ele que conte, então: "Após o GP da Bélgica, meus colegas e eu passamos em Liège para comprar equipamento para o kart do filho de um deles, na loja do senhor Raul Querci (Querci Karting). Quando o Raul e a esposa (muito atenciosos) souberam quer éramos brasileiros, nos apresentaram uma relíquia: uma revista de 1980, com todas as baterias do Mundial de kart, em Nivelles, entre os dias 17 e 21 de setembro daquele ano. Raul foi diretor de prova e nos destacou o jovem da capa: kart 17, Ayrton Senna da Silva. Impressionante! Foi de arrepiar! E relatou que o garoto 'sentava a bota' mesmo! Confira..."
Valeu, Rafael!
Nivelles foi a terceira tentativa de Senna de conquistar o Mundial de kart. Correndo pela DAP, seu sonho novamente foi frustrado: ficou com o vice-campeonato. O campeão foi Peter de Bruijn. Entre os torcedores, um moleque queixudo de 11 anos. Um tal Michael Schumacher.
Senna ainda disputaria o Mundial nos dois anos seguintes. Foi quarto em Parma, em 1981, e apenas 14º em Kalmar, em 1982, quando já chamava a atenção de equipes da F-1.
Fuçando na net, achei cenas do Mundial de 1981. Perdoem a trilha sonora...
Daí que tem Stock Car em Londrina neste final de semana, a segunda corrida da fase final da principal categoria do esporte a motor brasileiro.
Daí que está um calor absurdo (o termômetro na foto indica 55,6ºC na pista).
Daí que o asfalto foi recapeado em cima da hora, sem o período de cura necessário. E, vejam que gracinha, começou a derreter e a soltar pedaços com a passagem dos carros.
Daí que pilotos se reuniram com organizadores para reclamar.
Daí que não tem mais treino hoje. As atividades estão suspensas. Para amanhã, o negócio é rezar por temperaturas mais amenas.
Daí que ainda tem gente que fica irritada quando escrevo que a gestão do automobilismo brasileiro é uma gigantesca e horrível várzea.
É como o sentimento de um apaixonado que vê a mulher de sua vida prestes a casar com outro. Já tentou de tudo, deu em nada. Restam sonhos engavetados, a dolorida resignação, as lembranças das histórias que não houve. E um fio de esperança. Num dia, o jet set internacional, as concorridas entrevistas, o glamour, a consagração logo ali. No outro, a maca do hospital, o temor do ostracismo, a incerteza se voltará a ser o mesmo cara de antes. E um fio de esperança.
A coluna de hoje fala sobre Kubica, um "futuro campeão" que vive um momento-chave na sua carreira, na sua vida.
A íntegra está aqui, para assinantes da Folha e do UOL. Na Folha Digital e na Folha de papel, é só avançar até a pág. D9.
Um das séries mais bacanas da história deste blog foi a saga dos ingressos.
Em 2009, após o Antonio Tigre mandar para cá a foto de um ingresso antigo de GP Brasil, propus tentarmos colecionar imagens de todas as entradas desde a primeira corrida, em 1972.
Foi trabalhoso, foi uma busca bacana... Mas deu certo. O resultado está aqui.
Pois bem. Agora, o mesmo Antonio Tigre manda para cá os ingressos de 2011, que ele já recebeu em casa. São assim...
E você? Já recebeu o seu? Deu tudo certo? Algum problema? A caixa de comentários está aqui pra isso...
"Estamos otimistas, muito otimistas, e não acho que algumas semanas a mais de recuperação alterem alguma coisa. Tenho certeza: ele vai voltar em 2012."
O autor da frase, Riccardo Ceccarelli, médico que acompanha a recuperação de Kubica. O "ele" é, claro, o piloto polonês.
Cartas na mesa, portanto. São três pilotos para duas vagas. Ainda tem muito jogo pela frente.
Na falta de novos talentos _e com Newey comprometido à Red Bull_, a Ferrari pode estar lançando mão de uma velha receita de sucesso.
Juan Villadelprat escreveu no "El País" que a escuderia italiana conseguiu resgatar Rory Byrne da aposentadoria.
"O cérebro por trás da grande Era Schumacher decidiu voltar a trabalhar com o novo diretor técnico da Ferrari, Pat Fry", escreveu o projetista espanhol em sua coluna.
Byrne e Fry trabalharam juntos na Benetton de 1987 a 1993, são velhos parceiros.
Saíram da cabeça de Byrne sete carros campeões de Construtores. Dirigindo carros com sua grife, Schumacher conquistou os seus sete títulos mundiais.
Sul-africano, Byrne foi o primeiro a debandar do "dream team" ferrarista da década passada. Já queria sair há algum tempo, para cuidar de sua escola de mergulho na Tailândia.
Pelo visto, após alguns anos entre peixes e corais, voltou a sentir falta do cheiro da gasolina.
A Ferrari ainda não confirma. Mas torço para que seja verdade.
Seria a volta de um nome histórico para a F-1.
E a chance de vermos, nos próximos anos, duelos interessantíssimos: Vettel x Alonso e Red Bull x Ferrari, faces mais expostas do embate Newey x Byrne.
"Good job." Assim, diante de câmeras de TV e com tapinhas no braço mais fortes do que a cortesia recomenda, Massa deixou claro ao mundo sua insatisfação com a conduta de Hamilton. Em entrevistas, falou mais: "Como eu disse ontem [sábado, após desentendimento no treino oficial], ele não consegue usar o cérebro. Poderia ter causado um acidente grave. O problema é que ele está pagando por isso, a corrida dele também foi prejudicada. Mas ele paga e não entende. O importante é que a FIA está observando e punindo." Entendo a bronca do ferrarista. Deve ser frustrante estar fazendo seu trabalho, lutando por alguns bons pontos e ver tudo jogado pro espaço pela imprudência de outro. Mas isso acontece o tempo todo no automobilismo e, sobre o lance em si, continuo considerando-o o típico "incidente de corrida". O problema de Hamilton, e aí Massa está certíssimo, é a reincidência. E por isso ele foi devidamente punido ontem. É como o jogador de futebol que já tem um cartão amarelo, faz uma falta não muito violenta na entrada da área e leva o vermelho. Um cara assim precisa pensar duas vezes antes de arriscar. Hamilton não pensa. Dá no que dá;
Apesar de tudo isso, da troca do bico e do drive through, Hamilton terminou em quinto. Não, não dá para colocar seu talento em dúvida. Recuperar-se num GP é uma arte;
Sobre a pílula anterior, Bruno merece menção honrosa. Pela segunda vez em três corridas, pagou pela inexperiência no início da prova: travou as rodas na entrada do hairpin, bateu no muro, teve de ir pros boxes trocar o bico. Caiu pro fundo do pelotão, mas terminou em 15º, duas posições à frente do Petrov. Ficou de bom tamanho, até;
Button merece ser o vice-líder do campeonato. Ao longo do Mundial, nenhum outro piloto mostrou tanto equilíbrio quanto o campeão de 2009. A corrida de ontem foi uma síntese perfeita disso tudo. Seria um belo prêmio de consolação. E mais um excelente argumento para o inglês na hora de negociar sua renovação com a McLaren;
O empresário de Raikkonen, Steve Robertson, jurou que não há nenhuma negociação com a Williams. Conta outra;
"Vamos para o Japão com a mesma mentalidade com que viemos para Cingapura e para os outros GPs do ano: tentar vencer a corrida", disse Horner. Quanto à essa declaração, nenhuma dúvida. A Red Bull não é só vencedora no orçamento ou na qualidade técnica. Outra enorme vantagem é ter Horner, um "rato de autódromo", no comando;
O fato: Pietro Fittipaldi ganhou o título de um campeonato sancionado pela Nascar. Está de parabéns, é um belo começo. Mas vamos com calma. Ainda é uma sub-sub-sub-divisão da stock car americana. Todas as provas acontecem numa mesma pista _Hickory, no caso_ e há muitos competidores amadores. É um belo começo, repito, mas ainda nada além disso.
Vettel foi absoluto, reinou na noite de Cingapura, venceu.
Mas a festa do bi ficará para o Japão.
Porque Button foi o segundo, assumiu a vice-liderança do campeonato e manteve chances matemáticas de título. Mera retórica, mero capricho de cálculo. O próprio inglês sabe disso.
Foi a 19ª vitória do alemão na F-1, a nona na temporada. E uma das mais fáceis.
Vitória que começou a ser construída já nos primeiros metros: Vettel se defendeu bem, contornou a primeira curva na ponta, destruiu ali qualquer ilusão dos concorrentes.
Webber fez o oposto. Patinou, perdeu posições para Button e Alonso, caiu para quarto.
Massa subiu para quinto. A primeira volta foi fechada com Rosberg em sexto lugar, Schumacher em sétimo, Hamilton em oitavo e Sutil e Di Resta completando o top 10.
Sem problemas à frente, sem safety car, sem outra preocupação além de se divertir, Vettel tratou de pisar fundo e abrir vantagem. Na quarta volta, já tinha 5s5 sobre Button.
Quem também acelerava forte era Hamilton, tentando se recuperar da péssima largada. Na quarta volta, usou a asa e quase passou por cima de Schumacher. Instantes depois, superou Rosberg e assumiu o sexto lugar.
Na décima volta, algum agito: Rosberg abriu a primeira janela de pit, Webber ultrapassou Alonso, Vettel tinha 11s6 sobre a rapa.
Os pits continuaram agitados.
Alonso parou na 11ª. Na 12ª, Massa e Hamilton pararam. Na volta à pista, o inglês partiu para cima do brasileiro e... Mais uma vez nesta temporada, envolveu-se num choque.
O bico da McLaren acertou o pneu traseiro direito da Ferrari. Os dois se deram mal. Um sem bico, outro sem pneu, ambos tiveram que passar pelos boxes e viram o domingo ir pro beleléu.
Hamilton foi punido com um drive through. Na minha opinião, um exagero dos comissários. Ok, ele já cometeu lambanças bizarras neste ano, mas o erro de hoje foi mais de avaliação do que de porralouquice. Acho que a punição veio mais pela ficha suja, pelo conjunto da obra nesta temporada, do que pelo incidente em si.
O segundo trecho da prova, após a primeira janela de pits, foi menos agitado. Hamilton reencontrou Massa na 25ª volta e passou sem dificuldades. Lá na frente, Vettel seguia voando, crabando sucessivas voltas mais rápidas, sem incômodos.
Na 26ª volta, Alonso foi para os boxes, abrindo a segunda janela de parada. Três voltas depois, o tradicional roteiro de Cingapura cumpriu-se: safety car. O motivo, um choque entre Schumacher e Pérez que mandou a Mercedes para o muro.
(Pelo Twitter, durante a prova, internautas antenados informaram que o alemão classificou o acidente de “um mal-entendido”.)
Com o safety car, corre-corre de pilotos para os boxes. Todo mundo que não havia parado pela segunda vez aproveitou a chance.
A relargada veio na 33ª volta. Webber superou Alonso e assumiu a terceira posição. Um pouco depois, mais atrás, Hamilton deixou Sutil para trás. A vítima seguinte foi Rosberg. Na 38ª volta, o inglês ultrapassou Rosberg.
Na 40ª volta, o top 10 era formado por Vettel, Button, Webber, Alonso, Hamilton, Di Resta, Rosberg, Sutil, Pérez e Massa. Com sete voltas de bandeira verde, o líder já tinha novamente 12s5 de vantagem.
Na 46ª, Maldonado inaugurou a última janela de pits. Nada que mereça registro.
Nas voltas finais, a única atração foi a perseguição de Button a Vettel. O inglês tirava 1s por volta, mas mais por relaxo do alemão do que por enxergar uma condição real de vitória.
Webber completou o pódio. Fechando a zona de pontos, Alonso, Hamilton, Di Resta, Rosberg, Sutil, Massa, Pérez.
Com o resultado, Vettel foi a 309 pontos no campeonato. Tem 124 de vantagem sobre Button. Alonso, o terceiro na tabela, está a 125 e não tem mais chances.
A conta é simples. Se marcar um ponto em Suzuka, o alemão garante o bicampeonato, mesmo que o inglês vença a prova. Se Button for segundo, Vettel é bicampeão.
É, a tradição falará mais forte: vai terminar no Japão.
Fábio Seixas, 37, é jornalista com mestrado em Administração Esportiva pela London Metropolitan University, da Inglaterra, e Coordenador de Produção da Sucursal da Folha no Rio. É colunista de automobilismo da Folha e do UOL.
Copyright Folha.com. Todos os direitos reservados. É proibida a reproduçãoo do conteúdo desta Página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folha.com.