Fábio Seixas

Automobilismo e pitacos sobre tudo o mais

 

Bruno dentro, Barrichello fora

Bruno foi anunciado pela Williams, Barrichello perdeu a vaga.
 
Terminou a novela. E, tudo indica, chegou ao fim também a trajetória do veterano na F-1.
 
Resta uma vaga na Hispania, é verdade. Mas que ele não cometa mais este erro na carreira.
 
Barrichello, quase 40 anos, 326 GPs na categoria, fez sua história. Cheia de altos e baixos, é verdade. Mas qual história não é assim? Quem não é assim? Quem vive só no topo, o tempo todo?
 
Se os maiores méritos de Barrichello foram a técnica refinada e uma persistência admirável, seus maiores pecados foram as declarações desastradas e as escolhas errradas na condução da carreira.
 
Uma coisa anulou a outra, e ele ficará na memória da F-1 como um Patrese, um Coulthard. Pilotos que duraram bastante por lá, por méritos próprios, mas que sustentaram poucos instantes de brilho.
 
O último erro do veterano, que um dia recusou a McLaren e depois anunciou-se na Ferrari como "piloto 1-B", foi a maneira de parar.
 
Poderia ter sido diferente, de forma mais festiva, em Interlagos. Poderia ter sido longe do Twitter, onde ele fez questão de "furar" a Williams em minutos, como que para passar um recado de indignação para a equipe. Mas, enfim, sangue frio nunca entrou para o rol das suas qualidades.
 
Para o público brasileiro, claro, Barrichello tem todo um significado especial. Para o bem e para o mal. É quase um Fla-Flu de capacete branco, azul e vermelho. Para uns, é o piloto que avacalhou a tradição brasileira de campeões, um derrotado, um barbeiro. Para outros, é um símbolo de garra, um "brasileirinho contra esse mundo todo" que conseguiu superar obstáculos e correr 19 temporadas na F-1.
 
Para este blogueiro, ele é parte importante da história brasileira na F-1. Um piloto que cometeu seu maior erro ao assumir um papel que não era dele _equívoco que ele admite hoje_ e que sofreu muito por isso. Um piloto que, se não foi o vencedor que todo torcedor sonhava ver, merece ser reconhecido como o cara que manteve o Brasil na F-1.
 
Quantos jovens pilotos brasileiros não chegaram festejados, passaram pela F-1 e foram embora de cabeça baixa enquanto ele se manteve? Fiz as contas. Dez.
 
Se não fosse Barrichello lembrando a F-1 que o Brasil existe, será que teríamos ainda jovens pilotos na fila para correr na categoria? Acho que o caminho seria mais difícil.
 
Mas fica também uma "herança maldita": esses mesmos jovens cresceram vendo poucas vitórias na F-1. E resultados ruins seguidos de sorrisinhos e promessas. Já dá para identificar hoje um conformismo maior com desempenhos medianos. Massa é um exemplo. Para muitos jovens em categorias de base, Barrichello é ídolo porque ficou muito tempo na F-1, não porque venceu GPs. A torcida é para que alguém quebre esse padrão. Acho que Nasr tem esse potencial.
 
O que o veterano fará agora? Provavelmente, vai descansar um pouco. Alguns meses sabáticos. Depois vai voltar às corridas, claro, porque isso está na alma. Já houve convites da Stock. Mas seria bacana vê-lo em evetos mais top, lá fora. As 24 Horas de Le Mans seriam um bom começo...
 
Já Bruno tem pela frente mais uma "grande chance da vida". A da Renault não foi muito bem aproveitada. Numa equipe mais bem organizadinha, embora longe do brilho de outrora, ele não terá muito com o que se preocupar além do carro. Em 2012 veremos do que ele realmente é capaz.

Escrito por Fábio Seixas às 11h19

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PERFIL

Nina Horta Fábio Seixas, 37, é jornalista com mestrado em Administração Esportiva pela London Metropolitan University, da Inglaterra, e Coordenador de Produção da Sucursal da Folha no Rio. É colunista de automobilismo da Folha e do UOL.


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