Fábio Seixas

Automobilismo e pitacos sobre tudo o mais

 

Renault procura

Riccardo Caccarelli, médico que acompanha a recuperação de Kubica, disse a uma emissora de TV da Itália que ainda levará meses até que o polonês tenha condições de voltar à F-1.
 
"Nosso objetivo é devolvê-lo à F-1, mas ele ainda precisa de mais alguns meses. Os ferimentos foram tão graves que muitos colegas meus descartaram sua volta. Mas, aos poucos, fomos conseguindo avançar na recuperação e as chances de que ele volte a pilotar em 2012 estão ficando cada vez mais concretas", afirmou.
 
O problema é que Boulier, chefe da Renault, quer uma resposta logo. O primeiro deadline, meio de outubro, já expirou.
 
O que acho? Que a Renault não vai ficar esperando Kubica, por melhor que ele seja. Até porque o que não falta é piloto querendo correr lá, muitos levando dinheiro.
 
Bruno e Grosjean são os ponteiros nessa corrida.
 
Outra opção seria um piloto-tampão, a receita usada com Heidfeld até o GP da Hungria. Quando Kubica puder voltar, reassume o posto. Bruno e Grosjean não topariam algo assim, querem contrato para a temporada toda.
 
E aí que pode pintar um certo Barrichello pros lados de Enstone...

Escrito por Fábio Seixas às 10h12

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Sexta, coluna

 Wheldon e Oliver, em Indianápolis (Robert Laberge -30.mai.2011/Getty Images)

Por que a Indy mata tanto? Há duas explicações.
A primeira, tão antiga quanto a categoria: porque corre em ovais. Das seis (ou oito) mortes desde 91, duas foram em circuitos mistos. Isso não vai mudar, é intrínseco. É cruel, mas real: quem corre lá sabe que é assim.
A segunda é menos compreensível. Alguns dos ovais no calendário elevam o risco a patamares imbecis. São antigos, estreitos, quase amadores, irresponsáveis.
É o caso de Milwaukee, tosco que só. E de Las Vegas, onde Wheldon morreu.
Isso dá para corrigir. Se é para aprender com tragédias, que a Indy tire do calendário pistas tão inseguras. Já. Para o ano que vem.
Há outros Sebastians, Olivers e Susies pelo paddock que agradeceriam.

A coluna de hoje reproduz a famosa foto de Wheldon com Oliver, 2, na comemoração pela vitória nas 500 Milhas, em maio. E tenta encontrar explicações para o alto índice de mortes na categoria.
 
A íntegra está aqui, para assinantes da Folha e do UOL. Na Folha Digital e no papel, a coluna está na pág. D11.

Escrito por Fábio Seixas às 09h43

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Pit Stop #204

Ufa. Com atraso, segue aqui o Pit Stop desta semana.

Que teve como assunto principal, claro, a morte de Wheldon. O resto é um detalhe.

Escrito por Fábio Seixas às 15h41

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A foto

Infelizmente a foto do fim de semana não é nem um pouco bela ou alegre. Automobilismo tem dessas coisas, às vezes. 

O múltiplo acidente que vitimou Dan Wheldon, em Las Vegas (Robert Laberge/Getty Images)
 
O clique é de Robert Laberge, da Getty Images.

Escrito por Fábio Seixas às 14h15

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Pílulas do Dia Seguinte

É claro que nada do que aconteceu no fim de semana nas pistas tem importância diante da morte de Wheldon. Aos 33, casado, pai de dois filhos, o inglês era ótimo piloto e ótima figura. E revendo e revendo as imagens do acidente, só o que penso é que todos os outros envolvidos tiveram muita sorte. Principalmente Power. Com a frieza que as horas trazem, a constação é que a tragédia poderia ter sido muito maior, ainda mais horrenda, múltipla;
 
"Ainda não sei o que pensar", disse Bia Figueiredo, em entrevista à BandNews FM instantes após a morte de Wheldon. Há um agravante para os pilotos da Indy após esta morte: corrida da categoria, agora, só no ano que vem. Vai ser difícil lidar com aquelas imagens por tanto tempo;
 
Franchitti, ao retornar ao pit lane após as voltas em homenagem a Wheldon (Isaac Brekken/AP)
 
Franchitti levou o campeonato, mas certamente foi o mais amargo de todos os seus títulos. Resultado merecido, diga-se. Power é um piloto em crescimento, passou de surpresa a certeza em pouquíssimo tempo, mas ainda é muito instável. Para 2012 é difícil imaginar como será o campeonato, com a estreia de um carro completamente diferente _e desenvolvido por Wheldon, registre-se. Mas não é estranho imaginar outro duelo Franchitti x Power. Os dois estão sobrando, faz tempo;
 
O bicampeonato da Red Bull é um enorme prova de que dinheiro, apenas dinheiro, não traz resultados na F-1. É só lembrar que até 2004 a equipe carregava o nome de Jaguar. Creditar o sucesso atual à fortuna despejada por Mateschitz é diminuir o maior mérito do austríaco na empreitada: colocar as pessoas certas nos lugares certos. Marko, Horner, Newey, Vettel e Webber são as mais visíveis engrenagens de uma máquina que funciona muito bem, azeitadinha. Enquanto todas continuarem girando direitinho, não há razões para imaginar perda de competitividade;
 
"Acho que eles vão querer me matar agora. No rádio, inicialmente eles disseram: ‘você não vai conseguir a melhor volta’, o que obviamente não era verdade. Depois falaram: ‘idiota, você conseguiu’.” Este, Vettel, falando sobre a reação da equipe à sua melhor volta na corrida, conquistada na base da loucura, a caminho da linha de chegada. Uma fantástica loucura;
 
Após um início impressionante pela Renault, Bruno perdeu terreno. Se em Suzuka ele pelo menos conseguiu uma boa posição de grid, na Coreia nem isso. De olho numa vaga em 2012, é bom ele reagir e encarar as três últimas corridas como se fossem suas três últimas chances;
 
Stoner levou a MotoGP, o que já estava claro havia algumas corridas. É bacana ver uma recuperação como a dele. Dono de um baita talento nato, o australiano foi campeão em 2007 e depois despencou numa crise pessoal. Teve depressão, chegou a pedir dispensa de algumas corridas quando estava na Ducati. Em 2011, de equipe nova, a Honda, mostrou que era também um sujeito renovado. Venceu 9 das 16 provas até agora e viu as outras vitórias serem divididas por pilotos como Spies, Lorenzo e Pedrosa. Não tinha mesmo para ninguém;
 
Stoner, a caminho do bicampeonato, em Phillip Island (Paul Crock/France Presse)
 
Na Stock, faltando uma etapa, Cacá lidera o campeonato. O vice-líder é Ricardo Maurício, que não tem chances de ser campeão. Então Cacá é o campeão, certo? Errado. Porque o terceiro colocado, Max Wilson, sim, pode conquistar o título. Coisas que só a Stock faz por você.

Escrito por Fábio Seixas às 09h13

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Vettel, vitória em 3 curvas

E não é que deu Vettel de novo?
 
Mesmo sem precisar, mesmo com o bicampeonato garantido, mesmo com a rival McLaren alardeando crescimento, o alemão foi lá, ultrapassou Hamilton na terceira curva da corrida e venceu o GP da Coreia do Sul.
 
Com folga. Mesmo com a entrada de um safety car, anulando parte da vantagem construída na primeira parte da prova, Vettel chegou a abrir mais de 11 segundos sobre o pelotão imediatamente atrás.
 
Foi a 10ª vitória do alemão nesta temporada, a 20ª na carreira _o que faz dele o 12º maior vencedor da F-1, ao lado de Hakkinen.
 
Hamilton e Webber completaram o pódio.
 
A corrida começou bem. Uma belíssima primeira volta, talvez a melhor da temporada.
 
Hamilton manteve a ponta, mas foi superado por Vettel na terceira curva. Massa subiu para terceiro, mas acabou caindo para quarto. O pior ali foi Button, que caiu de terceiro para sexto.
 
O top 10 ao fim da primeira volta, Vettel, Hamilton, Webber, Massa, Alonso, Button, Rosberg, Petrov, Di Resta e Schumacher.
 
Formaram-se, então, vários trenzinhos, com pilotos separados por poucos milésimos, mas com poucas tentativas reais de ultrapassagem. Um deles, Massa-Alonso-Button, na luta pelo quarto lugar. Outro, Bruno-Kobayashi-Barrichello, pela 16ª posição.
 
Na 13ª volta, Alonso partiu para cima do brasileiro. E Button e Rosberg abriram os boxes entre a turma da ponta _ o alemão escalou posições com a parada precoce. 
 
Na volta seguinte, Webber a Massa pararam. A Ferrari se atrapalhou no pit stop do brasileiro, mas não o suficiente para que ele perdesse a posição para Alonso, que parou na 16ª.
 
Vettel? Tranquilo na frente, fez seu pit na 17ª e retornou com boa folga.
 
Foi quando Petrov fez lambança. Perdeu o controle do carro na curva 3 e escalou a Mercedes de Schumacher. Os dois abandonaram, e o safety car liberado.
 
A relagarda veio na 21ª volta. Sem a emoção da primeira volta. Button´até tentou colocar o carro lado-a-lado com Webber, mas ficou nisso.
 
Na 25ª volta, Vettel tinha 1s1 sobre Hamilton. Logo atrás, Webber escapava de Button. Rosberg, Massa e Alonso vinham muito próximos. Completando o top 10, Alguersuari, Di Resta e Sutil.
 
Duas voltas depois, Massa enfim partiu pra cima de Rosberg e ganhou a quinta posição. Alonso aproveitou a carona, também passou. Tentou levar mais uma, mas o brasileiro defendeu bem. Ao alemão, restou entrar nos boxes e trocar pneus.
 
Na 33ª, outra boa disputa. Webber tentou superar Hamilton, os dois dividiram duas curvas, mas o inglês prevaleceu. Na volta seguinte, ambos entraram juntos no pit. Saíram juntos e continuaram brigando, dividindo curvas e retas, o melhor duelo da corrida.
 
(Quase um detalhe, Vettel, Button e Massa fizerem o segundo pit na 35ª volta.)
 
Líder momentâneo, Alonso tratou de acelerar para ganhar posições nos boxes. Na 38ª volta já tinha 23s5 de vantagem para Massa. Não deu outra: ganhou a posição. Com mérito, diga-se: ficou na pista, acelerou forte e ainda foi ajudado pelo tráfego que o companheiro enfrentou.
 
Na 40ª volta, Vettel já tinha a vitória assegurada, com 10s7 sobre Hamilton. Mas daí para trás, pódio indefinido. O inglês tinha só 0s7 sobre Webber, que mantinha 1s6 para Button. Alonso já vinha mais distante, acelerando forte, mas ainda a 5s5 da patota.
 
Webber tentou, tentou... E, na 49ª volta, conseguiu passar Hamilton. Durou pouco. O inglês deu o troco. Os dois continuaram grudados, com apenas 0s3 de diferença. Button estava a 1s2. E tudo terminou nessa ordem,
 
Completando a zona de pontos, Alonso, Massa, Alguersuari, Rosberg, Buemi e Di Resta.
 
Num circuito tão insosso, uma corrida melhor do que a encomenda.
 
Com o resultado, Vettel vai a 349 pontos. Button mantém a vice-liderança, com 222. Alonso tem 212 pontos. Webber é o quarto, com 209, seguido por Hamilton, com 196, e Massa, com 96.
 
No Mundial de Construtores, a Red Bull foi a 558 pontos e conquistou o título. Parabéns, foi merecido, sem dúvida. A McLaren tem 418, contra 308 da Ferrari.
 
A McLaren cresceu? A McLaren é páreo para a Red Bull? Tá. Contem outra...

Escrito por Fábio Seixas às 04h44

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O último palpite

Em Yeongam, chance de chuva, mas nada muito forte.

Acho que dá Hamilton, seguido por Button e Vettel.

E você?

Escrito por Fábio Seixas às 02h46

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PERFIL

Nina Horta Fábio Seixas, 37, é jornalista com mestrado em Administração Esportiva pela London Metropolitan University, da Inglaterra, e Coordenador de Produção da Sucursal da Folha no Rio. É colunista de automobilismo da Folha e do UOL.


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