Fábio Seixas

Automobilismo e pitacos sobre tudo o mais

 

Hamilton, pole e fim da sequência da Red Bull

Pela primeira vez em quase um ano, a pole position na F-1 não é da Red Bull.
 
Fazia tempo: desde que Hulkenberg teve seu grande momento na categoria, no sábado do GP Brasil de 2010. Um 6 de novembro. Foram 16 poles seguidas da Red Bull, 13 delas nas mãos de Vettel.
 
O responsável pela façanha, Hamilton, que demonstrou força durante todo o fim de semana _mas não dá para desconsiderar uma compreensível acomodação de recém-coroado bicampeão, claro.
 
Por esses dois motivos, o inglês da McLaren é o favorito à vitória.
 
Na manhã coreana, no terceiro treino livre, o primeiro do fim de semana com pista seca, dobradinha da McLaren. Button fez 1min36s910, Hamilton ficou a 0s289.
 
Webber foi o terceiro, seguido por Alonso, Massa, Schumacher, Petrov... Bruno foi o 16º. Barrichello ficou em 18º.
 
O treino oficial aconteceu também com tempo seco (aliás, não deve mais chover por lá no fim de semana), 23ºC no ar e 30ºC no asfalto.
 
No Q1, nova dobradinha da McLaren. Hamilton já foi o mais veloz, com 1min37s525, 0s404 melhor do que Button. Depois, Petrov, Alonso, Rosberg...
 
Massa foi oitavo, Bruno ficou em 13º.
 
Barrichello não passou de 18º e foi o primeiro da zona de degola. Também dançaram Kovalainen, Trulli, Glock, D'Ambrosio, Liuzzi e Ricciardo.
 
À Globo, Barrichello disse que foi uma decisão estratégica: "A gente tinha uma opção muito distinta [de pneus] em relação às outras corridas. Salvar pneus aqui não é uma má estratégia e a gente não tinha muito porque tentar passar do Q3. Tenho um monte de pneu novo pra corrida de amanhã". Amanhã a gente vê se a aposta se pagou.
 
No Q2, Hamilton voltou a ser o mais rápido, desta vez com Vettel em segundo, a 0s759. Webber foi o terceiro, com Button em quarto. Completando o grupo que avançou pro Q3, Massa, Alonso, Rosberg, Petrov, Sutil e Di Resta.
 
Desta vez não deu pra Bruno, que até agora faz seu final de semana mais complicado pela Renault. Enquanto viu o companheiro avançar, ficou só em 15º.
 
Os outros cortados, Alguersuari, Schumacher Buemi, Kobayashi, Maldonado e Pérez.
 
"Falta de milha com carro bom aqui", explicou Bruno à Globo, sem rodeios.
 
No Q3, pouca emoção, resultado de um dos traçados mais chatos da F-1 somado à acomodação de Vettel.
 
Hamilton colocou a pole no bolso com tranquilidade, a 19ª da carreira, a primeira desde o GP do Canadá do ano passado. Seu tempo, 1min35s820, 0s222 melhor do que Vettel.
 
Na segunda fila, mais uma McLaren, mais um Red Bull: Button e Webber.
 
Massa e Alonso formam a terceira fila. Vamos ver se, desta vez, o brasileiro consegue transformar vantagem no grid em vantagem na chegada.
 
Rosberg é o sétimo, seguido por Petrov, Di Resta e Sutil.
 
A largada acontece às 4h, já no horário de verão. (E estou achando que acordar na hora certa pra corrida tem grandes chances de ser a grande emoção da próxima madrugada.)

Escrito por Fábio Seixas às 03h13

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Sexta, coluna

Falar é difícil. Os sentimentos estão lá, toneladas, mas é difícil organizar a ordem com que devem ser postos na mesa. Ensaiar não valeria a pena, tudo seria mesmo soterrado pela emoção.
O jeito é respirar fundo. E falar, falar, falar... Torcendo para que a mensagem toque a pessoa ali, do outro lado.
O que dizer num momento tão importante? Como explicar o inexplicável?
Os discursos pós-título (ou pós-fracasso) no esporte são uma história à parte, mereceriam um livro (há algum?). É o momento em que o herói vira gente, que o atleta se converte em pessoa comum diante das câmeras. Que gagueja, que mostra fragilidade, mas que se mostra como é. De corpo, alma e coração.

A coluna de hoje fala sobre as reações de Vettel logo após o bicampeonato. Que dizem muito sobre quem ele é.
 
O texto está aqui, para assinantes da Folha e do UOL. Na Folha Digital e na Folha analógica, a coluna está na página D13.

Escrito por Fábio Seixas às 09h35

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Yeongam, 1º e 2º treinos livres

Pista molhada por quase todo o dia em Yeongam, só secando no finalzinho do último treino.
 
Na primeira sessão, com temporal, dobradinha para os parceiros de karaokê (e de porre) do último domingo. Schumacher fez 2min02s784, 0s056 melhor do que Vettel.
 
Schumacher, no primeiro treino em Yeongam (Diego Azubel/Efe)
 
Di Resta foi o terceiro, seguido por Sutil, Buemi, Kobayashi, Hamilton...
 
Tempos e referências que não servem pra nada. Só Hamilton se aventurou a sair debaixo do pé d'água e mesmo assim logo recolheu. Seis pilotos não marcaram tempo, entre eles Massa e Bruno _Barrichello foi o 14º. Enfim, uma sessão perdida.
 
A segunda sessão ainda teve pista molhada, mas em condições mais civilizadas.
 
Todo mundo andou, todo mundo marcou tempo, houve até quem arriscasse colocar slicks no finalzinho.
 
A melhor marca foi de Hamilton. Ele cravou 1min50s828 logo aos 20min do treino e não foi superado por mais ninguém.
 
Hamilton, no segundo treino desta sexta (Eugene Hoshiko/AP)
 
Quem chegou mais perto foi Button, a 0s104. Vettel foi o terceiro, seguido por Alonso, Webber, Alguersuari, Massa.
 
Barichello foi o 13º. Bruno ficou em 15º.
 
Com tão poucas informações, fica difícil fazer já uma aposta para a pole. Mas você não estará cometendo nenhum sacrilégio se acreditar na McLaren.
 
Como disse Button outro dia, "agora podemos duelar com a Red Bull em qualquer tipo de circuito". Parece verdade.
 
O que é legal para proporcionar corridas boas, isoladamente. Para levar emoção ao campeonato, já é tarde demais...

Escrito por Fábio Seixas às 07h00

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Programe-se

Dia das Crianças já teve parquinho, pula-pula, patinete, algodão doce. E não são nem 13h.
 
Então antes que eu continue na bagunça, segue a programação do GP da Coreia do Sul, no horário de Brasília:
 

Quinta-feira

22h-23h30, 1º treino livre

 

Sexta-feira

2h-3h30, 2º treino livre

23h-24h, 3º treino livre

 

Sábado

2h, treino oficial

 

Domingo

4h, largada

Escrito por Fábio Seixas às 12h57

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Pit Stop #203

Terça-feira maluca em São Paulo, resolvendo 28228 burocracias, dando um jeito de levar o Gordini para o Rio.

Mas tem Pit Stop, claro. E o assunto principal é o bicampeonato de Vettel, óbvio. E tem mais, muito mais, evidentemente.

Desculpem o atraso. Lá vai...

Escrito por Fábio Seixas às 16h45

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Pílulas do Dia Seguinte

Vettel vibrou com o título, comemorou, agradeceu a equipe, abraçou seus companheiros. Mas ficou clara uma certa insatisfação por não ter vencido a prova. Sim, o cara tinha acabado de se sagrar bicampeão mundial com 24 anos, mas sentiu por não ter cruzado em primeiro lugar. Mais do que qualquer declaração, essa atitude explica o porquê de tudo o que aconteceu nas últimas duas temporadas;
 
O "Lance" de hoje traz uma conta curiosa. O jornal pegou as médias de Vettel, hoje, e as projetou para daqui a dez anos. Um mero exercício estatístico, claro, mas que é sempre interessante de acompanhar. Mantendo o ritmo de hoje, em 2021 o alemão terá 6 títulos mundiais, 120 pódios, 98 poles, 69 vitórias e 26 melhores voltas. Uma viagem? Bom, talvez ele não chegue a tanto, até porque é difícil se manter no topo por muito tempo. Mas não acho impossível. Principalmente se a Red Bull mantiver o investimento pesado na F-1 e Newey continuar circulando pelos lados de Milton Keynes;
 
Ainda Vettel: logo após a conquista, a Red Bull divulgou as entrevistas abaixo, com o bicampeão, Ricciardo (??), Horner e Newey. "Os sentimentos pelo bi são tão confusos como aqueles pelo primeiro título", diz Vettel. Newey define o piloto como alguém de imenso talento natural, mas que trabalha duro. Segundo Horner, o pupilo vai seguir evoluindo. Azar da concorrência. Vale a pena ver e guardar como documento histórico...
 
 
A Pirelli vai conversar com representantes das equipes, na Coreia do Sul, para tentar encontrar uma solução para a questão dos pilotos que avançam para o Q3 mas preferem não gastar borracha. "Algo precisa ser feito. Temos algumas ideias e vamos tentar chegar a um acordo sobre isso". Ótimo. Mas, provavelmente, será alguma medida só para 2012;
 
"Eu não sei realmente o que aconteceu [no acidente] com o Felipe. Os retrovisores vibram muito em alta velocidade e eu não consegui vê-lo se posicionando ao meu lado", explicou Hamilton, que ainda pediu desculpas ao brasileiro pelo choque. Quero muito crer que não foi mesmo de propósito. Mas mantenho minha opinião: se eu fosse comissário, teria punido o inglês;
 
Bruno, mais uma vez, pagou pela inexperiência. Encostou no Petrov na curva 2, perdeu um pedaço da asa dianteira, caiu para 13º, teve sua corrida prejudicada. Se é verdade que ele vem fazendo um excelente trabalho nos treinos classificatórios, também é que suas largadas têm sido péssimas. E uma coisa não adianta sem a outra. Taí uma área em que ele precisa trabalhar muito;
 
Sobre Massa: foi prejudicado pelo choque, é verdade, mas o resultado é que somou mais um resultado ruim à temporada. Largou em quarto, terminou em sétimo. Alonso saiu em quinto, terminou em segundo. É isso que conta no final, é isso que o torcedor enxerga. Imagino que ele não veja a hora de 2011 terminar;
 
Barrichello foi 17º. Será que Raikkonen conseguiria ir melhor? (A bola da comparação, é bom lembrar, foi levantada pelo próprio brasileiro).

Escrito por Fábio Seixas às 13h13

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A foto

Um piloto a caminho do bicampeonato...

Vettel, durante o GP do Japão (Veljko Jukic/ATP/Fotoarena)

O clique do fim de semana é de Veljko Jukic, da agência ATP.

Escrito por Fábio Seixas às 12h54

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Vettel, um garoto bicampeão

Em Suzuka, uma corrida morna, mas um resultado emblemático.

Porque o GP que deu o bicampeonato mundial para Vettel viu os três melhores pilotos da temporada no pódio.

Vitória de Button, com Alonso em segundo e Vettel em terceiro, feliz da vida.

Aos 24 anos, o alemão de Heppenheim sagrou-se o bicampeão mais jovem da história. Com quatro provas de antecedência. E com números impressionantes. Soma, à esta (curta) altura da vida, 19 vitórias, 26 poles, 7 voltas mais rápidas e, claro, dois títulos mundiais.

Marcas que serão ampliadas nos próximos anos, porque nada indica que o trio talento de Vettel-genialidade de Newey-dinheiro da Red Bull vá se desfazer tão cedo.

Vettel avança rápido para se tornar um dos grandes.

Sim, é estranho dizer isso de um piloto com toda aquele jeitão de moleque. E talvez isso explique tanta resistência de tanta gente em aceitar o que os números gritam. Mas ele não tem culpa de ser precoce, de ser a cara de uma nova era.

Talvez por toda esta carga de expectativa, a largada viu um Vettel bem mais agressivo do que o normal, espremendo loucamente Button na direita.

Foram três as consequências. Garantiu a ponta. Abriu o lado esquerdo para a passagem de Hamilton, que assumiu o segundo lugar. E virou alvo de investigação, um evidente exagero, uma frescura sem tamanho da FIA _que, vitória do bom senso, deu em nada.

O top 10 na primeira volta, Vettel, Hamilton, Button, Massa, Alonso, Webber, Schumacher, Di Resta, Sutil e Petrov.

Na sexta volta, Vettel já tinha 3s1 sobre Button. Um pouco mais atrás, Alonso passou Massa com facilidade incrível na curva 1. Pelo visual, o brasileiro tirou o pé, deixou passar. Coincidência ou não, Alonso declarou algumas vezes nos últimos dias que quer muito o vice-campeonato.

É...

Na nona volta, Hamilton abriu os pits, com os pneus no bagaço. Mais uma vez, a tocada mais refinada de Button deu resultados: ganhou a posição.

Vettel e Schumacher pararam na décima volta. Button e Alonso entraram na 11ª e voltaram, ambos, à frente de Hamilton. Massa entrou na 12ª.

Bruno, que largou com os pneus médios, só parou na 16ª, colocando novo jogo de médios. Uma estratégia diferente, pensando em intervalos maiores entre os pits, apostando num ritmo mais forte no fim de prova. Petrov, Pérez e Alguersuari seguiam na mesma linha.

Lá na ponta? Button acelerava forte para não deixar Vettel escapar, ciente de que poderia passar à frente caso ficasse mais algum tempo na pista.

Na 18ª volta, o alemão tinha só 1s8 de vantagem, diferença longe do conforto habitual.

Deu certo!

Na 20ª volta, Vettel e Webber inauguraram a segunda janela de pits. Button parou na 21ª. Essa voltinha a mais na pista foi suficiente para que ele ganhasse a liderança.

Duas voltas depois, inacreditável, mas um novo choque entre Massa e Hamilton. O inglês mandou o carro para cima da Ferrari, uma idiotice premeditada, uma pena.

(E antes que fãs do Hamilton encham a caixa de comentários ofensivos, quero deixar claro que sempre, sempre gostei do estilo do inglês. Acho que, em condições normais, ele está entre os mais talentosos da F-1 atual, ao lado de Alonso e Vettel. O problema é que, em 2011, ele resolveu desligar o cérebro. Repito: uma pena.)

Com pedaços de carro na pista, a direção de prova mandou o safety car intervir. Corre-corre pros boxes. Quem não tinha parado, aproveitou para fazer o segundo pit.

O safety car saiu na abertura da 28ª volta, instantes após a mensagem de que não haveria punição para Hamilton _um absurdo.

Na 30ª volta, o top 10 tinha Button, Vettel, Alonso, Webber, Massa, Hamilton, Schumacher, Pérez, Di Resta e Petrov.

Quatro voltas depois, Vettel parou de novo. Webber entrou na 35ª. Hamilton, na 36ª. Button e Massa fizeram a terceira parada na 37ª. Alonso fez o pit na seguinte.

Button manteve-se na ponta. E por mais que Vettel se esgoelasse para virar bons tempos, perdeu a posição para Alonso. Mais um prejuízo por conta de sua pilotagem agressiva _que funciona quase sempre, mas que não era o mais indicado neste domingo japonês.

Na 38ª volta, Hamilton e Massa voltaram a se encontrar. Desta vez, o inglês acionou a asa e passou no fim da reta, sem grandes problemas. O brasileiro não dificultou.

Daria para dificultar? Daria. Vettel que o diga. Na 42ª volta, ele partiu para cima de Alonso. Abriu asa, etc e tal. Alonso endureceu, o alemãozinho teve de recolher.

Na linha de chegada, Button tinha 1s1 sobre Alonso. Vettel cruzou a 0s8. Webber foi o quarto, seguido por Hamilton e Schumacher. Massa cruzou em sétimo.

Depois, fechando o top 10, Pérez, Petrov e Rosberg.

Bruno foi só 16º_a estratégia não funcionou, como se vê. Barrichello terminou logo atrás.

"Obrigado a todos. A cada um de vocês", foi tudo o que Vettel disse, emocionado, pelo rádio.

Com o resultado, Vettel foi a 324 pontos, 114 a mais do que Button. Faltando quatro GPs, o máximo que o inglês consegue tirar são 100 pontos. Fatura encerrada.

Alonso foi a 202. Webber tem 194. Hamilton é o quinto, com 178. Massa tem 88.

O Mundial de Construtores ainda está aberto: 130 pontos separam a Red Bull da McLaren. Mas é questão de tempo até os carros azuis e vermelhos levarem essa também.

Parabéns a Vettel. A festinha no karaokê de Suzuka vai ser longa hoje. E merecida.

Escrito por Fábio Seixas às 04h55

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O último palpite

Em Suzuka, um domingo de sol e calor.
 
Mas mesmo se chovesse ou nevasse, meu palpite seria o mesmo. Fiquei até tentado a acreditar em Button, mas não dá pra não apostar no Vettel.
 
Meu palpite de pódio: Vettel, Button e Alonso. E você, o que acha?

Escrito por Fábio Seixas às 02h24

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PERFIL

Nina Horta Fábio Seixas, 37, é jornalista com mestrado em Administração Esportiva pela London Metropolitan University, da Inglaterra, e Coordenador de Produção da Sucursal da Folha no Rio. É colunista de automobilismo da Folha e do UOL.


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